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Como os metais funcionam no cérebro? José Eduardo Mendonça - 01/02/2012 às 08:44

Resposta pode ajudar em doenças como Alzheimer

A pesquisa sobre a maneira como ferro, cobre, zinco e outros metais funcionam no cérebro pode ajudar a revelar alguns dos segredos de doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson, relata o Wall Street Journal.

Uma das muitas teorias que explicam o Alzheimer envolve o dano causada pela acumulação de metais tóxicos no cérebro. Agora, um estudo lhe dá mais credibilidade.

Ferro e cobre parecem se acumular em níveis além dos normais nos cérebros das pessoas com estas doenças, e um novo estudo australiano publicado no final de semana mostra que a redução do excesso de ferro no órgão pode aliviar os sintomas de Alzheimer – ao menos em cobaias.

Uma mutacão genética relacionada à regulacão do ferro está ligada à doença de Lou Gehrig. O zinco, por sua vez, parece prejudicar a memória se seus níveis ficarem muito baixos ou se ele entrar em uma região do cérebro à qual não pertence, o que pode ocorrer com um trauma.

As pesquisas sobre os papéis complicados e invisíveis que estes metais têm em doenças cerebrais ficaram para trás com o estudo de proteínas, mais visíveis, em suas origens. Mas uma compreensão melhor do papel que os metais podem ter no cérebro deve ajudar a esclarecer uma série de condicões médicas, oferecendo um novo caminho para o desenvolvimento de tratamentos, dizem especialistas.

“A ciência está acordando para a ideia de que a causa do Alzheimer pode ser multifatorial,” e que o distúrbio na regulação dos metais pode ser um destas fatores, diz Ralph Nixon, presidente da Associação de Alzheimer dos EUA e diretor do Instituto de Alzheimer da Universidade de Nova York.

Minúsculas partículas dos elementos, carregadas com ions, servem a uma função essencial do corpo, incluindo facilitar que reações químicas gerem energia e preservem a estrutura das proteínas. Mas mudanças biológicas que chegam com a idade podem desarranjar os níveis delas no cérebro.

O ferro, por exemplo, é uma “faca de dois gumes”, porque interage com o oxigênio para ajudar o corpo a gerar energia, mas também pode produzir radicais livres que causam danos às células, diz o neurocirurgião James Connor, da Universidade Estadual da Pensilvânia em Hershey.

Se o corpo tiver ferro de menos, como no caso de anemia, o corpo não gera energia suficiente para manter funções importantes. Mas uma super-abundância de ferro acumulado no cérebro é tóxica. Acumulações significativamente mais altas do metal foram observadas no cérebro de pessoas com Parkinson e Alzheimer, do que nas pessoas saudáveis da mesma idade, afirma Ashley Bush, professora de patologia da Universidade de Melbourne.

Foto: Marco A. G. Hurtado

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JOSÉ EDUARDO MENDONÇA

produziu uma série de reportagens pioneiras para o Jornal da Tarde sobre fontes alternativas de energia e, logo depois, indo morar em Londres, tomou contato com o movimento do que se chamava à época conservacionismo - o que se tornou mais tarde ambientalismo. Neste blog, rastreia ações, políticas e o multifacetado pensamento sobre a questão socioambiental pelo mundo. As opiniões expressas nos veículos citados não são de responsabilidade do Planeta Sustentável, embora a divergência entre elas contribua com a dinâmica do debate.

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