mata atlântica
Pacto depende de atividades sustentáveis
Assinado por várias instituições públicas e ONGs ambientais de renome, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica pretende recuperar 15 milhões de hectares de Mata Atlântica até o ano de 2050. Para atingir a meta, seus organizadores querem incentivar as atividades econômicas sustentáveis nas áreas degradadas e traçar planos de ação anuais
Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável - 26/05/2009
Originalmente, a Mata Atlântica ocupava uma área equivalente a 1,36 milhão de km², abrangendo 17 Estados brasileiros. Hoje, no entanto, restam, apenas, 7,26% de toda a sua extensão. Isso significa que o homem devastou 93% do bioma, que é uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta e responsável, ainda, pelo abastecimento de água de mais de 100 milhões de pessoas.
Os números preocupam, mas a boa notícia é que uma parte do que foi devastado pelas ações humanas, cerca de 30%, pode ser recuperado. O dado é de um mapeamento realizado, desde 2007, por especialistas das principais organizações que atuam na Mata Atlântica, que apontou as regiões do bioma que podem ser restauradas.
O estudo garante que é possível - através da disseminação de conhecimento e incentivo das atividades econômicas ambientais - restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlântica – o equivalente ao Estado do Ceará inteiro. Alguns membros da sociedade civil, surpresos com o dado, resolveram comprar essa briga e tomar para si a responsabilidade de tornar as previsões do estudo reais, até 2050. Foi assim que surgiu a iniciativa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, assinado no mês de abril por 53 instituições.
De lá pra cá, o número de adesantes cresceu bastante. Hoje, 83 instituições fazem parte do Pacto e se comprometem a lutar pela restauração do bioma. Entre elas, renomadas organizações ambientais – como a SOS Mata Atlântica, o WWF-Brasil e o Instituto Ethos –, empresas privadas, instituições de ensino e pesquisa – como o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), o Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da ESALQ e a Universidade Federal de Pernambuco – e, ainda, os governos estaduais, municipais e federal – entre os quais se destacam o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e as Secretarias Estaduais do Meio Ambiente de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia, entre vários outros Estados –, que representam uma aliança importantíssima para o atingimento da meta.
Entre as principais ações que serão promovidas, em conjunto, pelos membros do Pacto, se destacam:
– a transformação da conservação da biodiversidade da Mata em fonte de trabalho e renda para a população. Dessa forma, proprietários rurais, por exemplo, poderiam legalizar suas terras e, ainda assim, se beneficiar com a realização de serviços ambientais, como o sequestro de carbono;
– a conversão de áreas de pastagens com baixa produtividade em florestas manejadas com alto rendimento econômico;
– e a disseminação de conhecimento e informações técnicas para a população rural do país, que, aliás, é uma das principais causadoras do desmatamento no bioma, exatamente por falta de conhecimento e oportunidade.
No entanto, apesar de focar seus esforços na mudança de atitude dos proprietários rurais e agricultores, o objetivo do Pacto não é apontar os infratores do Código Florestal, que desmatam além do permitido. A ideia é unir forças para promover políticas, programas e projetos de grande escala voltados à restauração do bioma, o que, consequentemente, inibirá práticas que provocam o desmatamento.
“Não queremos uma caça às bruxas. Queremos mostrar que vale a pena para o agricultor recuperar a mata.”, diz Miguel Calmon, que é coordenador-geral do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.
Até agora, o principal empecilho para o atingimento da meta é o fator econômico. Segundo Calmon, recuperar um hectare da Mata Atlântica custa, em média, US$ 1 mil, ou seja, serão necessários, aproximadamente, US$ 15 bilhões para recuperar os 15 milhões de hectares previstos no projeto. No entanto, o coordenador-geral informou que, desde abril, quando o acordo foi assinado, várias adesões estratégias e de larga escala já foram feitas.
Membros da sociedade civil também podem fazer parte da lista de signatários do projeto. Para isso, é necessário preencher o Termo de Adesão, disponível no site do Pacto e enviá-lo por e-mail secretariaexecutiva@pactomataatlantica.org.br para ser aprovado pelo Conselho de Coordenação.
Veja também:
Galeria de imagens da Mata Atlântica
Originalmente, a Mata Atlântica ocupava uma área equivalente a 1,36 milhão de km², abrangendo 17 Estados brasileiros. Hoje, no entanto, restam, apenas, 7,26% de toda a sua extensão. Isso significa que o homem devastou 93% do bioma, que é uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta e responsável, ainda, pelo abastecimento de água de mais de 100 milhões de pessoas.
Os números preocupam, mas a boa notícia é que uma parte do que foi devastado pelas ações humanas, cerca de 30%, pode ser recuperado. O dado é de um mapeamento realizado, desde 2007, por especialistas das principais organizações que atuam na Mata Atlântica, que apontou as regiões do bioma que podem ser restauradas.
O estudo garante que é possível - através da disseminação de conhecimento e incentivo das atividades econômicas ambientais - restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlântica – o equivalente ao Estado do Ceará inteiro. Alguns membros da sociedade civil, surpresos com o dado, resolveram comprar essa briga e tomar para si a responsabilidade de tornar as previsões do estudo reais, até 2050. Foi assim que surgiu a iniciativa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, assinado no mês de abril por 53 instituições.
De lá pra cá, o número de adesantes cresceu bastante. Hoje, 83 instituições fazem parte do Pacto e se comprometem a lutar pela restauração do bioma. Entre elas, renomadas organizações ambientais – como a SOS Mata Atlântica, o WWF-Brasil e o Instituto Ethos –, empresas privadas, instituições de ensino e pesquisa – como o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), o Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da ESALQ e a Universidade Federal de Pernambuco – e, ainda, os governos estaduais, municipais e federal – entre os quais se destacam o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e as Secretarias Estaduais do Meio Ambiente de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia, entre vários outros Estados –, que representam uma aliança importantíssima para o atingimento da meta.
Entre as principais ações que serão promovidas, em conjunto, pelos membros do Pacto, se destacam:
– a transformação da conservação da biodiversidade da Mata em fonte de trabalho e renda para a população. Dessa forma, proprietários rurais, por exemplo, poderiam legalizar suas terras e, ainda assim, se beneficiar com a realização de serviços ambientais, como o sequestro de carbono;
– a conversão de áreas de pastagens com baixa produtividade em florestas manejadas com alto rendimento econômico;
– e a disseminação de conhecimento e informações técnicas para a população rural do país, que, aliás, é uma das principais causadoras do desmatamento no bioma, exatamente por falta de conhecimento e oportunidade.
No entanto, apesar de focar seus esforços na mudança de atitude dos proprietários rurais e agricultores, o objetivo do Pacto não é apontar os infratores do Código Florestal, que desmatam além do permitido. A ideia é unir forças para promover políticas, programas e projetos de grande escala voltados à restauração do bioma, o que, consequentemente, inibirá práticas que provocam o desmatamento.
“Não queremos uma caça às bruxas. Queremos mostrar que vale a pena para o agricultor recuperar a mata.”, diz Miguel Calmon, que é coordenador-geral do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.
Até agora, o principal empecilho para o atingimento da meta é o fator econômico. Segundo Calmon, recuperar um hectare da Mata Atlântica custa, em média, US$ 1 mil, ou seja, serão necessários, aproximadamente, US$ 15 bilhões para recuperar os 15 milhões de hectares previstos no projeto. No entanto, o coordenador-geral informou que, desde abril, quando o acordo foi assinado, várias adesões estratégias e de larga escala já foram feitas.
Membros da sociedade civil também podem fazer parte da lista de signatários do projeto. Para isso, é necessário preencher o Termo de Adesão, disponível no site do Pacto e enviá-lo por e-mail secretariaexecutiva@pactomataatlantica.org.br para ser aprovado pelo Conselho de Coordenação.
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Galeria de imagens da Mata Atlântica