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Potências se enfrentam por biocombustível de aviação José Eduardo Mendonça - 02/12/2011 às 11:08


China e Japão não aceitam regulação européia

A União Européia planeja impor cortes nas emissõs de CO2 de linhas aéreas internacionais em 2012, o que tem provocado forte protestos de países como China, Venezuela e Japão – mais um problema para a conferência do clima esta semana na África do Sul.

A medida européia vai contra regras da aviação civil internacional, disse o principal enviado chinês, Su Wei. O Japão disse que a lei é inaceitável, ecoando preocupações já manifestadas este ano por EUA, Índia e Rússia. “Não se pode adotar medidas unilaterais para resolver problemas multilaterais”, disse Su Wei. “Isto tem algum impacto nas discussões aqui em Durban”.

As críticas pressionam o bloco de 27 nações, que quer liderar a luta mundial contra a mudança do clima, a diminuir suas ambições – e enfatizam uma divisão entre objetivos europeus e as políticas que países fora da zona do euro poderão ter de aceitar para manter o aquecimento abaixo dos 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

A União Européia decidiu em 2008 que a aviação internacional deveria ser parte de seu sistema de comércio de emissões, ou ETs, depois de emissões da aviação terem dobrado na Europa em duas décadas e as organizações internacionais terem fracassado no estabelecimento de cortes de emissões.”Eles estão frustrados porque a questão não está avançando”, afirmou Claudia Salerno, principal negociadora da Venezuela. “Eu não concordo que, porque uma pessoa esteja frustrada, ela deva soltar uma bomba que pode causar uma série de problemas a nível internacional”.

Empresas como American Airlines e United Continental já estão desafiando os ETs em uma corte européia, e as linhas aéreaas chinesas devem fazer o mesmo ainda este ano. A Organização Internacional de Aviação Civil da ONU, ou ICAO, pediu que a UE exima dos cortes no carbono os operadores internacionais

“Uma lei doméstica não deveria ser aplicada a alguém que não assine esta lei”, disse Kuni Shimada, conselheiro especial do ministro do ambiente janonês Goshi Hosono. “Tudo bem para os 27 países da Europa, mas não para nós, porque não fomos nós que decidimos”.

A UE tem afirmado repetidas vezes que embora sua escolha preferida seja uma solução mundial para o corte de emissões da aviação, ela não desistirá dos ETs. O braço regulatório do bloco também pode impor cortes de emissões à indústria de navegação caso fracassem as conversações internacionais sobre o setor.

O plano europeu é o equivalente a “medidas comerciais unilaterais, barreiras comerciais disfarçadas”, afimou Salerno. Advogados da UE acham que as empresas aéreas internacionais vão perder em sua luta nos tribunais. Nos Estados Unidos, a Câmara dos Deputados aprovou no mês passado uma lei proibindo as empresas aéreas do país de participar no ETs, depois de o setor ter estimado que isto geraria custos de U$ 3.1 bilhão de 2012 a 2020. A medida precisa de apoio do senado e da assinatura do presidente Obama, informa a Business Week.

Foto: divulgação

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Comentários

02/12/2011 às 16:55 Hilton - diz:

Já está mais do que na hora de substituir a queima de combustíveis fosseis em motores ,não faz o menor sentido queimar uma matéria prima nobre como o petróleo.Podemos utilizar o petróleo para a produção de inúmeros produtos na petroquímica ,podemos trabalhar na redução do custo da fibra de carbono ,que só na utilização em automóveis,caminhões e ônibus geraria uma redução no consumo e no aumento da durabilidade dos equipamentos citados.Enquanto não encontramos alternativas viáveis para o transporte de pessoas de maneira rápida e a custos acessíveis esta pode ser uma solução pratica e temporária para a redução da emissão de carbono.

Planeta Urgente

JOSÉ EDUARDO MENDONÇA

produziu uma série de reportagens pioneiras para o Jornal da Tarde sobre fontes alternativas de energia e, logo depois, indo morar em Londres, tomou contato com o movimento do que se chamava à época conservacionismo - o que se tornou mais tarde ambientalismo. Neste blog, rastreia ações, políticas e o multifacetado pensamento sobre a questão socioambiental pelo mundo. As opiniões expressas nos veículos citados não são de responsabilidade do Planeta Sustentável, embora a divergência entre elas contribua com a dinâmica do debate.

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