Rema, remador
A Arte como salva-vidas
O artista Eduardo Srur faz intervenções urbanas e cria relações entre o homem e o ambiente em que vive
Por Mariana Shirai
Revista Bravo! - 07/2007
Em outubro do ano passado, o artista Eduardo Srur colocou no rio Pinheiros, no centro de São Paulo, 100 caiaques ocupados por 150 manequins de plástico. Dessa maneira, a intervenção Caiaques reconstruiu uma cena comum na capital paulista até a década de 1940: pessoas desfrutando do rio.
O misto de estranhamento e fascínio provocado pela obra trouxe consigo reflexões sobre as águas poluídas do Pinheiros. "É um rio que morreu por falta de cuidado. Com a intervenção, todos foram obrigados a ver o que não queriam", conta o artista paulistano de 33 anos. Para ele, a realidade cotidiana adormecida na mente do público pode se alterar frente a esse tipo de impacto visual.
"Além disso, os botes fazem um convite para se pensar nos problemas ambientais." Essa relação entre homem e ambiente urbano tem direcionado fortemente a obra de Srur, chamando a atenção da comunidade internacional. A Suíça recebe até novembro uma das mais conhecidas "ações" feitas por Srur e que ajudou a aproximar seu trabalho do público e da crítica.
Srur começou a carreira em 1996. Após um início na pintura, em que desenvolveu séries baseadas em fotografias, sua produção rumou drasticamente para o campo da intervenção urbana. Emblema dessa mudança é Acampamento dos Anjos, de 2004, em que Srur pendurou 35 barracas de camping coloridas e iluminadas no prédio do Instituto Doutor Arnaldo no bairro de Cerqueira César, em São Paulo , na época, em construção.
Acampamento... já rodou por outras dez cidades do mundo, como Paris, Havana e Friburgo. Até 25 de novembro, estará no Château de Nyon Musée Historique et des Porcelaines, em Nyon, Suíça, na mostra coletiva intitulada Les Rêves du Château (Os Sonhos do Castelo). Lá, duas tendas iluminadas foram instaladas na parte de fora da construção do século 12 que abriga a instituição.
Surfista desde a adolescência, Srur, que mora em São Paulo, costumava recarregar as energias com idas freqüentes ao litoral. Quando o trabalho começou a exigir sua presença constante na cidade, as viagens passaram a ficar cada vez mais raras. "Eu já não podia viajar toda hora e isso acabou se aliando ao meu processo de transição para a intervenção", explica Srur.
"Com o tempo, meus escapes deixaram de ser tão necessários, pois minha presença na metrópole mudou, ficou mais verdadeira. Muitas vezes moramos na cidade sem querer morar, vira quase uma sobrevivência urbana."
SOBREVIVÊNCIA
Sobrevivência é, aliás, o nome da mais recente manifestação de Srur no Brasil. Durante a última edição da Virada Cultural de São Paulo, em maio deste ano, o Monumento a Carlos Gomes, de Luigi Brizzolara, no Vale do Anhangabaú, ganhou acessórios inusitados: coletes salva-vidas e bóias redondas foram instalados nas figuras humanas e nos cavalos da escultura.
Sobrevivência toca tanto na questão do resgate da história (no caso, da cidade), como na da idéia de que a arte pode ser salvação possível. O próximo projeto de Srur é uma continuação desse tema, mas agrega também a questão do aquecimento global. Ele pretende espalhar centenas de bóias salva-vidas em lagos urbanos, como o do parque do Ibirapuera.
A preocupação com o meio ambiente, nesse caso, vai além do conceito da obra, já que as peças usadas na intervenção serão 100% recicláveis.
ONDE E QUANDO
Les Rêves du Château. Exposição coletiva realizada no Château de Nyon Musée Historique et des Porcelaines (Suíça). Informações: www.chateaudenyon.ch
Em outubro do ano passado, o artista Eduardo Srur colocou no rio Pinheiros, no centro de São Paulo, 100 caiaques ocupados por 150 manequins de plástico. Dessa maneira, a intervenção
Caiaques reconstruiu uma cena comum na capital paulista até a década de 1940: pessoas desfrutando do rio.
O misto de estranhamento e fascínio provocado pela obra trouxe consigo reflexões sobre as águas poluídas do Pinheiros. "É um rio que morreu por falta de cuidado. Com a intervenção, todos foram obrigados a ver o que não queriam", conta o artista paulistano de 33 anos. Para ele, a realidade cotidiana adormecida na mente do público pode se alterar frente a esse tipo de impacto visual.
"Além disso, os botes fazem um convite para se pensar nos problemas ambientais." Essa relação entre homem e ambiente urbano tem direcionado fortemente a obra de Srur, chamando a atenção da comunidade internacional. A Suíça recebe até novembro uma das mais conhecidas "ações" feitas por Srur e que ajudou a aproximar seu trabalho do público e da crítica.
Srur começou a carreira em 1996. Após um início na pintura, em que desenvolveu séries baseadas em fotografias, sua produção rumou drasticamente para o campo da intervenção urbana. Emblema dessa mudança é Acampamento dos Anjos, de 2004, em que Srur pendurou 35 barracas de camping coloridas e iluminadas no prédio do Instituto Doutor Arnaldo no bairro de Cerqueira César, em São Paulo , na época, em construção.
Acampamento... já rodou por outras dez cidades do mundo, como Paris, Havana e Friburgo. Até 25 de novembro, estará no Château de Nyon Musée Historique et des Porcelaines, em Nyon, Suíça, na mostra coletiva intitulada Les Rêves du Château (Os Sonhos do Castelo). Lá, duas tendas iluminadas foram instaladas na parte de fora da construção do século 12 que abriga a instituição.
Surfista desde a adolescência, Srur, que mora em São Paulo, costumava recarregar as energias com idas freqüentes ao litoral. Quando o trabalho começou a exigir sua presença constante na cidade, as viagens passaram a ficar cada vez mais raras. "Eu já não podia viajar toda hora e isso acabou se aliando ao meu processo de transição para a intervenção", explica Srur.
"Com o tempo, meus escapes deixaram de ser tão necessários, pois minha presença na metrópole mudou, ficou mais verdadeira. Muitas vezes moramos na cidade sem querer morar, vira quase uma sobrevivência urbana."
SOBREVIVÊNCIA
Sobrevivência é, aliás, o nome da mais recente manifestação de Srur no Brasil. Durante a última edição da Virada Cultural de São Paulo, em maio deste ano, o Monumento a Carlos Gomes, de Luigi Brizzolara, no Vale do Anhangabaú, ganhou acessórios inusitados: coletes salva-vidas e bóias redondas foram instalados nas figuras humanas e nos cavalos da escultura.
Sobrevivência toca tanto na questão do resgate da história (no caso, da cidade), como na da idéia de que a arte pode ser salvação possível. O próximo projeto de Srur é uma continuação desse tema, mas agrega também a questão do aquecimento global. Ele pretende espalhar centenas de bóias salva-vidas em lagos urbanos, como o do parque do Ibirapuera.
A preocupação com o meio ambiente, nesse caso, vai além do conceito da obra, já que as peças usadas na intervenção serão 100% recicláveis.
ONDE E QUANDO
Les Rêves du Château. Exposição coletiva realizada no Château de Nyon Musée Historique et des Porcelaines (Suíça). Informações: www.chateaudenyon.ch