exemplo de resistência
Um símbolo a preservar
O Parque Estadual das Carnaúbas guarda em suas terras a árvore ecologicamente correta que virou símbolo do Ceará
Shirley Paradiso
Revista Bravo! / Especial Ceará – 10/2009
Para possibilitar sua extração pela comunidade local sem agressões ao meio ambiente e ainda proteger as areas representativas do bioma caatinga, surgiu o Parque Estadual das Carnaúbas. “O projeto é muito novo, foi criado em 2006. Precisamos estabelecer as normatizações”, diz Maria Lucia de Castro Teixeira, da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace).
Com uma área de mais de 10 mil hectares e localizado quase em sua totalidade no município de Granja e em uma pequena faixa do município de Viçosa do Ceará, a reserva é formada por terrenos elevados, com até 740 metros de altitude, e baixos, com altitudes inferiores a 300 metros, constituídos geologicamente de rochas sedimentares e complexos cristalinos. Além de nascentes de bicas e rios, entre eles o Timonha, e espécies endêmicas, como a orquídea canela-da-ema, o parque abriga uma vasta área de cerrado, savanas e, principalmente, caatinga, o único bioma genuinamente brasileiro.
Nas terras baixas sobre o complexo cristalino, predominam os terrenos com solos de má drenagem, salinos e os que ficam alagados no período chuvoso. Nessas áreas, desponta a carnaúba (Copernicia prunifera), que, dependendo do tipo de solo, ora está associada a espécies de cerrado, ora a espécies de caatinga. A árvore símbolo do Ceará representa a persistência de seu povo em plantar, sobreviver às adversidades naturais e construir o desenvolvimento.
Em virtude da desvalorização dos preços da cera vegetal nos últimos anos, a caatinga passou a ser alvo constante de desmatamentos para a introdução de outras atividades produtivas, como a agropecuária. Além de destruírem a cobertura vegetal, as queimadas prejudicam a manutenção da população e da fauna silvestre, a qualidade da água e do solo e o equilíbrio do clima. “Com o parque, não vamos só contribuir para a redução da concentração de gás carbônico na atmosfera e para a preservação da carnaúba, mas possibilitar sua extração de forma sustentável e permitir que as famílias da região continuem a extrair dela seu sustento”, explica Maria Lucia.
Para isso, uma parte do parque será transformada em reserva extrativista, onde a comunidade local poderá continuar a realizar a extração da matéria-prima da palmeira e manter sua tradição cultural. “A extração da carnauba é ecologicamente correta porque não se retira a planta, mas o que ela não precisa mais e joga fora, como as folhas, a palha e o pó”, conta Maria Lucia. Da carnaubeira tudo se aproveita. A fi bra extraída da folha serve para o artesanato.
Da casca, tem-se a lenha e, da palha, a cobertura de casas e de solos agrícolas. Já os cachos dos frutos, colhidos maduros e submetidos à secagem, servem para a extração de óleo comestível e para a alimentação do gado. O principal produto é a cera, cujo emprego industrial há anos vem suprindo o mundo na fabricação de muitos produtos para uso doméstico, como polidores de assoalho, de mobília e de automóvel, confecções de discos, fitas, tonners, filmes plásticos e fotográficos, lubrificantes, velas, polidores de sapato, lápis de cera, revestimento para papel-carbono e aditivos para dar brilho a tecidos. “A palmeira ainda não corre risco de extinção, mas merece ser preservada em nome do meio ambiente e de tudo o que ela representa para o povo do Ceará”, finaliza Maria Lucia.
Para possibilitar sua extração pela comunidade local sem agressões ao meio ambiente e ainda proteger as areas representativas do bioma caatinga, surgiu o Parque Estadual das Carnaúbas. “O projeto é muito novo, foi criado em 2006. Precisamos estabelecer as normatizações”, diz Maria Lucia de Castro Teixeira, da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace).
Com uma área de mais de 10 mil hectares e localizado quase em sua totalidade no município de Granja e em uma pequena faixa do município de Viçosa do Ceará, a reserva é formada por terrenos elevados, com até 740 metros de altitude, e baixos, com altitudes inferiores a 300 metros, constituídos geologicamente de rochas sedimentares e complexos cristalinos. Além de nascentes de bicas e rios, entre eles o Timonha, e espécies endêmicas, como a orquídea canela-da-ema, o parque abriga uma vasta área de cerrado, savanas e, principalmente, caatinga, o único bioma genuinamente brasileiro.
Nas terras baixas sobre o complexo cristalino, predominam os terrenos com solos de má drenagem, salinos e os que ficam alagados no período chuvoso. Nessas áreas, desponta a carnaúba (Copernicia prunifera), que, dependendo do tipo de solo, ora está associada a espécies de cerrado, ora a espécies de caatinga. A árvore símbolo do Ceará representa a persistência de seu povo em plantar, sobreviver às adversidades naturais e construir o desenvolvimento.
Em virtude da desvalorização dos preços da cera vegetal nos últimos anos, a caatinga passou a ser alvo constante de desmatamentos para a introdução de outras atividades produtivas, como a agropecuária. Além de destruírem a cobertura vegetal, as queimadas prejudicam a manutenção da população e da fauna silvestre, a qualidade da água e do solo e o equilíbrio do clima. “Com o parque, não vamos só contribuir para a redução da concentração de gás carbônico na atmosfera e para a preservação da carnaúba, mas possibilitar sua extração de forma sustentável e permitir que as famílias da região continuem a extrair dela seu sustento”, explica Maria Lucia.
Para isso, uma parte do parque será transformada em reserva extrativista, onde a comunidade local poderá continuar a realizar a extração da matéria-prima da palmeira e manter sua tradição cultural. “A extração da carnauba é ecologicamente correta porque não se retira a planta, mas o que ela não precisa mais e joga fora, como as folhas, a palha e o pó”, conta Maria Lucia. Da carnaubeira tudo se aproveita. A fi bra extraída da folha serve para o artesanato.
Da casca, tem-se a lenha e, da palha, a cobertura de casas e de solos agrícolas. Já os cachos dos frutos, colhidos maduros e submetidos à secagem, servem para a extração de óleo comestível e para a alimentação do gado. O principal produto é a cera, cujo emprego industrial há anos vem suprindo o mundo na fabricação de muitos produtos para uso doméstico, como polidores de assoalho, de mobília e de automóvel, confecções de discos, fitas, tonners, filmes plásticos e fotográficos, lubrificantes, velas, polidores de sapato, lápis de cera, revestimento para papel-carbono e aditivos para dar brilho a tecidos. “A palmeira ainda não corre risco de extinção, mas merece ser preservada em nome do meio ambiente e de tudo o que ela representa para o povo do Ceará”, finaliza Maria Lucia.