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Remédios no ambiente afetam vida selvagem e ecossistemas José Eduardo Mendonça - 15/10/2014 às 15:14

Estudo busca avaliar impacto

Substâncias farmacêuticas levadas ao ambiente pelo esgoto podem ser uma causa oculta da crise global da vida selvagem, de acordo com novo estudo. Cientistas advertem que o uso global de drogas, projetadas para serem biologicamente ativas em baixas concentrações, está aumentando rapidamente, embora saiba-se pouco sobre seu efeito no mundo natural.

São raros os estudos da contaminação destes produtos, mas um novo trabalho publicado ontem revela que um antidepressivo reduz a alimentação de estorninhos, e que um anticoncepcional devasta populações de peixes em lagos.

“As milhares de drogas hoje em uso têm o potencial de provocar efeitos na vida selvagem e nos ecossistemas,” disse Kathryn Arnold, da Universidade de York, na Inglaterra, editora de um número especial do Philosophical Transactions of the Royal Society B.

“Dado que as populações de muitos animais que vivem em paisagens alteradas pelo homem estejam em declínio por razões não plenamente explicadas, acreditamos estar na hora de explorar desafios emergentes,” afirmou ela.

A ingestão de drogas de forma irresponsável pode ter sérias repercussões já bem documentadas para as populações humanas. Estima-se que, no caso da Inglaterra, 6.5% das internações hospitalares se devam a isto, ao custo de U$ 3 bilhões por ano.

Voltando à natureza, alguns fatos produzem espanto. Em partes da Índia, abutres foram virtualmente extintos por drogas anti-inflamatórias dadas ao gado de cujas carcaças se alimentavam. Estrogênios sintéticos usados em anticoncepcionais quase mataram toda a população de vairões em um lago em Ontário, no Canadá.

Uma pesquisa publicada no mês passado revelou que metade das espécies do planeta foram eliminadas nos últimos 40 anos. O trabalho mostrou que, em águas doces, onde são encontrados mais comumente resíduos de drogas, foram perdidos 75% dos peixes e anfíbios, lembra o MoneyLife.

Foto: Global Panorama/Creative Commons/Flickr

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Austrália tem plano de conservação da Grande Barreira de Corais José Eduardo Mendonça - 15/09/2014 às 15:55

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Para ambientalistas, porém, medidas não são suficientes

Numa tentativa de evitar que as Nações Unidas reclassifiquem a Grande Barreira de Corais, de Patrimônio Mundial da Humanidade para “em perigo”, o governo australiano divulgou hoje um plano de 35 anos para administrar riscos a ela. Mas, dizem conservacionistas, ele não vai até onde deveria.

“O plano não tem ações concretas e firmes que, segundo nos disseram cientistas, são necessárias para reverter a situação, “, disse Louise Matthiesson, uma militante do grupo WWF-Australia. “No geral, não se trata dos negócios como de costume, mas quase isso.”

“Nós esperávamos metas mais altas de redução de poluição, algum financiamento para ajudar os agricultores e alcançá-las, e também uma proibição do despejo de resíduos de dragagem. E até o momento estas coisas não constam da minuta do plano,” afirmou ela.

“A única coisa que está no plano é um compromisso de desenvolvimento de uma política para a dragagem. Não existe garantia de que ele irá terminar com o despejo em toda a área do Patrimônio,” continuou.

A Organização Educacional, Científica e Cultural da ONU listou a Barreira como um patrimônio universal em 1981, mas em 2015 alertou que ela poderia ser retirada da lista.

O governo australiano reconhece em seu relatório que a barreira, que se estende por grande parte da costa do estado de Queensland e tem o tamanho da Itália ou do Japão, se encontra sob ameaça crescente da mudança do clima, a má qualidade da água e o impacto do desenvolvimento costeiro, que inclui a controvertida expansão do grande porto de carvão em Abbot Point, informa o New York Times.

Foto: Tourism and Events Queensland

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Cresce 10 vezes o número de espécies de corais ameaçadas nos EUA José Eduardo Mendonça - 29/08/2014 às 12:44

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Foram acrescentadas a lista 20 agora e apenas duas em 2006

Um estudo publicado esta semana anunciou um aumento de dez vezes no número de espécies de corais ameaçadas, com 20 novas acrescentadas à lista. Duas haviam sido listadas em 2006, elevando a soma para 22.

Corais que criam recifes estão sob severa ameaça pela mudança do clima, afirmou na quarta-feira a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos EUA.

Os oceanos estão ficando mais ácidos e mais quentes. causando a morte em massa de corais. Outras ameaças incluem poluição e pesca em excesso em seus ecossistemas. As espécies acrescentadas à lista encontram-se todas nas costas do Atlântico e do Golfo, ou em águas territoriais dos Estados Unidos.

Elas podem estar extintas em 2100, o que levou à decisão da NOAA de colocá-las na lista da Lei de Espécies Ameaçadas dos EUA.

“Acho que não podemos tomar mais qualquer decisão a este respeito sem levar em consideração que o planeta está aquecendo, e que os oceanos estão se transformando e continuarão a se transformar,” afirmou Russell Brainard, chefe da divisão de ecossistemas de corais da instituição, ao explicar a decisão da agência. Ela terá ainda que decidir como reduzir o estresse destas mudanças nas espécies de corais, algumas das quais tiveram um declínio da 90%.

“Sem a redução das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, não há medidas para salvar estas espécies,” disse Katharine Ricke, cientista do clima na Instituição Carnegie, informa o Science Mag.

Foto: USFWS/Creative Commons/Flickr

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Planeta Urgente

JOSÉ EDUARDO MENDONÇA

produziu uma série de reportagens pioneiras para o Jornal da Tarde sobre fontes alternativas de energia e, logo depois, indo morar em Londres, tomou contato com o movimento do que se chamava à época conservacionismo - o que se tornou mais tarde ambientalismo. Neste blog, rastreia ações, políticas e o multifacetado pensamento sobre a questão socioambiental pelo mundo. As opiniões expressas nos veículos citados não são de responsabilidade do Planeta Sustentável, embora a divergência entre elas contribua com a dinâmica do debate.

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