BLOGS |Sustentável na Prática

Um vídeo didático sobre o lixo Afonso Capelas Jr. - 29/05/2015 às 15:15

VIDEO_LIXO_OK_3_7

Às vésperas da semana do meio ambiente, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ainda não foi definitivamente implantada no Brasil, embora o prazo tenha sido ultrapassado desde agosto de 2014. Muitas reuniões com os vários setores envolvidos ainda precisarão acontecer até que um sistema eficiente de coleta, destinação e reciclagem dos resíduos sólidos esteja efetivamente funcionando no país.

Por outro lado, tem muita gente que ainda nem entendeu como é o caminho do lixo e como é possível fazer algo, na prática, para reduzir o volume de resíduos em sua própria residência. Muitos nem ao menos sabem para onde vão todas aquelas embalagens, restos de alimentos e produtos que não se usa mais e são deixados diariamente na porta de casa em sacos plásticos.

Por isso, o Programa Água Brasil acaba de lançar um vídeo de animação para mostrar aos brasileiros como é o ciclo de vida dos produtos, desde a produção, passando pelo consumo até o descarte final. A animação – de três minutos e meio – quer ensinar como os cidadãos podem reduzir seu impacto ambiental reduzindo a sua geração e incentivando a coleta seletiva. É uma forma de conscientizar a sociedade sobre a destinação do lixo produzido.

O vídeo do Água Brasil também tem o propósito de abrir o foco sobre os catadores informais de materiais recicláveis, personagens conhecidos e tão pouco valorizados nas ruas de nossas cidades. “Acreditamos que o personagem principal dessa história é o catador, mas também queremos munir a sociedade de conhecimento sobre todo o processo do lixo para que cada um possa fazer sua parte e colaborar para que a reciclagem no Brasil seja cada vez mais eficiente”, diz Mariana Valente, Coordenadora do Programa de Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF-Brasil, parceira do Água Brasil.

Criado em 2010, o Programa Água Brasil atua em quatro cidades brasileiras – Caxias do Sul (RS), Pirenópolis (GO), Natal (RN) e Rio Branco (AC) – com ações de educação ambiental, criação de estruturas para a cadeia da reciclagem e o mais importante: a implementação da PNRS nesses municípios.

Vale a pena assistir ao vídeo, mostrá-lo às crianças, apresentá-lo em salas de aula para que todos compreendam que nossos rejeitos diários não desaparecem por encanto depois que o caminhão de coleta os leva embora.

Assista ao vídeo:

Imagem – Divulgação

ver este postcomente

Faça você mesmo um projeto de lei Afonso Capelas Jr. - 22/05/2015 às 15:38

APP_LEGISLANDO_OK_3_7

A Rede Nossas Cidades, uma organização não governamental dedicada a sugerir soluções para questões urbanas como mobilidade, segurança sustentabilidade, direito dos animais e acessibilidade, acaba de lançar um aplicativo de computador genial: o Legislando. Ele torna possível a participação de qualquer cidadão no processo de criação de projetos de leis para suas cidades. Afinal, é um direito todo brasileiro.

O lema do aplicativo é “Por que esperar pelas mudanças se podemos ir atrás delas?”. E é isto mesmo o que se propõe, ou seja, a participação direta das pessoas comuns na produção de leis para as câmaras de vereadores e assembléias legislativas.

A partir do computador, o cidadão pode elaborar seu próprio projeto de lei. Basta começar preenchendo um formulário disponível no site da Rede Nossas Cidades. Nele é preciso colocar a cidade onde quer propor uma ou mais leis. Ainda em fase inicial o aplicativo funciona apenas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Em breve outras cidades estarão disponíveis.

Depois diga qual a casa legislativa onde pretende que a lei seja analisada: câmara de vereadores ou assembléia legislativa. Então, basta redigir, no próprio formulário, o seu projeto, colocando também um título para e uma justificativa sobre o quanto ele pode ser importante para sua cidade.

Se tiver dúvidas de como começar a produzir um projeto de lei que realmente interesse às comunidades o site também traz um passo a passo completo. Ele ensina como criar o texto e como editá-lo. Explica também como apoiar um projeto de outros cidadãos.

Os parlamentares também podem engajar-se na sua ideia. Para isto, vereadores e deputados estaduais têm no site a opção de apoiar seu projeto e ajudar a torná-lo uma lei.

Aliás, a página também esclarece minuciosamente como funciona uma casa legislativa, em uma espécie de bê a bá sobre o assunto. Didaticamente diz para quê serve um vereador, como eles são eleitos, como uma câmara de vereadores trabalha, de que forma um projeto de lei se transforma em uma lei municipal e o mais importante: como você, eu e a população em geral podemos participar ativamente  dos trabalhos legislativos.

O aplicativo Legislando está no ar desde abril deste ano, mas já conta com dezenas de projetos sugeridos. Muitos deles são da área de meio ambiente, transportes e trânsito, direitos humanos e defesa do consumidor.

Participe. É bom lembrar: cidadania também faz parte do rol de práticas de sustentabilidade.

Site do Legislando

Site da Rede Nossas Cidades

Imagem – Divulgação

ver este postcomente

Roupa suja ainda na moda Afonso Capelas Jr. - 17/05/2015 às 19:53

MODA_OK_3

No início desta semana a Zara, famosa empresa internacional do mundo da moda, foi autuada mais uma vez por não ter cumprido um acordo de melhoria das condições de trabalho de sua rede terceirizada de oficinas. Esse acordo foi firmado em 2011, quando a justiça a responsabilizou por permitir trabalho escravo em sua linha de produção. Para resolver o problema à sua maneira, a Zara fez o mais fácil e menos nobre: cancelou contratos com empresas que mantém funcionários imigrantes. Foi, então, processada mais uma vez pelo Ministério do trabalho por discriminação.

A Zara não é a única. Muitas outras empresas de confecções no Brasil e no mundo ainda não respeitam direitos trabalhistas e utilizam mão de obra que beira o escravagismo.

Por isso, o movimento internacional Fashion Revolution Day criou uma campanha experimental e muito criativa. Em uma praça de grande movimento de Berlim, na Alemanha, foi instalada uma máquina onde era possível comprar camisetas a um preço bem barato: bastava depositar dois euros no equipamento.

Cada vez que alguém se animava a adquirir uma peça e colocava o dinheiro na máquina, um vídeo era exibido. Nele apareciam cenas fortes das condições precárias de trabalho em fábricas de roupas.

Em seguida o vídeo dizia, diante dos compradores atônitos: “Conheça Manisha, uma das milhões de trabalhadoras e trabalhadores que fazem nossas roupas baratas por 13 centavos de dólar por hora, 16 horas por dia, todos os dias”. Em seguida pergunta, sob os olhares incrédulos: “Você ainda quer comprar esta camiseta por dois euros?”.

A campanha foi batizada de “Fashion for a bargain – that’s what everyone wants” (Isto é o que o mundo quer – moda por uma barganha). Foi idealizado para lembrar os mais de mil trabalhadores mortos em 24 de abril de 2013 no desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh. Ali funcionavam quatro grandes oficinas de roupas que produziam moda baratíssima para empresas de moda do porte da Benetton, H&M e Primark.

O Fashion Revolution Day foi criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e o meio universitário. Eles pretendem criar uma consciência sobre o verdadeiro custo da moda e seus impactos em todas as etapas de produção e de consumo.

Querem também mostrar que é possível mudar esse estado de coisas em todas as partes do planeta. Inclusive no Brasil, onde o Fashion Revolution Day também tem bases.

O vídeo do Fashion for a bargain – that’s what everyone wants

Site do Fashion Revolution Day Brasil

Leia também

App contra o trabalho escravo

ver este postcomente

Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

Clique e faça o download

Revista do clima Material de etiqueta

Posts anteriores

Receba as noticías mais recentes

assine RSS Sustentável na Prática