voce tem fome de que?
Carla Cristina Garcia: banqueteira da alma
Ser mulher é ter fome de muitas coisas: de afeto, de cumplicidade, de tempo livre e, claro, de um bom prato de comida. Assim pensa a cientista social Carla Cristina Garcia, estudiosa de temas que rondam o universo feminino. Nesta entrevista, ela nos convoca a reencontrar o prazer de degustar a vida
Raphaela de Campos Mello
Revista Bons Fluidos – 11/2009
Carla Cristina Garcia é daquelas mulheres que esbanjam vitalidade. Os olhos vivos e pintados, somados ao sorriso largo e facilmente acionado, causam empatia imediata.
Mestre e doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde é professora e pesquisadora, e pósdoutora pelo Instituto José Maria. Mora, no México, ela se dedica desde a graduação a temas relacionados ao universo feminino. “O papel fundamental da sociologia e da antropologia é dar voz a quem não é ouvido na sociedade”, justifica.
Primeiro, Carla quis entender o que tirava as mulheres de suas casas rumo a internações em manicômios a partir da Idade Média. “Qualquer mulher que tenha um pensamento alternativo ou que queira ter uma vida diferente daquela ‘autorizada’ pela sociedade é considerada louca, bruxa ou detentora de algum problema”, constatou ela na pesquisa que deu origem ao livro Ovelhas na Névoa – Um Estudo sobre as Mulheres e a Loucura (Rosa dos Tempos).
O interesse pela história que se desenrola na surdina, ou seja, bem longe dos livros oficiais, levou-a a conhecer também as moradoras mais antigas da região do ABC Paulista – participantes da revolução industrial na virada do século 19 para o 20. “Elas tinham triplas jornadas. Era uma vida de to trabalho nas fábricas e olarias. Ao mesmo tempo, conservavam a família e as tradições das terras de onde vieram”, destaca. Uma saga heroica contada em seu livro As Outras Vozes – Memórias Femininas em São Caetano do Sul (Hucitec).
Depois de entrar em tantas casas e sempre ser recebida pelas senhoras com bolos, tortas e rosquinhas, Carla foi tomada pela vontade de compreender a importância simbólica e afetiva do alimento na vida das mulheres. Vasculhando antigos cadernos de receitas, descobriu que a cozinha é, por excelência, um reduto do amor, da criatividade e da construção da memória por meio de passagens que entrelaçam o público e o privado. “Não há uma única rosquinha que não conte uma história”, garante ela.
Nesta entrevista, a pesquisadora convoca as mulheres a saciarem a fome do corpo e da alma, redescobrindo a alegria de comer – sem culpa – e de compartilhar o pão, seja ele uma deliciosa receita, uma conversa vagarosa, como a das comadres de outrora, ou qualquer outro alimento que nos faça feliz.
De onde vem a força feminine para dar conta de mil e um papéis na sociedade contemporânea?
Essa força é ancestral, nos remete aos tempos primordiais em que as mulheres aliavam a intuição à experiência do mundo concreto. No caso, a coleta de alimentos e, posteriormente, a agricultura. Elas conheciam o poder da terra, das sementes e dos alimentos. Compreendiam e respeitavamos ciclos da natureza, sabiam o que era bom e o que não era para a saúde, eram responsáveis pelo preparo da comida e, portanto, pela subsistência das comunidades.
Apesar de ainda conservarmos essa força dentro de nós, muitas mulheres se desconectaram dela a partir da modernidade. Daí terem sido alvo de doenças mentais como a histeria, no século 19, e sofrerem de anorexia e depressão no século 20 e 21. No entanto, podemos recuperar esse poder relembrando e valorizando o legado das mulheres do passado, não apenas aquelas que se destacaram na história, mas também nossas familiares.
Por que você pesquisa a relação entre as mulheres e a comida?
Entrevistei mulheres internadas em manicômios, logo, destituídas de função produtiva como trabalhadoras e de função familiar, já que não são esposas de ninguém, bem como senhoras idosas, que perderam o papel primordial da procriação, ou seja, mulheres para as quais ninguém olha. Mesmo assim, elas estão vivas e dão risada. Minha intenção não era apontar a vitimização, e sim compreender por que nos mantemos conectadas com a vida. Queria descobrir onde está o poder feminino, muitas vezes subestimado pela sociedade e por nós mesmas. Foi aí que descobri a importância da comida.
Em que sentido é importante?
Quando você analisa o que as escritoras dizem sobre a comida na ficção, nota que ninguém fala de temas como anorexia, e sim de banquetes. Quando lemos aquelas palavras que dão vida a imagens fantásticas de comunhão entre as pessoas, que traduzem a felicidade proporcionada pela degustação da comida e a leveza desses momentos, nos alimentamos, nos expandimos. Ficamos saciadas como se tivéssemos comido um pratão do que mais gostamos. Há uma passagem em que a escritora inglesa Virginia Woolf diz: “Não dá para pensar bem, amar bem, dormir bem se você não jantou bem”. Do mesmo modo, se você não alimenta sua alma, se você está sempre com fome de uma vida nutrida, tudo parece horrível.
Como foi que você resolveu abordar o assunto pelo viés dos cadernos de receita?
Era impossível ir à casa das senhoras para realizar as entrevistas sem que tivessem preparado bolos, tortas ou rosquinhas. Antes de abordar a biografia de cada uma, o assunto das receitas vinha à tona. Por isso, digo que toda rosquinha tem uma história. Nos encontros, elas iam contando as passagens da vida privada e da cidade junto com a do preparo dos pratos. E nunca eram histórias tristes. Elas sempre “salvam” os quitutes de um jeito original, trocam saberes entre si. Nos livros de cozinha, aparece com fre quência o nome da autora do prato. Logo, as identidades femininas das mulheres comuns, que não têm visibilidade na sociedade, estão fixadas nesses cadernos.
“O tipo de sociedade em que vivemos faz com que tenhamos uma relação muito ruim com a tradição feminina, no sentido de pensar ‘vou fazer diferente, não vou ficar limitada à vida doméstica’, como se isso fosse um horror. E não é. Se prestarmos atenção, veremos que esse é um espaço de criatividade.”
E o que você encontrou além da descrição das receitas?
A escritora Lygia Fagundes Telles conta no livro A Disciplina do Amor (Rocco) uma passagem sobre o caderno de receitas da avó dela. Diz que com as coordenadas do prato e o preço da cebola ela colocava um poema. Outra mulher colou uma receita de bolo sobre uma antiga declaração ao ser amado. Uma prova de que havia literalmente digerido aquele homem e seguido adiante após uma desilusão.
Diante disso, vi a necessidade de enxergarmos nossos antepassados e, sobretudo, de reconhecermos o poder da ancestralidade feminina, como prega a psicóloga americana Clarissa Pinkola Estés, autora de Mulheres Que Correm com os Lobos (Rocco).
A cozinha, então, é o reduto do afeto, muito mais do que do trabalho exigido pela preparação do alimento e pela limpeza do local?
Do afeto no sentido mais amplo da palavra, porque a comida nos afeta e vice-versa. Se você está chateada ou tensa, seu bolo não vai crescer. Na sociedade ocidental, uma boa parcela das mulheres se relaciona muito mal com a comida, porque tem que ser magra e, em nome disso, só come duas folhas de alface e um tomate. Para piorar, junto com a cobrança estética exige-se que a mulher nutra todo mundo o tempo todo. Como se fôssemos um grande seio cheio de leite que deve alimentar marido, filhos, trabalho. Em contrapartida, não há quem nos nutra. Aí a gente morre de fome, nos dois sentidos. Ficamos anoréxicas em relação ao corpo e à alma.
Como fugir dessa armadilha?
Nos relacionando bem com nossas ancestrais, figuras femininas poderosas que têm muito a nos ensinar. Não quero minimizar os problemas que as mulheres enfrentam hoje.
Pelo contrário. O feminismo conquistou algumas liberdades civis, mas, culturalmente falando, ainda temos muito trabalho pela frente. Continuamos apanhando muito, morrendo nas mãos dos homens, ganhando menos que eles, acumulando tarefas. Mas é importante que a gente resgate a razão que nos mantém vivas e com alegria. Para tanto, é inevitável recuperarmos a riqueza presente no espaço privado e nas relações cultivadas dentro dessa esfera.
Você afirmou numa reportagem que a comida não é efêmera. O que isso quer dizer?
Ela não é efêmera justamente por evocar e produzir memória. Num dia frio, por exemplo, quem não sente vontade de comer o bolinho de chuva da mãe? Basta sentir seu cheiro para a saudade bater imediatamente. Os aromas remetem à infância e nos deixam felizes. Nos cadernos, as mulheres fixam a lembrança da pessoa que transmitiu aquela receita, das coisas que a mãe fazia nas férias ou nos almoços de domingo. Dessa forma, a comida é indutora de imagens que vamos guardando e que dizem respeito a outros espaços distantes do mundo do trabalho. Enfim, imagens felizes que marcam a nossa vida.
Que dica você dá às mulheres que trabalham muito mas querem saborear as delícias que o universo doméstico pode oferecer?
O primeiro passo é voltar a gostar de comer sem culpa. Precisamos reaprender a comer devagar, a desfrutar um bom prato de comida em companhia das amigas, a enxergar a casa como um lugar aconchegante. Temos que reservar mais tempo para exercer o afeto junto à família e aos amigos. E, dessa forma, saborear momentos em que conseguimos conversar de verdade. De modo geral, temos que ter prazer em “comer o mundo”.
A mulher contemporânea tem fome de quê?
Nossa fome vem da alma. Temos fome de uma vida mais alegre, de um bom salário e de bons relacionamentos afetivos. Também temos fome de ter menos responsabilidades e mais oportunidades de compartilhar as coisas boas da vida com as pessoas. Temos fome de solidariedade entre o casal, de tempo livre, de não fazer absolutamente nada, enfim, de ter direito à preguiça e ao chinelo. Definitivamente, a mulher não quer mais ter tantas jornadas.
Carla Cristina Garcia é daquelas mulheres que esbanjam vitalidade. Os olhos vivos e pintados, somados ao sorriso largo e facilmente acionado, causam empatia imediata.
Mestre e doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde é professora e pesquisadora, e pósdoutora pelo Instituto José Maria. Mora, no México, ela se dedica desde a graduação a temas relacionados ao universo feminino. “O papel fundamental da sociologia e da antropologia é dar voz a quem não é ouvido na sociedade”, justifica.
Primeiro, Carla quis entender o que tirava as mulheres de suas casas rumo a internações em manicômios a partir da Idade Média. “Qualquer mulher que tenha um pensamento alternativo ou que queira ter uma vida diferente daquela ‘autorizada’ pela sociedade é considerada louca, bruxa ou detentora de algum problema”, constatou ela na pesquisa que deu origem ao livro Ovelhas na Névoa – Um Estudo sobre as Mulheres e a Loucura (Rosa dos Tempos).
O interesse pela história que se desenrola na surdina, ou seja, bem longe dos livros oficiais, levou-a a conhecer também as moradoras mais antigas da região do ABC Paulista – participantes da revolução industrial na virada do século 19 para o 20. “Elas tinham triplas jornadas. Era uma vida de to trabalho nas fábricas e olarias. Ao mesmo tempo, conservavam a família e as tradições das terras de onde vieram”, destaca. Uma saga heroica contada em seu livro As Outras Vozes – Memórias Femininas em São Caetano do Sul (Hucitec).
Depois de entrar em tantas casas e sempre ser recebida pelas senhoras com bolos, tortas e rosquinhas, Carla foi tomada pela vontade de compreender a importância simbólica e afetiva do alimento na vida das mulheres. Vasculhando antigos cadernos de receitas, descobriu que a cozinha é, por excelência, um reduto do amor, da criatividade e da construção da memória por meio de passagens que entrelaçam o público e o privado. “Não há uma única rosquinha que não conte uma história”, garante ela.
Nesta entrevista, a pesquisadora convoca as mulheres a saciarem a fome do corpo e da alma, redescobrindo a alegria de comer – sem culpa – e de compartilhar o pão, seja ele uma deliciosa receita, uma conversa vagarosa, como a das comadres de outrora, ou qualquer outro alimento que nos faça feliz.
De onde vem a força feminine para dar conta de mil e um papéis na sociedade contemporânea?
Essa força é ancestral, nos remete aos tempos primordiais em que as mulheres aliavam a intuição à experiência do mundo concreto. No caso, a coleta de alimentos e, posteriormente, a agricultura. Elas conheciam o poder da terra, das sementes e dos alimentos. Compreendiam e respeitavamos ciclos da natureza, sabiam o que era bom e o que não era para a saúde, eram responsáveis pelo preparo da comida e, portanto, pela subsistência das comunidades.
Apesar de ainda conservarmos essa força dentro de nós, muitas mulheres se desconectaram dela a partir da modernidade. Daí terem sido alvo de doenças mentais como a histeria, no século 19, e sofrerem de anorexia e depressão no século 20 e 21. No entanto, podemos recuperar esse poder relembrando e valorizando o legado das mulheres do passado, não apenas aquelas que se destacaram na história, mas também nossas familiares.
Por que você pesquisa a relação entre as mulheres e a comida?
Entrevistei mulheres internadas em manicômios, logo, destituídas de função produtiva como trabalhadoras e de função familiar, já que não são esposas de ninguém, bem como senhoras idosas, que perderam o papel primordial da procriação, ou seja, mulheres para as quais ninguém olha. Mesmo assim, elas estão vivas e dão risada. Minha intenção não era apontar a vitimização, e sim compreender por que nos mantemos conectadas com a vida. Queria descobrir onde está o poder feminino, muitas vezes subestimado pela sociedade e por nós mesmas. Foi aí que descobri a importância da comida.
Em que sentido é importante?
Quando você analisa o que as escritoras dizem sobre a comida na ficção, nota que ninguém fala de temas como anorexia, e sim de banquetes. Quando lemos aquelas palavras que dão vida a imagens fantásticas de comunhão entre as pessoas, que traduzem a felicidade proporcionada pela degustação da comida e a leveza desses momentos, nos alimentamos, nos expandimos. Ficamos saciadas como se tivéssemos comido um pratão do que mais gostamos. Há uma passagem em que a escritora inglesa Virginia Woolf diz: “Não dá para pensar bem, amar bem, dormir bem se você não jantou bem”. Do mesmo modo, se você não alimenta sua alma, se você está sempre com fome de uma vida nutrida, tudo parece horrível.
Como foi que você resolveu abordar o assunto pelo viés dos cadernos de receita?
Era impossível ir à casa das senhoras para realizar as entrevistas sem que tivessem preparado bolos, tortas ou rosquinhas. Antes de abordar a biografia de cada uma, o assunto das receitas vinha à tona. Por isso, digo que toda rosquinha tem uma história. Nos encontros, elas iam contando as passagens da vida privada e da cidade junto com a do preparo dos pratos. E nunca eram histórias tristes. Elas sempre “salvam” os quitutes de um jeito original, trocam saberes entre si. Nos livros de cozinha, aparece com fre quência o nome da autora do prato. Logo, as identidades femininas das mulheres comuns, que não têm visibilidade na sociedade, estão fixadas nesses cadernos.
“O tipo de sociedade em que vivemos faz com que tenhamos uma relação muito ruim com a tradição feminina, no sentido de pensar ‘vou fazer diferente, não vou ficar limitada à vida doméstica’, como se isso fosse um horror. E não é. Se prestarmos atenção, veremos que esse é um espaço de criatividade.”
E o que você encontrou além da descrição das receitas?
A escritora Lygia Fagundes Telles conta no livro A Disciplina do Amor (Rocco) uma passagem sobre o caderno de receitas da avó dela. Diz que com as coordenadas do prato e o preço da cebola ela colocava um poema. Outra mulher colou uma receita de bolo sobre uma antiga declaração ao ser amado. Uma prova de que havia literalmente digerido aquele homem e seguido adiante após uma desilusão.
Diante disso, vi a necessidade de enxergarmos nossos antepassados e, sobretudo, de reconhecermos o poder da ancestralidade feminina, como prega a psicóloga americana Clarissa Pinkola Estés, autora de Mulheres Que Correm com os Lobos (Rocco).
A cozinha, então, é o reduto do afeto, muito mais do que do trabalho exigido pela preparação do alimento e pela limpeza do local?
Do afeto no sentido mais amplo da palavra, porque a comida nos afeta e vice-versa. Se você está chateada ou tensa, seu bolo não vai crescer. Na sociedade ocidental, uma boa parcela das mulheres se relaciona muito mal com a comida, porque tem que ser magra e, em nome disso, só come duas folhas de alface e um tomate. Para piorar, junto com a cobrança estética exige-se que a mulher nutra todo mundo o tempo todo. Como se fôssemos um grande seio cheio de leite que deve alimentar marido, filhos, trabalho. Em contrapartida, não há quem nos nutra. Aí a gente morre de fome, nos dois sentidos. Ficamos anoréxicas em relação ao corpo e à alma.
Como fugir dessa armadilha?
Nos relacionando bem com nossas ancestrais, figuras femininas poderosas que têm muito a nos ensinar. Não quero minimizar os problemas que as mulheres enfrentam hoje.
Pelo contrário. O feminismo conquistou algumas liberdades civis, mas, culturalmente falando, ainda temos muito trabalho pela frente. Continuamos apanhando muito, morrendo nas mãos dos homens, ganhando menos que eles, acumulando tarefas. Mas é importante que a gente resgate a razão que nos mantém vivas e com alegria. Para tanto, é inevitável recuperarmos a riqueza presente no espaço privado e nas relações cultivadas dentro dessa esfera.
Você afirmou numa reportagem que a comida não é efêmera. O que isso quer dizer?
Ela não é efêmera justamente por evocar e produzir memória. Num dia frio, por exemplo, quem não sente vontade de comer o bolinho de chuva da mãe? Basta sentir seu cheiro para a saudade bater imediatamente. Os aromas remetem à infância e nos deixam felizes. Nos cadernos, as mulheres fixam a lembrança da pessoa que transmitiu aquela receita, das coisas que a mãe fazia nas férias ou nos almoços de domingo. Dessa forma, a comida é indutora de imagens que vamos guardando e que dizem respeito a outros espaços distantes do mundo do trabalho. Enfim, imagens felizes que marcam a nossa vida.
Que dica você dá às mulheres que trabalham muito mas querem saborear as delícias que o universo doméstico pode oferecer?
O primeiro passo é voltar a gostar de comer sem culpa. Precisamos reaprender a comer devagar, a desfrutar um bom prato de comida em companhia das amigas, a enxergar a casa como um lugar aconchegante. Temos que reservar mais tempo para exercer o afeto junto à família e aos amigos. E, dessa forma, saborear momentos em que conseguimos conversar de verdade. De modo geral, temos que ter prazer em “comer o mundo”.
A mulher contemporânea tem fome de quê?
Nossa fome vem da alma. Temos fome de uma vida mais alegre, de um bom salário e de bons relacionamentos afetivos. Também temos fome de ter menos responsabilidades e mais oportunidades de compartilhar as coisas boas da vida com as pessoas. Temos fome de solidariedade entre o casal, de tempo livre, de não fazer absolutamente nada, enfim, de ter direito à preguiça e ao chinelo. Definitivamente, a mulher não quer mais ter tantas jornadas.