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Está difícil viver em Sampa Afonso Capelas Jr. - 25/01/2015 às 14:32

SaoPaulo_OK_3Na semana do aniversário de 461 anos da cidade de São Paulo, uma pesquisa revelou que a maioria dos paulistanos sairia da cidade para ir morar em outro lugar, se pudesse. A pesquisa Você está satisfeito com a qualidade de vida na cidade de São Paulo? foi elaborada pelo Ibope Inteligência por encomenda da ONG Rede Nossa São Paulo e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio/SP). É o sexto ano que esse estudo de Indicadores de Referência de Bem-Estar do Município (Irbem) é publicado.

Muitos paulistanos já não estão mais aguentando viver em sua própria cidade. Não há mais paciência para suportar o trânsito sem solução, a falta de água, a poluição sonora e atmosférica. Mas há também outros motivos para esse desejo de êxodo, segundo a pesquisa. Falta de segurança, transportes públicos que deixam a desejar, instituições públicas pouco confiáveis são apenas alguns deles.

Veja alguns resultados do estudo:

- 57% dos paulistanos sairiam da cidade para ir morar em outro lugar se tivessem oportunidade;

- 89% dos paulistanos consideram que a cidade é pouco ou nada segura para se viver;

- 37% das pessoas têm mais medo de sair à noite de casa. Em 2008, o primeiro ano da pesquisa, esse percentual era de 17%;

- A violência em geral é o que mais assusta 67% os paulistanos. Curiosamente 7% têm medo das torcidas de futebol;

- Para 42% da população o principal responsável pela crise no abastecimento de água na cidade é a falta de planejamento do Governo do Estado de São Paulo;

- 82% das pessoas consideram que há um grande risco da cidade ficar sem água por longos períodos nos próximos meses. Já 68% tiveram problemas com o abastecimento de água.

Outras conclusões da Rede Nossa São Paulo: desde 2008, quando a pesquisa foi publicada pela primeira vez, cresceu o ceticismo da população paulistana em relação às instituições na contribuição da melhoria de vida na cidade. Caiu também a confiança na maioria dessas entidades. Câmara Municipal, Tribunal de Contas do município, prefeitura, sub-prefeituras e o Ministério Público são, hoje, as instituições com menor índice de credibilidade dos paulistanos.

Embora tenha sido publicada este ano a pesquisa – que ouviu mais de 1 500 pessoas a partir dos 16 anos de idade – foi realizada entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro do ano passado.

Por isso, uma pergunta fica no ar: diante de um início de 2015 ainda mais caótico – com a crise hídrica agravada, incluindo a possibilidade de seca total do Sistema Cantareira, os inesperados apagões causados por centenas de quedas de árvores e as enchentes com todas as suas consequências – se a pesquisa tivesse sido feita em janeiro será que mais paulistanos se declarariam dispostos a fazer as malas e ir embora?

A pesquisa Você está satisfeito com a qualidade de vida na cidade de São Paulo?, na íntegra em PDF

Tem alguma dúvida sobre sustentabilidade no seu dia a dia? Então faça sua pergunta. Envie seu e-mail para pergunteaoafonso@gmail.com. Sua dúvida será respondida aqui no blog Sustentável na Prática.

Imagem – Creative Commons

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Descartáveis x crise da água, de novo? Afonso Capelas Jr. - 20/01/2015 às 15:27

CANTAREIRA_OK_3
O restaurante instalado na empresa onde trabalho substituiu pratos pequenos utilizados para salada e recipientes de sobremesa por material descartável alegando a crise hídrica. Tento ser o mais consciente possível e achei a ideia absurda. Questionei e solicitei explicações. Recebemos e-mail com um link do post
Copos: descartáveis x duráveis que você escreveu em seu blog e um cartaz. Esse pessoal não leu o seu texto! Acho inconcebível utilizar descartáveis nesta situação, principalmente a longo prazo. E se todos que não querem ser multados pelas companhias de abastecimento iniciarem essa prática? Como fazê-los desistir? Somos quase 500 funcionários. Cecília Marques, Guarulhos, SP

Cecília, é mesmo um absurdo a atitude do restaurante da sua empresa. Assim como é um contrassenso fazer uso do post Copos: descartáveis x duráveis, publicado neste blog em novembro do ano passado, para motivar e propagandear a iniciativa.

Não há o menor fundamento. Pois se lá no texto o especialista em tecnologia de materiais, professor Bruno Gianelli, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus Itapetininga, prova exatamente o contrário: que não existe qualquer justificativa palpável para substituir utensílios duráveis por descartáveis para economizar água.

A princípio é uma medida muito confortável para o restaurante. O estabelecimento deixa de utilizar água na lavagem dos apetrechos da cozinha e, claro, faz alguma economia fugindo das multas. Mas é uma visão totalmente míope e mesquinha se pensarmos coletivamente e globalmente. A quantidade de lixo produzida com essa alternativa vai abarrotar ainda mais os aterros sanitários e lixões, uma vez que – na prática, como se sabe – uma parte ínfima desse material seguirá para a reciclagem.

Não só: mesmo que todos os descartáveis fossem devidamente reciclados, ainda assim o prejuízo seria muito maior para o meio ambiente e também para os mananciais de abastecimento. Uma grande quantidade de água é utilizada, não só para reaproveitar todo esse material, como também para produzir novos descartáveis. Sem contar outros fatores como a poluição causada pelo transporte deles até a sua empresa. A explicação o próprio professor Gianelli deixou lá no post de novembro. Basta ler o texto inteiro e com atenção.

O simples fato de fazer apologia aos descartáveis como a grande solução da vida moderna, por si só, vai na contramão do bom senso e da razoabilidade em um século onde o desperdício não cabe mais. Lançar mão de um texto do meu blog para tal fim é, no mínimo, descabido, já que tenho usado o espaço exatamente para combater a cultura do descartável e incentivar o durável.

Existem outros meios de economizar água, seja em uma empresa ou em casa. É só colocar a imaginação para funcionar. Adotar os descartáveis decididamente é comodismo, egoísmo ou ignorância.

É arrastar nossos tantos problemas ambientais atuais para baixo do tapete. E ainda fazer pose de amigo do meio ambiente. Mais do que isto, é confundir as pessoas com informações desencontradas e sem qualquer fundamento.

Tem alguma dúvida sobre sustentabilidade no seu dia a dia? Então faça sua pergunta. Envie seu e-mail para pergunteaoafonso@gmail.com. Sua dúvida será respondida aqui no blog Sustentável na Prática.

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Ver e entender a crise da água Afonso Capelas Jr. - 16/01/2015 às 14:12

FILME_AGUA_OK_3Qual a relação entre a grave crise hídrica por que passa São Paulo e boa parte da região Sudeste do Brasil com o novo Código Florestal? O que tem a ver o colapso da falta de água em um dos principais mananciais de abastecimento, o Sistema Cantareira, com as novas leis que regulamentam o uso e proteção de nossas florestas?

Para entrar de cabeça, tintim por tintim, nessa história toda a Fundação SOS Mata Atlântica propõe que mais e mais cidadãos assistam ao documentário A lei da água (Novo Código Florestal). Para isso, a organização não governamental convida a todos os líderes comunitários e pessoas interessadas a organizar um cinedebate em sua cidade, a partir do dia 15 de março.

O filme apresenta – em entrevistas com ambientalistas, políticos, cientistas, agricultores e ruralistas – todo o imbróglio a respeito das mudanças na legislação que prevê o que pode ser desmatado e o que deve ser conservado nas propriedades rurais e áreas de vegetação nativa de todo o país.

É um alerta para as consequências do novo Código Florestal que concedeu anistia para quem desmatou 29 milhões de hectares de florestas ilegalmente no Brasil. É também um chamado para ações da sociedade que evitem que o meio ambiente e os recursos hídricos continuem a ser tratados com descaso.

Assistindo ao documentário – exibido pela primeira vez durante a Virada Sustentável, na cidade de São Paulo, no final de agosto de 2014 – é possível perceber qual é o impacto das florestas nativas preservadas na proteção das nascentes de rios que abastecem lagos e reservatórios de abastecimento de água. E entender porque conservar a vegetação pode prevenir e evitar crises hídricas como a que está instalada no estado de São Paulo e já ameaçam outros estados brasileiros, principalmente do Sudeste.

Muitos dos entrevistados – foram 37 no total – acompanharam de perto e atentamente toda a confusa tramitação do novo Código Florestal no Congresso Nacional. No filme eles trazem suas opiniões e perspectivas.

Foram necessários 16 meses até que A lei da água (Novo Código Florestal) ficasse pronto. A direção é de André D’Elia, autor também de Belo Monte, o anúncio de uma guerra, sobre a polêmica construção da usina hidrelétrica de Belo Monte na Amazônia e visto por mais de três milhões de pessoas nos cinemas e na internet.

Já a produção executiva do documentário é de Fernando Meireles, diretor de filmes consagrados do cinema brasileiro como Cidade de Deus, Xingu e Ensaio sobre a cegueira.

Quer organizar um cinedebate em sua cidade ou comunidade? Clique aqui e preencha o cadastro. A SOS Mata Atlântica vai ceder uma cópia do filme e ajudar a divulgar seu evento nas redes sociais.

Trailer de A Lei da Água

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Blog Planeta Água

Imagem – Divulgação

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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