Todos os olhares estão voltados para as mudanças climáticas neste momento, mas o planeta enfrenta uma série de problemas socioambientais – pobreza, negligência em relação aos direitos humanos, corrupção, crise econômica, escassez de recursos naturais e perda da biodiversidade estão entre eles.
“Não dá para resolver um problema de cada vez, não há tempo para isso”, afirma Mohan Munasinghe, vice-presidente do IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, que defende o combate à pobreza e às mudanças climáticas simultaneamente.
Ele argumenta que os países pobres são os que mais sofrerão com os efeitos do aquecimento global e lembra que foram investidos U$4 trilhões para salvar os Estados Unidos da crise financeira, mas apenas U$100 bilhões são necessários para acabar com a pobreza no mundo. Munasinghe diz que proteger os países mais vulneráveis deve ser uns focos da 15ª COP – Conferência das Partes, da ONU, que acontece em Copenhague no final do ano e definirá ações para conter as mudanças climáticas.
Na opinião do Nobel, para começar, seria necessário usar o pacote financeiro para investimentos de longo prazo nos setores de energias renováveis e florestas e no desenvolvimento social. Munasinghe diz que em vez de pensarmos apenas em um G20 – o grupo de 20 países industrializados e em desenvolvimento focados em questões econômicas –, seria importante aliar forças de um C20 – composto por líderes da sociedade civil (civil society leaders) – e de um B20 – formado pelos líderes de negócios (business leaders).
As ideias fazem parte de um conceito criado pelo próprio Munasinghe: o Sustainomics, que integra meio ambiente e desenvolvimento social à questão econômica, pensa em soluções do tipo “ganha-ganha” e defende que a atuação para a resolução dos problemas globais está na transdisciplinaridade – unindo ciências naturais, sociais, engenharias e humanidades. “Precisamos transpor as barreiras, pois a saída não vem da medicina, da lei ou da economia sozinhas”, diz.
Também é objetivo do Sustainomics conciliar os problemas dos países pobres – como promoção de desenvolvimento, consumo e crescimento, redução da pobreza e igualdade – com os dos países ricos – como redução dos recursos naturais, poluição, crescimento populacional e econômico insustentável.
O conceito só prova que todos os elementos que compõem o planeta estão, de fato, conectados e que o segredo está em enxergar a vida como um todo integrado e não como partes fragmentadas.

A entidade possui um aterro industrial de 27 hectares, ou quase 30 campos de futebol, que recebe, todo mês, cerca de 500m³ de resíduos classe I – isto é, materiais perigosos para o meio ambiente, como pilhas, baterias e outros objetos impregnados com tintas, óleos e solventes – e 300m³ de resíduos classe IIA – ou seja, materiais não inertes, como o lixo doméstico
Todos esses resíduos são enterrados e impermeabilizados com argila, entre outros materiais, que garantem que o lixo que foi depositado no local não irá contaminar o solo e os lençóis freáticos e ainda evitam a formação de percolado – um líquido escuro e com forte odor, que possui alto potencial toxicológico, e se forma a partir de resíduos classe I e IIA.
O aterro da PROAMB é inspirado em um projeto alemão e obedece a rigorosas normas técnicas de segurança, nacionais e internacionais, que garantem que a atividade, realmente, protege o meio ambiente. No entanto, o espaço, uma hora ou outra, irá acabar. No caso da PROAMB, estima-se que a vida útil do aterro será de 25 anos.
Sendo assim, fica a dúvida: será que a melhor forma de lidar com o nosso lixo industrial, realmente, são os aterros ou estamos adiando a criação de uma alternativa mais eficaz para o problema?