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Sampa na marcha a ré Afonso Capelas Jr. - 30/11/2012 às 18:13

No início de abril publiquei um post festejando o programa Escolas de Bicicleta, iniciativa da prefeitura de São Paulo. Ele contemplava alunos de várias escolas municipais com bikes feitas de bambu, além de capacetes, coletes refletivos, bagageiros e cadeados. Para ter direito ao kit, cada criança deveria fazer um curso de um mês com noções de trânsito e de como pedalar com segurança. Uma forma muito bem-vinda de formar futuros cidadãos ciclistas e moldar uma cidade mais justa, humana e saudável.

Agora, sinto noticiar que esse projeto foi interrompido bruscamente. As magrelas foram tiradas das mãos de crianças que se esforçaram para concluir seus cursos e, assim, pegar as desejadas bikes e cuidar bem delas. O motivo, banal: o instituto associado à prefeitura responsável pelo Escolas de Bicicleta não pagou os salários de outubro dos monitores do programa. Eles pararam, as bicicletas foram recolhidas e os alunos ficaram a pé.

A reportagem apresentada na TV mostrou crianças visivelmente desapontadas. Depois de um mês frequentando os cursos e de zelarem com carinho pelas bikes, a prefeitura literalmente tira o doce de suas mãos sem maiores explicações.

As autoridades se defenderam dizendo que tudo já está normalizado e que as bicicletas estão apenas “passando por manutenção”. Não era o combinado, já que elas deveriam ficar com os alunos até o final do ano. A prefeitura também alertou que o projeto só continua se a nova administração da cidade quiser.

É certo que tem havido alguma evolução no espaço concedido às bikes no país, inclusive na capital paulista. Mas tudo é tão tímido e, por vezes, passa a sensação de que bons programas como esse Escolas de Bicicleta são feitos para ter prazo de validade bem curto. Parecem apenas marketing da pior espécie para ano de eleições. Beneficiam a população, mas caem no tal “desinteresse político” e acabam. Com crianças, então, esse tipo de “brincadeira” é covardia.

Enquanto isso, metrópoles com visão de longo prazo, como Nova Iorque, prezam a questão da mobilidade urbana por considerarem ponto fundamental na solução de um dos maiores problemas das cidades. Lá, em cinco anos de gestão, a secretária de Transportes Janette Sakik-Khan abriu 450 km de ciclovias e 50 km de corredores de ônibus, fechou ruas ao trânsito de automóveis e transformou a mundialmente famosa área da Times Square em um agradável calçadão.

Do lado de cá, só nos resta esperar que a nova prefeitura a ser empossada no início de 2013 tenha o bom senso de retomar o Escolas de Bicicleta. Vamos ficar de olho.

Imagem – Divulgação

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Aplicativos verdes Afonso Capelas Jr. - 23/11/2012 às 17:57

Somos loucos por smartphones. Recentemente, uma pesquisa revelou que os brasileiros têm mais desses aparelhos que alemães e franceses. Em maio, eram nada menos que 27 milhões. Hoje certamente esse número aumentou. O grande diferencial dos smartphones em relação aos celulares mais simples é a possibilidade de dispor dos mais variados aplicativos. Nos últimos meses vem surgindo um bom número deles que ajudam o usuário a ser um sujeito mais sustentável: ensinam a economizar energia elétrica, combustível e água, auxiliam na busca de alimentos mais saudáveis, ensinam a utilizar produtos de limpeza menos agressivos ao meio ambiente, incentivam a reciclagem.

A esmagadora maioria foi desenvolvida para aparelhos iPhone, embora seus produtores garantam que, em breve, estarão disponíveis cada vez mais para o sistema operacional Android. Quase todos são gratuitos.

Pena também que muitos deles funcionam apenas nos países de origem, em geral os Estados Unidos. Alguns são ótimos e bem poderiam ser adaptados ao Brasil. É o caso do My Recycle List. Basta escolher os itens que deseja enviar para a reciclagem, acionar o GPS do aparelho – ou digitar o CEP – e ele imediatamente indica o ponto de coleta mais próximo. Claro que o aplicativo só encontra postos de reciclagem norte-americanos.

Outro é GoodGuide. Com ele é possível obter informações preciosas de um determinado produto do ponto de vista industrial, ambiental e da toxicidade de suas matérias-primas. Tudo isso apenas escaneando seu código de barras. Por enquanto, no catálogo do aplicativo estão armazenados apenas produtos fabricados nos Estados Unidos. Que seja um incentivo para que desenvolvedores brasileiros comecem a trabalhar em aplicativos como estes.

Abaixo, alguns aplicativos que funcionam bem aqui no Brasil, além do nosso Manual de Etiqueta do Planeta Sustentável. Para baixá-los basta ir à Apple Store ou ao Market Android no seu aparelho:

- GreenMeter – Sensores detectam a potência do seu carro e calculam o consumo de combustível com base na forma como você dirige, principalmente na hora de pegar a estrada. Ajuda a aumentar a eficiência do motor economizando e poluindo menos em tempo real. Para iPhone;

- iViro – Gerencia o uso da energia elétrica em casa com facilidade. Faz até estimativas anuais de consumo de eletricidade e de emissão de CO2. Para iPhone.

- Green Shine – Um excelente guia com mais de uma centena de alternativas naturais de limpeza doméstica, para abolir de vez produtos tóxicos e que agridem o meio ambiente. Para iPhone.

- Eco Charger – Para quem sempre esquece o aparelho conectado ao carregador mesmo com a bateria totalmente carregada. Um alerta sonoro soa e a economia de energia elétrica é certa. Para Android.

- Manual de Etiqueta – Já publicado em papel e no site do Planeta Sustentável, o manual está também na palma da mão, com muitas dicas de sustentabilidade. Para iPhone.

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Manual de Etiqueta ganha aplicativo para iPhone

Imagem – Creative Commons

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Tempo e qualidade Afonso Capelas Jr. - 16/11/2012 às 22:24

Você sabe o que é o ciclo de vida de um produto? Em poucas palavras é o tempo de vida de um determinado artigo em todos os elos da sua cadeia de produção. Desde a extração dos recursos naturais que vão compor as matérias-primas de que ele será feito, até o dia em que ele será despejado em um aterro sanitário ou encaminhado para a reciclagem.

Aí você se pergunta onde está a vantagem de saber disso. Simples: analisar o ciclo de vida dos produtos é importante para mensurar as emissões de gases de efeito estufa e o impacto no meio ambiente durante a sua fabricação, uso e descarte pelo consumidor. Para a indústria, é essencial para melhorar seus processos de produção em toda a cadeia. Para o consumidor é uma informação fundamental para a escolha certa de produtos menos poluentes, mais eficientes, duráveis e recicláveis.

Embora exista até uma Associação Brasileira de Ciclo de Vida (ABCV), a análise de produtos sob este ponto de vista no país ainda é muito ínfima. Agora, entretanto, algumas empresas poderosas – com o apoio da própria ABCV e do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente – unem suas forças para incrementar o estudo do ciclo de vida de seus produtos.

Unilever, Braskem, GE, Philips e Danone acabam de criar a Rede Empresarial Brasileira de Análise de Ciclo de Vida. A intenção é tornar mais popular e corriqueira a prática do estudo de ciclo de vida dos produtos nacionais. Além da análise de produção das próprias empresas envolvidas, a rede também está aberta a todas as companhias dispostas a melhorar seus processos e divulgá-los aos seus consumidores. É mais uma ferramenta para que os brasileiros consumam com mais qualidade e consciência.

Imagem – Creative Commons

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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