Blog da Redação
02/07/2009 às 10:00

Todos os olhares estão voltados para as mudanças climáticas neste momento, mas o planeta enfrenta uma série de problemas socioambientais – pobreza, negligência em relação aos direitos humanos, corrupção, crise econômica, escassez de recursos naturais e perda da biodiversidade estão entre eles.

“Não dá para resolver um problema de cada vez, não há tempo para isso”, afirma Mohan Munasinghe, vice-presidente do IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, que defende o combate à pobreza e às mudanças climáticas simultaneamente.

Ele argumenta que os países pobres são os que mais sofrerão com os efeitos do aquecimento global e lembra que foram investidos U$4 trilhões para salvar os Estados Unidos da crise financeira, mas apenas U$100 bilhões são necessários para acabar com a pobreza no mundo. Munasinghe diz que proteger os países mais vulneráveis deve ser uns focos da 15ª COP – Conferência das Partes, da ONU, que acontece em Copenhague no final do ano e definirá ações para conter as mudanças climáticas.

Na opinião do Nobel, para começar, seria necessário usar o pacote financeiro para investimentos de longo prazo nos setores de energias renováveis e florestas e no desenvolvimento social. Munasinghe diz que em vez de pensarmos apenas em um G20 – o grupo de 20 países industrializados e em desenvolvimento focados em questões econômicas –, seria importante aliar forças de um C20 – composto por líderes da sociedade civil (civil society leaders) – e de um B20 – formado pelos líderes de negócios (business leaders).

As ideias fazem parte de um conceito criado pelo próprio Munasinghe: o Sustainomics, que integra meio ambiente e desenvolvimento social à questão econômica, pensa em soluções do tipo “ganha-ganha” e defende que a atuação para a resolução dos problemas globais está na transdisciplinaridade – unindo ciências naturais, sociais, engenharias e humanidades. “Precisamos transpor as barreiras, pois a saída não vem da medicina, da lei ou da economia sozinhas”, diz.

Também é objetivo do Sustainomics conciliar os problemas dos países pobres – como promoção de desenvolvimento, consumo e crescimento, redução da pobreza e igualdade – com os dos países ricos – como redução dos recursos naturais, poluição, crescimento populacional e econômico insustentável.

O conceito só prova que todos os elementos que compõem o planeta estão, de fato, conectados e que o segredo está em enxergar a vida como um todo integrado e não como partes fragmentadas.



01/07/2009 às 08:00

Escândalos políticos não são nenhuma novidade no país, pelo contrário, em questão de minutos se transformam em charges, notícias, temas de artigos, posts e rodas de conversa. Mas qual foi a última vez que uma quantidade expressiva de brasileiros saiu às ruas para se manifestar contra desvio de verba pública? E isso é realmente necessário? No dia da Cidadania, fazemos um convite à reflexão.

O comportamento dos brasileiros pode parecer a mais pura apatia, mas pode ser também que eles (e milhões de outras pessoas pelo mundo) tenham descoberto outras formas de se posicionar além da luta institucionalizada e do panelaço. Uma delas é o uso inteligente da internet, muito criticada por ser apenas um “escritinho” na tela do computador de alguém assentado confortavelmente em sua cadeira e, por outro lado, uma maneira de multiplicar os envolvidos na causa em pouquíssimo tempo.

O Fora Sarney, movimento que está fervendo no Twitter, é um bom exemplo de que atividades virtuais podem ter força no mundo real, inclusive para pressionar a política brasileira, tão manchada, que muitos dos cidadãos já desistiram de tentar pressionar. Pela rede, é possível acompanhar os últimos acontecimentos da crise seguindo a página forasarney – que até agora tem quase 3 mil seguidores - assim como se comunicar com políticos brasileiros usuários e com outros internautas mobilizados.

O senador José Agripino já twittou a respeito e a conversa já chegou até Sarney que, por meio da sua assessoria disse que não irá tomar medidas legais por ser uma manifestação política, perfeitamente cabível em uma democracia.

Já em lugares não tão democráticos assim, como o Irã, o Twitter também tem cumprido seu papel. Como um dos temas mais recorrentes, o clima de tensão, conflito e censura no país tem inspirado formas alternativas de divulgação de informações, já que os jornalistas foram tocados do território. Até mesmo as forças armadas estão envolvidas na rede social e existem orientações de como burlar a tentativa de censura do país.

Vale a pena fazer barulho em Brasília ou num banquinho no centro da cidade, mas se movimentar pela Internet também pode ser uma maneira eficaz de exercer sua cidadania. Posicione-se!

Foto: Antônio Cruz

30/06/2009 às 20:27

Já ouviu falar na PROAMB? Trata-se da Fundação Bentogonçalvense Pró-Ambiente que atua, há 17 anos, na área de meio ambiente e hoje é responsável pela destinação dos resíduos sólidos industriais gerados no Rio Grande do Sul e, principalmente, na Serra Gaúcha.

A entidade possui um aterro industrial de 27 hectares, ou quase 30 campos de futebol, que recebe, todo mês, cerca de 500m³ de resíduos classe I – isto é, materiais perigosos para o meio ambiente, como pilhas, baterias e outros objetos impregnados com tintas, óleos e solventes – e 300m³ de resíduos classe IIA – ou seja, materiais não inertes, como o lixo doméstico

Todos esses resíduos são enterrados e impermeabilizados com argila, entre outros materiais, que garantem que o lixo que foi depositado no local não irá contaminar o solo e os lençóis freáticos e ainda evitam a formação de percolado – um líquido escuro e com forte odor, que possui alto potencial toxicológico, e se forma a partir de resíduos classe I e IIA.

O aterro da PROAMB é inspirado em um projeto alemão e obedece a rigorosas normas técnicas de segurança, nacionais e internacionais, que garantem que a atividade, realmente, protege o meio ambiente. No entanto, o espaço, uma hora ou outra, irá acabar. No caso da PROAMB, estima-se que a vida útil do aterro será de 25 anos.

Sendo assim, fica a dúvida: será que a melhor forma de lidar com o nosso lixo industrial, realmente, são os aterros ou estamos adiando a criação de uma alternativa mais eficaz para o problema? 



Blog da Redação

Por:
Mônica Nunes,
Thays Prado,
Manoella Oliveira e
Débora Spitzcovsky

A redação do Planeta Sustentável é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente e transversal, tradutível em múltiplas lingüagens, necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes e as repórteres Thays Prado, Manoella Oliveira e Débora Spitzcovsky comentam as matérias do site, indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades sobre cultura, sociedade, meio ambiente, negócios sustentáveis e outros temas. Já passaram por aqui outros colaboradores, cujos textos "recheiam", com competência, o arquivo deste blog: Daniela Silva, Thiago Carrapatoso, Isabel Braga, Danilo Romeiro, Érica Georgino e Roberta Ávila.
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