
Se você é do tipo que só reclama da sua cidade, especialmente de São Paulo, mas não mexe um músculo para mudar nada ao seu redor, então, preste atenção nesta história.
Era uma vez a síndica de um prédio que instalou a coleta seletiva para os moradores. Ao reparar no que as pessoas jogavam fora, ela descobriu que os impacientes paulistanos estavam se livrando de orquídeas! Pois é, todos que ganhavam a planta de presente, ao ver que ela perdia suas flores depois de um tempo, pensavam que ela estava morta. Não sabiam que, depois de um ano, a orquídea dá lindas flores novamente.
A síndica - Adriana Irigoyen – resolveu, então, pegar todas orquídeas descartadas e replantá-las nas árvores da rua onde mora, no Jardim Europa. Encontrou no vizinho do prédio ao lado, o advogado Paulo Visani Rossi, e em Mário Bertinatto, engenheiro agrônomo que também mora em seu prédio, ótimos aliados para esta empreitada. Juntos, os três passaram a cultivar plantas e amigos.
Amigos, sim, porque o plantio das orquídeas trouxe mais do que um pouco de verde para a rua. “Desenvolvemos um senso de comunidade muito forte no quarteirão. Hoje, chamo os policiais da rua pelo nome, os vizinhos se conhecem, levam os cachorros para passear juntos, nem parece que estamos numa cidade anônima como São Paulo”, comenta Adriana.
Nascida na Argentina, ela mora há 15 anos no Brasil. Há três em São Paulo. Como arquiteta que é, acredita que a natureza e a arquitetura não podem ser vistas como coisas diferentes.
Adriana sabe que a sua iniciativa pode ajudar a mudar muito “a cara” da cidade. Ela sabe que os problemas da metrópole vão muito além da falta de verde e passam pela falta de cidadania mesmo, mas acredita que, se cada um fizer a sua parte, as mudanças serão visíveis e tangíveis. “Eu não posso resolver o problema do trânsito, mas eu posso deixar o meu carro na garagem e andar a pé, e posso deixar o bairro um pouco mais verde”, diz.
Hoje, uma empresa que organiza festas, no bairro onde mora Adriana, doa flores que foram descartadas – às vezes por defeitos mínimos – para que sejam replantadas por estes “caçadores de orquídeas”. As plantas usam as árvores apenas como suporte, sem danificá-las, pois não são parasitas.
Esta semana, eles estão comemorando uma vitória: depois de seis meses de projeto, o nascimento da primeira flor em uma das orquídeas que poderia estar num lixão.
Fica a mensagem: até no lixo há quem encontre vida e flores.