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Invista no banco de tempo Afonso Capelas Jr. - 11/10/2013 às 15:15

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Mais uma boa iniciativa de consumo colaborativo desembarca no Brasil. É o banco do tempo Timerepublik. Trata-se de um portal onde pessoas cadastradas do mundo inteiro podem permutar serviços sem ter que gastar um tostão sequer.

Exemplo: um médico precisa de um encanador. Em vez de pagar pelo serviço, ele pode encontrar esse profissional no Timerepublik. Em troca, o encanador terá direito a fazer uma consulta com o médico. Seu computador quebrou? Chame um técnico cadastrado no portal. Mas se, em contrapartida, esse especialista em informática não precisa dos seus préstimo, ele terá o mesmo tempo gasto para consertar seu computador como crédito para contratar o serviço que quiser, quando quiser, gratuitamente.

Para quem não sabe, o consumo colaborativo é isto: usar seu tempo e não seu dinheiro para obter e oferecer serviços. Ou então trocar algo que você não usa mais, em vez de comprar outro. A revista norte-americana Time já definiu essa tendência como uma das dez mais importantes dos tempos atuais.

O primeiro banco de tempo exclusivamente brasileiro foi criado no final de 2012 e chama-se Winwe. Um ano antes, o Descolaí já estava no ar para promover troca de bens como livros, DVDs, CDs, games e eletrodomésticos. Já o maior portal de trocas do mundo é o Swap, que tem perto de dois milhões de usuários cadastrados. Bom sinal de que essa é realmente uma tendência que veio para ficar.

É uma volta ao passado, onde as pessoas de uma comunidade se ajudavam mutuamente com a prática do escambo de bens e serviços. Só que com uma boa pitada de modernidade. Além de fazer uso das redes sociais, qualquer iniciativa que iniba o consumo compulsivo será muito bem-vinda neste século em que enfrentamos a escassez de recursos naturais e as mudanças climáticas. Sem contar que essa nova comunidade que partilha seu tempo, talento e especialidades agora assume dimensões globais.

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Imagem- Creative Commons

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Vá de carona, ou de táxi, ou de bike Afonso Capelas Jr. - 04/10/2013 às 16:16

CARONETAS_OKQuando foi lançado, em 2011, o site Caronetas – ferramenta que ajuda a organizar a troca de caronas dentro de empresas em todo o Brasil – já era sucesso total. Um ano depois foi escolhido pela Universidade do Michigan a solução mais inovadora do mundo para resolver o drama da mobilidade urbana, entre 15 ideias revolucionárias de vários países.

O prêmio concedido pela instituição norte-americana foi entregue durante a Rio+20, no ano passado. O criador do Caronetas, o engenheiro Márcio Nigro, recebeu cinco mil dólares e o site ficou conhecido internacionalmente. Assim que conquistou a premiação o portal ganhou a adesão de mais 100 empresas. Hoje tem cerca de 1 100 companhias cadastradas e envolve quase 270 mil usuários em seus cadastros, ajudando a descongestionar o trânsito e diminuir a poluição atmosférica de muitas cidades brasileiras.

O Caronetas funciona gratuitamente. Quem oferece carona em seu carro acumula pontos, numa espécie de milhagem. Com uma pontuação razoável do caronista tem direito a aquirir produtos e serviços disponíveis no próprio portal.

Agora, para melhorar ainda mais o que já funciona tão bem e com segurança, o Caronetas inventou mais uma grande ideia: permite que seus usuários compartilhem um caminho de táxi ou de bicicleta.

Para isso, nem é preciso ser funcionário de uma das empresas cadastradas no site. Basta aderir à comunidade exclusiva do portal criada no Facebook e lá mesmo se cadastrar. Assim, é possível encontrar pessoas que fazem o mesmo trajeto de bicicleta e pedalar juntos, em grupos, o que é muito mais agradável e seguro.

Para o caso de táxis, quando os usuários fazem o cadastramento, o sistema do Caronetas cruza os dados automaticamente e indica passageiros com o mesmo trajeto para os motoristas. Dessa forma, sai muito mais barato, já que os custos são rateados entre os passageiros. É ou não uma boa ideia?

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Recursos naturais no buraco Afonso Capelas Jr. - 27/09/2013 às 17:28

Recursos naturais_OK_3Depois da pegada de carbono, os cientistas agora resolveram avaliar a “pegada de materiais” dos países. Nada mais é do que a mensuração da quantidade de recursos naturais que determinada nação faz uso para produzir bens. Segundo uma pesquisa das universidades australianas de Sidney e de New South Wales, o Brasil está em quinto lugar em um ranking de 186 países avaliados com as maiores pegadas de materiais do planeta. Nesse quesito perdemos apenas para China, Estados Unidos, Índia e Japão, deixando para trás grandes potências como Alemanha e o Reino Unido.

De acordo com os pesquisadores, o trabalho aborda uma questão fundamental em ciência da sustentabilidade: quantos e quais são os recursos naturais necessários para sustentar as economias modernas? O estudo confirmou que todos os países industrializados com crescimento do Produto Interno Bruto nas últimas décadas tiveram aumentada a sua pegada de materiais.

Os cientistas também constataram que o indicador comum que analisa somente o consumo interno de recursos naturais de um país não é preciso. Isto porque na medida em que o país cresce e se desenvolve tende a diminuir a extração interna de recursos preferindo importá-los. Em compensação, o consumo desses recursos naturais aumenta.

Para ter uma idéia, a Austrália – que ficou em 20º lugar na lista dos pesquisadores – tem a maior pegada de materiais per capita, levando-se em conta o tamanho reduzido da sua população. Cada australiano tem uma pegada de nada menos que 35 toneladas por ano. A Índia, por sua vez, tem uma pegada anual de 3,7 toneladas per capita. Nós, brasileiros, estamos consumindo cerca de 10 toneladas anualmente.

É muito, mas os cientistas alertam que pode piorar. “Há algumas projeções de como o crescimento econômico vai se desenvolver em alguns países asiáticos”, diz o principal autor do estudo Tommy Wiedman “Algumas estimativas grosseiras sugerem que, se continuarmos nesse caminho por muito tempo, em 2050 vamos utilizar até quatro vezes mais recursos que atualmente”.

A preocupação com a escassez dos recursos naturais extrapolou o meio científico e já bate com força no mercado econômico, ratificando de vez essa história. O guru do mundo dos negócios Jeremy Grantham – famoso por prever crises e quebras de grandes bancos internacionais – também está preocupado com a falta cada vez maior de recursos.

Em entrevista recente ao The Wall Street Journal, Grantham fez advertências sobre uma catástrofe ambiental que se aproxima rapidamente, com a falta mundial de alimentos, a ameaça das mudanças climáticas e o aumento dos preços dos recursos naturais cada vez mais raros.

O guru alerta para o alto consumo dessas matérias-primas: “O jogo mudou. E suspeito que mudou graças aos índices de crescimento altos da China, com 1,3 bilhão de pessoas consumindo 45% de todo o carvão utilizado no mundo50% de todo o cimento e 40% de todo o cobre. Quer dizer, são números que não podem continuar nesse ritmo sem que algo saia dos trilhos”.

Jeremy Grantham também disse ter feito análises minuciosas das reservas mais importantes. “Concluímos que o mais valioso e o mais crítico é o fosfato ou fósforo. Não é possível fabricar fósforo. É um elemento necessário para todas as coisas vivas. Ele é extraído pela mineração e está se esgotando”.

O especialista em previsões econômicas está aconselhando os acionistas a investir em recursos cada dia mais escassos como o petróleo, os metais e os fertilizantes, além dos alimentos.

Tudo isso deixa evidente uma situação que só tende a agravar-se, caso o mundo não contenha o consumo, o desperdício e se conscientize da necessidade urgente da reciclagem dos resíduos sólidos que descartamos diariamente.

Imagem – Creative Commons

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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