seu lugar
Minha rua, minha casa
Moradores de São Paulo cuidam da rua com o mesmo carinho dedicado à própria casa
Letícia de Almeida Alves
Revista Arquitetura & Construção – 04/2009
Somos mais de 10 milhões. Dividimos o mesmo espaço, moramos na maior capital brasileira. Só que, às vezes, não percebemos que também somos responsáveis pelo nosso entorno.
Conheça aqui a história de alguns cidadãos que, num esforço individual ou coletivo, decidiram cuidar da cidade com atitudes simples e carinhosas. Clique nos títulos para ver mais fotos
UMA VIELA RECUPERADA
Morador de uma casa alugada no bairro do Butantã, o revisor José Américo Justo enfrentava um problema com a viela que margeia sua casa. A ruazinha malcuidada estava sempre com o mato alto e o chão enlameado. Há um ano e meio, José decidiu cuidar do local. Mandou retirar o mato e cobriu a rua com brita e cascalhos. Depois, plantou árvores frutíferas e floríferas - como romã, acerola, carambola, manacá, ipê -, flores e ervas. Hoje, o rapaz paga pela iluminação e pela manutenção do jardim. Com investimento inicial de cerca de R$ 2 mil, o lugar sujo e degradado se tornou um pequeno oásis.
DO LIXO PARA AS ARVORES
Uma das pioneiras desse movimento foi a arquiteta e doutora pela FAU-USP Adriana Irigoyen. Ela começou a recolher as orquídeas sem flores das lixeiras do bairro Jardim América, onde mora. Em vez de pendurá-las em seu prédio, fixou-as, com segurança, nas árvores do canteiro central da movimentada avenida 9 de Julho. "Foi uma ação para as pessoas. A cidade é o nosso jardim", avalia Adriana. Outro cidadão que aderiu ao movimento é o chef Charlô Whately. Uma variedade dessa espécie embeleza as árvores em frente a seu restaurante, na rua Barão de Capanema.
COM AS MÃOS NA TERRA
O amor do artista plástico Rubens Matuck pela natureza é tão grande que se estendeu de suas obras para a vida. No bairro onde mora, a Vila Madalena, ele é "pai" de várias espécies nativas. "Vou atrás das sementes, deixo-as germinar e cuido de cada muda até a hora de transplantá-las", diz Rubens. Com a mesma paixão com a qual desliza o pincel na tela, ele acompanha o desenvolvimento de cada umas das espécies com aguçada curiosidade pelos brotos que surgem - sempre atento ao verde das praças e parques da Vila.
NO LUGAR DE ENTULHO, ARTE
Um cantinho na confluência das ruas Apinajés, Herculano e Soledade, em Perdizes, durante anos foi usado como depósito de lixo, estacionamento clandestino e abrigo para moradores de rua. Há seis meses, entulho e colchões velhos foram engolidos por um incêndio. Depois do ocorrido, o artista plástico Jaime Prades começou a cuidar do local. Os vizinhos logo vieram contribuir. A jornalista Liliane Oraggio reservou parte dos fins de semana para ajudar. "Foi uma espécie de reconciliação com São Paulo", conta. O local ganhou lindos grafites do Jaime e se tornou um agradável ponto de encontro.
MUROS CHEIOS DE COR
Certo dia, o artista plástico pernambucano D’Ollynda Brasil, morador do Morro do Querosene, no Butantã, pintou cenas do ciclo do bumba-meu-boi, festa tradicional do bairro, na fachada de um estabelecimento. A pintura de estilo naïf fez tanto sucesso que todos queriam fachadas coloridas em suas casas! Assim surgiu o projeto Muros do Querosene, parceria da ONG Movimento Jovem Consciente com o projeto Treme Terra, coordenado pelo psicólogo João Alfredo Meirelles e por D’Ollynda. Artistas foram convidados e 120 espaços urbanos se encheram de cor.
ATENÇÃO! O CAMINHO LEGAL
Antes de tomar qualquer iniciativa em um espaço público, consulte a subprefeitura da região onde pretende fazer a ação. Para adotar uma praça, encontre informações no site São Paulo Mais Verde, da Prefeitura. Para plantar árvores, faça contato com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente . Calçadas residenciais ou comerciais são de responsabilidade do morador/comerciante, mas devem obedecer ao padrão arquitetônico do Programa Passeio Livre, da prefeitura de São Paulo. Consulte a cartilha. E Na foto acima, um exemplo: a rua Avanhandava, em pleno centro da cidade, de calçamento novo.
Somos mais de 10 milhões. Dividimos o mesmo espaço, moramos na maior capital brasileira. Só que, às vezes, não percebemos que também somos responsáveis pelo nosso entorno.
Conheça aqui a história de alguns cidadãos que, num esforço individual ou coletivo, decidiram cuidar da cidade com atitudes simples e carinhosas. Clique nos títulos para ver mais fotos
UMA VIELA RECUPERADA
Morador de uma casa alugada no bairro do Butantã, o revisor José Américo Justo enfrentava um problema com a viela que margeia sua casa. A ruazinha malcuidada estava sempre com o mato alto e o chão enlameado. Há um ano e meio, José decidiu cuidar do local. Mandou retirar o mato e cobriu a rua com brita e cascalhos. Depois, plantou árvores frutíferas e floríferas - como romã, acerola, carambola, manacá, ipê -, flores e ervas. Hoje, o rapaz paga pela iluminação e pela manutenção do jardim. Com investimento inicial de cerca de R$ 2 mil, o lugar sujo e degradado se tornou um pequeno oásis.
DO LIXO PARA AS ARVORES
Uma das pioneiras desse movimento foi a arquiteta e doutora pela FAU-USP Adriana Irigoyen. Ela começou a recolher as orquídeas sem flores das lixeiras do bairro Jardim América, onde mora. Em vez de pendurá-las em seu prédio, fixou-as, com segurança, nas árvores do canteiro central da movimentada avenida 9 de Julho. "Foi uma ação para as pessoas. A cidade é o nosso jardim", avalia Adriana. Outro cidadão que aderiu ao movimento é o chef Charlô Whately. Uma variedade dessa espécie embeleza as árvores em frente a seu restaurante, na rua Barão de Capanema.
COM AS MÃOS NA TERRA
O amor do artista plástico Rubens Matuck pela natureza é tão grande que se estendeu de suas obras para a vida. No bairro onde mora, a Vila Madalena, ele é "pai" de várias espécies nativas. "Vou atrás das sementes, deixo-as germinar e cuido de cada muda até a hora de transplantá-las", diz Rubens. Com a mesma paixão com a qual desliza o pincel na tela, ele acompanha o desenvolvimento de cada umas das espécies com aguçada curiosidade pelos brotos que surgem - sempre atento ao verde das praças e parques da Vila.
NO LUGAR DE ENTULHO, ARTE
Um cantinho na confluência das ruas Apinajés, Herculano e Soledade, em Perdizes, durante anos foi usado como depósito de lixo, estacionamento clandestino e abrigo para moradores de rua. Há seis meses, entulho e colchões velhos foram engolidos por um incêndio. Depois do ocorrido, o artista plástico Jaime Prades começou a cuidar do local. Os vizinhos logo vieram contribuir. A jornalista Liliane Oraggio reservou parte dos fins de semana para ajudar. "Foi uma espécie de reconciliação com São Paulo", conta. O local ganhou lindos grafites do Jaime e se tornou um agradável ponto de encontro.
MUROS CHEIOS DE COR
Certo dia, o artista plástico pernambucano D’Ollynda Brasil, morador do Morro do Querosene, no Butantã, pintou cenas do ciclo do bumba-meu-boi, festa tradicional do bairro, na fachada de um estabelecimento. A pintura de estilo naïf fez tanto sucesso que todos queriam fachadas coloridas em suas casas! Assim surgiu o projeto Muros do Querosene, parceria da ONG Movimento Jovem Consciente com o projeto Treme Terra, coordenado pelo psicólogo João Alfredo Meirelles e por D’Ollynda. Artistas foram convidados e 120 espaços urbanos se encheram de cor.
ATENÇÃO! O CAMINHO LEGAL
Antes de tomar qualquer iniciativa em um espaço público, consulte a subprefeitura da região onde pretende fazer a ação. Para adotar uma praça, encontre informações no site São Paulo Mais Verde, da Prefeitura. Para plantar árvores, faça contato com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente . Calçadas residenciais ou comerciais são de responsabilidade do morador/comerciante, mas devem obedecer ao padrão arquitetônico do Programa Passeio Livre, da prefeitura de São Paulo. Consulte a cartilha. E Na foto acima, um exemplo: a rua Avanhandava, em pleno centro da cidade, de calçamento novo.