Blog da Redação
06/08/2009 às 18:50
2020: o dead line da humanidade

Entre os dias 4 e 7 de agosto, cerca de 200 cientistas e especialistas de 20 países estão reunidos em Belo Horizonte para o primeiro encontro da “2020 Campanha para Liderança Climática”, conhecido como Brasil 2020.

Na abertura do evento, Jim Garrison, presidente da ONG State of the World Forum, que organiza o movimento, disse que, nunca na história da humanidade vivenciamos um momento em que nossa espécie fosse tão ameaçada. Ele falou sobre o derretimento acelerado das calotas polares, o delego do Himalaia, que pode provocar inundações na Índia e na China e destruir as plantações de arroz e sobre o aumento do nível do mar, que deixaria toda a costa brasileira debaixo d’água. Garrison disse que as previsões do IPCC em 2007 eram claras ao afirmar que, se nada fosse feito para conter o avanço das mudanças climáticas, em 2020 seria tarde demais.

Por isso, o foco da campanha global é fazer com que todos os países reduzam suas emissões de carbono em 80% em relação aos níveis de 2006 até esta data. “Precisamos desesperadamente assumir a responsabilidade sobre o clima. Cada indivíduo, família, instituição, governo, nação, todos somos responsáveis pelo aquecimento global e temos que nos tornar líderes nessa questão. A escolha é urgente”, diz Garrison. Lester Brown, presidente do Earth Policy Institute, garante que todas as tecnologias necessárias para atingirmos essa meta já estão disponíveis, basta colocá-las em prática.

Emad Adly, coordenador do Egito na ONU para o Programa Global de Facilitação para as Questões de Meio Ambiente, ressaltou a importância de as estratégias de redução de emissões também contemplarem a adaptação aos efeitos das mudanças climáticas que já ocorrerão, inevitavelmente. “Somos responsáveis por apenas 6% das emissões do mundo, mas o impacto em nossas comunidades será enorme”. Adly sugere que além das parcerias entre os países do norte e do sul, haja parcerias entre os países do sul, que vão passar por situações semelhantes e podem aprender uns com os outros a lidar com as adversidades climáticas que estão por vir.

Por que o Brasil? Fomos escolhidos para o lançamento da campanha por uma série de motivos listados por Garrison como:
- a liderança climática requer pessoas e países que estejam em paz com outros;
- o Brasil possui uma população diversa, com feições parecidas com o restante do mundo;
- o país possui todas as contradições e circunstâncias, representando um microcosmo do mundo e
- somos capazes de celebrar a vida apesar de todos os nossos problemas.

Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, ainda lembrou que vivemos um momento especialmente propício para o tema da sustentabilidade no país. Alguns exemplos que comprovam esse fato são:
- o 10º Congresso da CUT, de 3 a 7 de agosto, tem como um dos pilares a preocupação com a sustentabilidade econômica, social e ambiental. “Essa é a primeira vez em que um movimento sindical aborda esse tema”, diz Young;
- o CEBDS -Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável realiza, neste momento, o evento Sustentável 2009 e
- Marina Silva foi convidada pelo Partido Verde a lançar sua candidatura à presidência em 2010 após uma pesquisa que revelou que a senadora teria, hoje, 12% das intenções de votos. “Isso, automaticamente, obriga Serra e Dilma a incluírem a sustentabilidade em suas agendas”, observa Ricardo Young.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, concorda que o Brasil vem avançando bastante no último ano, mas ainda há muito a ser feito. Ele lembra que o Plano Nacional de Mudanças Climáticas tem como meta reduzir o desmatamento na Amazônia em 70%, o que deve diminuir nossas emissões de carbono em 4 bilhões de toneladas – volume superior à meta de todos os países juntos que assinaram o Protocolo de Kyoto. E ainda afirmou que, em 2010, o Plano será atualizado com metas para todos os biomas brasileiros.

Minc diz que, de acordo com os dados divulgados pelo INPE, teremos, em 2009, a menor taxa de desmatamento dos últimos 20 anos. Ele ainda anunciou que, até o final do mês, terão início os projetos financiados pelo Fundo Amazônia e que devem incentivar a economia sustentável na região.

Na manhã desta quinta, tivemos notícia de que os participantes do evento Brasil 2020 escolheram os principais temas a serem trabalhados no período da tarde e amanhã e que darão a tônica das ações a serem desenvolvidas para atingirmos a meta maior de reduzir as emissões de carbono em 80% até 2020. São eles:
- educação e comunicação;
- energia;
- ecossistemas;
- economia;
- nova história;
- governança;
- valores e estilos de vida;
- infraestrutura e
- dinâmica do sistema.

O Planeta Sustentável esteve no evento na terça e na quarta-feira e fez a cobertura dos principais momentos via Twitter. Confira no @psustentavel .






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A redação do Planeta Sustentável é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente e transversal, tradutível em múltiplas linguagens, necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes e as repórteres Thays Prado, Débora Spitzcovsky e Manoella Oliveira comentam as matérias do site, indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades sobre cultura, sociedade, meio ambiente, mudanças climáticas, negócios sustentáveis e outros temas.
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