Primeiro dia em Poznan

Cerca de onze mil participantes – entre delegações governamentais de 186 países, representantes dos setores de negócios e das indústrias, organizações ambientais e instituições de pesquisa – ficarão reunidos em Poznan, na Polônia, até o dia 12 de dezembro, para a 14ª Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas*, e vão dar andamento às negociações em torno de uma agenda global para as questões do clima.
O acordo de cooperação global de longo prazo, que vai estipular o que o cada país fará, tanto em termos financeiros, quanto tecnológicos, para frear o aquecimento global, diminuir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e promover as adaptações necessárias às conseqüências que o planeta, inevitavelmente, irá sofrer por conta das mudanças climáticas, só será fechado no final do ano que vem, na 15ª Conferência das Nações Unidas, em Copenhague (Dinamarca).
Por enquanto, as discussões vão girar em torno do documento de 82 páginas – uma compilação das mais de 700 páginas com propostas enviadas por diversas nações ao longo desse ano –, sobre o qual os governantes vão trabalhar durante os onze dias seguintes e refinar seus objetivos para Copenhague.
Neste primeiro dia, o brasileiro Luiz Figueiredo Machado, chefe do departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério de Relações Exteriores e coordenador do grupo de trabalho para a ação cooperativa de longo prazo, observou que esta é a primeira oportunidade que os países estão tendo de discutir não apenas idéias, mas de se posicionar acerca de propostas específicas.
Na abertura em Poznan, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, enfatizou a urgência de se fazer progressos nas negociações durante esses doze dias, já que as previsões do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas são preocupantes. Já o ministro do Meio Ambiente e presidente do encontro, Maciej Nowicki, alertou para a necessidade de se repensar o modelo de desenvolvimento econômico, uma vez que o business as usual não é mais uma opção a ser considerada.
O coordenador do grupo de trabalho dos países do Anexo I do Protocolo de Kyoto, Harald Dovland, acredita que o foco em Poznan deve ser a redução das emissões de gases de efeito estufa para os países industrializados de 25 a 40% em relação aos níveis do ano de 1990. Mas também serão amplamente abordados os tipos de mecanismos financeiros, tecnológicos e de infra-estrutura necessários para ajudar os países em desenvolvimento a reduzir suas emissões e estimular o desenvolvimento sustentável.
O secretário-executivo da conferência, Yvo de Boer, acrescentou que assuntos como adaptação, finanças, tecnologia e redução de emissões provenientes da degradação florestal precisam estar em pauta.
Boer ainda disse que os países devem usar a crise econômica em favor do desenvolvimento sustentável e descobrir de que maneira a mitigação e adaptação às mudanças climáticas pode ser financiadas por si mesmas e como conciliar as políticas voltadas para o clima e a recuperação da economia mundial.
Especificamente sobre o tema da adaptação, a expectativa é que os países finalmente cheguem a um acordo sobre a criação de um “Fundo de Adaptação do Protocolo de Kyoto”, que deve estar pronto a financiar projetos já no ano que vem.
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14ª Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas
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