
Marina Santos, integrante do MST, diz que a jornada é uma forma de protesto das mulheres que querem denunciar o modelo agrícola e agrário “entreguista” do Brasil. Para a militante, os transgênicos são instrumentos que levarão à perda da soberania nacional e da autonomia dos camponeses brasileiros, na medida em que empresas transnacionais - como a Monsanto - se apropriam das sementes e passam a exigir pagamento de licença de uso de quem deseja plantá-las.
Funciona assim:
- Normalmente, quando um agricultor faz a colheita, ele guarda parte das sementes para fazer o plantio no ano seguinte.
- Com as transnacionais monopolizando – e patenteando! – as sementes, os agricultores terão de pagar royalties pelo uso das mesmas.
- Para piorar, os laboratórios que produzem sementes transgênicas retiram delas o seu poder reprodutivo – de propósito! A intenção é que, no próximo plantio, os camponeses tenham de comprar novas sementes, o que garante o controle das empresas sobre o produto patenteado.
- Além de tudo, quem vende as sementes transgênicas também vende os fertilizantes, que costumam matar as não-transgênicas (chamadas de crioulas). Com isso, a biodiversidade será cada vez menor.
O que mais deixa Marina indignada é com a artimanha do que se chama “contaminação”. Segundo ela, mesmo que um agricultor não queira plantar com sementes transgênicas, não está livre das transnacionais. Se ele estiver a até determinada quilometragem de distância de um produtor que utilize transgênicos, é obrigado a pagar royalties sob a argumentação de que sementes transgênicas são disseminadas pelo ar, por pássaros e outros animais e podem ter chegado até plantação dele. A integrante do MST conta que, no Rio Grande do Sul, agricultores já pagaram milhões pelo uso de soja transgênica.
“Existe o argumento de que os transgênicos vão acabar com a fome no mundo, mas isso é um grande equívoco. Temos um problema de falta de renda e não de falta de alimentos”, afirma o sociólogo Sérgio Amadeu. Ele também critica o aprisionamento do conhecimento e propõe: se houver necessidade de produção de alimentos em laboratório um dia, que seja criado algo nacional, que seja de domínio público. “A visão de aumento da produtividade é imediatista e não compensa a dependência externa. Na Europa, existem moratórias contra os transgênicos. Era a oportunidade de o Brasil exportar produtos naturais e ganhar dinheiro com isso”.