desmatamento em dados
Perfil da Mata Atlântica
No Dia Nacional da Mata Atlântica, SOS Mata Atlântica e INPE divulgam atlas sobre os remanescentes florestais do bioma, em coletiva, e disponibilizam, na internet, mapas que mostram a atual situação da cobertura vegetal
Por Thays Prado
Planeta Sustentável - 27/05/2008
A Fundação SOS Mata Atlântica organizou, hoje, Dia Nacional da Mata Atlântica, uma coletiva para apresentar os dados coletados pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais sobre a situação da Mata Atlântica no período de 2000 a 2005. Para apresentar o resultado das pesquisas, Márcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, Flávio Ponzoni, coordenador técnico do estudo pelo INPE, e Mário Mantovani, diretor de Mobilização da Fundação, falaram à imprensa.
O "Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica” é realizado a cada cinco anos, desde 1985. Com os avanços tecnológicos, foi possível ampliar bastante a área de abrangência desta quarta edição do estudo, englobando 16 dos 17 estados brasileiros que compõem o bioma. A análise anterior sobre a situação da floresta ainda não havia conseguido mapear o território de estados do Nordeste em função da grande quantidade de nuvens que cobre o território e dificulta a visibilidade necessária.
OS DADOS
Infelizmente, hoje restam apenas 7,26% da cobertura original de Mata Atlântica – o que corresponde a 97.596 km² dos 1,3 milhões de km² iniciais -, somando-se áreas acima de 100 hectares. Nos últimos 20 anos, estudados pelo INPE, perdemos 15.880 km² de floresta, o que equivale à metade de Alagoas, ou a um terço do estado do Rio de Janeiro.
Um dos grandes problemas da mata é que ela se encontra extremamente fragmentada e que só pode ser resolvida por meio de restauração florestal. São 234.106 polígonos, se forem considerados os fragmentos acima de 3 hectares, sendo que mais de 25 mil não passam de 5 hectares.
Outro dado preocupante é que os estados que possuem mais floresta nativa são os que mais desmatam. São eles: Santa Catarina e Paraná, principalmente nas formações das araucárias, e Bahia e Minas Gerais, em suas porções oeste, nos limites com o Cerrado e a Caatinga. As fontes da coletiva informaram que os maiores causadores de desflorestamento nesses estados são a especulação imobiliária, nas regiões serranas, e a agropecuária, nas áreas planas.
É verdade que o desflorestamento reduziu em 69% de 2000 a 2005, fato bastante comemorado pela fundação, mas Flávio Ponsoni lembra que isso também se deve ao fato de que, agora, resta pouco para ser desmatado. Além disso, boa parte do que sobrou de floresta encontra-se em relevo acidentado. Ele também explicou que, quando comparados aos da Amazônia, os desmatamentos da Mata Atlântica são feitos em áreas pequenas e, por isso, é mais difícil detectá-los.
De todo modo, Márcia Hirota disse que os dados obtidos com a pesquisa apontam os primeiros sinais de esperança deste começo de século, mas alertou que é preciso manter a atenção sobre os desmatamentos que ainda ocorrem. Ela acredita que o desafio do momento é fazer com que a conservação da natureza gere desenvolvimento para a região, com negócios sustentáveis e trabalho e renda para as comunidades locais. Afinal, atualmente, mais de 120 milhões de pessoas dependem dos serviços ambientais da Mata Atlântica.
Mário Mantovani ressalta que, se todas as propriedades rurais que recebessem recursos públicos realmente mantivessem sua reserva legal de 20% e se isso fosse somado às áreas de preservação permanente, ainda teríamos mais de 30% de proteção da Mata Atlântica.
ATUALIZAÇÃO
O coordenador do INPE reconhece a demora para a organização e divulgação dos dados: “mapear todo o domínio da Mata Atlântica, verificar inconsistências, preparar todas as estatísticas, enviar para consultores nos estados, corrigir imperfeições e preparar material de divulgação consome muito tempo mesmo”. Mas Ponsoni diz que o instituto espera diminuir drasticamente esse tempo agora que possuem uma base mais estável.
Tanto que, de 2005 a 2007, foi feita uma avaliação dos cinco municípios com maiores índices de desmatamento de cada estado que compõe a Mata Atlântica, em comparação com os dados da última edição do atlas. O resultado exige alerta, pois indica que o desflorestamento cresceu nesses lugares, nos últimos dois anos. Só no estado do Rio de Janeiro, o desmatamento triplicou.
É possível ter acesso ao Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, bem como aos mapas, imagens, arquivos em formato vetorial e dados dos remanescentes florestais por município, estado, unidade de conservação, bacia hidrográfica, corredor de biodiversidade e área prioritária, por meio do site da SOS Mata Atlântica. (confira aqui)
Desde 2006 existe uma lei específica sobre utilização e conservação da cobertura vegetal da Mata Atlântica. Para Mário Mantovani, a lei é uma grande aliada na preservação da floresta. Atualmente, mais de 300 ONGs estão associadas à causa.
No dia 30 de maio começa mais um evento Viva a Mata, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e que tem o objetivo de mobilizar a população para pensar na necessidade de cuidar do que ainda restou da Mata Atlântica. (veja reportagem sobre o evento aqui)
A Fundação SOS Mata Atlântica organizou, hoje, Dia Nacional da Mata Atlântica, uma coletiva para apresentar os dados coletados pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais sobre a situação da Mata Atlântica no período de 2000 a 2005. Para apresentar o resultado das pesquisas, Márcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, Flávio Ponzoni, coordenador técnico do estudo pelo INPE, e Mário Mantovani, diretor de Mobilização da Fundação, falaram à imprensa.
O "Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica” é realizado a cada cinco anos, desde 1985. Com os avanços tecnológicos, foi possível ampliar bastante a área de abrangência desta quarta edição do estudo, englobando 16 dos 17 estados brasileiros que compõem o bioma. A análise anterior sobre a situação da floresta ainda não havia conseguido mapear o território de estados do Nordeste em função da grande quantidade de nuvens que cobre o território e dificulta a visibilidade necessária.
OS DADOS
Infelizmente, hoje restam apenas 7,26% da cobertura original de Mata Atlântica – o que corresponde a 97.596 km² dos 1,3 milhões de km² iniciais -, somando-se áreas acima de 100 hectares. Nos últimos 20 anos, estudados pelo INPE, perdemos 15.880 km² de floresta, o que equivale à metade de Alagoas, ou a um terço do estado do Rio de Janeiro.
Um dos grandes problemas da mata é que ela se encontra extremamente fragmentada e que só pode ser resolvida por meio de restauração florestal. São 234.106 polígonos, se forem considerados os fragmentos acima de 3 hectares, sendo que mais de 25 mil não passam de 5 hectares.
Outro dado preocupante é que os estados que possuem mais floresta nativa são os que mais desmatam. São eles: Santa Catarina e Paraná, principalmente nas formações das araucárias, e Bahia e Minas Gerais, em suas porções oeste, nos limites com o Cerrado e a Caatinga. As fontes da coletiva informaram que os maiores causadores de desflorestamento nesses estados são a especulação imobiliária, nas regiões serranas, e a agropecuária, nas áreas planas.
É verdade que o desflorestamento reduziu em 69% de 2000 a 2005, fato bastante comemorado pela fundação, mas Flávio Ponsoni lembra que isso também se deve ao fato de que, agora, resta pouco para ser desmatado. Além disso, boa parte do que sobrou de floresta encontra-se em relevo acidentado. Ele também explicou que, quando comparados aos da Amazônia, os desmatamentos da Mata Atlântica são feitos em áreas pequenas e, por isso, é mais difícil detectá-los.
De todo modo, Márcia Hirota disse que os dados obtidos com a pesquisa apontam os primeiros sinais de esperança deste começo de século, mas alertou que é preciso manter a atenção sobre os desmatamentos que ainda ocorrem. Ela acredita que o desafio do momento é fazer com que a conservação da natureza gere desenvolvimento para a região, com negócios sustentáveis e trabalho e renda para as comunidades locais. Afinal, atualmente, mais de 120 milhões de pessoas dependem dos serviços ambientais da Mata Atlântica.
Mário Mantovani ressalta que, se todas as propriedades rurais que recebessem recursos públicos realmente mantivessem sua reserva legal de 20% e se isso fosse somado às áreas de preservação permanente, ainda teríamos mais de 30% de proteção da Mata Atlântica.
ATUALIZAÇÃO
O coordenador do INPE reconhece a demora para a organização e divulgação dos dados: “mapear todo o domínio da Mata Atlântica, verificar inconsistências, preparar todas as estatísticas, enviar para consultores nos estados, corrigir imperfeições e preparar material de divulgação consome muito tempo mesmo”. Mas Ponsoni diz que o instituto espera diminuir drasticamente esse tempo agora que possuem uma base mais estável.
Tanto que, de 2005 a 2007, foi feita uma avaliação dos cinco municípios com maiores índices de desmatamento de cada estado que compõe a Mata Atlântica, em comparação com os dados da última edição do atlas. O resultado exige alerta, pois indica que o desflorestamento cresceu nesses lugares, nos últimos dois anos. Só no estado do Rio de Janeiro, o desmatamento triplicou.
É possível ter acesso ao Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, bem como aos mapas, imagens, arquivos em formato vetorial e dados dos remanescentes florestais por município, estado, unidade de conservação, bacia hidrográfica, corredor de biodiversidade e área prioritária, por meio do site da SOS Mata Atlântica. (confira aqui)
Desde 2006 existe uma lei específica sobre utilização e conservação da cobertura vegetal da Mata Atlântica. Para Mário Mantovani, a lei é uma grande aliada na preservação da floresta. Atualmente, mais de 300 ONGs estão associadas à causa.
No dia 30 de maio começa mais um evento Viva a Mata, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e que tem o objetivo de mobilizar a população para pensar na necessidade de cuidar do que ainda restou da Mata Atlântica. (veja reportagem sobre o evento aqui)