Pé de Manga
18/06/2009 às 21:44

Regulamentadas em 1999 pelo Ministério da Saúde, as Casas de Parto, ou Centros de Parto Normal, são "unidades de saúde que prestam atendimento humanizado e de qualidade exclusivamente ao parto normal sem distócias". Ou seja, são lugares onde, pelo SUS, a mulher com gravidez de baixo risco tem suas vontades respeitadas ao parir.

Quem já se sentiu violentada por um parto normal cheio de intervenções ou por um corte de cesariana desnecessárea entende o que quero dizer com vontades respeitadas. É ser compreendida e amparada como indivíduo - que não funciona como ditam os livros -, é poder encontrar a posição ideal para suportar uma contração, comer ou beber se desejar, ter a companhia que escolher, ouvir música, não ouvir conversas paralelas, não usar roupas, ou se agasalhar como quiser. É ser protagonista do grande evento fisiológico para qual seu corpo se preparou por meses. É fazer seu parto, em vez de esperar que alguém o faça, e mesmo assim ter assistência.

Na maioria das Casas de Parto a assistência é dada por enfermeiras obstetrizes, também chamadas de parteiras profissionais. Elas estão preparadas para lidar com emergências, o que inclui encaminhar para um médico em tempo hábil quando necessário. E - mais importante que na exceção - na regra, estão prontas para ouvir, acalmar, sustentar. "Pra parir a gente precisa de segurança, tranquilidade e carinho e isso tive de uma obstetriz", me disse Mariana Lettis, amiga querida que pariu o Esteban na Casa de Parto de Sapopemba depois de 17 horas de trabalho de parto. Dificilmente um médico tradicional esperaria tanto tempo para um nascimento. O mais provável é que, com desculpa de falta de dilatação, bebê alto, bacia pequena ou cordão enrolado no pescoço saberíamos de outra desnecesárea.

Mas apesar de fantásticas, as Casas de Parto são bastante perseguidas por aqueles que consideram o parto um ato médico. Essa semana, a única Casa do Rio de Janeiro foi arbitrariamente fechada e só reaberta depois de protestos. Telefonei para a Casa de Parto de Sapopemba, a única com atividade constante em São Paulo, e a obstetriz me informou tristemente que foi proibida de dar entrevistas. Proibida? Sim! Proibida de dar entrevistas, de relizar encontros com grupos de gestantes ou promover qualquer atividade que divulgue o trabalho realizado na Casa.

Reproduzo aqui a provocação da parteira profissional Ana Cristina Duarte, por quem tive a sorte de ser assistida no parto: "A verdade seja dita, se as mulheres saudáveis começarem a ter seus bebês com enfermeiras obstetrizes, em clínicas simples e casas de parto, a exemplo do que acontece na maioria dos países de primeiro mundo, o que será dessa gigantesca indústria das cesarianas, dos hospitais cinco estrelas, dos cirurgiões e seus consultórios? Como sustentar esse setor lucrativo da economia?"

Se você também repudia o que está acontecendo nas Casas de Parto, assine o abaixo assinado promovido pela ONG Parto do Princípio e esteja atento.


16/06/2009 às 12:43
  E por mais que a medicina tradicional não associe o fenômeno a outros, fico com a sabedoria popular, já que o Lucas teve uma baita gripe seguida por uma conjuntivite. Imagina a revolução no corpinho de uma criança quando um dente vai despontar. Quatro então... A imunidade baixa e a criança fica mais indefesa. Por isso é comum que tenha diarréia, febre, corisa.

E não foi simples lidar com sete dias de febre, pensando no planeta. Em dois momentos demos gotinhas de alopatia com medo da febre de quase 39 graus. Detesto pagar uma indústria que polui o meio ambiente; tirar um remedinho de uma caixa e mais uma embalagem plástica, mas tem hora que é necessário.

De resto, tratamos a febre com banho morno, rodelas de batata na batata da perna (pra puxar o calor), muito peito e carinho. Sem contar a paciência e adedicação do pediatra que ouviu o peito do Lucas muitas vezes nesses dias.

E da conjunjtivite tratamos com leite materno. Limpávamos o olhinho com uma fralda de pano e leite anterior, aquele que sai no começo da mamada, mais rico em anticorpos. Pingávamos depois umas gotinhas do leite e em uma semana nem vestígio.

Eu e o Sergio escapamos da conjuntivite, mas não da gripe. Estou há dias com febre, dor de cabeça e uma baita dor de garganta. E como amamento tenho um motivo bastante forte pra também preservar o planeta e não tomar alopatia. Água, descanso e chazinho, como disse aqui, estão me fazendo melhorar.

Desculpem o sumiço... Prometo voltar com ânimo total!


05/06/2009 às 17:56

É hoje o dia marcado na agenda pública para falar da nossa relação com o meio. Por mais que o verde esteja cada vez mais presente nos blogs, rádios, jornais, programas de televisão, discursos de políticos e tantas ações, ainda temos muito o que elaborar e colocar em prática a esse respeito.

Hoje passei no mercado na hora do almoço com as minhas sacolas de pano. O sr José Gregório, que me ajudou a guardar as compras, falou do costume "do norte" de levar a embalagem de cada produto para as vendas. As minhas duas sacolas estavam repletas de embalagens não-retornáveis que, apesar de poderem ser recicladas, custam - e muito - ao meio-ambiente.

A mãe de uma amiga já havia contado que quando casou, no interior da Bahia, fazia parte do enxoval preparar saquinhos de pano com o nome dos alimentos bordados em ponto cruz. Era um saco pro arroz, outro pro feijão, pro café, pro açúcar. Cada um ia e voltava das vendas e feiras, sendo recheado, pesado e esvaziado inúmeras vezes. De tempos em tempos cabia lavar, costurar eventuais furinhos e por anos podia-se utilizar a mesma embalagem.

Lembrei do post que a Mariel (que felizmente sempre comenta aqui :) me mandou do blog Rainhas do Lar com a foto acima e a dica de um empório que vende tudo a granel. Uma bela idéia a compartilhar nesse dia. Vou pensar em como adotá-la por aqui.


Pé de
Manga


Por Bianca
Santana

Até março de 2008, Bianca Santana era jornalista e professora. Dois traços azuis num papelzinho anunciaram a mudança: o abstrato "futuro do planeta" se concretizou em preparar a chegada do Lucas. Sua cabeça se voltou para o parto ativo, as fraldas de pano e a amamentação, temas que pretende discutir aqui, relatando experiências, entrevistas e pesquisas. Difícil vai ser achar tempo para o Mestrado em Educação. No Del.icio.us no Orkut e no Flickr você encontra mais informações sobre ela. Para entender o nome deste blog, clique aqui.
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