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Uma ideia que ilumina o mundo Afonso Capelas Jr. - 16/08/2013 às 16:29

LAMPADA_OK

Quem diria que uma simples ideia de um mecânico brasileiro tenha dado tão certo que acabou por cair nas graças de todo o mundo. A lâmpada feita apenas com uma garrafa PET e uma mistura de água e alvejante criada por Alfredo Moser para iluminar sua oficina na cidade mineira de Uberaba – durante os sucessivos apagões que aconteceram em 2002 no Brasil – hoje está disseminada por vários países.

De acordo com a agência de notícias BBC Brasil, já são mais de um milhão de casas iluminadas pela invenção de Moser em comunidades carentes de países da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio. Isto depois de reportagens feitas com o inventor Alfredo Moser terem corrido o mundo via YouTube.

As comunidades pobres das Filipinas são as que mais se beneficiam da lâmpada. Em 2011, a fundação MyShelter de ajuda humanitária adotou a invenção de Moser para criar o projeto “Um litro de luz“. O objetivo é iluminar de forma eficaz e barata mais de 10 mil casas nas favelas do país.

Na capital Manila, com a ajuda de alunos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) – os próprios moradores aprenderam a montar suas lâmpadas e instalá-las nos telhados. Na maioria das favelas filipinas as casas são tão próximas umas das outras que quase não permitem janelas e acesso à luz natural. Esse é o ambiente ideal – em regiões onde o sol predomina durante quase todo o ano – para uma lâmpada feita de PET funcionar perfeitamente.

Atualmente o projeto “Um litro de Luz” se mantém graças a doações e está a pleno vapor nos quatro cantos do planeta: da Colômbia ao Vietnã, do Camboja a Bangladesh, da Espanha à Suíça e em muitos outros países. No Brasil, pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie também desenvolveram projetos para instalação das lâmpadas de PET – que no meio acadêmico são pomposamente chamadas “Lâmpadas Moser” – na construção civil em escala industrial.

Interessante saber que a lâmpada engarrafada nasceu quase ao acaso e pela necessidade, como acontece com quase todas as grandes ideias. Ela funciona assim: em uma garrafa PET de dois litros coloca-se água e um pouco de água sanitária para evitar a proliferação de fungos que diminuem a luminosidade. O recipiente de plástico é então instalado em telhados que não tenham forros. Uma parte da garrafa fica do lado de fora do telhado para captar a luz do sol e refleti-la para o ambiente interno. A potência é equivalente a de uma lâmpada comum de 60 watts.

“Uma pessoa que conheço instalou as lâmpadas em casa e em um mês economizou dinheiro suficiente para comprar itens essenciais para o filho que tinha acabado de nascer?”, disse, feliz, o inventor Alfredo Moser, à reportagem da BBC. Ao que profetizou o representante da fundação MyShelter, Illac Ângelo Diaz: “Alfredo Moser mudou a vida de um enorme número de pessoas, acredito que para sempre”.

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A lâmpada mágica

Imagem – Creative Commons

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A solidão é insustentável Afonso Capelas Jr. - 09/08/2013 às 15:49

Deu na revista Time da semana passada: um estudo aponta que pessoas com dificuldades de relacionamentos sociais têm maior tendência ao consumismo e podem até ter sérios problemas financeiros por conta desse comportamento. A pesquisa científica foi realizada pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong,  parte dela em laboratório e outra em shoppings centers, parques e estações de metrô da cidade. O objetivo foi examinar o impacto do isolamento social como aspecto importante do comportamento de consumo e da tomada de decisões financeiras.

Segundo o principal autor da pesquisa – o professor de marketing Rod Duclos – a busca pela aceitação social e a manutenção de relações mais estreitas com os amigos são duas das necessidades essenciais dos seres humanos. Então, quando não se sentem interligados com outros indivíduos assumem a tendência de comprar essa satisfação de alguma forma. “Sociedades modernas são muito complexas e as pessoas querem satisfazer seus desejos por meios primários, como popularidade e dinheiro”, disse Duclos à revista norte-americana.

Para satisfazer estas necessidades, continua o pesquisador, “os consumidores estão dispostos a investir ou sacrificar importantes recursos como tempo e dinheiro para garantir um estado mais duradouro de bem-estar”.

Parece mesmo estranha a correlação entre solidão e gastança de dinheiro. Mas ela foi comprovada nas ruas da cidade chinesa. Muitos dos entrevistados disseram que quando se sentem sós e isolados procuram investimentos de risco e se dispõem mais facilmente a gastar suas finanças em cassinos, loterias e corridas de cavalo.

Para o professor de marketing Rod Duclos, quando as pessoas têm a sensação de exclusão social o dinheiro ganha mais importância e torna-se o nosso principal meio de manter o controle das coisas. “Isso lhes permite manipular o sistema social para obter o que querem, independentemente de serem aceitos pelos outros”.

A conclusão de Duclos é a de que não devemos tomar grandes decisões financeiras quando nos sentimos solitários ou de alguma forma rejeitados. Pode ser bom, em todos os sentidos.

Imagem – Creative Commons

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Denuncie os lixões sem dó Afonso Capelas Jr. - 02/08/2013 às 18:15

Depósitos clandestinos de lixo representam um problema ambiental muito sério e proliferam à vontade no Brasil, mesmo às vésperas da entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Eles surgem do nada: basta um cidadão desleixado jogar um pneu velho em um terreno abandonado ou em uma esquina qualquer e em pouco tempo outros se darão o direito de livrar-se também de seus rejeitos naquele lugar.

Nas grandes cidades há muitos desses depósitos a céu aberto, que acabam se tornando “pontos viciados”, onde alguém sempre irá jogar entulho. Essas pessoas executam o trabalho sujo sempre na surdina, olhando para os lados para não serem flagrados, porque sabem que estão fazendo coisa errada. Há até mesmo quem tenha a cara de pau de despejar objetos maiores como sofás e guarda-roupas imprestáveis nesses lugares.

Agora já é possível colocar a boca no trombone e denunciar esses espertinhos porcalhões com rapidez usando a ponta dos dedos, em qualquer parte do Brasil. A empresa de desenvolvimento de produtos WiseWaste acaba de criar o aplicativo Lixarada.

Com ele devidamente instalado, basta sacar o seu iPhone (está prometido para ainda este ano disponibilizar o aplicativo também para o sistema operacional Android) fotografar o triste cenário e, ato contínuo, enviar tudo para a WiseWaste, por meio do próprio aparelho celular.

Antes de fazer sua denúncia é preciso preencher um pequeno cadastro no próprio aplicativo. Depois, junto com a imagem, você também pode enviar informações valiosas: há opções para detalhar o tipo de dejetos que encontrou e o tamanho do lixão. Junto pode enviar uma breve descrição do que viu. Um sistema de localização permite determinar o ponto exato do depósito clandestino. Se preferir, você pode fazer seu registro anonimamente.

O pessoal da WiseWaste vai analisar os dados e confirmar a sua denúncia. Mais: você, ou a própria WiseWaste, compartilham tudo no Facebook, para que seus amigos apoiem e multipliquem as informações. Há um botão no aplicativo para atualizar a denúncia, caso o lixo já tenha sido removido.

O trabalho da WiseWaste não termina aí. A empresa também gera um relatório de denúncias que será encaminhado às respectivas prefeituras. O aplicativo é gratuito e você pode baixá-lo clicando aqui.

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Imagem – Tânia Rêgo/Abr – Creative Commons

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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