
Esse cenário potencializa as preocupações atuais da humanidade e é o ambiente de um livro escrito há 25 anos. Ignácio de Loyola Brandão, em Não verás país nenhum, previu o que o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla inglês) revelou no começo deste ano: o homem é, "muito provavelmente", o causador do aquecimento global.
O protagonista Souza interage com esse ambiente hostil e insustentável, sempre preocupado com o furo em sua mão que não pára de crescer. Loyola explicou, em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo, o que isso representa: "quem tem um furo é uma pessoa diferente. E os diferentes incomodam, os que se julgam normais ficam inquietos, ninguém gosta de inquietações, questionamentos".
Enquanto ainda pensamos sobre como o futuro pode se tornar febril, Loyola, há um quarto de século, jogou uma luz sobre o assunto. Basta ler o relato e constatar que, se nada mudar, o caos nos espera. Não é mais necessário imaginar no que pode se transformar nosso lar. Como afirma o próprio autor, "a literatura já tinha saído na frente da vida".