Encabeçando uma aliança intergovernamental para coletar investimentos na expansão da raquítica rede metroferroviária da metrópole, Kassab anunciou a nova linha de 9,5 km que deverá ligar a Freguesia do Ó à estação São Joaquim, da Linha 1. A prefeitura também divulgou rotas alternativas para os trajetos de automóvel (trajetos esses criticados por quase todos os grandes jornais paulistas), um plano de melhorias em 19 corredores de ônibus e o projeto de aumento da restrição ao estacionamento de veículos em 17 vias consideradas estratégicas. Além disso, Kassab cogita expandir o horário do rodízio de veículos em duas horas por dia.
Não se sabe como essas decisões foram tomadas e nem exatamente quais os resultados que podem ser obtidos com essas medidas. O prefeito, sozinho, não queria lançar o PAC Paulistano. Em diversas ocasiões, chegou a descartar o enrijecimento das restrições à circulação dos automóveis. Foram os crescentes índices de lentidão nas ruas da cidade e sua repercussão evidentemente negativa na mídia que o fizeram rever sua opinião, sem levar em conta a posição de órgãos técnicos. Até o final do ano passado, a CET descartava pelo menos dois dos projetos recém anunciados por Kassab.
A proibição de estacionamento em vias do centro expandido consta em projeto de lei do vereador Ricardo Teixeira (PSDB), mas não estava nos planos da CET. “Do ponto de vista de fluidez e de segurança, onde deveria ser proibido já é proibido. E isso está em constante avaliação por nossos técnicos”, afirmou o diretor de operações da companhia, Adauto Martinez Filho.
A CET tampouco apoiava qualquer endurecimento do rodízio em São Paulo, incluindo a extensão dos horários de vigência. Kassab estuda aumentar em uma hora pela manhã e uma hora pela tarde o período diário de vigência do rodízio. Para Martinez Filho, o problema dos congestionamentos deveria ser enfrentado com uma melhor fiscalização. Sustentado pelos resultados de um estudo realizado em 2005, o diretor disse: “Primeiro vamos fazer valer o rodízio como está para depois pensar em outras medidas.” Segundo a CET, cerca de 10% dos veículos circulantes desrespeitam a restrição no período matutino e 12% à tarde – índices bem superiores aos verificados onze anos atrás, quando o rodízio começou a vigorar na cidade.
Sabendo que a questão do trânsito e dos transportes será um dos grandes, talvez o principal tema da campanha deste ano para a Prefeitura, Kassab sai do imobilismo. Porém, o anúncio do PAC é uma atitude atrasada e insuficiente para livrar sua gestão de críticas com relação ao que fez e deixou de fazer pela mobilidade urbana. O PAC também demonstra que simplesmente não existe uma política continuada para o trânsito e os transportes em São Paulo. Neste terreno, prefeitos estão livres para fazerem o que quiserem, inclusive gastar dinheiro público em medidas que contradizem a posição de órgãos técnicos e, pior, que não deverão aliviar o problema dos cidadãos.
Esse texto se baseia em informações obtidas junto à Companhia de Engenharia de Tráfego em outubro de 2007. Em função do anúncio das novas medidas pelo prefeito, a CET foi procurada, mas, até o momento da publicação deste texto, não respondeu as perguntas enviadas por e-mail.