E POD?
Mês passado recebi cartinha do Metrô. Era o aviso de que, em breve, seríamos entrevistados para a Pesquisa Origem-Destino. Realizada a cada dez anos, a POD é o melhor diagnóstico da mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo que conheço e tem sido uma das principais fontes de dados para planos de transporte. (Se esses planos saem do papel ou não, aí já são outros quinhentos...)
Eu, que nunca abri a porta para o Ibope e desconfiava das pesquisas de opinião para a prefeitura da cidade, até que fiquei feliz ao saber que participaria da OD 2007. Dias depois, o Danilo telefona e agenda a entrevista. Conversa marcada com todos os moradores da casa para uma sexta-feira às 9 horas da manhã. Sobrou até para minha irmã, que estava apenas de passagem por São Paulo.
Além de dados pessoais, o pesquisador queria saber pormenorizadamente todas as viagens que fizemos no dia anterior. Para onde fui, quando parti, quando voltei, como cheguei lá. Durante a semana inteira havia seguido certa rotina. Mas exatamente aquela quinta-feira, véspera da entrevista, havia sido um dia bastante excepcional para mim. Fui a um shopping center e a um supermercado no começo da tarde, tive de correr até a farmácia à noite. Tudo isso foi registrado. Do meu pacato cotidiano, o Danilo não quis nem ouvir.
Claro que fiquei pensando no viés que a pesquisa poderia carregar consigo. Apesar da pulga atrás da orelha, acredito que, no final das contas, a POD trará um retrato atualizado e fiel de como anda São Paulo. A nova edição do levantamento responderá em que medida a proporção de viagens feitas por meios individuais é maior que a de meios coletivos e como vai a relação entre renda familiar e mobilidade. São dados fundamentais para conceber e administrar políticas de transporte mais eqüitativas em nossa metrópole.