CONSUMO
O poder da sua carteira
Usar bem seu salário tem o mesmo efeito positivo para o meio ambiente do que economizar água e reciclar o lixo
Por Marcos Gusmão
Revista Você S/A - 11/2005
Nem bem o salário é depositado e você já começa a gastá-lo. Quase de forma automática paga suas contas, investe uma parte e usa o restante para adquirir alguns mimos para levantar a auto-estima. Mas você já parou para pensar que usar sua remuneração ou mesmo pegar um empréstimo no banco para trocar de carro impacta não somente o seu bem-estar pessoal, mas também a sustentabilidade do planeta e da sociedade? Parece exagero? Não é. Tanto que a organização não-governamental Instituto Akatu lançou este ano a campanha O Consumo Consciente do Dinheiro e do Crédito, para ensinar os profissionais a usar melhor seus salários.
Segundo Helio Matar, diretor-presidente do Akatu, o objetivo do instituto é mostrar que aumentar o impacto positivo do ato de consumir e diminuir o negativo dependem, em grande parte, das escolhas que cada pessoa faz no uso de seu dinheiro. A campanha inclui palestras e treinamentos em empresas de todo o país. O trabalho de conscientização leva profissionais a refletir se, ao fazer uma determinada compra, eles precisam de fato do produto ou se estão agindo apenas por impulso.
O consumo exagerado é um dos grandes vilões da degradação ambiental. Estima-se que hoje o mundo consuma 20% a mais do que a Terra consegue renovar. Em 40 anos, o gasto mundial com compras de produtos e serviços domésticos passou de 5 trilhões de dólares anuais para 20 trilhões de dólares. Nesse ritmo, serão necessários quatro planetas para suprir o consumo da humanidade nos padrões dos países de Primeiro Mundo. O Akatu está preocupado também com o endividamento das famílias. Para a ONG, ter muitas dívidas é sinal de que a pessoa não é um consumidor consciente.
Em geral, cai na armadilha do consumismo quem fica à procura de lançamentos e tendências da moda, como se usar determinada marca o fizesse introjetar as qualidades do produto, o que, sabe-se, não é verdade. Assim como não é verdade que você precisa ter um limite alto de cheque especial e de crédito para ser feliz. O instituto também está de olho em ações mais básicas de consumo, como as compras de supermercado. "Por que levar legumes em embalagens pequenas com poucas unidades em vez de economizar sacolas plásticas pegando um único pacote com maior quantidade?", pergunta Aron Belinky, gerente de projetos especiais do Akatu. "Até para comprar carne é preciso pensar no impacto ambiental, pois cada quilo contém 3.000 litros de água que foram usados na sua cadeia produtiva."
Claro, ninguém quer que você deixe de consumir. A intenção é que você conheça as conseqüências não apenas financeiras quando se deixa seduzir por uma placa de "liquidação". "Comprar três pares de sapatos, cinco blusas ou dez CDs mexe com todo o meio ambiente, exigindo uma produção maior da indústria", diz Aron. Naturalmente, isso implica o uso de mais recursos naturais e resulta em maior produção de resíduos e poluição. Sua próxima compra bem que podia levar tudo isso em conta, certo?
Consumidor consciente
Confira a seguir algumas considerações do Instituto Akatu sobre o uso adequado do dinheiro e do crédito:
- quando você abre a carteira tem o poder de influenciar e induzir a responsabilidade socioambiental das empresas. Por isso, só compre produtos e serviços de organizações que respeitam o meio ambiente e ajudam na construção de uma sociedade mais sustentável. Veja alguns exemplos de boas empresas no site www.akatu.org.br.
- tente descobrir a história dos produtos. Qualquer mercadoria ou serviço veio de algum lugar e resulta de um determinado processo. Você já pensou que a fabricação de um artigo, mesmo de marcas famosas, pode ter a utilização de trabalho escravo ou infantil, ou mesmo implicar desmatamento de florestas e assoreamento de rios?
- faça uso integral daquilo que compra. Ou seja, aproveite ao máximo um tênis, um refrigerador ou qualquer outro produto antes de entulhar mercadorias novas em casa, adquirindo versões mais modernas a todo instante.
- na hora de consumir, minimize a produção de resíduos. Mais do que reciclar, o que se pretende aqui é gerar menos lixo com suas compras. Embalagem que contém mais quantidade de artigos é melhor do que pacotes individuais do mesmo produto. Assim, você levará menos plástico, metal ou papel para casa.
- reflita sobre o valor das coisas. Nem sempre o que é mais caro vai gerar mais satisfação.
Nem bem o salário é depositado e você já começa a gastá-lo. Quase de forma automática paga suas contas, investe uma parte e usa o restante para adquirir alguns mimos para levantar a auto-estima. Mas você já parou para pensar que usar sua remuneração ou mesmo pegar um empréstimo no banco para trocar de carro impacta não somente o seu bem-estar pessoal, mas também a sustentabilidade do planeta e da sociedade? Parece exagero? Não é. Tanto que a organização não-governamental Instituto Akatu lançou este ano a campanha O Consumo Consciente do Dinheiro e do Crédito, para ensinar os profissionais a usar melhor seus salários.
Segundo Helio Matar, diretor-presidente do Akatu, o objetivo do instituto é mostrar que aumentar o impacto positivo do ato de consumir e diminuir o negativo dependem, em grande parte, das escolhas que cada pessoa faz no uso de seu dinheiro. A campanha inclui palestras e treinamentos em empresas de todo o país. O trabalho de conscientização leva profissionais a refletir se, ao fazer uma determinada compra, eles precisam de fato do produto ou se estão agindo apenas por impulso.
O consumo exagerado é um dos grandes vilões da degradação ambiental. Estima-se que hoje o mundo consuma 20% a mais do que a Terra consegue renovar. Em 40 anos, o gasto mundial com compras de produtos e serviços domésticos passou de 5 trilhões de dólares anuais para 20 trilhões de dólares. Nesse ritmo, serão necessários quatro planetas para suprir o consumo da humanidade nos padrões dos países de Primeiro Mundo. O Akatu está preocupado também com o endividamento das famílias. Para a ONG, ter muitas dívidas é sinal de que a pessoa não é um consumidor consciente.
Em geral, cai na armadilha do consumismo quem fica à procura de lançamentos e tendências da moda, como se usar determinada marca o fizesse introjetar as qualidades do produto, o que, sabe-se, não é verdade. Assim como não é verdade que você precisa ter um limite alto de cheque especial e de crédito para ser feliz. O instituto também está de olho em ações mais básicas de consumo, como as compras de supermercado. "Por que levar legumes em embalagens pequenas com poucas unidades em vez de economizar sacolas plásticas pegando um único pacote com maior quantidade?", pergunta Aron Belinky, gerente de projetos especiais do Akatu. "Até para comprar carne é preciso pensar no impacto ambiental, pois cada quilo contém 3.000 litros de água que foram usados na sua cadeia produtiva."
Claro, ninguém quer que você deixe de consumir. A intenção é que você conheça as conseqüências não apenas financeiras quando se deixa seduzir por uma placa de "liquidação". "Comprar três pares de sapatos, cinco blusas ou dez CDs mexe com todo o meio ambiente, exigindo uma produção maior da indústria", diz Aron. Naturalmente, isso implica o uso de mais recursos naturais e resulta em maior produção de resíduos e poluição. Sua próxima compra bem que podia levar tudo isso em conta, certo?
Consumidor consciente
Confira a seguir algumas considerações do Instituto Akatu sobre o uso adequado do dinheiro e do crédito:
- quando você abre a carteira tem o poder de influenciar e induzir a responsabilidade socioambiental das empresas. Por isso, só compre produtos e serviços de organizações que respeitam o meio ambiente e ajudam na construção de uma sociedade mais sustentável. Veja alguns exemplos de boas empresas no site www.akatu.org.br.
- tente descobrir a história dos produtos. Qualquer mercadoria ou serviço veio de algum lugar e resulta de um determinado processo. Você já pensou que a fabricação de um artigo, mesmo de marcas famosas, pode ter a utilização de trabalho escravo ou infantil, ou mesmo implicar desmatamento de florestas e assoreamento de rios?
- faça uso integral daquilo que compra. Ou seja, aproveite ao máximo um tênis, um refrigerador ou qualquer outro produto antes de entulhar mercadorias novas em casa, adquirindo versões mais modernas a todo instante.
- na hora de consumir, minimize a produção de resíduos. Mais do que reciclar, o que se pretende aqui é gerar menos lixo com suas compras. Embalagem que contém mais quantidade de artigos é melhor do que pacotes individuais do mesmo produto. Assim, você levará menos plástico, metal ou papel para casa.
- reflita sobre o valor das coisas. Nem sempre o que é mais caro vai gerar mais satisfação.