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Um guia para comer bem Afonso Capelas Jr. - 14/11/2014 às 14:37

COMIDA_OK_3O brasileiro come mal, é um fato. Por isso, o Ministério da Saúde acaba de lançar o Guia Alimentar para a População Brasileira. Elaborado em conjunto com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), órgão da Universidade de São Paulo (USP), a publicação traz informações muito importantes para alimentar-se bem, com saúde e com prazer.

“O guia foi feito para cada cidadão e suas famílias, mas também para os gestores públicos, educadores e todos os que possam influenciar na melhoria das escolhas alimentares da população”, diz a doutora em Saúde Pública e integrante do Nupens, Maluh Barciotte.

O objetivo principal é facilitar as escolhas alimentares a partir de informações embasadas nas mais recentes pesquisas mas, ao mesmo respeitando e valorizando nossas tradições culinárias, nossa biodiversidade e o trabalho dos agricultores familiares. “Pouca gente sabe, mas 70% dos alimentos consumidos no Brasil são provenientes desses pequenos produtores rurais”, lembra Maluh.

Ilustrado, bem elaborado e completo, o guia tem linguagem simples e muito didático.

Abaixo, os 10 passos básicos do guia para manter uma alimentação adequada e saudável:

1- Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação;

2 – Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias;

3 – Limitar o consumo de alimentos processados;

4 – Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados;

5 – Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia;

6 – Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados;

7 – Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias;

8 – Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece;

9 – Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora;

10 – Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

“É interessante saber que a base da publicação é sair do nutricionismo e se voltar para a comida. Nesse caminho a melhoria das escolhas deve começar no campo. Também faz foco na importância do cozinhar”, conta Maluh Barciotte.

O melhor: o Guia Alimentar para a População Brasileira é gratuito e está disponível em versão completa para download na página do Nupens. O endereço está logo no final deste post.

Bom apetite!

Baixar o Guia Alimentar para a População Brasileira

Imagem – Divulgação

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Copos: descartáveis x duráveis Afonso Capelas Jr. - 07/11/2014 às 16:01

METADEDias atrás, tomando um café em uma padaria de São Paulo – cidade que vive uma crise de água sem precedentes, como se sabe – me deparei com um pequeno cartaz colocado no balcão, estrategicamente à vista dos clientes (veja a foto abaixo). Ele quer convencer o consumidor de que copos descartáveis ajudam a economizar a água da lavagem de copos duráveis.

Sempre achei o contrário. O processo de fabricação de um descartável utiliza bastante água. Sua reciclagem (isto quando ele é reciclado) também. Fiquei em dúvida quanto à veracidade dessas informações.

Fui, então, consultar o especialista em tecnologia de materiais, professor Bruno Gianelli, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Campus Itapetininga.

FOTOCOPO

O professor Bruno prontamente me atendeu enviando os seguintes esclarecimentos via e-mail. Tire você também as suas próprias conclusões, leitor:

“Inicialmente gostaria de dizer o quanto me chateia ver algo como esse cartaz fixado nos estabelecimentos de São Paulo, pois para medirmos o impacto ambiental de um produto é necessário levar em conta vários fatores. Por exemplo, o impacto decorrente do processo de fabricação do produto, o transporte do produto final até o local de consumo, a vida útil desse produto, entre outros.

Imagine que para cada copo descartável consumido foi necessário realizar um transporte do mesmo desde a fábrica até a padaria, bar ou restaurante no qual o mesmo foi utilizado, impactando em consumo de combustíveis fósseis e gases tóxicos liberados na atmosfera.

Para se fabricar um copo descartável é necessário o consumo de matéria prima, aproximadamente 8 gramas de poliestireno (PS) ou polipropileno (PP) –  os plásticos mais empregados pela indústria – e também o consumo de energia elétrica, cerca de 6,0 Wh por copo.

Outro ponto a ser considerado deveria ser o transporte, normalmente realizado em caminhões de pequeno porte até os atacadistas, com uma distância média de 150 km. Desses atacadistas até os locais de consumo o transporte seria realizado por vans ou pequenas caminhonetes.

Mesmo assim vamos “jogar o jogo” e realizemos uma análise baseada apenas em dados de consumo de água, algo tão em voga nos noticiários diários, cujo desabastecimento afeta de maneira maléfica grande parte dos paulistanos.

Um copo descartável necessita de água em duas etapas de sua produção:

Etapa 1 – a de menor consumo, está relacionada ao processo de produção propriamente dito e é incorporada ao produto final. Neste caso estamos falando de um consumo de 50 ml por copo produzido;

Etapa 2 – a de maior consumo, relaciona-se com a refrigeração do processo de fabricação, pois tais copos são produzidos por termoformação e tanto o equipamento, quanto os copos necessitam ser resfriados. Neste caso o consumo de água é 3.150 ml por copo produzido.

No entanto, vale uma ressalva com relação à Etapa 2, pois muitas empresas empregam um sistema de recirculação de água, o que minimiza significativamente o consumo. Tais sistemas, se devidamente calibrados, fazem com que a perda de água decorrente do processo de resfriamento seja de 10% a 20% do consumo inicial. Ou seja, a perda de água desta etapa estaria entre 315 e 620 ml, ou em média 450 ml por copo produzido.

Somando-se as duas etapas de consumo de água nós teríamos 50 ml da Etapa 1, com 450 ml da Etapa 2, totalizando 500 ml de água por copo descartável produzido.

Já para o processo de lavagem de um único copo reutilizável emprega-se um total de 350 a 400 ml de água para lavagens manuais, sendo tais medidas obtidas em estudos realizados dentro de nosso laboratório de materiais no IFSP-Itapetininga. Mesmo assim, vale ressaltar que muitos desses estabelecimentos – bares, padarias e restaurantes – possuem lavadoras automáticas, ou o tradicional lava copos, reduzindo o consumo de água para 100 ml por copo lavado aproximadamente.

Sendo assim, podemos constatar que ocorre praticamente um empate entre o consumo de água entre o copo descartável e o reutilizável ao empregarmos o método de lavagem manual. No entanto ao adotarmos um método de lavagem automático, o impacto de consumo de água entre os dois apresenta um benefício para o copo reutilizável da ordem de 5 vezes.

Então minha sugestão é que, em vez de aumentarmos o impacto no meio ambiente imprimindo cartazes que trazem informações infundadas, que tais cartazes fossem empregados para conscientizar o brasileiro da necessidade de se poupar água, evitando o uso da famosa e perversa vassoura hidráulica.

Prof. Bruno F. Gianelli
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo
IFSP – Campus Itapetininga”

Imagem – Ed Grandisoli

Tem alguma dúvida sobre sustentabilidade no seu dia a dia? Então faça sua pergunta. Envie seu e-mail para pergunteaoafonso@gmail.com. Sua dúvida será respondida aqui no blog Sustentável na prática.

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Cisterna: você ainda vai ter uma Afonso Capelas Jr. - 31/10/2014 às 15:21

CISTERNA_OK_3Quem mora nas grandes cidades do Sul e do Sudeste raramente ouve falar nelas. Muitos nem sabem o que são, ao contrário da região do semiárido do Nordeste, onde são populares, enormes e fazem parte do cotidiano. Nestes novos tempos de mudanças climáticas, entretanto, as cisternas – reservatórios para armazenamento de água, inclusive das chuvas – passam a ser itens essenciais também no dia-a-dia de quem vive nesta parte de baixo do mapa do Brasil, tamanha é a crise no abastecimento de água.

Na capital paulista, por exemplo, já surgiu o Movimento Cisterna Já. Ele está incentivando a instalação e uso de reservatórios de tamanho reduzido para a captação das águas pluviais. Tão rara nesses dias, elas são preciosas demais para que sejam desperdiçadas escorrendo pelos ralos.

O Cisterna Já foi criado por pessoas preocupadas em disseminar atitudes mais sustentáveis e humanizadoras entre os moradores das grandes cidades. Entre elas as hortas urbanas.

Não é difícil montar e instalar uma dessas minicisternas em casa. Nem caro. A água recolhida das chuvas pode representar até a metade do que é consumido normalmente em uma residência. Embora não possa ser utilizada para beber, ela serve perfeitamente para a limpeza geral, a descarga do vaso sanitário e para regar plantas.

Na página do movimento na internet há um detalhadíssimo passo a passo para a instalação. Ele inclui, desde onde encontrar os materiais necessários – em geral uma bombona, tubos de PVC e uma torneira – até vídeos e reportagens mostrando todos os procedimentos.

MINICISTERNA_ESQUEMA

Para quem mora em São Paulo, o Cisterna Já também está organizando oficinas e mutirões para ensinar como construir o pequeno reservatório. Dia 9 de novembro haverá um desses eventos, dentro da programação do Festival da Praça da Nascente, no bairro de Vila Madalena.

Os tempos mudaram e manter uma cisterna para aproveitar o que cai do céu gratuitamente – e está em falta aqui embaixo – é mesmo uma grande ideia. Os nordestinos que o digam.

Página do movimento Cisterna Já na internet

Leia também

Água: a escassez na abundância

Água: Se não cuidar pode acabar

Imagens – Cisterna residencial no semiárido nordestino (Creative Commons) e esquemas de instalação de minicisterna (Divulgação)

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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