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O plástico que nos envenena Afonso Capelas Jr. - 15/02/2013 às 18:04

O plástico é mais perigoso do que se pensa e políticas desatualizadas de gestão dos seus resíduos estão ameaçando a nossa saúde e a dos animais. É a conclusão a que chegou um grupo de cientistas norte-americanos em um estudo publicado este mês na Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo.

“Detritos de plástico podem prejudicar a vida. Muitos plásticos podem ser quimicamente prejudiciais em alguns contextos: ou porque eles próprios são potencialmente tóxicos ou porque absorvem outros poluentes”, diz o estudo.

“No entanto, nos Estados Unidos, Europa, Japão e Austrália todos os tipos de plásticos são tratados da mesma forma que restos de alimentos ou de capim”, revela o artigo da Nature. No Brasil não é diferente. Os pesquisadores pregam que se adotem políticas mais específicas de gestão de detritos para cada tipo de plástico e que os mais nocivos sejam tratados como prejudiciais à saúde.

Os dados apresentados no estudo são alarmantes:

- Em 2012, mais de 280 milhões de toneladas de plástico foram produzidas globalmente. Menos da metade foram depositados em aterros ou reciclados;

- Dos restantes 150 milhões de toneladas, muitas ainda podem estar em uso e o resto amontoados nos continentes e oceanos;

- De acordo com as Nações Unidas, os ingredientes químicos de mais de 50% dos materiais plásticos são perigosos;

- PVC, poliestireno, poliuretano e policarbonato representam cerca de 30% da produção mundial de plásticos e são os mais nocivos: podem acumular-se no sangue dos humanos e tornar-se altamente cancerígenos;

- Deteriorados em minúsculos pedaços, podem infiltrar-se nas cadeias alimentares de diversas espécies. Em laboratório e estudos de campo com peixes, invertebrados e micro-organismos constatou-se a ingestão desses microplásticos, inclusive restos de roupas de poliéster e acrílico, além de produtos de limpeza que usam plástico;

- No ano passado, o secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Montreal, no Canadá, relatou que todas as espécies de tartarugas marinhas, além de 45% das espécies de mamíferos marinhos e 21% das espécies de aves marinhas podem ser prejudicadas por restos de plásticos;

- Em humanos, o microplástico ingerido e inalado entra nas células e tecidos e pode causar vários danos. Em pacientes que têm joelhos ou articulações do quadril substituídos por implantes de plástico, essas partículas podem interromper os processos celulares e degradar os tecidos;

- Dos poluentes prioritários – produtos químicos regulados por agências governamentais, incluindo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), por sua toxicidade ou persistência em organismos e cadeias alimentares – pelo menos 78% foram associados com restos de plásticos pela EPA e 61% pela União Europeia.

Para os cientistas, se os países classificassem os plásticos mais prejudiciais como produtos perigosos, os seus órgãos ambientais teriam o poder de restaurar habitats afetados e evitar que detritos desse material se acumulem em aterros, rios e oceanos. “Em última análise, tal movimento poderia impulsionar a investigação sobre novos polímeros e substituir esses materiais problemáticos por outros mais seguros”, concluem.

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Imagem – Creative Commons

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Para onde foi o seu dinheiro? Afonso Capelas Jr. - 08/02/2013 às 17:44

Se você não sabe responder a essa pergunta quando paga impostos (e não são poucos), seus problemas acabaram. A ONG Rede Nossa São Paulo acaba de criar um aplicativo para smartphones chamado, justamente, “Para onde foi o meu dinheiro”. Com ele é possível saber – tintim por tintim – em quais setores ele é aplicado: Educação, Cultura, Transportes, Saúde, Meio Ambiente, Urbanismo…

Atualmente o poder público tem sido pressionado a prestar contas de seus gastos orçamentários. O governo federal, bem como muitos estados e municípios, já estão prestando contas em seus respectivos portais. Acontece que nem todos os cidadãos têm a paciência de ficar vasculhando essas informações na internet. Até porque muitas vezes elas estão dispersas dentro dos sites e quase sempre os números são publicados de forma incompreensível para a maioria dos mortais.

O mérito do aplicativo da Rede Nossa São Paulo é, então, agregar todas as informações disponíveis na internet em um só lugar, de forma simples, didática, fácil de entender. O aplicativo busca todas as contas governamentais à disposição na rede.

No estado de São Paulo, por exemplo, R$ 39 bilhões foram gastos com “encargos especiais”, em 2012, e apenas R$ 5 bilhões com transportes. Com relação ao meio ambiente, menos de R$ 900 milhões foram usados. Qualquer cidadão paulista pode, então, pedir esclarecimentos para o governador e os deputados estaduais sobre o que seriam esses “encargos especiais” tão caros.

Por enquanto, apenas os orçamentos do estado de São Paulo e da capital paulista, além do Governo Federal estão disponíveis. Mas os desenvolvedores prometem estender o serviço para outros estados e municípios brasileiros que mantenham suas contas abertas e publicadas.

O programinha – ainda em fase experimental – pode ser baixada gratuitamente direto no celular. Quem não dispõe de um aparelho com sistema operacional Android, nem Iphone pode checar para onde está indo seu rico dinheirinho no site da ONG. É uma boa forma de verificar se as verbas estão sendo bem utilizadas e exercer sua cidadania. É também um incentivo para que todos os estados e municípios divulguem suas contas abertamente.

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Pedalar e comer em Buenos Aires Afonso Capelas Jr. - 01/02/2013 às 18:20

Em setembro do ano passado noticiei aqui que a cidade de Buenos Aires já se adianta no bom caminho de incentivar o uso da bicicleta entre seus habitantes e turistas. Expansão de ciclovias e incentivos para que empresas e universidades participem de programas de empréstimo das magrelas fazem parte dessa iniciativa.

Agora, os bares e restaurantes da capital argentina também entraram na onda, já que perceberam o nítido aumento de ciclistas na cidade, inclusive durante a noite: estão oferecendo simpáticos descontos para os clientes que chegarem aos seus estabelecimentos pedalando, além de locais apropriados para estacionar as bikes.

Os portenhos estão mesmo aderindo à ideia de ganhar as ruas de sua cidade pedalando tranquilamente e com segurança. Assim, Buenos Aires inaugura uma nova era na área de mobilidade. Tem tudo para dar certo e, por isso mesmo, mais e mais iniciativas vão se multiplicando.

Muitos shows já saem na faixa para quem aparecer de bicicleta às apresentações musicais. A cadeia de lanchonetes Tea Connection também está disponibilizando bicicletários e a segunda xícara de chá grátis para seus clientes do pedal.

Esses roteiros onde ciclistas são sempre muito bem tratados podem ser checados no portal La vida em bici, criado por um grupo de amantes das magrelas.

A prefeitura estima que mais de 100 km de ciclovias já foram abertas na cidade, onde 150 mil viagens de bicicleta são feitas diariamente.

Para quem, como eu, vive em uma cidade onde bicicletas ainda não são bem-vindas na grande maioria dos bares, restaurantes e demais estabelecimentos comerciais – onde nem ao menos há lugares adequados para estacioná-las – Buenos Aires está se tornando um paraíso. Mas chegaremos lá.

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Imagem – Creative Commons

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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