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Ansiedade e consumo Afonso Capelas Jr. - 01/03/2013 às 22:38

 

O que tem a ver a ansiedade e a baixa autoestima com o consumo compulsivo e a alta da inadimplência no país? Tudo, segundo um estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) divulgado nesta semana. De acordo com o levantamento, principalmente a ansiedade e a insatisfação com a aparência levam as pessoas a comprar o que nem precisam e a se endividar.

O estudo mostrou que 85% dos entrevistados compram por impulso e 43% admitiram que entram nas lojas nos momentos em que estão mais ansiosos, tristes ou angustiados. Há motivos diferentes de ansiedade entre as classes sociais, diz o SPC. As classes A e B compram desvairadamente quando estão impacientes por causa de algum evento importante como uma viagem, uma festa ou um jantar.

Já as classes C e D vão às compras compulsivas quando não se sentem bem com a própria aparência. As pessoas entrevistadas pelo SPC confessaram a necessidade de ostentar um estilo de vida que não condiz com suas rendas e acabam se enrolando com as dívidas.

É um círculo vicioso. “Hoje, a população tem acesso a produtos e bens que não tinha. A inserção no mercado de trabalho e de consumo gera ansiedade e faz as pessoas agirem por impulso. Em vez de ser um entretenimento saudável, a compra gera problemas”, disse à Agência Brasil a economista responsável pelo estudo, Ana Paula Bastos.

E o que tem a ver tudo isso com o tema principal deste blog? Tudo. O estudo do SPC merece uma reflexão, primeiramente, por escancarar como o consumo inconsciente parece ser uma tendência crescente no Brasil. Ele leva à estagnação dos recursos naturais, gera montanhas e montanhas de lixo e, consequentemente, incrementa os problemas ambientais, as mudanças climáticas, entre tantos outros desafios deste século.

A pesquisa também deixa claro como não conseguimos cuidar de nossa própria sustentabilidade. Melhor seria que os momentos de ansiedade e estresse fossem aproveitados indo a teatros, museus, parques, ou conhecendo outros lugares, pessoas e costumes diferentes. Essas práticas geram equilíbrio, autoconhecimento, saúde física e mental. Levam à felicidade e à sustentabilidade pessoal.

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Economia verde indo pro azul Afonso Capelas Jr. - 22/02/2013 às 19:29

Na semana passada a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou um relatório afirmando que a transição para uma economia mais sustentável não está nada ruim em muitos países, inclusive no Brasil. Aqui, 2,9 milhões de empregos foram gerados em 2010, nos setores que se dedicam a reduzir impactos ambientais. Ficamos pouco atrás dos Estados Unidos, com 3,1 milhões de empregos.

Chamado de O desafio da promoção das empresas sustentáveis na América Latina e no Caribe: Uma análise regional comparativa, o estudo da OIT diz ainda que diversos outros países estão na mesma toada, contrariando o pessimismo do empresariado. “São os países em desenvolvimento que podem se beneficiar da criação de empregos em áreas de tecnologias limpas e energias renováveis”, aponta o relatório, que vai além: afirma que Brasil e México lideram a prática de medidas para lidar com as questões ambientais, especialmente em estratégias nacionais de crescimento com baixo carbono.

Porém (tem sempre um porém), o documento da OIT também alerta que é necessário a América Latina enfrentar o que chama de “problemas endêmicos” que jogam contra o desenvolvimento das empresas verdes. Entre esses problemas estão a baixa produtividade, alta informalidade, pobreza e desigualdade em números ainda preocupantes, além da insegurança dos cidadãos. Por outro lado, diz que é preciso avançar no desenvolvimento tecnológico, na inovação e no acesso à educação e qualificação.

Outro grande problema da América Latina detectado pelo relatório da OIT é o persistente alto índice de degradação ambiental. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) foi uma das regiões com a maior perda líquida de florestas entre os anos 2000 e 2010, com 4 milhões de hectares perdidos a cada ano.

Este é um fato extremamente grave, segundo o estudo, “dada a importância das florestas para a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade, e também por sua grande contribuição para o PIB de países como Brasil, México, Guiana, Paraguai, Bolívia e Chile. A exploração insustentável, portanto, representa não apenas graves riscos ecológicos, mas também econômicos”.

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O plástico que nos envenena Afonso Capelas Jr. - 15/02/2013 às 18:04

O plástico é mais perigoso do que se pensa e políticas desatualizadas de gestão dos seus resíduos estão ameaçando a nossa saúde e a dos animais. É a conclusão a que chegou um grupo de cientistas norte-americanos em um estudo publicado este mês na Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo.

“Detritos de plástico podem prejudicar a vida. Muitos plásticos podem ser quimicamente prejudiciais em alguns contextos: ou porque eles próprios são potencialmente tóxicos ou porque absorvem outros poluentes”, diz o estudo.

“No entanto, nos Estados Unidos, Europa, Japão e Austrália todos os tipos de plásticos são tratados da mesma forma que restos de alimentos ou de capim”, revela o artigo da Nature. No Brasil não é diferente. Os pesquisadores pregam que se adotem políticas mais específicas de gestão de detritos para cada tipo de plástico e que os mais nocivos sejam tratados como prejudiciais à saúde.

Os dados apresentados no estudo são alarmantes:

- Em 2012, mais de 280 milhões de toneladas de plástico foram produzidas globalmente. Menos da metade foram depositados em aterros ou reciclados;

- Dos restantes 150 milhões de toneladas, muitas ainda podem estar em uso e o resto amontoados nos continentes e oceanos;

- De acordo com as Nações Unidas, os ingredientes químicos de mais de 50% dos materiais plásticos são perigosos;

- PVC, poliestireno, poliuretano e policarbonato representam cerca de 30% da produção mundial de plásticos e são os mais nocivos: podem acumular-se no sangue dos humanos e tornar-se altamente cancerígenos;

- Deteriorados em minúsculos pedaços, podem infiltrar-se nas cadeias alimentares de diversas espécies. Em laboratório e estudos de campo com peixes, invertebrados e micro-organismos constatou-se a ingestão desses microplásticos, inclusive restos de roupas de poliéster e acrílico, além de produtos de limpeza que usam plástico;

- No ano passado, o secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Montreal, no Canadá, relatou que todas as espécies de tartarugas marinhas, além de 45% das espécies de mamíferos marinhos e 21% das espécies de aves marinhas podem ser prejudicadas por restos de plásticos;

- Em humanos, o microplástico ingerido e inalado entra nas células e tecidos e pode causar vários danos. Em pacientes que têm joelhos ou articulações do quadril substituídos por implantes de plástico, essas partículas podem interromper os processos celulares e degradar os tecidos;

- Dos poluentes prioritários – produtos químicos regulados por agências governamentais, incluindo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), por sua toxicidade ou persistência em organismos e cadeias alimentares – pelo menos 78% foram associados com restos de plásticos pela EPA e 61% pela União Europeia.

Para os cientistas, se os países classificassem os plásticos mais prejudiciais como produtos perigosos, os seus órgãos ambientais teriam o poder de restaurar habitats afetados e evitar que detritos desse material se acumulem em aterros, rios e oceanos. “Em última análise, tal movimento poderia impulsionar a investigação sobre novos polímeros e substituir esses materiais problemáticos por outros mais seguros”, concluem.

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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