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Websérie “Volume Vivo” mostra a real situação da crise hídrica de São Paulo Suzana Camargo - 02/06/2015 às 12:38

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O Sistema Cantareira, que abastece grande parte da maior cidade do Brasil, começou 2014 com apenas 27% de sua capacidade total. Em pouco tempo, ele foi zerado e entrou-se no tão falado “volume morto”. Desde lá, ou seja, há mais de um ano, nunca mais a Cantareira conseguiu sair do negativo. A crise, a qual muitos responsabilizaram como sendo provocada pela falta de chuvas na região Sudeste, já era prevista há dez anos.

Dividida em quatro capítulos, a websérie “Volume Vivo” revela o cenário real de uma crise que ainda está muito longe de acabar. Produzido pelo Núcleo de Criação Palma, com recursos obtidos em crowdfunding, o documentário foi dirigido pelo jovem cineasta Caio Silva Ferraz.

No primeiro capítulo, que tem como título “A Negação da Crise”, discute-se como as medidas para resolver o problema têm sido políticas e momentâneas. Os cálculos divulgados pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) nunca revelam que o Sistema Cantareira está com seu volume negativo.

Especialistas testemunham que, em 2013, quando o indíce de chuvas no estado de São Paulo era de apenas 30% do usual, alertam a Agência Nacional de Águas (ANA) que o consumo precisaria ser reduzido em 50%. Segundo eles, não faltou orientação técnica, nem planejamento. Houve simplesmente descaso.

Quando a crise hídrica se tornou mais grave, a websérie registra como bairros mais pobres da capital paulista sofreram com o racionamento, apesar de o governo não admitir o fato. Interrupções no abastecimento ou diminuição na pressão da água fazem com que – assim como no racionamento – milhares de pessoas fiquem sem água em suas casas.

“Volume Vivo” aponta quais seriam as soluções para que num futuro muito próximo, a população da cidade não abra suas torneiras e não saia dela um pingo de água sequer. Entre as medidas estão o reflorestamento e proteção das bacias hidrográficas que compõem o Sistema Cantareira e uma maior taxação do uso da água pelos grandes usuários.

Esta não á a primeira vez que Caio Ferraz trata do tema água em seus trabalhos. Em 2009, o cineasta foi codiretor do vídeo “Entre Rios”, que falava sobre a história dos rios de São Paulo.

Imagem: reprodução vídeo

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Exploração de aquíferos precisa ser mais sustentável Agência Fapesp - 15/05/2015 às 12:35

Na medida em que as mudanças climáticas se intensificam e as crises hídricas se tornam mais frequentes, cresce a exploração dos aquíferos subterrâneos – onde está armazenada cerca de 95% da água doce disponível no planeta. A necessidade de pesquisas que ajudem a tornar mais sustentável o uso desse recurso, evitando contaminações e garantindo a recarga dos reservatórios, foi um dos temas abordados no dia 13 de maio, durante a Fapesp Week UC Davis in Brazil.

“A Califórnia é responsável pelo cultivo de 50% das frutas e vegetais consumidos nos Estados Unidos. Essas culturas dependem intensamente de irrigação e, como a Califórnia enfrenta o quarto ano consecutivo de seca, muitos fazendeiros têm recorrido ao bombeamento de água subterrânea”, disse Jan Hopmans, professor de Hidrologia, Terra, Ar e Recursos Hídricos da University of California, Davis.

Segundo dados apresentados por Hopmans, a população mundial mais do que dobrou nos últimos 50 anos. O mesmo ocorreu com a área agrícola irrigada e a demanda por água no período cresceu cerca de 250%. “Na Califórnia, as águas subterrâneas, que antes representavam um terço do total usado na irrigação, hoje já correspondem a dois terços. E isso tem consequências tremendas”, disse.

De acordo com as estimativas de crescimento populacional, será necessário duplicar a produção de alimentos para atender a demanda dos próximos 50 anos. Segundo Hopmans, é urgente desenvolver tecnologias para tornar a irrigação agrícola mais eficiente, permitindo menor uso de água por unidade produzida. Caso contrário, a demanda por água duplicará nas próximas décadas.

Também é necessário, segundo Hopmans, encontrar soluções para minimizar a contaminação dos aquíferos por nitrato – oriundo principalmente de fertilizantes agrícolas e dejetos animais –, problema que pode se agravar nos próximos anos.

“A agricultura do futuro precisa se tornar, ao mesmo tempo, mais produtiva e mais sustentável. Isso exige uma melhor compreensão de como as plantas absorvem água e nutrientes, para que possamos fazer mais com menos. Requer pesquisas inovadoras sobre o solo, combinadas com ciência de plantas e novas tecnologias”, opinou Hopmans.

Leia a reportagem completa no site da Agência Fapesp.

Foto: Alex/Creative Commons/Flickr

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ONU vê risco de violação dos direitos humanos na crise hídrica Agência Brasil - 30/04/2015 às 16:09

*Texto de Bruno Bocchini, com edição de Stênio Ribeiro

O relator das Nações Unidas para Água e SaneamentoLeo Heller, disse hoje (29/4) que a crise de abastecimento de água no estado de São Paulo põe em risco o cumprimento dos direitos humanos, em relação ao acesso ao líquido. Heller reuniu-se nesta quarta-feira com organizações da sociedade civil, na capital paulista, para colher informações sobre a crise de abastecimento.

“Tenho certeza de que esse é um problema muito relevante, que tem muitos riscos de violação dos direitos humanos. Não quero afirmar que eles já estejam sendo violados, para não ser leviano, mas muitos depoimentos indicam essa direção. Atinge número expressivo de pessoas, pode ter enormes repercussões na vida dessas pessoas, no seu bem-estar e nos vários direitos humanos que essas pessoas têm”, disse ele, após audiência na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), organizada pela Aliança pela Água* – rede formada por quase 50 entidades.

Perguntado sobre o programa da Empresa de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que oferece tarifas especiais a grandes consumidores de água (o preço cai à medida que o consumo aumenta), Heller disse que o procedimento, caso agrave a crise de abastecimento, precisa ser repensado.

“Eu diria que, primeiro, é inaceitável negar acesso à água às populações, em detrimento de outros usos. A prioridade deve ser o acesso à água às populações. Não conheço esses contratos (com grandes consumidores), mas se eles estão levando a esse tipo de consequência, isso precisa ser repensado”, destacou.

Ele ainda comentou a proposta da Sabesp de aumentar em mais de 20% o preço da água na região atendida pela empresa. “Caso haja um aumento de tarifa, deve haver um cuidado muito grande em relação à acessibilidade financeira das populações mais pobres. Se o aumento de tarifa provocar falta de pagamento, por incapacidade financeira, e isso levar a cortes, a desconexões, isso pode caracterizar, também, uma violação ao direito humano”.

O relator das Nações Unidas colheu informações e denúncias de entidades da sociedade civil. Um documento oficial deverá ser enviado a ele pelas entidades, com detalhamento dos problemas encontrados. Caso encontre violações de direitos humanos em relação ao acesso à água, Leo Heller deverá enviar ao país uma manifestação, chamada de Carta de Alegação, cobrando explicações. O processo é sigiloso. Mas caso a resposta não seja satisfatória, o relator poderá dar publicidade ao caso.

A reportagem procurou a Sabesp, na noite de hoje, mas não recebeu resposta até o fechamento da matéria.

*Aliança Pela Água: http://aguasp.com.br

Foto: Creative Commons/Mídia Ninja

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Planeta Água

 

Este blog é uma janela do Planeta Sustentável para ações e conhecimento sobre água. Sua estreia se deu com o 6º. Fórum Mundial da Água, em março de 2012, do qual participamos. Em 2013 - Ano Internacional da Cooperação pela Água – começamos mostrando o Planeta no Parque, realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com o tema “O caminho das águas” e também o desafio #insta4fun_planetaagua, lançado na rede social Instagram em parceria com o nosso movimento.

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