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Estamos comendo peixes em extinção Afonso Capelas Jr. - 07/06/2013 às 17:59

Um levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica revela que as feiras livres e supermercados paulistanos vendem à vontade muitas espécies de peixes que constam nas listas de espécies em extinção. A pesquisa da ONG foi realizada entre abril e maio em 100 estabelecimentos com a intenção de averiguar quais peixes, crustáceos e moluscos são comercializados para consumo e se o defeso – período do ano em que fica proibida por lei a pesca, a fim de preservar a reprodução de espécies – era respeitado.

A constatação da SOS Mata Atlântica: sardinhas e cações, duas espécies que estão na lista de espécies brasileiras de invertebrados e peixes ameaçadas de extinção do Ministério do Meio Ambiente, são vendidas sem problemas em praticamente todas as barracas das feiras livres paulistanas. E bastante consumidas. Tanto que para atender à demanda, a captura das sardinhas já está levando esta espécie ao colapso.

O cação apresentado em postas generosas nas bancas das feiras e supermercados – não só de São Paulo, mas de várias cidades brasileiras, já que faz parte da nossa culinária – nada mais é do que um tubarão. Os pesquisadores da SOS Mata Atlântica também revelaram que nenhum dos peixeiros soube responder qual a espécie de tubarão era vendido em suas barracas. A ONG informa que das quase 90 espécies de tubarões encontradas na costa litorânea do Brasil, 12 estão na lista de ameaça de extinção do Ministério do Meio Ambiente.

O pior caso é o da tainha. Outra espécie em perigo de desaparecer do planeta, ela foi encontrada facilmente em 35 barracas de peixaria de feiras livres e supermercados em pleno período do defeso.

Outra iguaria bastante consumida pelos paulistanos e, de resto, pelos brasileiros é o salmão, considerado um alimento saboroso e saudável. Acontece que este peixe de águas frias é exportado diretamente de criadouros no Chile para todas as regiões do Brasil.

Por ser criado especificamente para o consumo humano, o salmão não está em vias de extinção. Porém, não é assim tão saudável quanto se pensa: têm pouquíssimo teor de ômega 3 – a gordura recomendada pelos cardiologistas por ajudar a reduzir problemas cardíacos – pelo fato de ser uma espécie confinada.

Além de não trazer benefícios à saúde, o salmão ainda contribui para o agravamento das mudanças climáticas. Toneladas deles chegam aos mercados do Brasil de avião, um dos meios de transporte com maior pegada ecológica.

Imagem – Maurício de Barros/Creative Commons

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Fraldas limpas Afonso Capelas Jr. - 31/05/2013 às 18:55

Fraldas descartáveis são a maior invenção das últimas décadas para casais modernos, sempre atarefados e sem muito tempo para ficar às voltas com a lavagem das tradicionais de pano. Mas são também um problemão para o meio ambiente, já que demoram a se decompor e entopem os aterros sanitários com seu material composto basicamente de plástico. Pensando nisso, cientistas do Centro de Pesquisa Técnico VTT, com sede na distante Finlândia, conseguiram produzir fraldas descartáveis bastante eficientes utilizando apenas papelão reciclado como matéria-prima.

Com o papelão reciclado, o pessoal do centro de pesquisas finlandês desenvolveu um novo tipo de “tecido não tecido”, mais conhecido no Brasil pela sigla TNT. Acontece que o TNT tradicional geralmente é produzido com poliéster ou polipropileno.

O material resultante do papelão é bastante macio e absorvente, com textura muito semelhante a do tecido de algodão. Assim, também é possível fabricar papéis higiênicos, panos de limpeza e guardanapos.

Além de biodegradáveis, a outra grande vantagem das fraldas descartáveis produzidas pelo VTT é o aproveitamento total do papelão descartado de embalagens e outros produtos. Vale lembrar que a Finlândia é um dos maiores fabricantes de papel e papelão e reutilizar esse tipo de material por lá é uma ótima solução ambiental.

O melhor é que os custos de produção do TNT de papelão chegam a ser 20% mais baratos do que os demais. Por isso, o professor pesquisador do VTT, Ali Harlin, vê na tecnologia desenvolvida pelo centro de pesquisas a saída para substituir o material plástico nas fraldas. “O novo processo significa que os TNTs de fontes biológicas são agora mais competitivos no preço, em comparação com produtos à base de plástico. Também são mais seguros e ambientalmente amigáveis”.

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Imagem – CarbonNYC/Flickr/Creative Commons

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Campeão e sustentável Afonso Capelas Jr. - 24/05/2013 às 23:00

Corinthians é o único time de futebol do Brasil a elaborar relatórios de sustentabilidade e na semana passada publicou a quinta versão consecutiva do documento. O clube paulista é também o pioneiro no mundo a seguir os indicadores de sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI), considerados os mais rigorosos, completos e difundidos em todo o planeta. A GRI foi criada justamente para transformar os relatórios de sustentabilidade em documentos tão importantes e confiáveis quanto os balanços empresariais financeiros.

Nos últimos anos grandes empresas – principalmente aquelas sintonizadas com a necessidade de reduzir os impactos ambientais de seus negócios, em vista das mudanças climáticas – têm se preocupado em preparar relatórios de sustentabilidade. Eles são ferramentas importantíssimas de prestação de contas à sociedade sobre o desempenho econômico-financeiro e socioambiental das atividades das companhias.

No relatório 2013 do Corinthians – entre dados econômicos, recordes de arrecadações nos estádios e conquistas esportivas – é possível saber que a nova arena do clube, no bairro paulistano de Itaquera, está sendo construído com todos os cuidados ambientais.

Além de sistemas de reaproveitamento de águas das chuvas, o Itaquerão também foi equipado com painéis fotovoltaicos para captar energia solar. Esse dispositivo é capaz de gerar 1 Mw de energia elétrica, embora não torne o estádio autossuficiente nesse tipo de iluminação. “O objetivo principal é realizar, na prática, estudos técnicos sobre a viabilidade do uso de painéis fotovoltaicos na geração de energia elétrica”, diz o texto do documento. As obras de revitalização da sede social do clube também estão levando em consideração conceitos de ecoeficiência e uso consciente dos recursos naturais.

Bem diagramado e ilustrado, quem lê o relatório do Corinthians sente falta de mais iniciativas na área da sustentabilidade e maiores detalhes sobre aquelas relatadas na publicação. Mas qualquer um há de admitir – palmeirenses, santistas, atleticanos, flamenguistas e demais torcedores – que a iniciativa do time paulista é louvável.

Pelo menos o clube é um dos poucos no caminho de expor suas atividades anuais e buscar novas estratégias para administrá-las com mais consciência, menos desperdício, gerando inovação para todos. Até mesmo para os anti-corintianos.

Relatório de sustentabilidade do Corinthians 2013, na íntegra

Imagem – Capa do Relatório de sustentabilidade do Corinthians 2013/Divulgação

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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