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Boicote produtos antiéticos Afonso Capelas Jr. - 22/08/2014 às 16:05

BUYCOTTQual a procedência dos itens consumidos no seu dia a dia? Tem ideia de como foram fabricados? Você os compraria mesmo sabendo que foram produzidos desrespeitando normas socioambientais?

Essas são perguntas importantíssimas que o aplicativo para smartphone Buycott pode ajudar a responder em questão de segundos. Basta escanear o código de barras de qualquer produto usando o próprio celular. Em instantes um relatório das atividades do fabricante aparece na tela. A empresa recebe classificações do sistema e o usuário vai saber se ela adota práticas antiéticas ou não.

Dessa forma você evita empenhar seu suado dinheiro em empresas que não se importam com princípios sustentáveis e éticos, como privilegiar as energias limpas, evitar a mão de obra escrava, o uso de substâncias químicas nocivas ou repudiar testes com animais para desenvolver seus produtos.

O Buycott é uma ferramenta pronta e funciona bem. Mas a ajuda do próprio consumidor é imprescindível para alimentar o banco de dados com mais informações. Principalmente aqui no Brasil.

Explico: o aplicativo é colaborativo, ou seja, utiliza dados fornecidos por membros de comunidades das redes sociais. Muitas dessas comunidades mantêm fóruns de campanhas temáticas nas redes contra, principalmente, as gigantes multinacionais que não se comportam como deveriam.

Assim, há campanhas em defesa dos animais, pelos direitos humanos, pela proteção ao meio ambiente e aos recursos naturais, por alimentos naturais, entre outras. Caso alguma empresa – incluindo seus fornecedores – saia da linha nessas questões, as informações cruzadas vão incluí-la em listas. Sim, também há listas de empresas com a ficha limpa que merecem conquistar a sua simpatia.

O aplicativo disponibiliza também os contatos das empresas para que o usuário possa entrar cobrar soluções e melhores posturas. Também deixa links e farto material de pesquisa para que o consumidor se aprofunde na questão.

O Buycott foi criado por uma ex-funcionária da Microsoft e faz o maior sucesso entre os consumidores da Europa e dos Estados Unidos. Está disponível gratuitamente para sistemas operacionais Android e iOS, mas ainda somente em inglês.

No Brasil já existem algumas poucas campanhas e empresas listadas. Mas essa situação pode mudar com a nossa ajuda. É preciso abastecer o aplicativo com mais e mais informações sobre empresários que fabricam e comercializam produtos aqui. Essa tarefa é nossa.

O cidadão moderno precisa, cada vez mais, ter posse desses dados na palma da mão para praticar o consumo consciente e passar longe de empresas desleixadas.

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Imagem -Creative Commons

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Cerâmica é reciclável? Afonso Capelas Jr. - 19/08/2014 às 17:31

CERAMICA_OK_3Sou voluntária em uma instituição de Educação Ambiental, estudo muito sobre o barro e produzo algumas peças de cerâmica. Desenvolvi uma palestra sobre os cuidados que os ceramistas precisam ter com os materiais que usam.Tenho dificuldade de encontrar o que é feito com cerâmicas esmaltadas e porcelanas depois de descartadas.Minha preocupação vem de longa data e espero contribuir um pouco com a sustentabilidade. Produzir arte com consciênciaé o meu objetivo. Célia Mizinski, São Paulo.

Célia, belo trabalho o seu. E ótima a questão levantada. Ninguém pensa muito no assunto na hora de descartar objetos de cerâmica e porcelanas, como louças, potes, vasilhas, vasos e até pisos e azulejos. De acordo com o professor Sandro Donnini Mancini, especialista em resíduos sólidos e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Sorocaba, o problema é muito mais sério do que se imagina.

Simplesmente porque a resposta à pergunta do título deste post é: não, a cerâmica já queimada em fornos para ganhar rigidez e durabilidade não pode ser reciclada.

Donnini explica que existem três grandes grupos de materiais cerâmicos: o cimento, o vidro e os provenientes de argilas, onde se inclui a cerâmica usada em artesanatos e porcelana. Pouca gente sabe, mas o único que derrete é o vidro.

As cerâmicas de argila são feitas basicamente misturando-a com água. Depois de dada a forma desejada, podem ser esmaltadas. Quando vão para os fornos a queima é irreversível do ponto de vista químico e físico.

“Se transformarmos uma cerâmicaqueimada em pó ela jamais voltará a ser moldável, mesmo misturando água”, ensina Sandro Donnini.

O material não é reciclável, mas nada impede que seja reaproveitado. Depois de quebradas e transformadas em pó as cerâmicas argilosas queimadas podem ser utilizadas – junto com outros materiais semelhantes, como o cimento – na construção civil. “Elas substituem a areia e as pedras de brita sem problemas. Muitos engenheiros civis e arquitetos já fazem uso desse tipo de matéria-prima”, diz o especialista.

Também são úteis na manutenção de estradas e ruas de terra, ou na cobertura de aterros. Assim, ajudam a reduzir a exploração de recursos naturais para a construção civil.

Só que, mais uma vez como acontece com outros resíduos, o valor dos restos de cerâmica no mercado de material reaproveitável é quase zero. “Não conheço nenhum sucateiro que pague por esse material, nem cooperativas que o separe”, reconhece o professore da Unesp.

A melhor atitude, de acordo com Sandro Donnini, é levar todo esse material para os ecopontos. Lá há caçambas específicas para os chamados “resíduos de construção e demolição” (RCD). “E torcer para que sejam encaminhados a máquinas trituradoras. Já existem várias delas no Brasil”.

Como foi dito no início deste post, restos de cerâmica são um impasse enorme e ainda mal resolvido na questão do lixo e da reciclagem no Brasil. Sabe-se por estimativas que o país gera uma vez e meia mais RCD do que lixo doméstico. Além do que é jogado no lixo domiciliar, há muito entulho não descartado na coleta normal, mas em coletas próprias durante reformas e demolições.

Em geral, todo esse entulho vai parar em terrenos baldios e pode assorear rios, córregos e sistemas de esgotos causando enchentes e outros transtornos. “É um problemão, mas que ninguém dá muita bola porque não cheira mal”, resume Sandro Donnini.

Imagem – Creative Commons

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Mudanças climáticas na prática Afonso Capelas Jr. - 15/08/2014 às 14:01

clima_1A foto que ilustra este post mostra o Lago Mead, no estado norte-americano de Nevada. Mais de 14 anos de secas severas na região estão diminuindo drasticamente o nível de água do reservatório. A imagem é a prova cabal das mudanças climáticas que nos afligem nos últimos anos em várias partes do planeta.

Essa semana, o site Distractify publicou fotos que mostram como o mundo já está sofrendo com as alterações no clima. Não há dúvidas de que elas estão acontecendo e prejudicando muitas populações.

O ensaio foi chamado de “27 poderosas fotos que mostram a realidade das mudanças climáticas hoje”. Grande parte das imagens dos efeitos do fenômeno foram feitas em regiões dos Estados Unidos. Mas há fotos feitas também no Canadá, no Ártico e na Indonésia que mostram derretimento de geleiras, proliferação de algas e mortandade de peixes causadas pelo aquecimento das águas.

Com essa iniciativa, o site Distractify propõe que possamos refletir mais sobre as mudanças climáticas. Simplesmente porque elas já não são apenas especulações científicas, nem estão em uma realidade distante do nosso cotidiano. Elas estão acontecendo e chegando perigosamente aos nossos quintais. É preciso tomar consciência desse fato o quanto antes.

Para ver todas as fotos do site clique aqui. Há na página também um vídeo da Nasa com quase seis minutos. Ele mostra o que está acontecendo com o planeta depois que a última década foi constatada como a mais quente já registrada desde que as medições globais se iniciaram há 150 anos.

clima_8Desde 1953 Jerusalém não registrava neve. Esta foto foi feita em dezembro de 2013.

clima_5A acidificação dos oceanos é consequência do aumento dos níveis de CO2 na atmosfera.

clima_7Águas mais quentes estão causando a proliferação de algas, como no Lago Erie, Canadá.

clima_6_OKO aquecimento mata milhares de peixes no Lago Maninjau, Indonésia, em março de 2014.

clima_10Incêndios florestais aumentaram na Califórnia, como este em 2013.

clima_9Cada vez mais cidades são atingidas por furacões, como Tacloban, nas Filipinas.

clima_2O Lago Powell, Utah, em 1999 e em maio de 2014: 42% menos da capacidade de águas.

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Secas na Califórnia ameaçam seriamente pastagens e solos que eram férteis.

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Blog do Clima

Imagens – Distractify

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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