Pra lá e pra cá
15/05/2008 ÀS 16:50
Metrô caro demais

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor acaba de publicar o resultado de uma pesquisa sobre o custo dos bilhetes unitários do metrô em 15 cidades. Foram comparados os preços das passagens com o salário mínimo. Resultado: entre todos os locais pesquisados, São Paulo e Rio de Janeiro são as cidades com o metrô mais caro para os trabalhadores. Nas duas maiores metrópoles brasileiras, o salário mínimo compra apenas 172 passagens -- a metade do que pode ser comprado em Recife, por exemplo.

Mas e o comprimento das linhas? Alguém poderia sugerir que, quanto mais trilhos, mais caro o bilhete. Mas a pesquisa do IDEC não permite essa conclusão. Tóquio tem mais de 300 quilômetros de linhas de metrô e Santiago, mais de 500 km. Em ambas as cidades, o preço do bilhete unitário corresponde quase à metade do praticado em São Paulo ou no Rio. Também na Cidade do México -- onde os problemas urbanos são, em grande parte, semelhantes aos das megacidades brasileiras -- o metrô é, ao mesmo tempo, mais barato e mais extenso.

Então, o que justificaria o preço do metrô de São Paulo? Essa foi a pergunta que o jornal "O Estado de S.Paulo" fez ao Metrô. Resposta oficial: "A tarifa não é mais baixa, nem mais alta. É a ideal para cobrir nossos custos." Mas também tenho dúvidas sobre isso. Na verdade, o governo estadual injeta recursos na companhia, sempre que preciso.

Na outra ponta da lista do IDEC está Buenos Aires. Lá o mínimo adquire 1.079 viagens na rede radial de metrô. Acho que, em seu caminho de saída da crise, a capital argentina acerta ao manter acessível as viagens de metrô para a população que ganha salário mínimo. Mobilidade significa acesso às oportunidades sociais, econômicas e culturais que a cidade oferece.



A Casa da Cidade organiza três debates sobre mobilidade em São Paulo. Entre os palestrantes, o professor Flavio Villaça e Nazareno Affonso, do Instituto Rua Viva. Mais informações no site da associação.



A agência de notícias da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias me enviou perguntas sobre o pedágio urbano em São Paulo. As respostas foram publicadas aqui. E, como sempre, você pode concordar, discordar ou escrever alguma coisa aqui embaixo.



Pra lá
e pra cá


Por Thiago
Guimarães

Thiago Guimarães é, antes de tudo, paulistano. Com o apoio da Fundação Heinrich Böll (ligada aos verdes alemães), cursa o mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, em Hamburgo. É autor de "Pedágio urbano: teoria e prática", estudo que recebeu da Universidade de São Paulo (USP) o Prêmio de Excelência Acadêmica de 2007. Aqui, neste blog, quer promover discussões e reflexões sobre mobilidade urbana com todos que se preocupam com o futuro das cidades.
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