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Vamos semear água? Afonso Capelas Jr. - 27/02/2015 às 13:48

MUDAS_SOS_OK_3Já escrevi, neste espaço, sobre a carência de vegetação nativa à beira de nascentes e mananciais como uma das grandes causas da secura em que vive o Sudeste. É um assunto que desperta o interesse e a revolta dos leitores deste blog. Muitos deles têm enviado mensagens indignadas questionando por que as autoridades ditas competentes não investem no reflorestamento dessas áreas. Pois então, se o poder público – formado por políticos que nós mesmos elegemos – não faz a sua parte é chegada a hora de nós, cidadãos, colocarmos a mão na massa.

Há pelo menos três organizações não governamentais dispostas a promover um verdadeiro mutirão de replantio de espécies de Mata Atlântica na região do Sistema Cantareira e de outros reservatórios. Uma delas é a Fundação SOS Mata Atlântica, com seu programa Clickarvore. Formado há quinze anos por uma parceria entre empresas, viveiros de mudas, proprietários de terras em regiões de Mata Atlântica e internautas, o Clickarvore atingiu 23 milhões de mudas doadas em 2012.

Agora, o programa da SOS Mata Atlântica pretende doar um milhão de mudas apenas para recuperar matas nativas ao redor das bacias que formam o Cantareira. Você também pode ajudar nessa tarefa. Até mesmo definindo onde as mudas devem ser plantadas. Basta clicar aqui, fazer seu login e participar.

Outra ONG que embarcou no mutirão é o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). A organização criou a campanha Doe árvores e plante a água do futuro. Funciona assim: você entra na página da campanha no Facebook e faz uma doação em dinheiro. A ajuda pode ser desde R$ 20 para uma árvore plantada até R$ 100 para cinco árvores.

A sede do IPÊ fica na cidade de Nazaré Paulista, bem próxima do Sistema Cantareira e é lá que a ONG faz os plantios. Cerca de trezentas mil árvores já foram plantadas na região. A meta é alcançar um milhão delas. Para ajudar entre na página do IPÊ no Facebook e faça a doação desejada.

Instituto Brasileiro de Florestas (IBF) é outra ONG voltada para o reflorestamento de regiões em todo o Brasil. E também entrou na empreitada para tirar o Cantareira da lama. Com o projeto Plante Árvore, o instituto produz mudas de espécies nativas e depois doa aos proprietários de terras próximas aos mananciais. Depois de devidamente plantadas fica proibido o corte futuro das árvores.

O projeto do IBF é voltado para quem tem algum pedaço de chão perto do Cantareira. Dessa forma, se você tem ou conhece quem tenha um sítio, terreno ou fazenda por lá pode preencher o cadastro online e solicitar gratuitamente as mudas ou até mesmo sementes de espécies nativas.

Claro que reflorestar e conservar essas áreas de vegetação não é uma medida de efeito imediato. Mas em menos de cinco ou seis anos as nascentes, rios e córregos que abastecem os mananciais estarão protegidos e garantirão mais água nos reservatórios, mesmo nos períodos de longas estiagens.

Hoje, ao contrário, o panorama é este, de acordo com os números do IPÊ: 49% das áreas de preservação permanente (APP) – ou seja, aquelas que deveriam ter vegetação em pé – estão ocupadas por pastagens degradadas. Outros 11% estão cobertos por eucaliptos.

Como se sabe, pastos facilitam a erosão e não retêm as águas das chuvas no subsolo. Já os eucaliptos – espécie que não é nativa da Mata Atlântica – precisam de muita água para se desenvolver. Depois de prontos para o corte sua madeira é retirada. Então tornam a crescer e consumir mais água.

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Imagem – Fundação SOS Mata Atlântica

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Transporte público, ainda ruim Afonso Capelas Jr. - 20/02/2015 às 12:51

ONIBUS_3Mais uma constatação: em oito capitais brasileiras depender de ônibus, trens e metrô não é para os fracos. O sofrimento é diário em veículos capengas, espera nos pontos de ônibus e plataformas, atrasos, superlotação e muito trânsito para dois terços dos moradores de São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Brasília. Até mesmo – quem diria – Curitiba, que já foi cidade-modelo em transporte público no país, está na lista, embora tenha sido mais bem avaliada.

Foi esse o resultado que a Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor relatou em uma pesquisa feita com moradores nessas oito capitais. E aponta um triste panorama que está ainda bem longe de modificar-se em favor de cidades com mobilidade urbana digna.

Ficou claro que o brasileiro que depende de transporte coletivo passa em média 80 minutos diários na rua durante a ida e volta do trabalho. Nesse quesito Rio de Janeiro foi campeã, com 93 minutos de viagens de casa para o trabalho. Recife está colada em segundo lugar com 90 minutos, seguido por Salvador (97 minutos) e São Paulo (85 minutos). Os porto-alegrenses sofrem menos, com 56 minutos.

Já o tempo de espera principalmente por ônibus deixou a capital de Pernambuco em primeiro lugar. Os moradores de Recife chegam a esperar 35 minutos por um coletivo nos pontos. Salvador quase empata com 34 minutos. Depois estão Rio de Janeiro (29 minutos), Brasília (27 minutos) e Belo Horizonte (25 minutos).

Curitiba saiu-se melhor que as demais capitais avaliadas, como era de se esperar. Ainda assim os curitibanos ouvidos na pesquisa demonstraram um nível de satisfação muito baixo. Os soteropolitanos, entretanto parecem ser os brasileiros mais indignados com o transporte de sua cidade. E São Paulo merece destaque positivo com relação às suas linhas de metrô. O Sul do país teve melhores avaliações quanto ao transporte de trens, especialmente em Porto Alegre.

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De maneira geral, todos os entrevistados concordam que a pontualidade dos modais públicos precisa de um upgrade urgentemente.

O estudo da Proteste apresenta números médios de tempo de espera em pontos de ônibus e de demora para atravessar as oito capitais indo de casa para o trabalho e vice-versa. Afinal, é apenas uma pesquisa.

Na prática cotidiana, quem não sabe: tem dias – e não são poucos – em que a situação dos transportes coletivos são, de longe, muito, muito piores. Ainda.

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Imagem – Creative Commons

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Água: façam o que eu digo… Afonso Capelas Jr. - 13/02/2015 às 14:29

HO nível do Sistema Cantareira tem aumentado durante esses recentes dias. Muito bom. Mesmo assim as notícias da semana sobre a crise no abastecimento hídrico são de entristecer. Uma delas é a de que o consumo de água a sede do governo do estado de São Paulo – de onde deveria vir o exemplo – aumentou em 13% entre os meses de dezembro do ano passado e janeiro deste ano. A óbvia indignação dos paulistas bombou nas redes sociais.

Outra: no meio da semana, o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria revelando que 833 imóveis que sediam órgãos públicos municipais também tiveram aumento nas contas de água. Até mesmo o Palácio Anchieta, sede da Câmara Municipal paulistana – pasme! – está na lista dos gastões.

De acordo com o jornal, esses prédios representam 27% dos 3 128 endereços que sediam órgãos da prefeitura. Outras locações municipais que tiveram consumos maiores de água são o estádio do Pacaembu, o gabinete da Secretaria de Educação e até os cemitérios da Consolação e da Vila Formosa.

Mais uma preocupante notícia da semana, esta da Folha de S. Paulo: o governador do estado de São Paulo está “otimista” e pensando seriamente em adiar o rodízio de água na região metropolitana de São Paulo.

A possível decisão baseia-se em três pontos-chave, de acordo com o que o jornal apurou:

1 – O fato de que tem chovido bastante no mês de fevereiro, motivo pelo qual os reservatórios estão apresentando alta dos níveis de água;

2 – A interligação da represa Billings (aliás, altamente poluída) com o sistema Alto Tietê, que precisa ser concluída;

3 – A ampliação da capacidade de interligação entre sistemas para que bairros atendidos pelo Cantareira possam ser abastecidos pelo Alto Tietê e também Guarapiranga.

Assim, o governo espera que até março o Sistema Cantareira chegue a 10 ou 12% de sua capacidade para cancelar o rodízio este ano.

Será que ainda temos cacife para jogar com a incerteza na expectativa de que São Pedro desta vez será bonzinho e mandará grandes quantidades de chuva – quiçá bem em cima das nascentes e reservatórios do Cantareira?

E se a tal interligação Billings-Alto Tietê atrasar como, de fato, 99,9% das obras neste país atrasam?

E se os cálculos da companhia de saneamento básico do estado paulista – que acredita na manutenção de 10 mil litros de água por segundo no Sistema Cantareira em 2015 para evitar o rodízio – estiverem errados?

Já fomos vítimas de tanto otimismo e dos erros de cálculo governamental. Tanto que teríamos uma situação bem mais amena se o racionamento ou mesmo um leve rodízio fossem adotados lá no início de 2014.

A própria Agência Nacional de Águas (ANA) alertou sobre esse fato, em outra notícia, esta da Agência Brasil. Sobre a crise hídrica falou o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu falou que a restrição da oferta de água no Cantareiria deveria ter começado muito antes.

Andreu disse também que não adianta apenas controlar a água pela demanda, mas pela oferta possível de ser feita pelo sistema: “Temos que gerenciar o risco de ficarmos sem água. Se cinco dias sem água por dois com água conseguir fizer com que os reservatórios sejam recuperados, é ótimo que seja adotado. Porém, essa decisão foi protelada ao longo de um ano e não foi tomada”.  O receio, continua, “é que talvez o cinco por dois possa não dar a segurança necessária de que em novembro de 2015 ainda tenhamos água no Sistema Cantareira.

É de se refletir. Mas, afinal de contas, estamos no Carnaval. Então, melhor deixar essas preocupações para a semana que vem.

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AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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