Thays Prado - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 16/01/2009
As preocupações com o futuro do planeta não são nenhuma novidade e, nos últimos anos, deixaram de ser coisa de “ecochato”: da Eco-92 à Rio+10; do lançamento do documentário Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, à divulgação dos relatórios do IPCC; dos diálogos iniciais em Bali à Conferência de Copenhague, marcada para o final deste ano e que vai definir a Agenda 21 do mundo no combate às mudanças climáticas, o assunto ocupa cada vez mais espaço.
Naturalmente, a mídia acompanha esse movimento e, na maioria das vezes, trata do tema com seriedade, atribuindo-lhe um tom bastante sisudo. A maioria de quem acompanha notícias relacionadas ao meio ambiente e ao contexto social e econômico do mundo, geralmente fica triste e preocupado, com uma sensação de peso nas costas ou ainda desiludido diante de um quadro para o qual parece não haver saída. Mas será que temas sérios não poderiam ser encarados com um pouco de bom humor?
UMA BRINCADEIRA CONVENIENTE
Em artigo publicado na revista eletrônica Intelligent Life, o jornalista e escritor teatral inglês Robert Butler, que também escreve sobre meio ambiente, observa que, no maior livro de piadas do mundo, “Man walks into a bar”, com 550 páginas e mais de 400 verbetes, não há nenhuma referência a aquecimento global, mudanças climáticas ou planeta Terra, por exemplo.
E Butler questiona a razão disso. Para ele, o argumento de que esses assuntos são muito sérios não é válido, uma vez que há inúmeras piadas que falam sobre lepra, morte e suicídio. Também não dá para dizer que se trata de temas chatos, pois “há piadas sobre contabilidade”, lembra o jornalista. Ele diz que o argumento de que esses tópicos soam como uma “lição de moral” talvez seja o mais pertinente.
Na opinião de Butler, para os cartunistas, é mais fácil brincar com os desastres que podem, de fato, nos acontecer, mas acredita que isso pode ser estendido a todo tipo de humorista. Evidentemente, ele termina o artigo com uma piada (“Quantos céticos em relação às mudanças climáticas são necessários para trocar uma lâmpada? Resposta: Nenhum. É muito cedo para dizer que a lâmpada precisa ser trocada.) e abre um parêntese: “Alguém tem que fazer essa coisa começar!”.
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Já o filósofo Mário Sérgio Cortella explica que seriedade não é necessariamente sinônimo de tristeza ou falta de humor. “O contrário de seriedade não é alegria, mas, sim, falta de compromisso”. Para ele, não há dúvida de que o tema sustentabilidade pode ser tratado com bom humor. “Por ser um tema sério, precisa de atração, sedução e conexão, e isso o humor pode oferecer. O humor serve para encantar e não apenas para distrair ou fazer desaparecer o foco. Como uma expressão inteligente da capacidade humana, espanta, interroga, surpreende, ensina e faz pensar”.
Cortella, mesmo, já falou sobre Sustentabilidade com bom humor: foi no lançamento do 4º. Dossiê Universo Jovem, da MTV, em setembro do ano passado. E encantou a platéia com suas tiradas rápidas e inteligentes, levando-a a rir, várias vezes, apesar do papo tão sério: cresce a quantidade de jovens engajados e conscientes, mas a grande maioria não se incomoda, não pretende agir e não acredita nas notícias. O filósofo agradou.
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É ENGRAÇADO, MAS É SÉRIO
Márcio Leite, responsável pelo site BrazilCartoon e organizador do 1º Salão Internacional de Humor pela Floresta Amazônica, acredita que o cartunista é um crítico da vida, que tem como arma a caneta, a ideia e a máxima de que uma imagem vale por mil palavras. Seu papel é mostrar a realidade por um ângulo diferente e de forma bem humorada. “Mais do que provocar o riso, o cartum convida à reflexão. Primeiro vem o sorriso e depois se começa a pensar mais sobre aquele assunto”.
Pelos trabalhos que concorreram no salão, Leite tem a impressão de que a visões dos cartunistas sobre as questões que envolvem o meio ambiente são bem próximas, independentemente de suas nacionalidades. Segundo ele, pelo fato de se tratar de um tema global, é muito comum ver obras semelhantes feitas por ilustradores de diferentes partes do mundo.
Aliás, Leite nota uma tendência, entre esses profissionais, para abordar temas mais abrangentes, como ecologia e os desafios dos seres humanos, e menos acontecimentos específicos. Mesmo em salões em que o tema é livre, assuntos como água, seca, derretimento do gelo, desmatamento, aquecimento global e preservação de riquezas naturais são frequentemente contemplados.
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Biratan Porto é um dos artistas que percebeu logo que o humor poderia ser um grande aliado ao chamar a atenção do público para temas relevantes. Nascido em Belém do Pará, ele conta que desde jovem, na década de 70, via na estrada muitos caminhões carregados de “madeira de lei” e ficava indignado. Quando entrou para o jornal "A Província do Pará” para fazer charges diárias, não perdeu a oportunidade de fazer suas primeiras críticas contra aquilo.
Ele reconhece que há alguns assuntos dentro do tema ecologia que são mais difíceis de serem abordados. “Raramente o leitor vai dar gargalhadas de um cartum ecológico como se fosse uma piada de náufrago na ilha. O buraco de ozônio é mais em baixo. A maioria dos cartuns que versam sobre o tema causa um riso discreto, mas a mensagem embutida é o que fica”, diz Biratan.
[img6]O ilustrador Ali Mouhsine e a jornalista Daniela Bertocchi (em breve, eles lançarão um cartoon-blog, aqui no Planeta Sustentável) concordam que certos assuntos são realmente mais densos e exigem que o público domine alguns conteúdos, “mas isso não quer dizer que seja necessário tratá-los de forma prolixa e chata”. Pelo contrário, “quanto mais duro o assunto, mais margem ao humor ele permite. Isso acontece com a política, com a economia, com a religião”.
Para eles, o humor tem a nobre função de traduzir e simplificar questões complexas. “É uma forma de chamar a atenção para os pontos mais sensíveis e relevantes do contexto, com doses de leveza, alegria e ironia, o que torna a situação mais atrativa”.
Daniela vai mais longe na reflexão e acrescenta que abordar sustentabilidade com humor é uma maneira de reanimar um assunto que já está muito desgastado e, com isso, conseguir sensibilizar mais as pessoas. “As imagens imediatamente são aprendidas por nossa mente e nos mostram, de maneira ágil e fluida, os pontos mais críticos sobre a questão. Não é o mesmo que ler uma notícia, é uma outra forma de apreender e aprender”.
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Em outras palavras, Marco Luque, ator e apresentador do programa de televisão CQC – Custe o Que Custar, diz que “o humor age como ‘vaselina’ para a mensagem entrar na mente das pessoas”. Sua teoria é a de que, com a correria e o estresse em que vivemos, o bom humor “funciona como um gatilho para mudar esse estado de espírito e deixar as pessoas mais leves e receptivas a qualquer assunto”.
E para quem já está imaginando como teria sido bom tratar o tema da sustentabilidade com humor desde o começo, Luque faz uma ressalva: “Se falássemos sobre conscientização ambiental há 10 anos através do humor, o público não prestaria atenção porque ninguém estava preocupado com isso e com certeza não teríamos o retorno que temos hoje”.
O CÉREBRO AGRADECE
Como se ficar informado e mais crítico sobre assuntos de extrema importância para a humanidade já não fosse bom o bastante, o humor também faz bem à cabeça. De acordo com o neurologista Cícero Galli, o cérebro adulto é capaz de produzir novos neurônios, que são direcionados, principalmente, para a região responsável pela memória, que é por onde entram as informações mais recentes que recebemos, ou seja, a área responsável pelo aprendizado.
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O fator que mais influencia a velocidade de formação dessas células nervosas é nosso estado emocional. “Se a pessoa estiver deprimida, nervosa, angustiada ou preocupada, ela bloqueia a produção de neurônios novos e é capaz de destruir parte dos já existentes. Isso quer dizer que tentar aprender pelo sofrimento é péssimo”.
Cícero explica que as doenças neurodegenerativas e as autoimunitárias – como esclerose múltipla, lúpus e artrite reumatóide –, apesar de terem um fator genético, normalmente são desencadeadas por sofrimento. “Pessoas com personalidade angustiada, que sofrem por antecipação, por tudo e por nada podem ter Mal de Parkinson”. O neurologista diz que, em muitos casos, a própria doença deixa o paciente ainda mais angustiado, o que gera um ciclo vicioso e agrava o quadro. Por outro lado, “a doença pode se manter bastante estável se o paciente resolver aprender a lição que ainda não aprendeu na vida, que é a da alegria e da tranquilidade”.
É bom ficar atento, pessoas serenas e bem humoradas têm muito mais chances de se manter lúcidas e ativas em idade avançada do que as nervosas, temerosas, agressivas e impacientes. Segundo Galli, três traços de personalidade favorecem um ganho de lucidez ao longo da vida:
- altruísmo;
- capacidade de não guardar ressentimentos e
- capacidade de guardar gratidão.
Aos profissionais da mídia fica o alerta sobre a responsabilidade do que divulgam e da maneira como tratam de certos temas. Abordagens exageradas e pessimistas podem ser uma questão de saúde pública. “Muitos pacientes com Parkinson chegam apavorados ao consultório por causa da crise internacional, da falta de comida no mundo, da menina que foi jogada pela janela”, conta o neurologista. Ele lembra que um reforço positivo sempre funciona melhor do que um negativo. “Nas relações entre chefe e subalterno, sempre se consegue mais de um funcionário valorizando o que ele faz de correto do que o punindo pelo que ele não fez. O segredo é manter o alto astral é estimulá-lo a se desenvolver mais”. Está aí uma boa dica para tratarmos de sustentabilidade.
Não é preciso ser nenhum especialista para intuir que o bom humor é, no mínimo, uma bela tentativa de abordarmos um assunto que está e sempre estará presente em todas as áreas de nossa vida. Daniela Bertocchi lembra que “sorrir é uma capacidade humana universal e somos capazes de rir, inclusive, das desgraças que nos ocorrem”. E Ali Mouhsine complementa essa idéia: “a felicidade é um sentimento estreitamente ligado ao humor. E a sustentabilidade é o caminho para a felicidade. Assim, desperdiçamos menos, economizamos energia, utilizamos fontes renováveis, temos um crescimento econômico apropriado, a educação e a informação são disseminadas de forma mais igualitária e justa, e a nossa relação com a natureza se torna harmoniosa e natural".
Thays Prado - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 16/01/2009
As preocupações com o futuro do planeta não são nenhuma novidade e, nos últimos anos, deixaram de ser coisa de “ecochato”: da Eco-92 à Rio+10; do lançamento do documentário Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, à divulgação dos relatórios do IPCC; dos diálogos iniciais em Bali à Conferência de Copenhague, marcada para o final deste ano e que vai definir a Agenda 21 do mundo no combate às mudanças climáticas, o assunto ocupa cada vez mais espaço.
Naturalmente, a mídia acompanha esse movimento e, na maioria das vezes, trata do tema com seriedade, atribuindo-lhe um tom bastante sisudo. A maioria de quem acompanha notícias relacionadas ao meio ambiente e ao contexto social e econômico do mundo, geralmente fica triste e preocupado, com uma sensação de peso nas costas ou ainda desiludido diante de um quadro para o qual parece não haver saída. Mas será que temas sérios não poderiam ser encarados com um pouco de bom humor?
UMA BRINCADEIRA CONVENIENTE
Em artigo publicado na revista eletrônica Intelligent Life, o jornalista e escritor teatral inglês Robert Butler, que também escreve sobre meio ambiente, observa que, no maior livro de piadas do mundo, “Man walks into a bar”, com 550 páginas e mais de 400 verbetes, não há nenhuma referência a aquecimento global, mudanças climáticas ou planeta Terra, por exemplo.
E Butler questiona a razão disso. Para ele, o argumento de que esses assuntos são muito sérios não é válido, uma vez que há inúmeras piadas que falam sobre lepra, morte e suicídio. Também não dá para dizer que se trata de temas chatos, pois “há piadas sobre contabilidade”, lembra o jornalista. Ele diz que o argumento de que esses tópicos soam como uma “lição de moral” talvez seja o mais pertinente.
Na opinião de Butler, para os cartunistas, é mais fácil brincar com os desastres que podem, de fato, nos acontecer, mas acredita que isso pode ser estendido a todo tipo de humorista. Evidentemente, ele termina o artigo com uma piada (“Quantos céticos em relação às mudanças climáticas são necessários para trocar uma lâmpada? Resposta: Nenhum. É muito cedo para dizer que a lâmpada precisa ser trocada.) e abre um parêntese: “Alguém tem que fazer essa coisa começar!”.
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Já o filósofo Mário Sérgio Cortella explica que seriedade não é necessariamente sinônimo de tristeza ou falta de humor. “O contrário de seriedade não é alegria, mas, sim, falta de compromisso”. Para ele, não há dúvida de que o tema sustentabilidade pode ser tratado com bom humor. “Por ser um tema sério, precisa de atração, sedução e conexão, e isso o humor pode oferecer. O humor serve para encantar e não apenas para distrair ou fazer desaparecer o foco. Como uma expressão inteligente da capacidade humana, espanta, interroga, surpreende, ensina e faz pensar”.
Cortella, mesmo, já falou sobre Sustentabilidade com bom humor: foi no lançamento do 4º. Dossiê Universo Jovem, da MTV, em setembro do ano passado. E encantou a platéia com suas tiradas rápidas e inteligentes, levando-a a rir, várias vezes, apesar do papo tão sério: cresce a quantidade de jovens engajados e conscientes, mas a grande maioria não se incomoda, não pretende agir e não acredita nas notícias. O filósofo agradou.
[img4]
É ENGRAÇADO, MAS É SÉRIO
Márcio Leite, responsável pelo site BrazilCartoon e organizador do 1º Salão Internacional de Humor pela Floresta Amazônica, acredita que o cartunista é um crítico da vida, que tem como arma a caneta, a ideia e a máxima de que uma imagem vale por mil palavras. Seu papel é mostrar a realidade por um ângulo diferente e de forma bem humorada. “Mais do que provocar o riso, o cartum convida à reflexão. Primeiro vem o sorriso e depois se começa a pensar mais sobre aquele assunto”.
Pelos trabalhos que concorreram no salão, Leite tem a impressão de que a visões dos cartunistas sobre as questões que envolvem o meio ambiente são bem próximas, independentemente de suas nacionalidades. Segundo ele, pelo fato de se tratar de um tema global, é muito comum ver obras semelhantes feitas por ilustradores de diferentes partes do mundo.
Aliás, Leite nota uma tendência, entre esses profissionais, para abordar temas mais abrangentes, como ecologia e os desafios dos seres humanos, e menos acontecimentos específicos. Mesmo em salões em que o tema é livre, assuntos como água, seca, derretimento do gelo, desmatamento, aquecimento global e preservação de riquezas naturais são frequentemente contemplados.
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Biratan Porto é um dos artistas que percebeu logo que o humor poderia ser um grande aliado ao chamar a atenção do público para temas relevantes. Nascido em Belém do Pará, ele conta que desde jovem, na década de 70, via na estrada muitos caminhões carregados de “madeira de lei” e ficava indignado. Quando entrou para o jornal "A Província do Pará” para fazer charges diárias, não perdeu a oportunidade de fazer suas primeiras críticas contra aquilo.
Ele reconhece que há alguns assuntos dentro do tema ecologia que são mais difíceis de serem abordados. “Raramente o leitor vai dar gargalhadas de um cartum ecológico como se fosse uma piada de náufrago na ilha. O buraco de ozônio é mais em baixo. A maioria dos cartuns que versam sobre o tema causa um riso discreto, mas a mensagem embutida é o que fica”, diz Biratan.
[img6]O ilustrador Ali Mouhsine e a jornalista Daniela Bertocchi (em breve, eles lançarão um cartoon-blog, aqui no Planeta Sustentável) concordam que certos assuntos são realmente mais densos e exigem que o público domine alguns conteúdos, “mas isso não quer dizer que seja necessário tratá-los de forma prolixa e chata”. Pelo contrário, “quanto mais duro o assunto, mais margem ao humor ele permite. Isso acontece com a política, com a economia, com a religião”.
Para eles, o humor tem a nobre função de traduzir e simplificar questões complexas. “É uma forma de chamar a atenção para os pontos mais sensíveis e relevantes do contexto, com doses de leveza, alegria e ironia, o que torna a situação mais atrativa”.
Daniela vai mais longe na reflexão e acrescenta que abordar sustentabilidade com humor é uma maneira de reanimar um assunto que já está muito desgastado e, com isso, conseguir sensibilizar mais as pessoas. “As imagens imediatamente são aprendidas por nossa mente e nos mostram, de maneira ágil e fluida, os pontos mais críticos sobre a questão. Não é o mesmo que ler uma notícia, é uma outra forma de apreender e aprender”.
[img5]
Em outras palavras, Marco Luque, ator e apresentador do programa de televisão CQC – Custe o Que Custar, diz que “o humor age como ‘vaselina’ para a mensagem entrar na mente das pessoas”. Sua teoria é a de que, com a correria e o estresse em que vivemos, o bom humor “funciona como um gatilho para mudar esse estado de espírito e deixar as pessoas mais leves e receptivas a qualquer assunto”.
E para quem já está imaginando como teria sido bom tratar o tema da sustentabilidade com humor desde o começo, Luque faz uma ressalva: “Se falássemos sobre conscientização ambiental há 10 anos através do humor, o público não prestaria atenção porque ninguém estava preocupado com isso e com certeza não teríamos o retorno que temos hoje”.
O CÉREBRO AGRADECE
Como se ficar informado e mais crítico sobre assuntos de extrema importância para a humanidade já não fosse bom o bastante, o humor também faz bem à cabeça. De acordo com o neurologista Cícero Galli, o cérebro adulto é capaz de produzir novos neurônios, que são direcionados, principalmente, para a região responsável pela memória, que é por onde entram as informações mais recentes que recebemos, ou seja, a área responsável pelo aprendizado.
[img2]
O fator que mais influencia a velocidade de formação dessas células nervosas é nosso estado emocional. “Se a pessoa estiver deprimida, nervosa, angustiada ou preocupada, ela bloqueia a produção de neurônios novos e é capaz de destruir parte dos já existentes. Isso quer dizer que tentar aprender pelo sofrimento é péssimo”.
Cícero explica que as doenças neurodegenerativas e as autoimunitárias – como esclerose múltipla, lúpus e artrite reumatóide –, apesar de terem um fator genético, normalmente são desencadeadas por sofrimento. “Pessoas com personalidade angustiada, que sofrem por antecipação, por tudo e por nada podem ter Mal de Parkinson”. O neurologista diz que, em muitos casos, a própria doença deixa o paciente ainda mais angustiado, o que gera um ciclo vicioso e agrava o quadro. Por outro lado, “a doença pode se manter bastante estável se o paciente resolver aprender a lição que ainda não aprendeu na vida, que é a da alegria e da tranquilidade”.
É bom ficar atento, pessoas serenas e bem humoradas têm muito mais chances de se manter lúcidas e ativas em idade avançada do que as nervosas, temerosas, agressivas e impacientes. Segundo Galli, três traços de personalidade favorecem um ganho de lucidez ao longo da vida:
- altruísmo;
- capacidade de não guardar ressentimentos e
- capacidade de guardar gratidão.
Aos profissionais da mídia fica o alerta sobre a responsabilidade do que divulgam e da maneira como tratam de certos temas. Abordagens exageradas e pessimistas podem ser uma questão de saúde pública. “Muitos pacientes com Parkinson chegam apavorados ao consultório por causa da crise internacional, da falta de comida no mundo, da menina que foi jogada pela janela”, conta o neurologista. Ele lembra que um reforço positivo sempre funciona melhor do que um negativo. “Nas relações entre chefe e subalterno, sempre se consegue mais de um funcionário valorizando o que ele faz de correto do que o punindo pelo que ele não fez. O segredo é manter o alto astral é estimulá-lo a se desenvolver mais”. Está aí uma boa dica para tratarmos de sustentabilidade.
Não é preciso ser nenhum especialista para intuir que o bom humor é, no mínimo, uma bela tentativa de abordarmos um assunto que está e sempre estará presente em todas as áreas de nossa vida. Daniela Bertocchi lembra que “sorrir é uma capacidade humana universal e somos capazes de rir, inclusive, das desgraças que nos ocorrem”. E Ali Mouhsine complementa essa idéia: “a felicidade é um sentimento estreitamente ligado ao humor. E a sustentabilidade é o caminho para a felicidade. Assim, desperdiçamos menos, economizamos energia, utilizamos fontes renováveis, temos um crescimento econômico apropriado, a educação e a informação são disseminadas de forma mais igualitária e justa, e a nossa relação com a natureza se torna harmoniosa e natural".


























