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Roupa suja ainda na moda Afonso Capelas Jr. - 17/05/2015 às 19:53

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No início desta semana a Zara, famosa empresa internacional do mundo da moda, foi autuada mais uma vez por não ter cumprido um acordo de melhoria das condições de trabalho de sua rede terceirizada de oficinas. Esse acordo foi firmado em 2011, quando a justiça a responsabilizou por permitir trabalho escravo em sua linha de produção. Para resolver o problema à sua maneira, a Zara fez o mais fácil e menos nobre: cancelou contratos com empresas que mantém funcionários imigrantes. Foi, então, processada mais uma vez pelo Ministério do trabalho por discriminação.

A Zara não é a única. Muitas outras empresas de confecções no Brasil e no mundo ainda não respeitam direitos trabalhistas e utilizam mão de obra que beira o escravagismo.

Por isso, o movimento internacional Fashion Revolution Day criou uma campanha experimental e muito criativa. Em uma praça de grande movimento de Berlim, na Alemanha, foi instalada uma máquina onde era possível comprar camisetas a um preço bem barato: bastava depositar dois euros no equipamento.

Cada vez que alguém se animava a adquirir uma peça e colocava o dinheiro na máquina, um vídeo era exibido. Nele apareciam cenas fortes das condições precárias de trabalho em fábricas de roupas.

Em seguida o vídeo dizia, diante dos compradores atônitos: “Conheça Manisha, uma das milhões de trabalhadoras e trabalhadores que fazem nossas roupas baratas por 13 centavos de dólar por hora, 16 horas por dia, todos os dias”. Em seguida pergunta, sob os olhares incrédulos: “Você ainda quer comprar esta camiseta por dois euros?”.

A campanha foi batizada de “Fashion for a bargain – that’s what everyone wants” (Isto é o que o mundo quer – moda por uma barganha). Foi idealizado para lembrar os mais de mil trabalhadores mortos em 24 de abril de 2013 no desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh. Ali funcionavam quatro grandes oficinas de roupas que produziam moda baratíssima para empresas de moda do porte da Benetton, H&M e Primark.

O Fashion Revolution Day foi criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e o meio universitário. Eles pretendem criar uma consciência sobre o verdadeiro custo da moda e seus impactos em todas as etapas de produção e de consumo.

Querem também mostrar que é possível mudar esse estado de coisas em todas as partes do planeta. Inclusive no Brasil, onde o Fashion Revolution Day também tem bases.

O vídeo do Fashion for a bargain – that’s what everyone wants

Site do Fashion Revolution Day Brasil

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AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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