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Fogão: a gás ou elétrico? Afonso Capelas Jr. - 17/12/2014 às 13:07

FOGAO_EL_OK_3Remontei minha cozinha e fiquei em dúvida sobre o fogão. Melhor a gás ou elétrico? Adorei um fogão portátil elétrico por indução que comprei. Ele ferve a água bem rápido e nem fica com a superfície quente. É a melhor opção? Gilberto Castro, São Paulo, SP

É uma boa pergunta Gil. E complicada. Para começar, existem dois tipos distintos de fogões elétricos: um utiliza a eletricidade propriamente dita e o outro – esse mesmo que você adquiriu – funciona por indução eletromagnética.

Os fogões elétricos convencionais têm resistências (como as que existem nos chuveiros elétricos). Em consequência consomem bastante energia elétrica. Produzem um calor intenso e rápido, mas demoram a esfriar depois que são desligados. São, portanto, perigosos para quem tem crianças em casa.

Já os fogões elétricos por indução eletromagnética trabalham – como o nome sugere – com eletricidade e com magnetismo. Desse modo criam um campo de atração entre o tampo aquecedor do fogão e o fundo e interior da panela.

Eles, literalmente, transformam a panela em uma fonte de calor e só funcionam quando ela está em cima da sua superfície. Esse tipo de fogão esquenta rapidamente e resfria quase no mesmo instante em que é desligado ou imediatamente depois que a panela é retirada. Então, leva vantagem por ser bem mais seguro que os elétricos convencionais. Também consomem muito menos energia.

Acontece que, em ambos os equipamentos, é preciso utilizar panelas com fundo chato para trabalhar perfeitamente. Isto porque eles têm suas superfícies totalmente planas. No caso dos fogões por indução, eles só funcionam com panelas de aço, alguns tipos de inox com várias camadas de metais ou de ferro fundido.

Como se sabe, os tradicionais fogões a gás funcionam com o gás natural encanado ou com o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo). Estas são consideradas fontes de energia razoavelmente limpas e seguras. O GLP é derivado do petróleo, portanto um combustível fóssil, mas com pequeno índice de emissão de gases de efeito estufa (GEE) causadores das mudanças climáticas. O gás natural é retirado de camadas profundas do subsolo. É um combustível pronto: não passa por nenhum processo transformação.

Das três opções de fogões, os modelos a gás cozinha são mais rápidos na cocção, portanto consomem menos energia e emitem menos GEE. Embora o Brasil tenha uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo – oriundas de hidrelétricas – os fogões elétricos perdem nesse quesito.

O fogão elétrico tradicional é a pior opção de todas: graças às suas resistências incandescentes tem um gasto de energia enorme, demora mais para aquecer e pode representar riscos de queimaduras.

Em resumo: para uso mais frequente o fogão a gás ainda é o melhor amigo do meio ambiente. Entretanto, para usos ocasionais o fogão por indução eletromagnética leva alguma vantagem.

Fugindo das questões de sustentabilidade, outra informação relevante: a grande maioria dos chefs no mundo inteiro prefere o fogão a gás. Dizem que cozinhando com fogo de verdade têm controle sobre as chamas e, consequentemente, sobre as temperaturas. Assim, conseguem alcançar os sabores desejados para suas criações culinárias.

No frigir dos ovos, para o dia a dia de uma cozinha preparar alimentos no bom e velho fogão a gás continua sendo a melhor maneira de caprichar nos pratos deixando uma pegada ecológica menor no planeta.

Imagem – Creative Commons

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Vai um orgânico aí, freguesa? Afonso Capelas Jr. - 12/12/2014 às 12:56

FEIRA_OK_3Você prefere consumir frutas, verduras e legumes cultivados sem agrotóxicos e outros produtos químicos, certo? O problema é que você não os encontra com facilidade e acha que são muito caros, não é? Pois o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) te ajuda a encontrar uma feira que comercializa produtos orgânicos com preços justos perto de você. É só entrar no portal Mapa de Feiras Orgânicas, organizado pelo instituto.

A busca é bem fácil. Utilizando um mapa do Google, o Idec pontuou centenas de feiras de produtos orgânicos em várias regiões do país. É possível localizar uma feira perto de casa (se ela existir, claro) apenas digitando o endereço desejado.

O site também lista endereços de Grupos de Consumo Responsável (GCR). São pessoas ou entidades que se organizam para adquirir produtos saudáveis e que respeitem o meio ambiente de um jeito bem diferente do mercado convencional.

Os GCRs se unem para organizar compras coletivas e cestas de alimentos. A ideia é fazer com que os orgânicos se tornem produtos cada vez mais baratos e mais consumidos pelos brasileiros.

Isto porque o Idec descobriu – por meio de pesquisa – que quase 80% dos visitantes do seu site gostariam de consumir mais alimentos orgânicos, desde que os preços sejam mais acessíveis. O instituto detectou uma diferença exorbitante de até 463% a mais nos preços dos orgânicos à venda em supermercados, em relação aos mesmos vendidos nas feiras organizadas pelos próprios produtores.

Os Grupos de Consumo Responsável também promovem trocas de informações e saberes entre os participantes para incrementar uma rede de consumidores que compartilhem e disseminem mudanças de hábitos mais sustentáveis.

A constatação do Idec é de que o negócio de produtos orgânicos vem crescendo vertiginosamente no Brasil. Isto é bom. Quando foi lançado, em 2012, o site Mapa de Feiras Orgânicas mostrava 119 feiras de orgânicos no país e 29 GCRs cadastrados.

Apenas dois anos mais tarde esse número quase triplicou no mapa do portal. São, hoje, 413 feiras e 49 Grupos de Consumo Responsável disponíveis.

Há também no site do Idec uma grande relação de frutas, legumes e verduras da estação produzidos na região onde você mora. Produtos cultivados no tempo certo e localmente com certeza são muito mais baratos e saudáveis.

O mapa é colaborativo. Assim, qualquer internauta por incluir uma feira orgânica ou um Grupo de Consumo Responsável que descobriu perto de casa e publicar o endereço e demais informações.

Mapa de Feiras Orgânicas

Imagem – Creative Commons

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Falta sinalização na sua cidade? Afonso Capelas Jr. - 07/12/2014 às 12:05

PLACA_OK_3As ruas das grandes cidades brasileiras ainda estão sob domínio quase absoluto dos veículos automotores. Até mesmo no que diz respeito à sinalização de trânsito. Ela só existe para quem dirige. Pedestres, ciclistas e usuários dos transportes coletivos ficam esquecidos quando se fala em sinais de orientação urbana. Foi o que apontou a campanha Sinalize encampada pelo portal Mobilize Brasil.

A campanha revelou que 90% dos sinais de trânsito das capitais são dedicados apenas aos motoristas. Indicações para ciclistas e pedestres só são vistas nas chamadas áreas de conflito. São aquelas justamente onde os motoristas, ciclistas e pedestres se encontram.

Totens expondo mapas com as melhores rotas para orientar quem não está dirigindo um automóvel praticamente não são encontradas nas ruas. Aquela lista tão útil de linhas de ônibus – e seus devidos itinerários e horários – que deveria estar em todos os pontos de parada, nem pensar. De acordo com o portal Mobilize ela não é encontrada nas principais metrópoles do país.

Em uma escala que vai de 0 a 10, a média de avaliação não passou dos 3 pontos na maioria das capitais analisadas. Para variar Curitiba – ainda um exemplo no quesito de mobilidade urbana no país – ficou em primeiro lugar. Ainda assim deixou a desejar. Obteve uma pontuação apenas razoável de 5,4 pontos.

São Paulo, a maior metrópole do Brasil, amargou um quarto lugar e nem chegou aos 4 pontos. Além de Curitiba, ficou atrás também de Rio de Janeiro e Porto Alegre. Manaus está na lanterna desse ranking: 13º lugar. Nem um ponto inteiro conseguiu.

Estes são os resultados da análise da sinalização de 13 capitais brasileiras:

1 - Curitiba – 5,4 pontos
2 - Rio de Janeiro – 4,6 pontos
3 - Porto Alegre – 4,2 pontos
4 - São Paulo – 3,8 pontos
5 - Belo Horizonte – 3,6 pontos
6 - Recife – 3,3 pontos
7 - Brasília – 2,5 pontos
8 - Natal – 2,5 pontos
9 - Salvador – 2,1 pontos
10 - Cuiabá – 1,9 pontos
11 - Maceió – 1,6 pontos
12 - Fortaleza – 1,3 pontos
13 - Manaus – 0,7 pontos

Os tristes números da campanha promovida pelo portal Mobilize são a prova cabal de que os moradores das capitais brasileiras ainda sofrem com uma verdadeira ditadura do transporte individual. Afinal, sabe-se que dois terços dos deslocamentos nas grandes cidades são feitos em caminhadas, com os transportes coletivos e de bicicleta.

Consequentemente, os cidadãos que não fazem uso dos automóveis também são vítimas dos congestionamentos, atropelamentos e mortes no trânsito.

Imagem – Creative Commons

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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