corredor ecológico
A comunidade inserida na preservação da floresta
Paulo Valladares, secretário executivo do projeto Corredor Ecológico Vale do Paraíba, que visa à recuperação da Mata Atlântica, fala sobre a importância de se preservar o meio ambiente com a comunidade e não apesar dela
Thays Prado
Planeta Sustentável - 26/05/2009
O projeto Corredor Ecológico, lançado no final de 2006, está focado na conservação e restauração da Mata Atlântica na região do Vale do Paraíba. Um dos objetivos é transformar uma região que, normalmente é vista como passagem – para Minas Gerais, o Rio de Janeiro e algumas praias – em um local que gere a sensação de pertencimento. Afinal, é quando nos sentimos parte de um lugar que cuidamos dele como se fosse nossa casa.
Um corredor ecológico tem a função de recuperar áreas degradadas e reconectar partes isoladas de floresta, facilitando a movimentação de espécies animais e possibilitando a prática de atividades sustentáveis nas áreas intermediárias, beneficiando pequenos produtores que vivem na região.
As iniciativas desenvolvidas no Vale do Paraíba, nesse sentido, envolvem governo, sociedade civil organizada e empresas – atualmente participam a VCP Votorantim, o Instituto Oikos, o Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul, o Intituto Tomie Ohtake, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Ethos. A intenção é recuperar, em dez anos, 150 mil hectares desmatados. Nesse desafio, não apenas o meio ambiente está em foco, mas, também, educação, cultura e geração de renda.
Inicialmente, o Corredor Ecológico envolve cinco municípios – São Luís do Paraitinga, Redenção da Serra, Natividade da Serra, Lorena e Guaratinguetá – e mais a cidade de Queluz. Paulo Valladares, secretário executivo do projeto, conversou com o Planeta Sustentável e explica a forma de atuação do Corredor Ecológico para a proteção da Mata Atlântica, com a inclusão da comunidade que vive ali.
O foco do projeto Corredor Ecológico no Vale do Paraíba não se resume à recuperação da floresta. Por quê?
Nem sempre começar pelas florestas é a maneira mais adequada. Quem me garante que as árvores que foram plantadas ainda estarão ali em um ano? Quem me garante que as crianças da comunidade estão envolvidas nesse processo de conscientização? Quem me garante que, em vez de compensar impactos por meio do plantio de árvores, não estamos apenas terceirizando nosso consumismo? Às vezes, para aquela região, fazer a conservação de solo, melhorar a saúde da família ou constituir uma associação de moradores é mais urgente do que recuperar uma floresta. Só podemos saber através do envolvimento com a comunidade. A ideia é incluir nosso público-alvo, que está nas áreas rurais da bacia hidrográfica do Vale do Paraíba do sul paulista.
E por que motivo esse é o local escolhido para a realização do projeto?
Essa região de mata confere água ao litoral e ao Vale do Paraíba e, hoje, abastece mais de 2 milhões de pessoas no Vale, a indústria, a agricultura, e mais de dez milhões, no Rio de Janeiro, dependem dessa água. Um estudo recente mostra que a macrometrópole de São Paulo também engloba essa região.
A produção de água é uma das preocupações do projeto...
Quando se fala em tratamento de esgoto, todo mundo está disposto a pagar e o prazo de execução civil da obra é de quatro anos, que é o tempo de uma prefeitura. Para disponibilizar água de qualidade e em quantidade suficiente leva-se de dez a doze anos e envolve um conjunto de ações e as pessoas não querem pagar pela conservação da água, pois ela sempre esteve disponível na torneira. Então, o projeto tem dois desafios: o de conscientizar as pessoas e o de não excluí-las desse processo. Queremos desenvolver ações com a comunidade e não apesar dela.
Como é feita essa inclusão dos atores envolvidos?
Alguém da comunidade manifesta o interesse pelo Corredor. Então, conversamos com o prefeito ou com as lideranças locais que sejam mais acessíveis à pessoa que nos procurou e fazemos uma apresentação rápida do projeto. Eles mobilizam segmentos da sociedade e, novamente, apresentamos o Corredor Ecológico para todos. Em seguida, nos reunimos semanalmente para construir um plano de desenvolvimento local, em que os recursos captados pelo projeto possam ser aplicados.
Como se dá a construção dos corredores de florestas propriamente ditos?
Quando temos um fragmento de um lado e de outro, primeiro estudamos a ecologia da paisagem e identificamos as diferentes formas de uso e ocupação do local para que seja feita a conexão entre esses fragmentos. Nesse ponto, entra o Instituto Oikos, para desenvolver ações de agrosilvicultura. Se o produtor local não quiser fazer isso, propomos outras atividades, desde que respeitem o Código Florestal. Se temos os fragmentos preservados e conectados com uma produção compatível no meio, isso garante que o proprietário não vai destruir a mata.
Além disso, existem os serviços ambientais agregados. Pelo fato de um produtor não depredar a floresta ou conservar o solo, ele receberia uma quantia em dinheiro por hectare, por ano. Há propriedades que possuem plantas medicinais ou podem desenvolver artesanato... Assim, eles começam a ter uma cesta de opções para que suas propriedades gerem mais recursos do que com a degradação da floresta. Eu procuro vislumbrar essas opções e trazer a discussão para o produtor rural.
O mercado de carbono também seria uma alternativa para essas pequenas propriedades?
Normalmente, isso é válido para as grandes áreas, mas essa questão vem sendo discutida. Temos algumas áreas-piloto grandes e, no futuro, talvez possamos agregar pequenas propriedades por meio dos corredores ecológicos para compor uma quantidade de hectares que atenda às condições. Se preservarmos os fragmentos de Mata Atlântica e no meio desenvolvermos atividades agrosilvopastoris sustentáveis, elas passam a fazer parte de processo de conservação e de recuperação da floresta.
O projeto Corredor Ecológico, lançado no final de 2006, está focado na conservação e restauração da Mata Atlântica na região do Vale do Paraíba. Um dos objetivos é transformar uma região que, normalmente é vista como passagem – para Minas Gerais, o Rio de Janeiro e algumas praias – em um local que gere a sensação de pertencimento. Afinal, é quando nos sentimos parte de um lugar que cuidamos dele como se fosse nossa casa.
Um corredor ecológico tem a função de recuperar áreas degradadas e reconectar partes isoladas de floresta, facilitando a movimentação de espécies animais e possibilitando a prática de atividades sustentáveis nas áreas intermediárias, beneficiando pequenos produtores que vivem na região.
As iniciativas desenvolvidas no Vale do Paraíba, nesse sentido, envolvem governo, sociedade civil organizada e empresas – atualmente participam a VCP Votorantim, o Instituto Oikos, o Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul, o Intituto Tomie Ohtake, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Ethos. A intenção é recuperar, em dez anos, 150 mil hectares desmatados. Nesse desafio, não apenas o meio ambiente está em foco, mas, também, educação, cultura e geração de renda.
Inicialmente, o Corredor Ecológico envolve cinco municípios – São Luís do Paraitinga, Redenção da Serra, Natividade da Serra, Lorena e Guaratinguetá – e mais a cidade de Queluz. Paulo Valladares, secretário executivo do projeto, conversou com o Planeta Sustentável e explica a forma de atuação do Corredor Ecológico para a proteção da Mata Atlântica, com a inclusão da comunidade que vive ali.
O foco do projeto Corredor Ecológico no Vale do Paraíba não se resume à recuperação da floresta. Por quê?
Nem sempre começar pelas florestas é a maneira mais adequada. Quem me garante que as árvores que foram plantadas ainda estarão ali em um ano? Quem me garante que as crianças da comunidade estão envolvidas nesse processo de conscientização? Quem me garante que, em vez de compensar impactos por meio do plantio de árvores, não estamos apenas terceirizando nosso consumismo? Às vezes, para aquela região, fazer a conservação de solo, melhorar a saúde da família ou constituir uma associação de moradores é mais urgente do que recuperar uma floresta. Só podemos saber através do envolvimento com a comunidade. A ideia é incluir nosso público-alvo, que está nas áreas rurais da bacia hidrográfica do Vale do Paraíba do sul paulista.
E por que motivo esse é o local escolhido para a realização do projeto?
Essa região de mata confere água ao litoral e ao Vale do Paraíba e, hoje, abastece mais de 2 milhões de pessoas no Vale, a indústria, a agricultura, e mais de dez milhões, no Rio de Janeiro, dependem dessa água. Um estudo recente mostra que a macrometrópole de São Paulo também engloba essa região.
A produção de água é uma das preocupações do projeto...
Quando se fala em tratamento de esgoto, todo mundo está disposto a pagar e o prazo de execução civil da obra é de quatro anos, que é o tempo de uma prefeitura. Para disponibilizar água de qualidade e em quantidade suficiente leva-se de dez a doze anos e envolve um conjunto de ações e as pessoas não querem pagar pela conservação da água, pois ela sempre esteve disponível na torneira. Então, o projeto tem dois desafios: o de conscientizar as pessoas e o de não excluí-las desse processo. Queremos desenvolver ações com a comunidade e não apesar dela.
Como é feita essa inclusão dos atores envolvidos?
Alguém da comunidade manifesta o interesse pelo Corredor. Então, conversamos com o prefeito ou com as lideranças locais que sejam mais acessíveis à pessoa que nos procurou e fazemos uma apresentação rápida do projeto. Eles mobilizam segmentos da sociedade e, novamente, apresentamos o Corredor Ecológico para todos. Em seguida, nos reunimos semanalmente para construir um plano de desenvolvimento local, em que os recursos captados pelo projeto possam ser aplicados.
Como se dá a construção dos corredores de florestas propriamente ditos?
Quando temos um fragmento de um lado e de outro, primeiro estudamos a ecologia da paisagem e identificamos as diferentes formas de uso e ocupação do local para que seja feita a conexão entre esses fragmentos. Nesse ponto, entra o Instituto Oikos, para desenvolver ações de agrosilvicultura. Se o produtor local não quiser fazer isso, propomos outras atividades, desde que respeitem o Código Florestal. Se temos os fragmentos preservados e conectados com uma produção compatível no meio, isso garante que o proprietário não vai destruir a mata.
Além disso, existem os serviços ambientais agregados. Pelo fato de um produtor não depredar a floresta ou conservar o solo, ele receberia uma quantia em dinheiro por hectare, por ano. Há propriedades que possuem plantas medicinais ou podem desenvolver artesanato... Assim, eles começam a ter uma cesta de opções para que suas propriedades gerem mais recursos do que com a degradação da floresta. Eu procuro vislumbrar essas opções e trazer a discussão para o produtor rural.
O mercado de carbono também seria uma alternativa para essas pequenas propriedades?
Normalmente, isso é válido para as grandes áreas, mas essa questão vem sendo discutida. Temos algumas áreas-piloto grandes e, no futuro, talvez possamos agregar pequenas propriedades por meio dos corredores ecológicos para compor uma quantidade de hectares que atenda às condições. Se preservarmos os fragmentos de Mata Atlântica e no meio desenvolvermos atividades agrosilvopastoris sustentáveis, elas passam a fazer parte de processo de conservação e de recuperação da floresta.