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Plantar árvores é uma boa ideia? José Eduardo Mendonça - 15/12/2011 às 13:02


Depende de quantas delas

Plantar árvores é sempre uma coisa boa, certo? Afinal, árvores fornecem beleza natural e um habitat para as espécies, e são boas para o ambiente.

Mas e se em vez de uma, fossem plantadas um milhão de árvores? Ou dez milhões? Ou cem milhões?

Uma expansão tão maciça da cobertura florestal da América do Norte e da Eurásia, por exemplo – proposta por alguns analistas como meio de combater a mudança do clima – pode ter o efeito surpreendente de alterar o ambiente, aumentando temperaturas em alguns locais do mundo e resultando em variações dos padrões de chuva no globo, dizem pesquisadores da Universidade Harvard.

A pesquisa, publicada este mês no Proceedings of the National Academy of Sciences, afirma que “plantar não vai nos livrar do problema do clima”, segundo Abigail Swann, aluna de pós-doutorado da ciência da sustentabilidade, e principal autora do trabalho.

“Há muitas razões que fazem do plantio de árvores uma coisa benéfica”, disse Swann. “Há muitos benefícios locais. Mas quando se cogita uma estratégia de mitigação em escala global, temos de pensar nos efeitos colaterais.”

“As árvores absorveriam carbono, mas as mudanças em padrões de chuva tornariam a floresta amazônica menos produtiva,” acrescentou ela. “O meio mais seguro de mitigar o problema é reduzir as emissões diretamente, e não tentar plantar árvores.”

Swann usou um modelo do clima mantido pelo Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, em Boulder, Colorado. Com ele, a cientista explorou os efeitos de replantar todos os campos agrícolas e pastos da América do Norte e Eurásia com árvores. Os resultados não foram encorajadores.

Ela demonstrou que, embora as florestas pudessem absorver mais carbono da atmosfera, o acréscimo de milhões de acres de novas florestas na verdade aumentaria temperaturas onde não há suficiente umidade de solo para suportar a demanda das árvores, com a consequência de  alterações nos padrões de circulação atmosférica e de chuvas.

Swann disse que a ideia pode parecer improvável, mas a possibilidade de reflorestamento de grandes áreas da América do Norte é mais possível que muitos possam pensar.

“A maior parte do milho produzido nos Estados Unidos é para a produção de etanol. Se houver uma mudança para um combustível baseado em celulose, pode ser que haja um reflorestamento significativo,” afirmou ela ao Harvard Gazette.

Foto: Feggy Art / Creative Commons

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Comentários

15/12/2011 às 18:23 JORGE - diz:

Sensacional o artigo!
Eu realmente não sabia desse lado da moeda.
Se esse tipo de estudo já tivesse sido feito antes da época em que era normal plantar espécies de outro clima/região ou a inserção de animais não-nativos.
Obrigado!
JORGE ÁVILA KUHN
Tradutor
Caraguatatuba/SP

15/12/2011 às 20:26 José Eduardo Mendonça - diz:

Obrigado, Jorge.
Comentários como o seu sempre incentivam a gente aqui do Planeta a trabalhar cada vez melhor.

Planeta Urgente

JOSÉ EDUARDO MENDONÇA

produziu uma série de reportagens pioneiras para o Jornal da Tarde sobre fontes alternativas de energia e, logo depois, indo morar em Londres, tomou contato com o movimento do que se chamava à época conservacionismo - o que se tornou mais tarde ambientalismo. Neste blog, rastreia ações, políticas e o multifacetado pensamento sobre a questão socioambiental pelo mundo. As opiniões expressas nos veículos citados não são de responsabilidade do Planeta Sustentável, embora a divergência entre elas contribua com a dinâmica do debate.

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