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Pesticida provoca o desaparecimento das abelhas José Eduardo Mendonça - 16/01/2012 às 11:45


À base de nicotina, ele produz devastação

Pesticidas baseados em nicotina, de uso disseminado na agricultura, estão implicados na morte em massa de abelhas, segundo novo estudo de cientistas americanos.

O estudo desmente os argumentos da indústria, sempre repetidos, de que colônias de abelhas não estão sendo danificadas pelos pesticidas, e vai gerar pressão para que autoridades governamentais proíbam estas substâncias químicas.

As empresas que fabricam pesticidas, um negócio de bilhões de dólares, vem tentando proteger seus lucros com um lobby internacional contra a proibição de neocotinóides, um grupo de substâncias químicas tóxicas que paralisam insetos atacando seu sistema nervoso. Há cada vez mais evidência de que elas são responsáveis pela chamada “desordem do colapso de colônias,” que vem dizimando populações.

Os Estados Unidos estão perdendo um terço de suas colméias a cada ano, e apicultores na Europa dizem que mais de um milhão de colônias desapareceram na França, Alemanha, Itália e Reino Unido desde 1994. As autoridades destes países continuam aceitando os argumentos da indústria.

Os cientistas da Universidade Purdue, em Indiana, encontraram neocotinóides em abelhas, pólen, no solo e em dentes-de-leão, sugerindo que as abelhas podem ser contaminadas de diversas formas.

“Nós sabemos que estes inseticidas são altamente tóxicos para as abelhas – os encontramos em cada amostra de abelhas mortas ou moribundas,” disse Christian Krupke, professor de entomologia em Purdue e co-autor do estudo. As abelhas sofrem de tremores, movimentos descordenados e convulsões, todos sinais de envenenamento. “É uma enorme fonte de contaminação ambiental potencial, e não apenas para abelhas, mas para quaisquer insetos vivendo nestas áreas. O fato de estes compostos persistirem no ambiente por meses ou anos significa que as plantas nestes solos podem absorvê-los em seus tecidos ou no pólen,” disse ele, segundo o Herald Scotland.

Foto: emrank / Creative Commons

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Comentários

16/01/2012 às 15:42 hullian rabel - diz:

eu como estudante de agronomia… e adepto da agroecologia… conheço o perigo que os agrotóxicos representam, e o problema eh que o lucro vem sempre como prioridade, as empresas tem dinheiro pra se defender, e o Estado é conivente pois tbm se beneficia desses lucros

17/01/2012 às 11:03 Ascendino Roberto dos Santos - diz:

Enquanto nosso modelo de sociedade for balizado pelos valores de uma sociedade neo-liberal nenhum argumento será mais forte do que o do lucro.

20/01/2012 às 09:18 Nelson Martins dos Santos - diz:

Queridos, não podemos aceitar esta situação, primeiro as abelhas, depois as plantas e solo e depois os humanos, a questão eh vida ou morte, e devemos ficar com a vida. Sou estudante de Direito e queremos e vamos lutar para mudar esta pouca vergonha.

31/03/2012 às 12:02 José feitosa de oliveira - diz:

A coisa é muito séria… Ainda no dia 24-03-2012, foi exibido pela sky um documentário a partir das 12hs, e já vi uma preocupação mundial por conta da queda de produção agrícula. Na China homem fazendo a polonização manual e jovens chineses abondonando o Campo. Enquato nós brasileiros já consumimos 5,2 litros de agrotóxicos por ano, e elas?
Obs. Estou tentando conseguir este ocumentário.

18/07/2012 às 18:59 Ascendino Roberto dos Santos - diz:

Senhores, todas as preocupações apresentadas aqui são legitimas e nobres, mas volto a lembrar tendo como base meu comentário anterior: O que determina a ordenação na hierarquia de valores é o modelo de sociedade que se têm – e o nosso modelo tem no ápice da tabela a palavra LUCRO. É incoerente aceitar esse modelo predatório de sociedade e reclamar das consequências disso sobre os recursos naturais.

Planeta Urgente

JOSÉ EDUARDO MENDONÇA

produziu uma série de reportagens pioneiras para o Jornal da Tarde sobre fontes alternativas de energia e, logo depois, indo morar em Londres, tomou contato com o movimento do que se chamava à época conservacionismo - o que se tornou mais tarde ambientalismo. Neste blog, rastreia ações, políticas e o multifacetado pensamento sobre a questão socioambiental pelo mundo. As opiniões expressas nos veículos citados não são de responsabilidade do Planeta Sustentável, embora a divergência entre elas contribua com a dinâmica do debate.

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