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Dúvidas sobre composteiras? Afonso Capelas Jr. - 28/10/2014 às 15:58

WORM_3_OKAfonso, gostaria de saber mais como posso fazer uma composteira. Será que consigo fazer? Vanete Vicensi

Como é feito este sistema de compostagem? Helder Menezes

Já existe algum tipo de composteira pronto em lojas que eu pudesse fazer uso, ou algum similar? Vitor Toth Garcia

Publicado no início de setembro para responder a dúvida da leitora Cida Moretti, o post “Vale a pena uma composteira?” fez sucesso, atraiu muitos leitores e suscitou algumas outras questões enviadas nos comentários e reproduzidas acima.

Vamos por partes: para preparar o processo de compostagem é necessária alguma dedicação, além de minhocas. Elas aceleram o ciclo natural de decomposição dos restos de alimentos colocados na composteira.

Para obter todos os detalhes do processo sugiro a leitura do Guia de Compostagem Caseira, elaborado pela jornalista Raquel Ribeiro. Em sua segunda edição revista, ampliada e disponível para download gratuito, a publicação é muito didática e de fácil compreensão.

Além de ensinar, passo a passo, como funciona e como fazer a compostagem, o guia apresenta, entre outros pontos, as vantagens dessa em casa, o que pode ser usado para produzir o húmus – o adubo natural resultante – e todos os cuidados para que o trabalho seja eficiente.

Também mostra como fazer alguns modelos de composteiras (ou composteiros, como a autora prefere chamar) usando vários tipos de materiais. Até mesmo composteiras coletivas, perfeitas para condomíniosescolas e até empresas.

Sobre composteiras prontas à venda, como prefere o leitor Vitor: Raquel diz que nunca experimentou esses modelos porque sempre montou as suas próprias. “Improvisava com vasos de cerâmica e dava certo. Depois passei a morar em sitio e optei pelo composteiro grande de alvenaria e, agora, pelo de tela, mais fácil e barato”.

Nesse caso, a autora do guia de compostagem sugere os equipamentos comercializados pela ONG Morada da Floresta. Há modelos de todos os tamanhos. Eles já vêm com um kit com manual e todos os componentes necessários. Inclusive as minhocas.

Para quem acha que não vai conseguir lidar com minhocas Raquel sugere uma composteira elétrica. Sim, ela existe, está disponível no Brasil e funciona perfeitamente. A empresa Trasix Soluções Ambientais comercializa modelos elétricos que chama de “decomposer”.

Além de dispensar o trabalho das minhocas essas composteiras elétricas suportam até mesmo alimentos animais, como restos de carne. A empresa garante que seus equipamentos conseguem produzir adubo em 24 horas depois de colocado os resíduos orgânicos.

Clique nos links abaixo, livre-se do lixo orgânico e produza adubo natural de qualidade para seu jardim.

Guia de Compostagem Caseira

Kit de omposteiras da Morada da Floresta

Composteiras elétricas da Trasix Soluções Ambientais

Leia também

Vale a pena uma composteira?

Imagem – Creative Commons

Tem alguma dúvida sobre sustentabilidade no seu dia a dia? Então faça sua pergunta. Envie seu e-mail para pergunteaoafonso@gmail.com. Sua dúvida será respondida aqui no blog Sustentável na prática.

 

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Lixo: o exemplo de Curitiba Afonso Capelas Jr. - 25/10/2014 às 12:13

CAMBIO_VERDE_2_OK_3Conhecida como “Cidade Verde” por projetos de sustentabilidade em áreas como a mobilidade urbana, a educação e o saneamento básico, Curitiba dá exemplo mais uma vez com uma iniciativa promissora que precisa ser copiada por mais cidades brasileiras: permitir que sua população troque resíduos recicláveis por alimentos de qualidade.

Com o Programa Câmbio Verde, como é conhecido, o cidadão curitibano junta quatro quilos de lixo para ter direito a um quilo de frutas, legumes e verduras fresquinhos. Esses alimentos são cultivados por pequenos hortifrutigranjeiros da capital paranaense e sua região metropolitana.

O Câmbio Verde também permite a troca de dois litros de óleo usado – seja ele animal ou vegetal – por um quilo de alimentos. É possível fazer essa troca a cada quinze dias. Para isso, cem postos de coleta foram disponibilizados em toda a cidade. Tudo é muito bem organizado e conta até mesmo com um calendário onde estão os dias e horários em que cada posto recolhe os resíduos e entrega os alimentos.

O programa atinge em cheio dois problemas primordiais no país porque reduz a quantidade de lixo e ajuda populações menos favorecidas – com renda mensal entre zero e 3,5 salários mínimos – a colocar comida boa no prato. De quebra dá uma força para que os pequenos agricultores rurais consigam escoar toda a sua produção. A safra subsidiada pela prefeitura em convênio com a Federação Paranaense das Associações de Produtores Rurais (Fepar).

O Câmbio Verde surgiu de um projeto pioneiro desse tipo de escambo. Já na década de 1980 a prefeitura promovia a troca de lixo orgânico por passagens de ônibus.

O programa deu tão certo que a prefeitura de Curitiba criou modalidades como o Câmbio Verde Solidariedade, para oferecer alimentos a entidades assistenciais da capital paranaense.

Para conscientizar as crianças recentemente lançou também o Câmbio Verde Especial nas Escolas. Nele, alunos de escolas públicas municipais podem trocar resíduos recicláveis por brinquedos, cadernos, chocolates e até ingressos para shows.

A cidade que dá exemplo de cidadania e qualidade de vida tem DNA sustentável faz tempo. Ao longo dos anos tem recebido prêmios internacionais por suas ações socioambientais.

Exemplos: foi eleita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a cidade com melhor qualidade do ar do Brasil e é a segunda melhor do mundo em equilíbrio ambiental, já que disponibiliza quase 65 metros quadrados de áreas verdes para cada habitante. Desde 2011 o Instituto Trata Brasil reconhece a capital dos paranaenses como primeira capital brasileira onde 100% da população tem saneamento básico e água tratada.

Imagem – Divulgação Câmbio Verde

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Como embalar meu lanche sem destruir a natureza? Afonso Capelas Jr. - 21/10/2014 às 14:21

LANCHELevo sanduíche para o trabalho todos os dias. O que é menos prejudicial para o meio ambiente: embrulhá-lo no papel filme ou no papel alumínio? Antes que você sugira, não rola guardar em um pote plástico porque ele desmonta todo. Thyago Zucoloto Afonso, Vila Velha, ES.

Thyago, como sempre para esse tipo de dúvida consultei o especialista em resíduos sólidos Sandro Donnini Mancini, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Sorocaba. Ele explica que tanto o chamado papel filme (que na verdade é feito de plástico PVC) quanto o papel alumínio são recicláveis.

Entretanto, Donnini acredita que o papel alumínio tem maiores chances de ir parar em uma máquina recicladora. Uma boa dica do especialista: “Ele é apenas alumínio laminado. Depois de usá-lo pode ser amassado e colocado dentro de uma lata de bebida. Assim ambos serão reciclados juntos sem problemas”.

Já o papel filme, embora reciclável, tem um composto químico que não permite a reciclagem junto de outras peças de PVC, como tubos e conexões de encanamentos, por exemplo. Seria preciso imensas quantidades dele para tornar seu reaproveitamento viável economicamente.

Acontece que o papel filme não é um resíduo tão frequente no lixo domiciliar. “Se forem misturados com outros tipos de plásticos (especialmente o polietileno, o mais comum) vão atrapalhar bastante o processo de reciclagem”, diz o especialista. Sandro Donnini alerta que é preciso ter o cuidado de não deixar muitos restos de alimentos em qualquer um dos dois materiais. “Principalmente no caso do plástico”.

Há uma outra opção interessante e certamente mais ecológica para proteger o seu sanduíche, Thyago: acondicioná-lo em um saquinho ou mesmo em um embrulho de… papel de verdade. O inconveniente é que seu lanche não pode ser muito gorduroso nem soltar algum tipo de líquido para que a embalagem seja aproveitada. “Em termos de mercado o papel tem bastante aceitação, assim como o alumínio, mas precisam estar livres de sujeira em excesso”, acredita Donnini.

Mas pense bem: mesmo que não seja reciclado o papel é um material orgânico que se decompõe com maior facilidade no meio ambiente. E essa é uma grande vantagem em relação aos outros materiais. Aí sim você pode colocá-lo embrulhado em papel dentro de um pote plástico sem que seu lanche desmonte. Que tal?

Imagem – Creative Commons

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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