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Brasil adotará o Lixo Zero? Afonso Capelas Jr. - 30/08/2013 às 18:21

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Em apenas uma semana de vigência do Programa Lixo Zero, no Rio de Janeiro, foram aplicadas 467 multas a pessoas flagradas jogando dejetos nas ruas da cidade, informou o site do Planeta Sustentável ontem. A notícia deu conta de que houve uma redução de 34% no volume de resíduos despejados no chão das ruas centrais da capital fluminense. Será que essa lei vai vingar, se alastrando pelas principais cidades brasileiras, a exemplo do que acontece em nos Estados Unidos e em muitos países europeus?

Na câmara municipal de vereadores de São Paulo, a maior metrópole do país, já tramita um projeto de lei que prevê multas de R$ 100 a R$ 500 para quem emporcalhar as ruas da cidade. Se aprovada, as multas também serão dolorosas para quem não recolher devidamente o cocô dos seus cães e até para quem furar sacos de lixo à procura de latinhas de alumínio e outros materiais recicláveis.

Curitiba é outra capital que está pensando seriamente em adotar uma lei como a do Rio de Janeiro. Pelo mesmo caminho vão GoiâniaSalvador e FortalezaManaus tem um projeto engavetado na câmara de vereadores desde 2011. Com o exemplo carioca o assunto voltou, esta semana, à pauta na capital do Amazonas.

Em todas essas cidades – inclusive no Rio de Janeiro – a lei é aplicada quando há flagrante. O fiscal então pede o número do CPF ou RG do sujismundo na hora e um boleto para pagamento da multa depois segue pelo correio.

Mas lei sem fiscalização não pega. Isso é fato que pode ser confirmado em Belo Horizonte. Segundo o jornal O Tempo, lá na capital mineira existe uma norma semelhante à do Rio de Janeiro em vigor desde o ano passado. Diz a Lei Municipal 10.534, de setembro de 2012, que lançar resíduo sólido em vias públicas é ato lesivo à conservação da limpeza urbana. Depois de notificado o infrator pode receber multas que variam de R$ 135,53 a R$ 4.065,62, conforme a quantidade de lixo jogado nas ruas.

Só que – de acordo com o jornal – de janeiro a abril de 2013 apenas 23 pessoas foram multadas na cidade. Não que os belo-horizontinos sejam mais educados que os cariocas. Quem conhece Belo Horizonte sabe que suas ruas não são um primor de limpeza. A razão do baixo número de multados é a falta de fiscais. O jornal mineiro relata que grande parte da população nem sequer sabe da existência da lei, porque nunca viram ninguém ser autuado.

O fato é que com lei ou sem lei, a boa cidadania recomenda não jogar lixo nas ruas. Entretanto é preciso que o poder público eduque a população. Infelizmente muitas pessoas acreditam que é normal jogar uma inocente embalagem no canto da calçada, já que – na cabeça desses indivíduos – os garis existem para recolhê-lo.

Claro que não é bem assim, então fica a dúvida: é melhor multar, ou antes, informar e educar?

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Em uma semana, Programa Lixo Zero aplicou 467 multas

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Viva a economia solidária! Afonso Capelas Jr. - 23/08/2013 às 15:16

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Uma forma inovadora de produzir, vender, comprar e trocar produtos e serviços. Em resumo, esse é o conceito da economia solidária baseada na cooperação entre os envolvidos. É solidária porque não deixa ninguém de fora: é um sistema econômico que oferece oportunidades de trabalho e renda para todos, sem distinção de classe social.

Esse modo de produção, distribuição e consumo de bens e serviços vem ganhando força no Brasil e em vários países da América Latina, nos últimos anos. Sem muito alarde, mas em um crescendo ininterrupto. O Ministério do Trabalho e Emprego (MET) calcula que existam, atualmente, cerca de 30 mil empresas de economia solidária no Brasil. Elas dão oportunidades de produção e renda para nada menos que 2,3 milhões de pessoas em todo o país.

Não se trata apenas da união de cooperativas que produzem artigos artesanais para que pessoas de baixa renda consigam sobreviver. É muito mais: ela engloba inclusão social, respeito às pessoas  – trabalhadores e consumidores –, ao meio ambiente  e aos recursos naturais. Também acaba com a velha relação patrão-empregado já que todos são, ao mesmo tempo, trabalhadores e donos de seus negócios.

O MTE reconhece efetivamente essa economia, tanto que criou a Secretaria Nacional de Economia Solidária. O órgão a vê como um conjunto de atividades de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito organizadas sob a forma de  autogestão. Segundo o site do ministério, as características mais marcantes dessa economia são:

- Cooperação – interesses e objetivos comuns, união de esforços e capacidades, propriedade coletiva de bens, partilha de resultados e responsabilidade solidária;

- Autogestão – os envolvidos nas organizações promovem práticas participativas de gestão pelos próprios trabalhadores dos processos de trabalho, das estratégias e cotidianas dos negócios;

- Dimensão econômica – uma das bases de motivação da agregação de esforços e recursos pessoais e de outras organizações para produção, beneficiamento, crédito, comercialização e consumo;

- Solidariedade – distribuição justa dos resultados e oportunidades que levam o desenvolvimento de capacidades e da melhoria das condições de vida dos participantes, no compromisso com o meio ambiente saudável, nas relações com a comunidade local, ma participação nos processos de desenvolvimento sustentável de base territorial, regional e nacional, nas relações com outros movimentos sociais, na preocupação com o bem-estar dos trabalhadores e consumidores.

A economia solidária não é novidade. Aliás, é bem antiga: há indícios dessa prática em povos indígenas da era pré-colombiana. Mais recentemente, depois da Revolução Industrial em meados do século 19, surgiram na Grã-Bretanha as chamadas Trade Unions, ou uniões de ofícios. Eram associações formadas por trabalhadores de fábricas para reivindicar seus direitos. Delas nasceram as primeiras cooperativas de trabalho.

Nos tempos atuais, a economia solidária pode ser a chance de que precisamos para fazer surgir um planeta mais justo, moderno, igualitário e preservado.

Leia também:

Economia Solidária: futuro do desenvolvimento?

Imagem – Creative Commons

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Uma ideia que ilumina o mundo Afonso Capelas Jr. - 16/08/2013 às 16:29

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Quem diria que uma simples ideia de um mecânico brasileiro tenha dado tão certo que acabou por cair nas graças de todo o mundo. A lâmpada feita apenas com uma garrafa PET e uma mistura de água e alvejante criada por Alfredo Moser para iluminar sua oficina na cidade mineira de Uberaba – durante os sucessivos apagões que aconteceram em 2002 no Brasil – hoje está disseminada por vários países.

De acordo com a agência de notícias BBC Brasil, já são mais de um milhão de casas iluminadas pela invenção de Moser em comunidades carentes de países da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio. Isto depois de reportagens feitas com o inventor Alfredo Moser terem corrido o mundo via YouTube.

As comunidades pobres das Filipinas são as que mais se beneficiam da lâmpada. Em 2011, a fundação MyShelter de ajuda humanitária adotou a invenção de Moser para criar o projeto “Um litro de luz“. O objetivo é iluminar de forma eficaz e barata mais de 10 mil casas nas favelas do país.

Na capital Manila, com a ajuda de alunos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) – os próprios moradores aprenderam a montar suas lâmpadas e instalá-las nos telhados. Na maioria das favelas filipinas as casas são tão próximas umas das outras que quase não permitem janelas e acesso à luz natural. Esse é o ambiente ideal – em regiões onde o sol predomina durante quase todo o ano – para uma lâmpada feita de PET funcionar perfeitamente.

Atualmente o projeto “Um litro de Luz” se mantém graças a doações e está a pleno vapor nos quatro cantos do planeta: da Colômbia ao Vietnã, do Camboja a Bangladesh, da Espanha à Suíça e em muitos outros países. No Brasil, pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie também desenvolveram projetos para instalação das lâmpadas de PET – que no meio acadêmico são pomposamente chamadas “Lâmpadas Moser” – na construção civil em escala industrial.

Interessante saber que a lâmpada engarrafada nasceu quase ao acaso e pela necessidade, como acontece com quase todas as grandes ideias. Ela funciona assim: em uma garrafa PET de dois litros coloca-se água e um pouco de água sanitária para evitar a proliferação de fungos que diminuem a luminosidade. O recipiente de plástico é então instalado em telhados que não tenham forros. Uma parte da garrafa fica do lado de fora do telhado para captar a luz do sol e refleti-la para o ambiente interno. A potência é equivalente a de uma lâmpada comum de 60 watts.

“Uma pessoa que conheço instalou as lâmpadas em casa e em um mês economizou dinheiro suficiente para comprar itens essenciais para o filho que tinha acabado de nascer?”, disse, feliz, o inventor Alfredo Moser, à reportagem da BBC. Ao que profetizou o representante da fundação MyShelter, Illac Ângelo Diaz: “Alfredo Moser mudou a vida de um enorme número de pessoas, acredito que para sempre”.

Leia também:
A lâmpada mágica

Imagem – Creative Commons

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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