Pra lá e pra cá
14/02/2008 ÀS 09:46
Mais metrô em São Paulo


Parece que agora é para valer. Após quatro panes que paralisaram subitamente os vagões em janeiro, o Metrô anuncia que irá investir em um sistema mais moderno para a Linha 3 – não custa lembrar, a mais lotada do mundo. Com o novo sistema, o passageiro da Linha Leste-Oeste aguardará apenas 80 segundos pelo trem. Atualmente, a espera mínima é de 101 segundos.

Chato é ter de constatar que, mais uma vez, o anúncio de novas medidas em infra-estrutura só é feito depois que tragédias eclodem. Foi assim com o apagão elétrico, o apagão aéreo e, mais recentemente, com o quadro de crise do metrô de São Paulo. Não bastaram anos de plataformas cada vez mais lotadas de segunda a sexta-feira; foram necessárias quatro panes em quatro semanas para que um projeto fundamental saísse do papel.

Dia desses li no Valor Econômico: "Decisões políticas provocaram apagão do Metrô paulista". O título não traz nada de novo, mas chama a atenção para algo que não podemos esquecer. De acordo com a reportagem, aumentar em 12% a capacidade de transporte de passageiros por meio de um sistema mais moderno é parte de um pacote de investimentos de R$ 16 bilhões. Pacote esse que demorou a sair, conforme alerta há muito tempo o sindicato dos metroviários.

Além do aumento da frequência de trens na “hora do rush”, seria importante estender o horário de funcionamento do transporte sobre trilhos na metrópole. O metrô funcionará uma hora a mais no fim do horário de verão, mas bem que poderia ser assim todo dia. Seria um grande passo na direção de um metrô tempo integral em São Paulo. O metrô 24 horas tem um significado para lá de especial em uma cidade com uma efervescente vida noturna, mas ainda muito amarrada ao “andar de automóvel”. Será que algum dia ele vai ser realmente 24 horas?

Da última vez, cheguei segundos atrasado à estação Consolação. O fiscal nem tinha acabado de bloquear todas as catracas, mas me disse: “Desculpe, a estação fechou.” “Mas, poxa, nem é meia-noite e meia ainda...” Nem choro, nem vela. Tive de subir a escadaria e me colocar à espera de um ônibus que, alguma hora, chegou. Sou eu um caso único em uma aglomeração de 20 milhões de habitantes?

Também acho a extensão do horário do metrô importante quando penso no número cada vez maior de megaeventos que acontecem na cidade. Quanta gente não chega a tudo o que acontece na região da Paulista pelo metrô? Quem foi à Virada Cultural do ano passado deve ter reparado na quantidade de gente na Estação Sé. Alguns simplesmente se esqueceram de sair da estação. Ficaram ali mesmos, sentados em roda, no chão, e curtiram a noite ao som de violão.

Se não der para ser 24 horas, 7 dias por semana (como em Nova York), que opere pelo menos nas noites de sextas e sábados, com um tempo de espera maior. Em Berlim, o sistema de transporte sobre trilhos (formado pelo metrô e pelo S-Bahn) repousa da 1h30 às 4h da manhã, de domingo a quinta. Sexta e sábado, os trens também vão para a balada.




Pra lá
e pra cá


Por Thiago
Guimarães

Thiago Guimarães é, antes de tudo, paulistano. Com o apoio da Fundação Heinrich Böll (ligada aos verdes alemães), cursa o mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, em Hamburgo. É autor de "Pedágio urbano: teoria e prática", estudo que recebeu da Universidade de São Paulo (USP) o Prêmio de Excelência Acadêmica de 2007. Aqui, neste blog, quer promover discussões e reflexões sobre mobilidade urbana com todos que se preocupam com o futuro das cidades.
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