ser você mesmo
A iogue executiva
A líder espiritual indiana Mohini Panjabi afirma que é possível manter os valores pessoais mesmo dentro de corporações
Por Liane Alves
Revista Vida Simples - 10/2008
Ela tem 50 anos de experiência em raja ioga, uma das mais altas práticas espirituais indianas, ao mesmo tempo que é uma das principais líderes executivas de uma organização espiritual, a Brahma Kumaris, que tem 8 mil escolas em mais de 110 países e que há 29 anos ensina meditação no Brasil. Representante da entidade na ONU e responsável por sua administração nas Américas e no Caribe, Mohini Panjabi desenvolveu uma habilidade insuperável para aplicar na prática a espiritualidade no trabalho. Ela esteve no Brasil recentemente para falar das atitudes e condutas que envolvem a espiritualidade vivenciada no dia-a-dia dentro das empresas. Sister Mohini, como é mais conhecida, é jornalista e formada em História e em Ciências Políticas pela Universidade de Nova Délhi, na Índia.
Uma de suas maiores preocupações é justamente como conciliar uma carreira bem-sucedida com uma vida espiritual plena. “Como fazer isso?”, diz a sábia. De acordo com ela, a tarefa não é fácil, mas é possível e somente traz bons frutos. Para Mohini, a questão tem a ver com a percepção e a consciência. Ou seja: é com a integração das duas que uma pessoa pode alcançar a posição de líder e ao mesmo tempo levar uma vida justa, equilibrada e amorosa. Conheça a seguir algumas de suas opiniões.
No caso de um impasse ético, em que seu emprego pode estar em jogo, qual seria a melhor conduta?
É sempre sua consciência que o guia no trabalho, mesmo quando seu emprego está por um fio. Então é melhor permanecer firmemente ancorado em seus princípios, porque situações que envolvam a ética tendem a não acontecer apenas uma vez. Além disso, um emprego onde temos de sacrificar continuamente nossos princípios morais e espirituais não é um lugar saudável para trabalhar e viver. O ideal é criar uma firme base de trabalho em conjunto, na qual todos os dias se possa exercitar novas e criativas relações com quem trabalhamos. Dessa maneira, é possível antever situações onde a criatividade de todos pode oferecer alternativas aos desafios que envolvam princípios morais, éticos e espirituais. Se seguirmos cegamente aqueles que são corruptos e deixarmos que eles sejam nossos guias, as situações criadas sempre envolverão a ausência de ética. E aí nossa consciência não vai nos deixar em paz.
O que acontece se você for deixado para trás por não querer entrar num jogo altamente competitivo?
A competição que fere ou prejudica outras pessoas é muito diferente da competição que nos aperfeiçoa. Todos nós somos únicos e especiais, com muitos dons que nos foram dados. Se procuramos por excelência na vida, nós vamos querer aperfeiçoar esses dons, continuando a aprender e a nos desenvolver, pessoalmente e também em nossa vida profissional. Nesse caso, vamos querer melhorar a empresa onde trabalhamos, melhorar os serviços que prestamos e nossos produtos. É um tipo de competição que nos aperfeiçoa. Todo mundo é espiritual por natureza e já tem naturalmente uma motivação para experimentar as qualidades internas de paz, contentamento e plenitude. Mas essas qualidades também podem se manifestar por meio de nossas ações de um jeito que habitualmente não chamamos de competitivo mas que, de certa forma, é. Por exemplo, posso me perguntar: “Quantas pessoas ajudei hoje?”; “Quantas vezes consegui experimentar um sentimento de paz e amor durante o dia?”; “Posso aumentar essa média para mais 10% a cada semana?”. Será nossa consciência a ditar essa experiência e com relação a isso realmente todas as pessoas podem competir e ganhar.
Por que achamos que as pessoas espirituais são incapazes de compreender o mundo material?
Tornar-se um iogue não significa afastar-se do mundo. Ao contrário, a espiritualidade dá iluminação, clareza e poder. E, quando você tem clareza e poder, é capaz de perceber mais facilmente quando há problemas, e como solucioná-los. Quando você aplica a espiritualidade ao lado da compreensão, você clareia o caminho. Sua jornada não se torna apenas prazerosa, mas muito mais significativa. Muitas pessoas acreditam que uma pessoa espiritual não tem interesse em coisas materiais, físicas ou mundanas. Mas não é verdade. A espiritualidade prepara você para o papel que você tem a desempenhar no mundo ou deixa mais claras as necessidades reais que você tem.
Como aliar a espiritualidade ao mundo executivo?
Houve um tempo em que espiritualidade era considerada um assunto de mulheres. As mulheres gostam de ser espirituais, as mulheres gostam de pertencer a Deus. Mas foi por meio da minha compreensão sobre meu dever espiritual no mundo que comecei a aprender sobre gestão e a estimular novos empreendimentos ou abrir centros em diferentes cidades. Quando vim para essa organização, havia apenas sete centros no mundo. Hoje temos 8 mil filiais. Quando cheguei a Nova York, havia três filiais em todo o Caribe, e agora estamos em 38 países apenas nessa região. Minha vida tem um lado bem executivo: em três semanas posso estar em três países diferentes: Canadá, Brasil, Inglaterra... Empresas crescem sob diferentes valores, princípios e metas, mas as organizações espirituais também se expandem. Para isso acontecer, nós não nos sentamos e meditamos apenas.
Como a meditação pode ajudar a ter mais clareza em ações concretas?
A força espiritual não gera apenas auto-soberania, mas nos permite também ter sucesso, expansão. E podemos usar essa auto-soberania para ajudar o mundo. Não é só sentar e meditar, mas empregar essa força gerada pela meditação para atuar. Quando olhamos para o mundo, o que vemos? Há tantas crises. Temos que segurar a chama da esperança. Temos que segurar essa luz em nossas mãos de forma que na escuridão todos possam ver que há luz, que há esperança.
É possível falar de espiritualidade no trabalho sem ser invasivo?
Compartilhar costuma ser mais fácil quando alguém pede para saber mais sobre nosso caminho espiritual do que quando queremos forçar uma pessoa a escutar o que desejamos falar. Além disso, quando vivemos uma vida baseada em princípios espirituais, quando realmente os incorporamos, podemos criar sucesso, paz de espírito e felicidade em nossa existência. Essa forma de comunicação é muito mais prática e poderosa do que apenas fazer discursos para alguém. Se acredito no lado sagrado da vida e escolho, por exemplo, um tipo de alimentação que reflita esse princípio, não é necessário ficar falando e discutindo sobre o que é certo e errado nesse campo. Mas, se alguém estiver interessado e perguntar sobre essa opção, é claro que posso falar e dar mais informações.
Ela tem 50 anos de experiência em raja ioga, uma das mais altas práticas espirituais indianas, ao mesmo tempo que é uma das principais líderes executivas de uma organização espiritual, a Brahma Kumaris, que tem 8 mil escolas em mais de 110 países e que há 29 anos ensina meditação no Brasil. Representante da entidade na ONU e responsável por sua administração nas Américas e no Caribe, Mohini Panjabi desenvolveu uma habilidade insuperável para aplicar na prática a espiritualidade no trabalho. Ela esteve no Brasil recentemente para falar das atitudes e condutas que envolvem a espiritualidade vivenciada no dia-a-dia dentro das empresas. Sister Mohini, como é mais conhecida, é jornalista e formada em História e em Ciências Políticas pela Universidade de Nova Délhi, na Índia.
Uma de suas maiores preocupações é justamente como conciliar uma carreira bem-sucedida com uma vida espiritual plena. “Como fazer isso?”, diz a sábia. De acordo com ela, a tarefa não é fácil, mas é possível e somente traz bons frutos. Para Mohini, a questão tem a ver com a percepção e a consciência. Ou seja: é com a integração das duas que uma pessoa pode alcançar a posição de líder e ao mesmo tempo levar uma vida justa, equilibrada e amorosa. Conheça a seguir algumas de suas opiniões.
No caso de um impasse ético, em que seu emprego pode estar em jogo, qual seria a melhor conduta?
É sempre sua consciência que o guia no trabalho, mesmo quando seu emprego está por um fio. Então é melhor permanecer firmemente ancorado em seus princípios, porque situações que envolvam a ética tendem a não acontecer apenas uma vez. Além disso, um emprego onde temos de sacrificar continuamente nossos princípios morais e espirituais não é um lugar saudável para trabalhar e viver. O ideal é criar uma firme base de trabalho em conjunto, na qual todos os dias se possa exercitar novas e criativas relações com quem trabalhamos. Dessa maneira, é possível antever situações onde a criatividade de todos pode oferecer alternativas aos desafios que envolvam princípios morais, éticos e espirituais. Se seguirmos cegamente aqueles que são corruptos e deixarmos que eles sejam nossos guias, as situações criadas sempre envolverão a ausência de ética. E aí nossa consciência não vai nos deixar em paz.
O que acontece se você for deixado para trás por não querer entrar num jogo altamente competitivo?
A competição que fere ou prejudica outras pessoas é muito diferente da competição que nos aperfeiçoa. Todos nós somos únicos e especiais, com muitos dons que nos foram dados. Se procuramos por excelência na vida, nós vamos querer aperfeiçoar esses dons, continuando a aprender e a nos desenvolver, pessoalmente e também em nossa vida profissional. Nesse caso, vamos querer melhorar a empresa onde trabalhamos, melhorar os serviços que prestamos e nossos produtos. É um tipo de competição que nos aperfeiçoa. Todo mundo é espiritual por natureza e já tem naturalmente uma motivação para experimentar as qualidades internas de paz, contentamento e plenitude. Mas essas qualidades também podem se manifestar por meio de nossas ações de um jeito que habitualmente não chamamos de competitivo mas que, de certa forma, é. Por exemplo, posso me perguntar: “Quantas pessoas ajudei hoje?”; “Quantas vezes consegui experimentar um sentimento de paz e amor durante o dia?”; “Posso aumentar essa média para mais 10% a cada semana?”. Será nossa consciência a ditar essa experiência e com relação a isso realmente todas as pessoas podem competir e ganhar.
Por que achamos que as pessoas espirituais são incapazes de compreender o mundo material?
Tornar-se um iogue não significa afastar-se do mundo. Ao contrário, a espiritualidade dá iluminação, clareza e poder. E, quando você tem clareza e poder, é capaz de perceber mais facilmente quando há problemas, e como solucioná-los. Quando você aplica a espiritualidade ao lado da compreensão, você clareia o caminho. Sua jornada não se torna apenas prazerosa, mas muito mais significativa. Muitas pessoas acreditam que uma pessoa espiritual não tem interesse em coisas materiais, físicas ou mundanas. Mas não é verdade. A espiritualidade prepara você para o papel que você tem a desempenhar no mundo ou deixa mais claras as necessidades reais que você tem.
Como aliar a espiritualidade ao mundo executivo?
Houve um tempo em que espiritualidade era considerada um assunto de mulheres. As mulheres gostam de ser espirituais, as mulheres gostam de pertencer a Deus. Mas foi por meio da minha compreensão sobre meu dever espiritual no mundo que comecei a aprender sobre gestão e a estimular novos empreendimentos ou abrir centros em diferentes cidades. Quando vim para essa organização, havia apenas sete centros no mundo. Hoje temos 8 mil filiais. Quando cheguei a Nova York, havia três filiais em todo o Caribe, e agora estamos em 38 países apenas nessa região. Minha vida tem um lado bem executivo: em três semanas posso estar em três países diferentes: Canadá, Brasil, Inglaterra... Empresas crescem sob diferentes valores, princípios e metas, mas as organizações espirituais também se expandem. Para isso acontecer, nós não nos sentamos e meditamos apenas.
Como a meditação pode ajudar a ter mais clareza em ações concretas?
A força espiritual não gera apenas auto-soberania, mas nos permite também ter sucesso, expansão. E podemos usar essa auto-soberania para ajudar o mundo. Não é só sentar e meditar, mas empregar essa força gerada pela meditação para atuar. Quando olhamos para o mundo, o que vemos? Há tantas crises. Temos que segurar a chama da esperança. Temos que segurar essa luz em nossas mãos de forma que na escuridão todos possam ver que há luz, que há esperança.
É possível falar de espiritualidade no trabalho sem ser invasivo?
Compartilhar costuma ser mais fácil quando alguém pede para saber mais sobre nosso caminho espiritual do que quando queremos forçar uma pessoa a escutar o que desejamos falar. Além disso, quando vivemos uma vida baseada em princípios espirituais, quando realmente os incorporamos, podemos criar sucesso, paz de espírito e felicidade em nossa existência. Essa forma de comunicação é muito mais prática e poderosa do que apenas fazer discursos para alguém. Se acredito no lado sagrado da vida e escolho, por exemplo, um tipo de alimentação que reflita esse princípio, não é necessário ficar falando e discutindo sobre o que é certo e errado nesse campo. Mas, se alguém estiver interessado e perguntar sobre essa opção, é claro que posso falar e dar mais informações.