consumo consciente
Sabendo comprar, não vai sobrar
Instituto Akatu, New Road Map Foundation e Buy Day Nothing são apenas alguns exemplos de instituições e movimentos que se espalham pelo planeta contra o consumo desenfreado
Por Danilo Romeiro
Planeta Sustentável - 23/11/2007
Até a Revolução Industrial, o mundo se desenvolvia sem agredir tanto o planeta. Não havia grande produção e, portanto, o consumo era restrito. Mas, a partir de seu advento, a coisa mudou. Criamos o gosto pela aquisição de coisas, descobrimos o status e esquecemos que os recursos naturais, mesmo grandiosos, são limitados. A consequência dessa cegueira já sentimos há um tempo na pele, no bolso, nos negócios. E foi em momentos isolados de maior consciência que alguns grupos se formaram para falar de consumo consciente.
A New Road Map Foundation, que tem a "missionária" americana Vicki Robin como porta-voz, foi criado em 1980. No Canadá, a organização Adbusters lançou a campanha Buy Nothing Day em 1992, em Vancouver, que repercutiu nos Estados Unidos, em 97, exatamente uma semana depois do Dia de Ações de Graças (veja porquê no post de hoje). Por aqui, as discussões sobre o tema ganharam outra dimensão com a criação do Instituto Akatu, em 2001. Veja abaixo o vídeo de uma campanha do Instituto Akatu lançada neste semestre:
Cada um tem sua forma muito particular de trabalhar, que pode agregar diferentes valores e nomes para suas funções. Mas todos pregam o não-consumismo ou o consumo de forma consciente e responsável, que pode ter por base a proposta dos 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar. Assim, compra-se com mais critério, levando em conta a reutilização do que está sendo consumido e, também, a possibilidade de gerar o menor resíduo possível.
[img01]O Buy Nothing Day, criado pelo artista Ted Buster e pelo publicitário Kalle Lasn, da Adbusters, por exemplo, é uma supercampanha contra o consumismo. Todo ano, mais de 65 países participam desse movimento que prega que as pessoas não comprem absolutamente nada durante 24 horas. Um dia inteiro sem compras!!! Dá pra imaginar?
A idéia é que as pessoas experimentem a sensação de não se deixar levar pelo apelo de adquirir coisas pelo "prazer" de gastar dinheiro: eliminar o hábito de consumir. Só assim dá pra perceber que é possível viver (e muito bem) sem gastar. Ou não gastar tanto.
Os organizadores do Buy Nothing Day vão além: é uma oportunidade para ficar em casa com a família e amigos, aproveitando a vida sem pensar em coisas materiais, como aquele tênis que você viu na sua loja preferida e que, certamente, não vai melhorar em nada sua vida.
[img02]Com o New Road Map, Vicki Robin também trabalha nessa linha, mas de uma forma mais radical. A autora do livro "Dinheiro e Vida", lançado recentemente no Brasil (veja a reportagem O valor do consumo -, é militante da corrente mundial chamada Simplicidade Voluntária, que prega a idéia de que consumamos menos, mas, também, de que devemos usar nosso tempo para fazer algo mais satisfátorio do que simplesmente ganhar dinheiro.
O Instituto Akatu, sediado em São Paulo, dissemina os conceitos de reciclagem e preciclagem, que é a preocupação do consumidor em diminuir a produção dos resíduos logo no ato da compra, optando por produtos biodegradáveis ou recicláveis. Para a instituição, o mais importante é conscientizar e educar as pessoas de que elas são os personagens principais na construção da sustentabilidade. Em artigo escrito para o Planeta Sustentável, Hélio Mattar, presidente do Akatu, explica bem isso: "Está nas mãos dos consumidores o poder de definir as suas necessidades, de decidir consumir apenas o que realmente necessitam e, com isso, controlar o quanto gastamos de recursos da natureza. Se gastamos mais do que a natureza consegue repor, geramos uma série de problemas. Se gastamos menos, permitimos que nossos filhos e netos também possam atender às suas necessidades".
[img03]Na entrevista que deu à revista Vida Simples (edição de junho), publicada no Planeta Sustentável, Mattar revelou dados de pesquisa realizada pelo instituto e afirmou que, realmente, há uma evolução de consciência em relação ao consumo. E o que ainda falta? "As pessoas reconhecerem que seu comportamento individual faz diferença no todo. Hoje, 75% dos brasileiros tomam atitudes de economia, como racionar água e luz, o que tem efeito direto e imediato, inclusive no bolso. O percentual cai para 45% quando se trata de planejar compras e ler rótulos e 30% no caso de reciclar o lixo ou consumir alimentos orgânicos - atitudes com benefícios a médio e longo prazo e impacto coletivo", afirmou.
Sabemos que a realidade é bem diferente em países desenvolvidos, onde há maior consciência sobre o impacto de nossas atitudes no planeta, e também mais ação. Mas os três exemplos que citamos revelam como pessoas de diferentes culturas, em várias partes do mundo, estão ligadas por uma mesma vontade: a de frear o consumismo e, em alguns casos, de minar a força dos "shopoholics" (viciados em compras).
Agir de forma consciente e responsável ao comprar faz parte da realidade de muita gente, sem importar a classe social. Não se trata de abrir mão de uma vida cheia de luxos ou da vida simples que se tem para viver miseravelmente, mas, sim, de perceber que podemos ter o que queremos, mas que o mais importante é identificar se realmente precisamos de tudo o que compramos. E mudarmos.
Este ano, o Dia Mundial sem Compras é 24 de novembro. A campanha convida todos a ficar 24 horas sem gastar dinheiro. Adotá-la, radicalmente, pode ser um pouco complicado para a maioria. Por exemplo: quem não cozinha precisa comer e quem mora longe de tudo pode precisar pegar o ônibus. Mas, se houver pessoas dispostas a passar um dia inteiro sem comprar freneticamente, isso pode significar mudanças consideráveis no hábito de consumir que, com certeza, influenciarão mais pessoas. Que tal fazer disso uma meta? Sua poupança e o meio ambiente agradecem! Sua postura como cidadão também.
Leia também:
Consumir e cuidar
Férias dos mercados
Comprar menos, para comprar mais
Não compre!
Uma ajuda para sair do vermelho
Lacre na carteira
Hoje, ninguém compra nada
A escolha nossa de cada dia
Embalado para o futuro
Pesquisa revela hábitos
Até a Revolução Industrial, o mundo se desenvolvia sem agredir tanto o planeta. Não havia grande produção e, portanto, o consumo era restrito. Mas, a partir de seu advento, a coisa mudou. Criamos o gosto pela aquisição de coisas, descobrimos o status e esquecemos que os recursos naturais, mesmo grandiosos, são limitados. A consequência dessa cegueira já sentimos há um tempo na pele, no bolso, nos negócios. E foi em momentos isolados de maior consciência que alguns grupos se formaram para falar de consumo consciente.
A New Road Map Foundation, que tem a "missionária" americana Vicki Robin como porta-voz, foi criado em 1980. No Canadá, a organização Adbusters lançou a campanha Buy Nothing Day em 1992, em Vancouver, que repercutiu nos Estados Unidos, em 97, exatamente uma semana depois do Dia de Ações de Graças (veja porquê no post de hoje). Por aqui, as discussões sobre o tema ganharam outra dimensão com a criação do Instituto Akatu, em 2001. Veja abaixo o vídeo de uma campanha do Instituto Akatu lançada neste semestre:
Cada um tem sua forma muito particular de trabalhar, que pode agregar diferentes valores e nomes para suas funções. Mas todos pregam o não-consumismo ou o consumo de forma consciente e responsável, que pode ter por base a proposta dos 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar. Assim, compra-se com mais critério, levando em conta a reutilização do que está sendo consumido e, também, a possibilidade de gerar o menor resíduo possível.
[img01]O Buy Nothing Day, criado pelo artista Ted Buster e pelo publicitário Kalle Lasn, da Adbusters, por exemplo, é uma supercampanha contra o consumismo. Todo ano, mais de 65 países participam desse movimento que prega que as pessoas não comprem absolutamente nada durante 24 horas. Um dia inteiro sem compras!!! Dá pra imaginar?
A idéia é que as pessoas experimentem a sensação de não se deixar levar pelo apelo de adquirir coisas pelo "prazer" de gastar dinheiro: eliminar o hábito de consumir. Só assim dá pra perceber que é possível viver (e muito bem) sem gastar. Ou não gastar tanto.
Os organizadores do Buy Nothing Day vão além: é uma oportunidade para ficar em casa com a família e amigos, aproveitando a vida sem pensar em coisas materiais, como aquele tênis que você viu na sua loja preferida e que, certamente, não vai melhorar em nada sua vida.
[img02]Com o New Road Map, Vicki Robin também trabalha nessa linha, mas de uma forma mais radical. A autora do livro "Dinheiro e Vida", lançado recentemente no Brasil (veja a reportagem O valor do consumo -, é militante da corrente mundial chamada Simplicidade Voluntária, que prega a idéia de que consumamos menos, mas, também, de que devemos usar nosso tempo para fazer algo mais satisfátorio do que simplesmente ganhar dinheiro.
O Instituto Akatu, sediado em São Paulo, dissemina os conceitos de reciclagem e preciclagem, que é a preocupação do consumidor em diminuir a produção dos resíduos logo no ato da compra, optando por produtos biodegradáveis ou recicláveis. Para a instituição, o mais importante é conscientizar e educar as pessoas de que elas são os personagens principais na construção da sustentabilidade. Em artigo escrito para o Planeta Sustentável, Hélio Mattar, presidente do Akatu, explica bem isso: "Está nas mãos dos consumidores o poder de definir as suas necessidades, de decidir consumir apenas o que realmente necessitam e, com isso, controlar o quanto gastamos de recursos da natureza. Se gastamos mais do que a natureza consegue repor, geramos uma série de problemas. Se gastamos menos, permitimos que nossos filhos e netos também possam atender às suas necessidades".
[img03]Na entrevista que deu à revista Vida Simples (edição de junho), publicada no Planeta Sustentável, Mattar revelou dados de pesquisa realizada pelo instituto e afirmou que, realmente, há uma evolução de consciência em relação ao consumo. E o que ainda falta? "As pessoas reconhecerem que seu comportamento individual faz diferença no todo. Hoje, 75% dos brasileiros tomam atitudes de economia, como racionar água e luz, o que tem efeito direto e imediato, inclusive no bolso. O percentual cai para 45% quando se trata de planejar compras e ler rótulos e 30% no caso de reciclar o lixo ou consumir alimentos orgânicos - atitudes com benefícios a médio e longo prazo e impacto coletivo", afirmou.
Sabemos que a realidade é bem diferente em países desenvolvidos, onde há maior consciência sobre o impacto de nossas atitudes no planeta, e também mais ação. Mas os três exemplos que citamos revelam como pessoas de diferentes culturas, em várias partes do mundo, estão ligadas por uma mesma vontade: a de frear o consumismo e, em alguns casos, de minar a força dos "shopoholics" (viciados em compras).
Agir de forma consciente e responsável ao comprar faz parte da realidade de muita gente, sem importar a classe social. Não se trata de abrir mão de uma vida cheia de luxos ou da vida simples que se tem para viver miseravelmente, mas, sim, de perceber que podemos ter o que queremos, mas que o mais importante é identificar se realmente precisamos de tudo o que compramos. E mudarmos.
Este ano, o Dia Mundial sem Compras é 24 de novembro. A campanha convida todos a ficar 24 horas sem gastar dinheiro. Adotá-la, radicalmente, pode ser um pouco complicado para a maioria. Por exemplo: quem não cozinha precisa comer e quem mora longe de tudo pode precisar pegar o ônibus. Mas, se houver pessoas dispostas a passar um dia inteiro sem comprar freneticamente, isso pode significar mudanças consideráveis no hábito de consumir que, com certeza, influenciarão mais pessoas. Que tal fazer disso uma meta? Sua poupança e o meio ambiente agradecem! Sua postura como cidadão também.
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