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Como embalar meu lanche sem destruir a natureza? Afonso Capelas Jr. - 21/10/2014 às 14:21

LANCHELevo sanduíche para o trabalho todos os dias. O que é menos prejudicial para o meio ambiente: embrulhá-lo no papel filme ou no papel alumínio? Antes que você sugira, não rola guardar em um pote plástico porque ele desmonta todo. Thyago Zucoloto Afonso, Vila Velha, ES.

Thyago, como sempre para esse tipo de dúvida consultei o especialista em resíduos sólidos Sandro Donnini Mancini, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Sorocaba. Ele explica que tanto o chamado papel filme (que na verdade é feito de plástico PVC) quanto o papel alumínio são recicláveis.

Entretanto, Donnini acredita que o papel alumínio tem maiores chances de ir parar em uma máquina recicladora. Uma boa dica do especialista: “Ele é apenas alumínio laminado. Depois de usá-lo pode ser amassado e colocado dentro de uma lata de bebida. Assim ambos serão reciclados juntos sem problemas”.

Já o papel filme, embora reciclável, tem um composto químico que não permite a reciclagem junto de outras peças de PVC, como tubos e conexões de encanamentos, por exemplo. Seria preciso imensas quantidades dele para tornar seu reaproveitamento viável economicamente.

Acontece que o papel filme não é um resíduo tão frequente no lixo domiciliar. “Se forem misturados com outros tipos de plásticos (especialmente o polietileno, o mais comum) vão atrapalhar bastante o processo de reciclagem”, diz o especialista. Sandro Donnini alerta que é preciso ter o cuidado de não deixar muitos restos de alimentos em qualquer um dos dois materiais. “Principalmente no caso do plástico”.

Há uma outra opção interessante e certamente mais ecológica para proteger o seu sanduíche, Thyago: acondicioná-lo em um saquinho ou mesmo em um embrulho de… papel de verdade. O inconveniente é que seu lanche não pode ser muito gorduroso nem soltar algum tipo de líquido para que a embalagem seja aproveitada. “Em termos de mercado o papel tem bastante aceitação, assim como o alumínio, mas precisam estar livres de sujeira em excesso”, acredita Donnini.

Mas pense bem: mesmo que não seja reciclado o papel é um material orgânico que se decompõe com maior facilidade no meio ambiente. E essa é uma grande vantagem em relação aos outros materiais. Aí sim você pode colocá-lo embrulhado em papel dentro de um pote plástico sem que seu lanche desmonte. Que tal?

Imagem – Creative Commons

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Porque pedalar é bom para todos Afonso Capelas Jr. - 17/10/2014 às 15:18

BIKE_3_OKAndar de bike é bom para o ciclista e também para quem não pedala. Pode soar apenas como filosofia de amantes de bicicletas. Só que um recente estudo encomendado pela respeitada organização não governamental do Reino Unido Britsh Cycling garante que esse pensamento faz todo o sentido. A socióloga, especialista em transportes e autora do tratado, Rachel Aldred, prova por A mais B que andar de bicicleta nas cidades traz benefícios até mesmo para quem nunca subiu numa bike, nem pretende subir.

O veredicto final do estudo chamado Benefits of investing in cycling (Benefícios de investir no ciclismo): a autora acredita que o que ela chama de “ciclismo de massa” pode aliviar as contas do National Health Service (NHS) – o Sistema Nacional de Saúde britânico – em uma dezena de bilhões de libras em duas décadas, evitar 500 mortes anualmente nas ruas e reduzir drasticamente os níveis de poluição sonora e atmosférica.

Como a doutora Rachel Aldred chegou a essa conclusão: sabe-se que a obesidade e as doenças associadas à inatividade nas grandes cidades estão levando a uma sobrecarga nos sistemas de saúde pública. “Mais gente pedalando e caminhando em áreas urbanas na Inglaterra e no País de Gales, tanto quanto em Copenhague faria com que o NHS economize 17 bilhões de libras em 20 anos”, projeta a especialista.

De acordo com as pesquisas de Rachel, mais pessoas longe dos carros e se locomovendo de bicicleta – e também em caminhadas – diminuem a probabilidade de mortes no trânsito, o que parece óbvio. Menos carros também significam barulho de menos. Ela cita em sua pesquisa um estudo canadense dando conta de que a população que vive em cidades barulhentas por causa do trânsito de automóveis tem 22% mais chances de morrer por doenças do coração.

Acompanhe mais algumas das principais conclusões do relatório da doutora Rachel Aldred:

- Cada vez mais pessoas pedalando ajudaria a resolver inúmeras questões sociais e os benefícios seriam sentidos por todos, mesmo aqueles que ainda não andam de bike;

- Além de economizar muito dinheiro para os sistemas de saúde o ciclismo de massa pode aumentar a mobilidade das famílias mais pobres;

- Ciclovias ajudam a aumentar as vendas no comércio, ao contrário do que se pensa;

- Estacionamentos para bicicletas ocupam 8 vezes menos espaço do que os dos carros, ajudando a liberar áreas nas cidades;

- Substituir apenas 10% das viagens de carro por bicicletas reduziria a poluição do ar e economizaria 400 anos de vida produtiva;

- Adotar as rígidas normas holandesas de segurança pode reduzir acidentes com ciclistas em dois terços;

- A bicicleta pode melhorar o bem-estar psicológico;

- Planejar bem o ciclismo nas cidades permite o uso mais eficiente da rede de transportes públicos;

- Mais ciclistas nas ruas são mais pessoas se exercitando e fazendo uma população mais saudável;

- Mais ciclistas podem fazer as ruas mais seguras para todos;

- O ciclismo promove independência na juventude e em idades mais avançadas;

- Investir em bicicletas pode impulsionar a atividade econômica local;

- Bons projetos para o ciclismo ajudam a criar cidades mais agradáveis e habitáveis.

Se todas essas vantagens valem para o Reino Unido certamente valerão para as cidades brasileiras.

O estudo Benefits of investing in cycling, na íntegra (em inglês)

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Imagem – ECF/Flickr Commons

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Descarte de remédios: tem jeito? Afonso Capelas Jr. - 14/10/2014 às 16:21

DRUGS_OK_3Na Política Nacional de Resíduos Sólidos está contemplada a obrigatoriedade aos fabricantes/distribuidores/revendedores a coleta e logística reversa de remédios? Por que não se faz isso para absolutamente todos os sólidos perigosos? Se não há essa coleta na minha cidade como descartar de modo “menos inseguro” remédios, lâmpadas fluorescentes, produtos de higiene e cosméticos? Sandra Marques, Recife, PE.

Boas questões Sandra. Sim, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) contempla a logística reversa de remédios, bem como de todos os outros itens que você mencionou. Acontece que a lei ainda não está totalmente consolidada para esses produtos e o sistema ainda demora um tempo para ser estruturado. Isto porque eles são de descarte domiciliar.

Explico: porque os pneus são, hoje, um dos itens mais reciclados do país e o setor está perfeitamente em consonância com a PNRS? Porque são produtos de venda centralizada em lojas especializadas. Você compra um pneu novo e deixa o velho na própria loja. Ele será prontamente encaminhado para a reciclagem. Assim, foi bem mais fácil planejar o sistema de logística reversa dos pneus.

Já remédios, lâmpadas, produtos de higiene e cosméticos descartados no lixo de casa complicam a organização de um sistema eficiente de recolhimento de resíduos para a reciclagem.

Ninguém sabe, contudo, como será construída a logística reversa desses produtos. Onde e como recolhê-los? Para onde vão as substâncias contaminantes? Quem paga a conta desse serviço?

Fabricantes e governo estão nesse momento acertando seus ponteiros nesses e em outros pontos. No caso dos remédios, inclusive com a ajuda da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Essa etapa promete ser um tanto demorada.

Enquanto isso o que temos a fazer é descartar de modo menos inseguro, como você diz. No caso dos remédios – talvez os mais perigosos ao meio ambiente, principalmente aos mananciais – o melhor é procurar postos de coleta que pipocam nas grandes cidades, como drogarias e supermercados.

Em Recife, onde você mora, a rede de farmácias de manipulação Roval instalou máquinas coletoras de remédios vencidos em diversas lojas. A farmácia do hipermercado Bom Preço, de Boa Viagem, também os aceita. Em outras cidades redes como a Droga Raia, Drogarias São Paulo, além dos supermercados Pão de Açúcar e Extra mantêm esse serviço.

Com os cosméticos e produtos de higiene é ainda pior: não se tem notícias de postos de coleta para eles. O jeito é usá-los até o final e dentro do prazo de validade. Depois de vencidos – e sem outra alternativa – descarte-os junto com o lixo orgânico. Tome o cuidado de separá-los das embalagens.

Quanto às lâmpadas fluorescentes publiquei recentemente o post “Como descartar fluorescentes?”, o primeiro da séria série “Pergunte ao Afonso”. Coloquei lá algumas dicas e uma boa lista de postos de coleta em todo o Brasil. Você pode acessá-lo no link abaixo.

Leia também

Como descartar fluorescentes?

DF: farmácias são obrigadas a receber remédios vencidos

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Sustentável na Prática

AFONSO CAPELAS JR

é paulistano, jornalista e produz textos sobre meio ambiente, turismo ecológico e sustentabilidade desde que saiu da faculdade (ou seja, faz tempo). Colabora com a revista National Geographic e o site do Planeta Sustentável. Neste blog – atualizado às terças e sextas - debate com os leitores ideias sobre o que podemos fazer pela sustentabilidade em nosso dia-a-dia. Sem dor, sem chatice, sem imposição, mas com a consciência de que não vivemos mais a era do desperdício. Afinal, está na hora de enfrentarmos o século 21. Você tem dúvidas sobre como ser sustentável na prática? Então, pergunte para o Afonso! As mais relevantes serão respondidas aqui no blog. Seu e-mail é pergunteaoafonso@gmail.com

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