algas marinhas
Me formei bióloga para ajudar minha comunidade
Oriento os pescadores da minha cidade e as esposas deles a cultivar algas marinhas
Marcela Delphino
Revista Sou + Eu – 04/06/2009
[img1]Minha família toda é de Icapuí, litoral do Ceará. Como meu pai é pescador, eu e meus cinco irmãos sentíamos na pele os efeitos da falta de lagosta na região. A pesca era a única fonte de renda por aqui. Aí, resolvi estudar Biologia pra mudar essa realidade.
Em 2003, entrei na Universidade Estadual do Rio Grande doNorte (Uern). Continuei morando em Icapuí e viajava 124 km de ônibus todos os dias para ir às aulas. No primeiro ano, passei num concurso da prefeitura pra ser agente ambiental. Foi aí que conheci a ONG Brasil Cidadão. Eles tinham acabado de criar o projeto Mulheres de Corpo e Algas, voltado à população da praia da Barrinha, na minha cidade.
“Era a alternativa perfeita”
O cultivo sustentável das alga’s na nossa região era a alternativa que eu tanto procurava. Elas são ricas em ágar-ágar, uma substância usada na fabricação de cosméticos e alimentos, como gelatinas e musses.
Os pescadores e as mulheres deles fizeram cursos pra aprender a cultivar essas algas. No total, doze famílias estão envolvidas no projeto. Ninguém vive só disso, mas com esse complemento na renda já dá pra pagar algumas contas.
“Um pouco de conhecimento muda as pessoas”
[img2]Com a ajuda de instituições internacionais, construímos uma sede onde secamos as algas e retiramoso ágar-ágar. Pra isso, é preciso aquecê-las. Esse trabalho não causa impacto algum ao meio ambiente. Em 2007, já casada, me formei bióloga. Um ano depois fiz uma especialização em algas marinhas. Me sinto realizada por trabalhar em algo com que sonhei desde menina. Hoje, atuo no projeto e dou aulas de Biologia numa escola estadual. É impressionante como o conhecimento pode mudar a vida das pessoas. Estou grávida de quatro meses e quero ensinar meu bebê a ter sempre sede de saber.
[img3]“Aumentei minha casa com o dinheiro das algas”
“Antes do projeto, vendíamos o quilo da alga por R$ 1 a um atravessador que as revendia. Hoje, o quilo da alga lavada para restaurantes sai por R$ 30. Cada colheita rende entre R$ 50 e R$ 80 pra cada algueira. É pouco, mas consegui juntar R$ 1 mil pra comprar um terreno no fundo da minha casa. Ajudo também a gerenciar o projeto e me animei tanto que comecei a estudar Administração. Essa iniciativa me fez enxergar mais longe.”
[img1]Minha família toda é de Icapuí, litoral do Ceará. Como meu pai é pescador, eu e meus cinco irmãos sentíamos na pele os efeitos da falta de lagosta na região. A pesca era a única fonte de renda por aqui. Aí, resolvi estudar Biologia pra mudar essa realidade.
Em 2003, entrei na Universidade Estadual do Rio Grande doNorte (Uern). Continuei morando em Icapuí e viajava 124 km de ônibus todos os dias para ir às aulas. No primeiro ano, passei num concurso da prefeitura pra ser agente ambiental. Foi aí que conheci a ONG Brasil Cidadão. Eles tinham acabado de criar o projeto Mulheres de Corpo e Algas, voltado à população da praia da Barrinha, na minha cidade.
“Era a alternativa perfeita”
O cultivo sustentável das alga’s na nossa região era a alternativa que eu tanto procurava. Elas são ricas em ágar-ágar, uma substância usada na fabricação de cosméticos e alimentos, como gelatinas e musses.
Os pescadores e as mulheres deles fizeram cursos pra aprender a cultivar essas algas. No total, doze famílias estão envolvidas no projeto. Ninguém vive só disso, mas com esse complemento na renda já dá pra pagar algumas contas.
“Um pouco de conhecimento muda as pessoas”
[img2]Com a ajuda de instituições internacionais, construímos uma sede onde secamos as algas e retiramoso ágar-ágar. Pra isso, é preciso aquecê-las. Esse trabalho não causa impacto algum ao meio ambiente. Em 2007, já casada, me formei bióloga. Um ano depois fiz uma especialização em algas marinhas. Me sinto realizada por trabalhar em algo com que sonhei desde menina. Hoje, atuo no projeto e dou aulas de Biologia numa escola estadual. É impressionante como o conhecimento pode mudar a vida das pessoas. Estou grávida de quatro meses e quero ensinar meu bebê a ter sempre sede de saber.
[img3]“Aumentei minha casa com o dinheiro das algas”
“Antes do projeto, vendíamos o quilo da alga por R$ 1 a um atravessador que as revendia. Hoje, o quilo da alga lavada para restaurantes sai por R$ 30. Cada colheita rende entre R$ 50 e R$ 80 pra cada algueira. É pouco, mas consegui juntar R$ 1 mil pra comprar um terreno no fundo da minha casa. Ajudo também a gerenciar o projeto e me animei tanto que comecei a estudar Administração. Essa iniciativa me fez enxergar mais longe.”