oportunidades
Mckinsey apresenta propostas para o país
Pesquisa da companhia mostra que o Brasil tem potencial para ser um dos líderes globais na redução de emissões de gases de efeito estufa. São sugeridas mais de 120 iniciativas para os principais setores da economia: metade delas tem custo negativo
Manoella Oliveira
Planeta Sustentável - 12/03/2009
Na manhã desta quinta-feira, 12 de março, uma das maiores consultorias do mundo, a McKinsey, lançou, em parceria com o Planeta Sustentável, estudo que aponta caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no país, no prédio da Editora Abril, em São Paulo. A pesquisa identificou cerca de 200 oportunidades para diminuir as emissões de GEE, em 21 regiões do mundo, entre elas, o Brasil.
Até 2030, está previsto um salto dos atuais 45 GtCO2e (bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente) por ano, para 70 GtCO2e anuais, o que acarretaria um aumento de temperatura de 4ºC e uma concentração de 650 ppm - enquanto o melhor seria 400 ppm, para 2ºC a 23 bilhões de toneladas emitidas.
De acordo com a pesquisa, alcançar os números desejáveis é tecnicamente factível. Em sua apresentação, o sócio-diretor da Mckinsey, Stefan Matzinger, ressaltou que o princípio seria aumentar a produtividade do PIB por tonelada de carbono que, hoje, vale U$ 740. Em 2030, esse valor deveria ser de U$ 2300 e, em 2050, de U$ 7.300. “Precisamos aprender a produzir mais por cada tonelada de carbono que emitimos, com uma melhoria de 5,5% ao ano. Para efeito de comparação: a humanidade teve um salto similar de produtividade quando estava industrializando sua economia”, explicou.
INICIATIVAS
Várias das medidas propostas pelo estudo apresentam custo negativo, entre elas, o setor de edificações, o menor uso de gasolina e a maior eficiência energética. Porém, essas ações teriam impacto relativamente baixo, já que as construções representam 3% das emissões, juntamente com o tratamento de resíduos. Nessa área, o país perde importantes oportunidades por subaproveitar a reciclagem.
Segundo o estudo, as soluções devem ser provenientes da pecuária, da floresta e da agricultura que, juntas, somam potencial de abatimento de 85% das emissões de GEE do Brasil. Para esta última, a Mckinsey também propõe alternativas de custo negativo como o plantio direto que, por atuar num âmbito representativo tende a trazer resultados significativos.
Atualmente, o Brasil já apresenta números acima da média mundial, 12 tCO2e per capita, (que corresponderiam a 14 tCO2e em 2030) e, mesmo se o desmatamento for desconsiderado, essa intensidade, que se reduziria a 5 tCO2e por pessoa (ou a 7,5 tCO2e em 2030) ainda estaria acima da média mundial.
DEBATE
Estiveram presentes ao evento para discussão mediada pela diretora de redação da revista Exame, Claudia Vassalo, o diretor-presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni, o secretário de Estado do Meio Ambiente e conselheiro do Planeta, Xico Graziano, e o coordenador executivo de meio ambiente e sustentabilidade da Vale, Katsuo Homma.
Sobre o cenário de investimento criado pela atual crise econômica mundial para a sustentabilidade, o secretário afirmou que o empecilho consiste na reprogramação de custos que, muitas vezes, freia as iniciativas verdes. Por outro lado, há uma gama de oportunidades a ser explorada que depende principalmente do papel do governo. “Estamos vendo um movimento dos aparelhos de Estado em direção a um New Deal verde, protagonizado pelos Estados Unidos. Vamos depender muito da atuação dos dirigentes, por isso precisamos usar da capacidade de pressão da sociedade e, nós, da agenda ambiental, temos que ser mais proativos e propor a ruptura, impulsionar os Estados”, disse.
Outro ponto destacado por Graziano é a necessidade de o governo intervir para garantir que o mercado não privilegie apenas quem trabalha com escala. “Sempre vai aparecer alguém para falar que energia alternativa é muito cara. É mais do que uma mudança tecnológica. Existe um domínio de quem controla a energia para impedir o surgimento de novas”, resumiu.
Em consonância, Tomazoni disse acreditar que os governantes vão incrementar os caminhos estratégicos serem seguidos e que, nesse sentido, o desafio, hoje, é fazer com que os recursos disponíveis cheguem de fato aos pontos importantes. “O caminho tecnológico e burocrático para viabilizar projetos é longo e cheio de dificuldades. Quando vejo que o Estado será mais intervencionista, espero que ele fomente tecnologias e mecanismos para que as empresas possam acessar os recursos e pulverizá-los por meio de iniciativas de impacto social”, concluiu.
Para Homma, a participação do governo brasileiro é natural e necessária. “Nós, brasileiros, temos uma bandeira, a questão dos créditos de carbono, necessária para manter a floresta de pé. O estudo da McKinsey coloca, claramente, o desmatamento como maior fonte de emissão. Este é um ano chave para definição de políticas ambientais e é fundamental que o governo se posicione", declarou.
Confira a cobertura completa do evento.
Na manhã desta quinta-feira, 12 de março, uma das maiores consultorias do mundo, a McKinsey, lançou, em parceria com o Planeta Sustentável, estudo que aponta caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no país, no prédio da Editora Abril, em São Paulo. A pesquisa identificou cerca de 200 oportunidades para diminuir as emissões de GEE, em 21 regiões do mundo, entre elas, o Brasil.
Até 2030, está previsto um salto dos atuais 45 GtCO2e (bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente) por ano, para 70 GtCO2e anuais, o que acarretaria um aumento de temperatura de 4ºC e uma concentração de 650 ppm - enquanto o melhor seria 400 ppm, para 2ºC a 23 bilhões de toneladas emitidas.
De acordo com a pesquisa, alcançar os números desejáveis é tecnicamente factível. Em sua apresentação, o sócio-diretor da Mckinsey, Stefan Matzinger, ressaltou que o princípio seria aumentar a produtividade do PIB por tonelada de carbono que, hoje, vale U$ 740. Em 2030, esse valor deveria ser de U$ 2300 e, em 2050, de U$ 7.300. “Precisamos aprender a produzir mais por cada tonelada de carbono que emitimos, com uma melhoria de 5,5% ao ano. Para efeito de comparação: a humanidade teve um salto similar de produtividade quando estava industrializando sua economia”, explicou.
INICIATIVAS
Várias das medidas propostas pelo estudo apresentam custo negativo, entre elas, o setor de edificações, o menor uso de gasolina e a maior eficiência energética. Porém, essas ações teriam impacto relativamente baixo, já que as construções representam 3% das emissões, juntamente com o tratamento de resíduos. Nessa área, o país perde importantes oportunidades por subaproveitar a reciclagem.
Segundo o estudo, as soluções devem ser provenientes da pecuária, da floresta e da agricultura que, juntas, somam potencial de abatimento de 85% das emissões de GEE do Brasil. Para esta última, a Mckinsey também propõe alternativas de custo negativo como o plantio direto que, por atuar num âmbito representativo tende a trazer resultados significativos.
Atualmente, o Brasil já apresenta números acima da média mundial, 12 tCO2e per capita, (que corresponderiam a 14 tCO2e em 2030) e, mesmo se o desmatamento for desconsiderado, essa intensidade, que se reduziria a 5 tCO2e por pessoa (ou a 7,5 tCO2e em 2030) ainda estaria acima da média mundial.
DEBATE
Estiveram presentes ao evento para discussão mediada pela diretora de redação da revista Exame, Claudia Vassalo, o diretor-presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni, o secretário de Estado do Meio Ambiente e conselheiro do Planeta, Xico Graziano, e o coordenador executivo de meio ambiente e sustentabilidade da Vale, Katsuo Homma.
Sobre o cenário de investimento criado pela atual crise econômica mundial para a sustentabilidade, o secretário afirmou que o empecilho consiste na reprogramação de custos que, muitas vezes, freia as iniciativas verdes. Por outro lado, há uma gama de oportunidades a ser explorada que depende principalmente do papel do governo. “Estamos vendo um movimento dos aparelhos de Estado em direção a um New Deal verde, protagonizado pelos Estados Unidos. Vamos depender muito da atuação dos dirigentes, por isso precisamos usar da capacidade de pressão da sociedade e, nós, da agenda ambiental, temos que ser mais proativos e propor a ruptura, impulsionar os Estados”, disse.
Outro ponto destacado por Graziano é a necessidade de o governo intervir para garantir que o mercado não privilegie apenas quem trabalha com escala. “Sempre vai aparecer alguém para falar que energia alternativa é muito cara. É mais do que uma mudança tecnológica. Existe um domínio de quem controla a energia para impedir o surgimento de novas”, resumiu.
Em consonância, Tomazoni disse acreditar que os governantes vão incrementar os caminhos estratégicos serem seguidos e que, nesse sentido, o desafio, hoje, é fazer com que os recursos disponíveis cheguem de fato aos pontos importantes. “O caminho tecnológico e burocrático para viabilizar projetos é longo e cheio de dificuldades. Quando vejo que o Estado será mais intervencionista, espero que ele fomente tecnologias e mecanismos para que as empresas possam acessar os recursos e pulverizá-los por meio de iniciativas de impacto social”, concluiu.
Para Homma, a participação do governo brasileiro é natural e necessária. “Nós, brasileiros, temos uma bandeira, a questão dos créditos de carbono, necessária para manter a floresta de pé. O estudo da McKinsey coloca, claramente, o desmatamento como maior fonte de emissão. Este é um ano chave para definição de políticas ambientais e é fundamental que o governo se posicione", declarou.
Confira a cobertura completa do evento.