Desmatamento
O futuro da Amazônia
Em 2008 haverá mais motosserras - e mais pressão internacional
Da Redação
Revista da Semana - 29/10/2007
Todos os anos a Amazônia perde áreas florestais. Em algumas temporadas, perde menos. É quando se diz que o desmatamento está em queda ou com crescimento negativo. Em outros anos, perde mais. Mas invariavelmente perde. Tem sido assim desde 1988, quando se começou a medir os efeitos do desmatamento na região.
O mais recente relatório do Instituto Nacional de Pesquisas (Inpe) é desanimador. Depois de três anos de queda, o desflorestamento entre junho e setembro de 2007 cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entenda o que acontece nos estados mais atingidos da região.
OS PROBLEMAS:
Rondônia: O desmatamento cresceu absurdos 602% em setembro, em relação ao mesmo mês de 2006. A principal razão foi o incremento da atividade econômica por causa das construções das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau.
Mato Grosso: Crescimento de 84%. Os motivos foram o aumento do preço internacional da carne bovina e da soja, que provocou expansão da área de plantio, e o avanço da cultura da cana, diz o site Observatório do Clima.
Pará: Crescimento de 59%. Lá a situação é ainda mais grave, já que a devastação aconteceu em reservas florestais criadas em 2005. Os grileiros estão confiando na impunidade, segundo Marcelo Leite, editor do blog Ciência em Dia.
O QUE DEVE ACONTECER:
Mais devastação. O ano de 2008 será de motosserras e tratores, informa a Folha Online. A construção de hidrelétricas continuará a todo vapor, os preços dos alimentos devem subir ainda mais e a fiscalização, em anos de eleição, tende a diminuir.
Mais pressão. Ao mesmo tempo, a pressão internacional deverá aumentar. Três quartos das emissões brasileiras de CO2 vêm do desflorestamento. Isso faz do Brasil o quarto maior poluidor do mundo. Com os atuais dados de desmatamento, o país certamente será muito pressionado na Conferência de Bali, em dezembro, que substituirá o Protocolo de Kioto.
O QUE PODE SER FEITO:
Privatização da floresta. O governo já iniciou a concessão de florestas para a iniciativa privada. Só poderão ser explorados recursos naturais e renováveis, como frutos, madeira e sementes. O dinheiro seria reinvestido na região. A medida recebeu críticas.
"A concessão deveria privilegiar áreas desmatadas, e não as já preservadas", disse Vanderleide Ferreira de Souza, do Conselho Nacional de Seringueiros, à Rádio Nacional da Amazônia.
Elaboração de um plano nacional. ONGs, governos e o Ministério do Meio Ambiente elaboraram um projeto de fiscalização, monitoramento de reservas e incentivos a produtores responsáveis. A um custo de R$ 7 bilhões, eles prometem zerar o desmatamento em sete anos. Será?
Troca de projetos de reflorestamento por créditos de carbono. A primeira iniciativa desse tipo foi aprovada pela ONU na semana passada. A AES Tietê vai reflorestar 1 450 hectares de Mata Atlântica em São Paulo. Em troca, vai deixar de emitir 3 milhões de toneladas de CO2 e receber cerca de R$ 130 milhões. Isso poderá ser aplicado em outras florestas no futuro, diz a Folha de S.Paulo.
Todos os anos a Amazônia perde áreas florestais. Em algumas temporadas, perde menos. É quando se diz que o desmatamento está em queda ou com crescimento negativo. Em outros anos, perde mais. Mas invariavelmente perde. Tem sido assim desde 1988, quando se começou a medir os efeitos do desmatamento na região.
O mais recente relatório do Instituto Nacional de Pesquisas (Inpe) é desanimador. Depois de três anos de queda, o desflorestamento entre junho e setembro de 2007 cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entenda o que acontece nos estados mais atingidos da região.
OS PROBLEMAS:
Rondônia: O desmatamento cresceu absurdos 602% em setembro, em relação ao mesmo mês de 2006. A principal razão foi o incremento da atividade econômica por causa das construções das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau.
Mato Grosso: Crescimento de 84%. Os motivos foram o aumento do preço internacional da carne bovina e da soja, que provocou expansão da área de plantio, e o avanço da cultura da cana, diz o site Observatório do Clima.
Pará: Crescimento de 59%. Lá a situação é ainda mais grave, já que a devastação aconteceu em reservas florestais criadas em 2005. Os grileiros estão confiando na impunidade, segundo Marcelo Leite, editor do blog Ciência em Dia.
O QUE DEVE ACONTECER:
Mais devastação. O ano de 2008 será de motosserras e tratores, informa a Folha Online. A construção de hidrelétricas continuará a todo vapor, os preços dos alimentos devem subir ainda mais e a fiscalização, em anos de eleição, tende a diminuir.
Mais pressão. Ao mesmo tempo, a pressão internacional deverá aumentar. Três quartos das emissões brasileiras de CO2 vêm do desflorestamento. Isso faz do Brasil o quarto maior poluidor do mundo. Com os atuais dados de desmatamento, o país certamente será muito pressionado na Conferência de Bali, em dezembro, que substituirá o Protocolo de Kioto.
O QUE PODE SER FEITO:
Privatização da floresta. O governo já iniciou a concessão de florestas para a iniciativa privada. Só poderão ser explorados recursos naturais e renováveis, como frutos, madeira e sementes. O dinheiro seria reinvestido na região. A medida recebeu críticas.
"A concessão deveria privilegiar áreas desmatadas, e não as já preservadas", disse Vanderleide Ferreira de Souza, do Conselho Nacional de Seringueiros, à Rádio Nacional da Amazônia.
Elaboração de um plano nacional. ONGs, governos e o Ministério do Meio Ambiente elaboraram um projeto de fiscalização, monitoramento de reservas e incentivos a produtores responsáveis. A um custo de R$ 7 bilhões, eles prometem zerar o desmatamento em sete anos. Será?
Troca de projetos de reflorestamento por créditos de carbono. A primeira iniciativa desse tipo foi aprovada pela ONU na semana passada. A AES Tietê vai reflorestar 1 450 hectares de Mata Atlântica em São Paulo. Em troca, vai deixar de emitir 3 milhões de toneladas de CO2 e receber cerca de R$ 130 milhões. Isso poderá ser aplicado em outras florestas no futuro, diz a Folha de S.Paulo.