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O mapa da mobilidade no país Afonso Capelas Jr. - 05/04/2013 às 17:39

Você sabe qual capital brasileira dispõe de mais ônibus acessíveis a pessoas com deficiências físicas? Ou qual delas tem mais linhas de metrô? Onde há mais ciclovias? Qual delas tem a passagem de ônibus mais cara? O portal Mobilize-se que, desde 2011, oferece informações preciosas sobre mobilidade urbana sustentável inaugurou, nessa semana, uma nova seção que traz esses e muitos outros dados, em forma de gráficos de fácil entendimento.

A nova página chamada Acompanhe a mobilidade reúne indicadores importantes sobre transportes públicos, ciclovias, mortes no trânsito, poluição do ar, qualidade das calçadas e a existência de rampas para cadeirantes e até o índice de arborização em 15 capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Campo Grande, Brasília, Cuiabá, Manaus, Goiânia, Natal, Porto Alegre, Fortaleza e Florianópolis. Por enquanto. O site promete para breve disponibilizar informações de outras cidades.

O que os números revelam não é muito animador. É possível perceber, por exemplo, que o Rio de Janeiro é a cidade com mais ciclovias no Brasil, 300 quilômetros, seguida de Brasília, com praticamente a metade, enquanto Goiânia tem ínfimos três quilômetros. E que em São Paulo, como era de se esperar, as emissões de poluentes no transporte representam 12,6 milhões de toneladas por ano de CO2. Rio de Janeiro vem logo atrás, com 4,5 milhões de toneladas. Ou que Goiânia, a mesma que praticamente não tem ciclovias, é a campeã de mortes por acidentes de trânsito: são quase 52 mil por ano.

A intenção do Mobilize-se é que todos os cidadãos percebam o quanto ainda é preciso percorrer para que haja um mínimo de qualidade de vida nas cidades e exigir mais transportes públicos, mais espaços para pedestres e ciclistas. E que os próprios cidadãos exercitem mais a cidadania.

Imagem – Mobilize-se

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O fim dos lixões em 2014? Afonso Capelas Jr. - 30/03/2013 às 14:25

No Brasil, lixão não é desvantagem das grandes cidades. Lugares considerados paraísos ecológicos, como a bela Trancoso, na Bahia, e até Fernando de Noronha, no litoral pernambucano, também têm seus dejetos a céu aberto, com direito a urubus e mau cheiro. Ao todo, ainda temos exatos 2 906 desses depósitos de rejeitos em 2 810 cidades, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Eles terão que ser eliminados até agosto de 2014 para atender ao que obriga a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Será que vamos conseguir em tão pouco tempo? Os promotores da Associação Brasileira dos Membros dos Ministérios Públicos de Meio Ambiente (Abrampa) vão lutar por essa meta, durante o congresso anual da entidade, que será realizado a partir de 17 de abril. O assunto terá prioridade total durante o encontro.

“Existem prazos e eles serão cobrados pelos gestores públicos”, garantiu o presidente da Abrampa, Sávio Bittencourt, ao jornal O Estado de S. Paulo, nesta semana. Basta os prefeitos das cidades que ainda têm lixões a céu aberto solicitarem o apoio do Ministério Público. “Não dá para deixar para a última hora e dizer que não deu tempo”, alertou Bittencourt.

Uma das armas mais poderosas dos Ministérios Públicos de Meio Ambiente é o TAC, ou Termo de Ajustamento de Conduta. Como o próprio nome sugere, é um acordo extrajudicial feito entre os próprios ministérios e a parte interessada, no caso a prefeitura que se compromete a desativar o lixão e instalar um aterro sanitário no seu município.

Mas é preciso muito dinheiro para acabar com os depósitos de lixo do país: nada menos que R$ 70 bilhões, pelas contas da Confederação Nacional dos Municípios. Também será necessário promover, de verdade, a coleta seletiva, que hoje é uma piada: menos de 20% das cidades fazem esse tipo de coleta.

Então, o jeito é ficar de olho para ver se os promotores vão conseguir seus objetivos e se os prefeitos vão mostrar boa vontade. E cobrar, porque o prazo é curto. Se não atingirmos esse objetivo corremos o risco de ver a PNRS se transformar naquelas famosas leis de papel, que não são cumpridas.

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Imagem – Lixão em Palmeira dos Índios, Alagoas – Creative Commons

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Carro velho = bike nova Afonso Capelas Jr. - 22/03/2013 às 18:15

Um dia, o grupo de designers de um estúdio de criação espanhol chamado Lola Madrid teve uma ideia simplesmente genial: que tal aproveitar o material de carros abandonados que se amontoam nos desmanches para transformá-lo em bicicletas? Assim, uma carcaça enferrujada de um veículo pesado, insustentável e poluente dará lugar a outro novo em folha, mas alinhado às necessidades desses nossos tempos de mudanças climáticas e escassez de recursos naturais, ecologicamente correto e saudável.

Mais do que reciclagem, recriação. Um misto de economia criativa, arte, cidadania, o retorno à produção artesanal e uma nova forma de olhar o desenvolvimento de produtos conceitualmente sustentáveis. Rapidamente a ideia tornou-se realidade, já que um dos lemas do pessoal do Lola Madrid é acreditar que é sempre melhor fazer do que falar. O estúdio montou um braço chamado Lola Hace, para o desenvolvimento das bikes e de projetos semelhantes.

Não pense que os caras apenas reciclam o metal das latas velhas para construir as bicicletas. Realmente o quadro e o garfo da Bicycled – o nome que os designers deram à sua criação – são feitos com o metal dos automóveis devidamente reciclado. Mas há muito mais do que isso em todos os detalhes: há o olhar criativo do artista. Então, a luz de seta de um carro velho transforma-se no refletor da bike, a correia de transmissão serve como corrente, o material do estofamento é usado para recobrir o guidão e o selim, a maçaneta da porta vira uma alavanca para regulagem da altura do selim.

Tudo isso faz de cada Bicycled uma peça única, uma perfeita obra de arte ambulante sob medida e no gosto certo de cada um que a encomenda. E já são muitos os interessados. Já na primeira semana em que foi lançado o projeto, mais de 1 200 pedidos foram formalizados. Ainda não se sabe o preço, mas é possível reservar a sua magrela no site da Bicycled. Aproveite para assistir ao pequeno vídeo mostrando o processo de produção de uma Bicycle.

Que a iniciativa se multiplique pelos quatro cantos e que os bons artesãos do mundo todo coloquem a cabeça para funcionar e mãos à obra. Matéria-prima não falta.

Imagem – Divulgação

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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