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O guia do consumo colaborativo Afonso Capelas Jr. - 27/03/2015 às 13:28

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O consumo colaborativo está em franco crescimento no mundo. No Brasil também. Para quem não sabe, esse tipo de consumo está ligado à troca e compartilhamento de bens e serviços entre pessoas. Até mesmo entre quem nunca se viu na vida. Por ser ainda uma prática nova, embora muito promissora e saudável, a Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor acaba de lançar o seu Guia da vida colaborativa. Ele é grátis e pode ser baixado no seu computador.

A intenção é incentivar e orientar consumidores para esse tipo de consumo. A publicação está organizada de A a Z para facilitar a procura por bens e serviços disponíveis desejados. Assim, o guia relaciona dezenas de sites que promovem trocas, compartilhamentos, empréstimos e até caronas.

Sim, porque a internet é a principal ferramenta desse tipo de prática. E como o guia é digital, traz links diretos para as páginas eletrônicas. É só clicar e acessar.

No consumo colaborativo é possível fazer escambo com quase tudo: de artesanato a compartilhamento de veículos, de livros a roupas, de hospedagens a viagens.

Há também a possibilidade de trocar não só mercadorias, mas serviços experiências. Se precisar de um advogado, um desses profissionais pode prestar serviços para você em troca de aulas de violão, por exemplo. Existem sites que promovem encontros de pessoas que gostam de cuidar de hortas comunitárias onde você pode participar se for do seu interesse.

A proposta da Proteste é também fazer com que o próprio guia seja colaborativo. Depois de baixá-lo você pode sugerir novos sites e grupos de consumidores colaborativos que conhece para que sejam incluídos na publicação, fazendo com que ela esteja constantemente atualizada.

Para a coordenadora institucional da Proteste, o consumo colaborativo veio para ficar e é baseado no bom senso, a fim de reduzir o desperdício do consumo desenfreado dos dias atuais. “Se um vizinho tem um carrinho de bebê, com os filhos já criados, por que não trocá-lo ou doá-lo para outro que será pai em alguns meses, se estiver em boas condições de uso?”

O Guia da vida colaborativa em PDF para download gratuito

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O divertido escambo cultural

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Imagem – Creative Commons

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Como assistir “A lei da água” Afonso Capelas Jr. - 20/03/2015 às 14:19

LEI_AGUA_OK_7_3Muitos leitores enviaram mensagens perguntando como fazer para assistir ao filme A lei da água, a que me referi no post “Ver e entender a crise da água”, publicado em 16 de janeiro passado. O documentário que elucida toda a polêmica em torno do novo Código Florestal brasileiro e tem apoio da Fundação SOS Mata Atlântica estava sendo exibido apenas em comunidades dispostas a organizar cinedebates.

Para que mais pessoas possam ver o filme, mas não estão ligadas a essas comunidades, a O2 Filmes – co-produtora – organizou um crowdfunding (financiamento coletivo) para que A lei da água seja apresentado também em sessões regulares nas cidades de São Paulo, Santos (SP), Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Brasília. Assim, o grande público também terá acesso ao documentário.

Você pode ajudar a exibir o filme em uma sala de cinema de sua cidade financiando com doações a partir de 10 reais, até 31 de março.

O crowdfunding do filme funciona desta forma: na página do site de financiamento coletivo Catarse há opções de escolha de uma das oito cidades onde o filme será exibido. Lá é possível fazer suas doações.

Quando for atingido o valor mínimo necessário o documentário será rodado em uma determinada sala de cinema em data já definida na própria página do Catarse. Imediatamente uma nova sessão será aberta para compra. Não existem fins lucrativos nessa transação.

Quem não faz questão de assistir, mas quer ajudar pode doar apenas 10 reais. Esse valor não garante o ingresso, apenas ajuda a levar o filme para escolas, universidades, ONGs, comunidades e sindicatos.

A partir 20 reais o financiador tem direito a um ingresso para assistir ao filme. Ao final da exibição também poderá participar de um debate sobre a questão do Código Florestal e a crise da água. Com 40 reais dois ingressos estarão garantidos e assim por diante.

“É um jeito de oferecer mais do que uma sessão de cinema, mas uma experiência completa que permita um aprofundamento a respeito da questão ambiental”, conta o diretor da O2, Igor Kupstas.

A boa notícia é que várias sessões nas oito cidades já estão confirmadas. Entre na página do Catarse e reserve seus ingressos.

Sobre o filme A lei da água

documentário apresenta – em entrevistas com ambientalistas, políticos, cientistas, agricultores e ruralistas – todo o imbróglio a respeito das mudanças na legislação que prevê o que pode ser desmatado e o que deve ser conservado nas propriedades rurais e áreas de vegetação nativa de todo o país.

É um alerta para as consequências do novo Código Florestal que concedeu anistia para quem desmatou 29 milhões de hectares de florestas ilegalmente no Brasil. É também um chamado para ações da sociedade que evitem que o meio ambiente e os recursos hídricos continuem a ser tratados com descaso.

Acesso à página do Catarse para fazer doações e saber as datas e salas de exibição

Assista ao trailer do documentário

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Para ver e entender a crise da água

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Imagem – Divulgação

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A China, o progresso e a poluição Afonso Capelas Jr. - 13/03/2015 às 14:30

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A China está suja, nojenta. O preço do progresso célere que a mais populosa nação do mundo vem promovendo nos últimos anos é caro demais. A começar pelo ar que os chineses respiram. O Ministério da Proteção Ambiental do país alertou, no mês passado, que perto de 90% das cidades chinesas apresenta índices de poluição atmosférica muito abaixo dos padrões de qualidade considerados aceitáveis.

Para ser mais exato: por lá a poluição por material particulado presente no ar é 40 vezes maior do que os níveis minimamente seguros estabelecidos pelas normas internacionais.

De onde vem tanta imundície? Principalmente das usinas de energia movidas a carvão mineral que – para piorar – impulsionam também as emissões de gases de efeito estufa causadoras das mudanças climáticas.

Cerca de 80% da eletricidade gerada na China vem dessa matriz energética. Boa parte do carvão utilizado é o mais barato do mercado por ser de baixa qualidade. Consequentemente é também o mais venenoso. A outra grande fonte de poluição atmosférica são as companhias siderúrgicas que não têm qualquer controle sobre as suas fumaças tóxicas.

Pequim é tida como uma das capitais mais poluídas do planeta. Além disso, sete das 10 cidades chinesas com pior qualidade do ar estão localizadas na região metropolitana da capital, informou o jornal China Daily.

Não é só o ar que está contaminado. Há muita sujeira por qualquer lado onde se aponte o nariz. Dejetos despejados a céu aberto – inclusive à beira da famosa muralha da China – esgotos despejados in natura e uma inacreditável mortandade de peixes em diversos rios e lagos contaminados.

Em dezembro do ano passado seis empresas de Taizhou, uma província de Jiangsu, no leste chinês, foram multadas em aproximadamente 23 milhões de euros porque despejaram 25 mil toneladas de detritos tóxicos em dois rios da região. Esta é a mais severa multa já aplicada por um tribunal chinês para questões de desrespeito ambiental.

Diante desse cenário dantesco – e dos reclamos da população – as autoridades prometem tomar atitudes. Querem multar mais e até fechar indústrias desleixadas que não se modernizam para atender aos padrões de controle de poluição. Também pretende revisar e fortalecer as leis de proteção ambiental no país o mais rápido possível.

Espera-se que não seja tarde demais. E que sirva para todo o mundo se perguntar: vale a pena tanto progresso à custa da degradação ambiental?

Veja as incríveis imagens  da poluição na China publicadas em um post no site Bored Panda.

Foto: Greenpeace

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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