BLOGS |Sustentável na Prática

Mercado de madeira legal em alta Afonso Capelas Jr. - 10/05/2013 às 16:59

A madeira amazônica certificada, aquela proveniente de fontes confiáveis, já é uma realidade no Brasil. Sua produção e consumo só aumentam. Tanto que haverá um acréscimo no mercado de 67% nos próximos três anos. É o que atesta um estudo que o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) acaba de concluir.

Chamado de “Acertando o alvo 3 – Desvendando o mercado brasileiro de madeira amazônica certificada FSC, o documento mostra as relações de mercado entre produtores e compradores de madeira certificada com o selo FSC – sigla de Forestry Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal, entidade sem fins lucrativos. O FSC é altamente confiável, tem nível internacional e é apoiado por ONGs ambientalistas como o Greenpeace e a WWF.

A notícia boa vem junto com a informação do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) dando conta de que o desmatamento ilegal na floresta amazônica despencou 40% no início deste ano.

Em 2011 a produção da madeira certificada em toras chegou a quase 600 mil metros cúbicos, mas a tendência é que aumente para um milhão de metros cúbicos em até três anos.

Os dados do estudo do Imaflora indicam também que São Paulo é o estado que mais consome madeira certificada em todo o país, com porcentagem de 14%. A região Nordeste vem em seguida, com o consumo de 9% de toda a madeira nacional com selo FSC. Também aponta que 70% dessa madeira é exportada, aproveitando que Europa e Estados Unidos não aceitam madeira fora dos requisitos da certificação.

O grande usuário da matéria-prima certificada da floresta é o setor da construção civil. Dois recentes exemplos: toda a madeira utilizada nas reformas do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, são 100% certificadas pelo FSC. No município de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, 273 casas populares de um bairro estão sendo construídas com madeira devidamente legalizada. Os produtos certificados pelo FSC incluem madeira serrada, compensados, pisos, decking e lambris, lâminas e móveis.

Mais interessante é saber que há também uma demanda crescente pela madeira proveniente de comunidades amazônicas. Para estes pequenos produtores, o FSC criou em, 2011, um selo específico de manejo florestal, gerando empregos e renda para os moradores da floresta. Cerca de 60% das empresas consultadas pelos pesquisadores responsáveis pelo documento do Imaflora se disseram dispostas a adquirir madeira de origem comunitária.

Ainda falta muito chão para que o Brasil lidere o ranking dos produtores de madeira certificada. A meta, aliás, deveria ser obrigação primordial, já que somos o país que abriga a maior floresta tropical do planeta. Por enquanto, entretanto, ainda somos o sexto lugar e estamos muito distantes da produção e consumo da Europa, por exemplo.

O estudo completo e ilustrado está disponível no site do Imaflora. Clique aqui para acessá-lo na íntegra.

Leia também

Desmatamento na Amazônia cai 40% em março e abril

No tom da madeira certificada

Imagem – Creative Commons

ver este postcomente

A felicidade mora na praça ao lado Afonso Capelas Jr. - 03/05/2013 às 17:42

Para quem ainda não entendia o quanto é importante para o ser humano preservar áreas verdes, uma pesquisa britânica resolveu a charada. Agora é fato cientificamente comprovado: sim, viver em cidades generosas em parques, praças e demais espaços onde o verde predomina nos faz muito bem física e mentalmente. É o que diz uma pesquisa desenvolvida pelo Centro Europeu para o Meio Ambiente e Saúde Humana, da Universidade Exeter, no Reino Unido, publicada em abril na revista Psychological Science.

É mesmo um estudo de peso. O especialista em psicologia social aplicada Matthew White, condutor do estudo, baseou-se nos dados de uma longa pesquisa sobre os hábitos de mais de cinco mil famílias (em média 10 mil pessoas) realizada entre os anos de 1991 e 2008 em todo o território do Reino Unido. As informações trouxeram um painel que mostra a relação entre áreas verdes urbanas, bem-estar e angústia mental– com base em avaliações de satisfação com a vida – dos milhares de entrevistados.

Uma das conclusões de White e sua equipe é que cidadãos com menor angústia mental e maior bem-estar são os que vivem em cidades com maior oferta de áreas verdes. Para ele, a pesquisa não prova que mudar-se para as proximidades de uma área verde possa aumentar a felicidade, mas as conclusões se encaixam perfeitamente com resultados de estudos apontando que alguns preciosos minutos passados em contato com uma praça ou um parque arborizados tem o efeito de melhorar o humor e o funcionamento cognitivo. É quase como meditar. “Em comparação com casos de habitantes de cidades com menos verde, essas pessoas demonstram menor aflição mental e significativamente maior bem-estar e satisfação com a vida”, disse o pesquisador.

Para Matthew, a urbanização pode ser considerada uma ameaça potencial para a saúde mental e o bem-estar. Por isso, acredita que os resultados da pesquisa devem ser levados em consideração na hora dos governantes decidirem sobre políticas públicas destinadas a proteger e promover mais espaços verdes nas cidades.

Outra conclusão de Matthew White, esta mais pessoal: “Torna-se impossível pensar no meio ambiente global, se nós mesmos não estamos em equilíbrio”. Concordo.

Leia também

Caminho suave na selva de pedra

Rumo à sociedade do bem-estar

5% dos consumidores do Brasil são conscientes

Imagem – Rachlgnatiev/Flickr – Creative Commons
ver este postcomente

Sampa tenta se humanizar Afonso Capelas Jr. - 26/04/2013 às 19:20

Em meio a tantas notícias ruins, em São Paulo, na área da segurança e da saúde pública (arrastões, assaltos, acidentes diários de carros e de motocicletas, poluição atmosférica…) duas boas notícias para amenizar a semana e fazer dessa cidade um lugar mais humano para se viver.

A primeira: o Banco Mundial está incentivando na cidade um programa para que empresas repensem o modo como seus funcionários chegam ao trabalho. Inicialmente foram escolhidas companhias instaladas nos aglomerados comerciais World Trade Center e no Centro Empresarial Nações Unidas, ambos localizados nas imediações da movimentada marginal Pinheiros.

A intenção maior é fazer com que os funcionários diminuam o número de locomoções para o trabalho sozinhos em seus carros. Como alternativas bem-vindas estão o uso de bicicletas e até de carona.

As empresas que aderiram ao programa do Banco Mundial também incentivam os colaboradores a trabalhar em suas casas pelo menos uma vez por quinzena para reduzir o número de deslocamentos pela cidade. Tomara que a ideia pegue e contagie outras empresas.

A segunda boa notícia é que o Parque D. Pedro – região degradada e sinistra do centro de São Paulo – vai se transformar, em breve, em um espaço para esportes radicais, em especial para a prática de skate.

O Parque D. Pedro fica ao lado do fétido rio Tamanduateí e atualmente abriga um terminal de ônibus mal iluminado e em péssimas condições, além de muitos moradores de rua. Qualquer melhoria ali pode fazer da região um lugar de convivência mais agradável para todos.

Imagem – Páteo do Colégio, onde tudo começou, em 1554. Creative Commons

ver este postcomente

Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

Clique e faça o download

Revista do clima Material de etiqueta

Posts anteriores

Receba as noticías mais recentes

assine RSS Sustentável na Prática