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Pobreza e economia verde Afonso Capelas Jr. - 09/07/2012 às 17:50

 

A diminuição das desigualdades sociais está entre os principais desafios deste século de mudanças climáticas e é um dos preceitos que podem impulsionar a economia verde: aquela que preconiza, justamente, um crescimento que alia a geração de renda e de empregos com a erradicação da pobreza e a conservação dos recursos naturais do planeta.

Diante disso, divulgo aqui o trabalho de uma ONG que teve participação durante a Rio+20 e parece ter um trabalho muito digno de combate à pobreza no Brasil e em mais de 40 países. É a ActionAid. Apesar de atuar no Brasil já há 12 anos, a ActionAid está agora desenvolvendo a campanha publicitária Mude uma vida, tendo a atriz Julia Lemmertz como embaixadora e garota-propaganda da entidade no país. A intenção é convocar a sociedade a apadrinhar crianças pobres de várias regiões brasileiras e do planeta por meio de doações em dinheiro a partir de pouco mais de R$ 40.

A ActionAid trabalha sempre em parceria com grupos e organizações localizadas nos próprios lugares onde estão as comunidades carentes. A ONG ajuda a pensar alternativas para superar dificuldades e garantir acesso a direitos que todos os humanos deveriam ter: alimentação, saúde, moradia, educação, igualdade entre homens e mulheres, raças e etnias.

Se os governos não fazem, cabe a nós ajudar a construir uma ponte nesse imenso abismo de discrepâncias que está dizimando o planeta: enquanto milhões (milhões!) não têm acesso ao mais básico para se viver, uma minoria abastada consome avidamente bens – muitos deles supérfluos – produzidos com os mesmos recursos naturais finitos que deveriam ser usufruídos sustentavelmente por todos.

Quanto a essa questão recomendo a leitura do livro Muito além da Economia Verde, do professor de economia da USP Ricardo Abramovay, editado pelo Planeta Sustentável. Entre outros pontos, Abramovay explica porque a pobreza extrema – em contraponto ao consumo desenfreado – são entraves ao desenvolvimento sustentável. Também revela como a economia verde e a inovação podem remover boa parte dos obstáculos que estão no caminho de alcançarmos uma sociedade mais justa, sustentável e feliz.

Imagem – Creative Commons

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Comentários

10/07/2012 às 13:27 Daniel Fernandes - diz:

Faço pesquisa com populações tradicionais na região Norte, vejo ações do governo, como as diversas bolsas, que perigosamente tem o cunho assistencialista, apesar de ter a imediatez de tirar as pessoas da miséria. No entanto, estão criando uma sensação de dependência que em um futuro bem próximo terá consequencias nefastas para a população. Algumas experiências exitosas deram-se na construção e assessoria de associações nas comunidades, fixando a população em seu espaço e criando possibilidade de geração de renda. Não creio em mega-projetos que universalizam ações sem levar em consideração as diversas dinâmicas sociais locais. Assim, sugiro que esse espaço virtual abra fóruns de discussões a partir de temática universais, porém com discussões a partir de experiências locais exitosas, caso contrário existirão milhares de RIO + que voltarão sempre ao ponto inicial.

10/07/2012 às 14:28 Amilcar Faria - diz:

Fazer melhor e pior ao mesmo tempo!
http://amilcarfaria.blogspot.com.br/2012/07/fazer-melhor-e-pior-ao-mesmo-tempo-em.html

O desenvolvimento sustentável é uma necessidade mundial. As necessidades mundiais são a soma das nacionais. Para contribuir com o desenvolvimento sustentável do mundo precisamos começar pelo nosso.

Segundo o professor Ricardo [Abramovay][1], no tocante ao desenvolvimento sustentável:

O maior desafio da governança contemporânea, é fazer mais e menos, ao mesmo tempo.

É imensa a pressão de novos consumidores sobre os ecossistemas, apesar do avanço científico e das inovações tecnológicas terem permitido fazer mais com menos. Contudo, por mais se intensifique a inovação, ela não será capaz de compensar os efeitos do crescimento econômico acelerado porque os ganhos de eficiência são contrabalançados pelo incremento no consumo e na produção.

Não há governança do desenvolvimento sustentável sem atacar as desigualdades, não só de renda, mas do uso de recursos naturais cada vez mais escassos, e cuja exaustão ameaça a própria vida social.

Segundo ele, precisamos fazer MAIS (EDUCAÇÃO, saneamento, acesso à água e energias modernas) e também fazer MENOS (emissões; carros; CONSUMO de produtos, materiais e água; alimentos não saudáveis), mas a governança atual, que até tem aprendido a fazer MAIS, ainda não aprendeu a fazer MENOS.

Não obstante a concordância com o argumento defendido pelo professor seja inelutável, acredito que, sob outra perspectiva, talvez a governança ainda não tenha aprendido a fazer menos porque NÓS ainda não aprendemos a fazer melhor e pior ao mesmo tempo.
Precisamos fazer MELHOR a governança (governo) assim como precisamos fazer PIOR a falta de envolvimento político.

Precisamos fazer MELHOR (POLÍTICA, EDUCAÇÃO, ciência, saúde, segurança) e PIOR (POLITICAGEM, idolatria ao futebol ou religiosa, falta de valores). No Brasil fazemos, talvez bem demais (daí a necessidade de fazer pior), a politicagem; a idolatria ao futebol, ao carnaval ou a uma religião (sempre intolerante e dona da verdade absoluta em detrimento das demais religiões).

Para conseguir fazer o MAIS e MENOS o principal investimento, por basilar aos demais é a EDUCAÇÃO!

Para conseguirmos fazer o MELHOR e PIOR o principal investimento, por basilar aos demais é a POLÍTICA!

Se na economia temos vivido, desde a revolução industrial, a ditadura do consumo, na política estamos vivendo, desde a retomada da nossa jovem democracia, a ditadura da corrupção, fato comprovado pelo crescente número de escândalos de corrupção que tem assolado nosso país.

Tal corrupção parece não depender mais de corrente ideológica política, de raça, de credo religioso, de idade ou até de partido e é fruto de uma generalizada falta de politização da população. Essa despolitização é explicada, em alguma parte, pelo longo período de ditadura militar que desfavorecia à tortura as iniciativas políticas.

Mas é importante lembrar que o império da corrupção termina onde começa o império da punição.

Tão importante quanto fazer MAIS e MENOS é fazer também MELHOR e PIOR ao mesmo tempo.

Há que se notar que algumas ações frutificam não só no mais e menos quando no melhor e pior, mas a principal delas é a educação.
Só a EDUCAÇÃO (mais e melhor) pode tornar o Brasil um país desenvolvido, com qualidade de vida para todos nós!

E não adianta querer um país melhor PARA MIM, porque enquanto ele não for melhor PARA NÓS, ele não será melhor PARA NINGUÉM!

Por isso defendo algumas ações que podem começar a surtir efeito para uma MUDANÇA NECESSÁRIA e são elas:

1) que nos mobilizemos para uma efetiva melhoria dos investimentos em educação integral: desde a educação de base até a superior, passando pela profissionalizante, nos moldes do que fez o Japão: com extrema vinculação e aproximação da escola com as indústrias;

2) que as pessoas se interessem mais por política: não pela politicagem praticada nos moldes de hoje. Que escolham as pessoas íntegras e honestas (existem alguns exemplos como o Reguffe-DF, Carlos Sampaio-SP) e que se não encontrarem bons candidatos, que mais pessoas íntegras se candidatem para fazer a diferença;

3) que as pessoas acompanhem mais de perto seus candidatos eleitos: e cobrem deles ações efetivas em prol do que acreditam. Hoje, com um click do mouse você consegue acompanhar seu representante “como nunca antes na história desse país”; [Projeto EXCELENCIAS][2]

4) que cobremos voto aberto e nominal para todas as votações parlamentares: o representante deve absoluta transparência a quem ele representa. O controle dos eleitores é imprescindível para que os políticos se mantenham fiéis aos seus representados e tal controle só se dá quando o eleitor tem acesso a TODAS as posições e votações dos que o representam;

5) que nos mobilizemos pela “PENA DE MORTE POLÍTICA”: SE CORRUPTO, NUNCA MAIS SERÁ ELEGÍVEL. Atualmente a punição de suspenção de direitos políticos é de 8 anos, mas sendo a CORRUPÇÃO UM CRIME MAIS QUE HEDIONDO porque mata o mais necessitado, aquele que mais precisa do amparo do estado, tal punição deveria ser de no mínimo 20 a 30 anos!

As redes sociais são a Vanguarda de uma Nova Política. Encurtam distâncias entre os que pensam, os que agem, os que são!

Mobilizemo-nos então para MAIS e MELHOR: EDUCAÇÃO e POLÍTICA!

——————————————————————————–

[1] Fazer mais e menos ao mesmo tempo (Ricardo Abramovay):
http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1108042-fazer-mais-e-menos-ao-mesmo-tempo.shtml

[2] Projeto excelências do Portal da Transparência: http://www.excelencias.org.br/

11/07/2012 às 16:52 Afonso Capelas Jr. - diz:

Obrigado pela colaboração, caros Daniel e Amilcar. Só enriquece o debate de ideias.

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Sustentável na PráticaAfonso Capelas Jr.

Afonso Capelas Jr. é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Hoje escreve para o movimento Planeta Sustentável. Este blog foi criado para debater com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21.

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