Começa segunda semana em Poznan
Hoje, no costumeiro resumo que o secretário-executivo da 14ª COP faz à imprensa sobre as principais questões em pauta a cada dia de conferência, Yvo de Boer comentou que os países têm procurado avançar nos assuntos em discussão em vez de manter suas posições tradicionais.
No tema da adaptação, além de aproveitar o exemplo de países que já tiveram de lidar com as conseqüências das mudanças climáticas, os participantes têm procurado identificar barreiras que dificultam o processo, além de desenvolver mecanismos que garantam a segurança de cada lugar. Boer comentou que, sem isso, ninguém vai querer investir dinheiro para atividades econômicas em ilhas que correm o risco de submergir.
Em relação ao desmatamento, as discussões prosseguiram em torno dos créditos de carbono e os incentivos financeiros para a preservação das florestas, mas também se falou sobre as condições de vida da população indígena e como ela tem se relacionado com as mudanças climáticas, assunto que deve ser discutido por um conselho especial durante o ano que vem, antes de Copenhague.
Para Yvo, até agora, as discussões serviram como um bom empurrão para que, a partir de quarta-feira, com a chegada dos ministros e presidentes dos países, possa se chegar a decisões e conclusões políticas que nos guiem à Conferência de Copenhague, no final de 2009, quando será fechado um acordo final entre as nações sobre as questões do clima. Confira as considerações de Boer no vídeo abaixo.
No entanto, em um
artigo publicado no jornal britânico “The Guardian”, no sábado, Kevin Watkins, um pesquisador de governança econômica global, da Universidade de Oxford, criticou as promessas vagas que têm sido feitas em Poznan e disse que o mundo precisa de uma outra arquitetura de cooperação entre países ricos e pobres para que o acordo funcione.
Watkins lembrou o compromisso que os países desenvolvidos devem assumir na redução de 80% de suas emissões até 2050 e afirmou que, apesar de as metas do governo britânico serem ambiciosas, são também incoerentes com as atuais políticas de energias renováveis. Para ele, a saída para que as metas de redução sejam efetivamente cumpridas está na taxação das emissões de carbono e nos incentivos às novas tecnologias limpas.
O pesquisador ainda defendeu que os países ricos possibilitem um pacto global de combate às mudanças climáticas, visto que, além de a população mais vulnerável estar nos países em desenvolvimento, até 2030, essas nações devem contribuir com o aumento das emissões em 30% se nada for feito.
Kevin Watkins espera que três questões sejam discutidas em Poznan na intenção de se criar um pacto global sobre elas:
- um plano de ação para a adaptação que inclua regiões como a África, o sul da Ásia e outros locais de alto risco;
- investimentos anuais de U$17 a U$30 bilhões anuais para reduzir os índices de desmatamento pela metade e diminuir em 10% as emissões de gases de efeito estufa e
- realização de um “Plano Marshall” de baixo carbono para financiamento e transferência de tecnologias.
Ele conclui o artigo argumentando que nos últimos meses os governos dos países ricos moveram montanhas de recursos financeiros para proteger a integridade de seus sistemas bancários e se pergunta: “Qual é o preço da integridade ecológica de nosso planeta, do bem estar das futuras gerações e de nosso compromisso com os pobres do mundo?
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