Corre, que a gasolina vai aumentar
A família reunida sentava-se apreensiva à frente da televisão. Pontualmente às oito horas começava o telejornal com a música de sempre. Em geral, era o Cid Moreira quem aparecia logo depois da vinheta. E de repente vinha o anúncio do aumento do preço dos combustíveis a partir da manhã do dia seguinte. Os anos oitenta se passaram, mas ainda me é fresca a lembrança de meu avô saindo correndo até o posto de gasolina mais próximo para encher o tanque nos tempos de alta inflação no Brasil.
Vinte anos depois, sem a descontrolada inflação e sem o Cid Moreira à frente do Jornal Nacional, o preço do barril de petróleo assusta e leva os motoristas a esgotar os estoques de alguns postos de combustível. Pelo menos é o que está acontecendo na Alemanha, informa reportagem do
Spiegel Online. Se o litro da gasolina baixa de € 1,40 a € 1,36, filas de automóveis se formam e, em algumas cidades, o produto desaparece.
Mas além do encarecimento da gasolina, outras notícias ruins buzinam no ouvido do motorista alemão nesta época de Natal. O preço da inspeção veicular obrigatória deve subir entre 6,5% e 12%. Isso sem falar nas multas para quem, por exemplo, encosta na traseira do carro da frente em alguma estrada: fazer este tipo de "pressão" custará 400 euros. O reajuste do valor de diversas outras multas também está sendo revisto.
E por fim: cresce o cerco aos veículos mais poluidores. Diversas cidades planejam proibir o acesso dos carros menos eficientes a seus centros. A começar por Berlim e Colônia. A partir do reveillón, somente terão direito de acessar a área central os carros com "etiquetas ambientais", que informam quanto material particulado é produzido pela combustão. O mesmo valerá em breve para várias outras cidades de grande porte, como Munique e Stuttgart, entre outras.