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Pacto Global: o momento da prática coletiva pela sustentabilidade Suzana Camargo - 11/09/2014 às 13:15

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Já diz o provérbio africano que “se você quer ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá acompanhado”. Nossa sociedade está buscando uma maneira de ir mais longe, mas de forma sustentável. Por isso mesmo, é preciso compartilhar experiências e unir forças.

Buscando este objetivo, as Nações Unidas criaram o Pacto Global em 2000. A iniciativa internacional tem como meta mobilizar a comunidade empresarial para a adoção de práticas de negócios baseadas em valores fundamentais nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.

Jorge Soto - Pacto Global - menorAqui em nosso país, o movimento é representado pela Rede Brasileira do Pacto Global. Recentemente, a entidade organizou a consulta pública – Diálogo Inclusivo – para discutir com representantes da iniciativa privada e sociedade civil os principais desafios e oportunidades para a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em entrevista ao Parceiros do Planeta, Jorge Soto, presidente da Rede Brasileira, falou sobre a importância da contribuição nacional para a elaboração dos ODS e a necessidade de governos, ongs e iniciativa privada trabalharem em parceria para gerar maior impacto pela sustentabilidade.  

 

Qual o objetivo da consulta pública organizada pelo Pacto Global no Brasil?
Esta consulta pública é uma etapa de muitas que estão acontecendo mundo afora em que a ONU busca ouvir diversas partes para se preparar para a definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Este processo está sendo realizado desde 2012 e esta é a segunda consulta que nos envolvemos. Num primeiro momento a discussão foi sobre o que deveria ser abordado pelos ODS e agora o foco é como eles devem ser implementados. Dentro do processo de ouvir a iniciativa privada, a ONU escolheu o Pacto Global pela sua representatividade e força no setor. Já estamos presentes em mais de 100 países, com mais de 12 mil signatários. Só no Brasil, temos 630 empresas signatárias, então é uma organização bastante atuante.

Quais são os próximos passos para a definição dos ODS?
Tanto na definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável como no novo acordo de mudanças climáticas, 2015 será coincidentemente um ano chave. Espera-se que agora em 2014 já aconteça uma aprovação mais formal tanto dos ODS, quanto dos meios de implementação, para que no ano que vem seja feito somente mais um refinamento.

Qual a importância da iniciativa privada participar destas consultas públicas?
Estamos definindo os objetivos para a sustentabilidade no mundo. E o conteúdo destes objetivos cobre muitas questões em que a iniciativa privada está envolvida, por exemplo, ao promover a industrialização sustentável ou padrões de produção e consumo sustentáveis. As empresas estão envolvidas em todos estes assuntos – água limpa e saneamento para todos, redução da pobreza, acesso universal à educação. Em muitas destas questões, há a participação da iniciativa privada direta ou indiretamente. É importante dizer, todavia, que os responsáveis por definir os ODS são diplomatas e negociadores das Nações Unidas, já que está uma decisão internacional entre países.

As empresas podem contribuir de maneira mais prática para a discussão?
Tenho certeza disso. E não só isso. A própria iniciativa privada conhecendo de antemão o que está sendo discutido e negociado, já pode planejar que mudanças no seu próprio negócio serão necessárias, que oportunidades surgirão e que contribuições podem ser dadas. Há um lado importante em ouvir e acompanhar para que as empresas possam se posicionar de forma concreta como contribuintes não apenas no que está sendo escrito, mas nas mudanças exigidas.

Como tem sido a atuação da Rede Brasileira do Pacto Global?
Continuamos a crescer e um dos nossos principais ativos é a capacidade de integrar novos signatários. Recentemente integramos uma associação inteira da indústria química e outra associação comercial da Bahia. Estamos nos movimentando para que a iniciativa privada possa continuar a se envolver de forma consistente neste processo. Este foi o nosso principal foco este ano e também participar da definição dos objetivos para o desenvolvimento sustentável.

Qual é ainda a principal dificuldade enfrentada pelas empresas para atuar num cenário mais sustentável?
Já há um conjunto muito grande de empresas bem intencionadas, mas que não sabem ainda como contribuir de forma concreta. A grande dificuldade que temos, não só o setor privado, mas os governos e ongs também, é que cada um faz um pedaço – sozinho – e o impacto daquilo é pequeno. Mas quando você abre o que está fazendo para outros participarem, o impacto cresce. É o momento de sair da discussão “do que eu acho ser bom” para a prática coletiva, aliando-se estas iniciativas com os ODS.

Como podemos compartilhar mais experiências e disseminá-las de forma mais prática?
Acho que a fase de compartilhar experiências já vivemos há um bom tempo, está bem evoluída. Temos diversos fóruns mostrando casos bem sucedidos, em que um aprende com a experiência do outro. Várias organizações promovem isso. O Pacto Global é uma delas, há ainda o Conselho Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o Instituto Ethos, o Prêmio Exame de Sustentabilidade, entre outras. A fase que estamos começando a consolidar é o fazer junto. Ela é mais difícil porque precisamos encontrar agentes com interesses comuns. Acho que quando todos se desproverem de algum preconceito que possa existir em relação à iniciativa privada, teremos mais parcerias e resultados mais sólidos e duradouros.

O senhor tem algum exemplo deste tipo de parceria?
Posso dar o exemplo da Braskem (empresa brasileira do setor químico e petroquímico), que está comprando água de reuso de um projeto que trata esgoto e o torna em água industrial. Este programa é uma parceria entre a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Foz do Brasil (empresa da Odebrecht Ambiental que opera sistemas de água e esgoto) e a Braskem. Se não existisse a Braskem comprando esta água, não existiria o projeto. Graças a ele, conseguiu-se resolver o problema de tratamento de esgoto da região do ABC paulista. A sociedade lucrou porque teve seu esgoto tratado, a Braskem lucrou porque teve acesso garantido à água num momento de escassez e seca, a Sabesp lucrou porque atendeu o que a sociedade estava pedindo e a Foz do Brasil colocou de pé um negócio que lhe dá resultado. Este é um exemplo de uma parceria concreta em que todos saem ganhando.

Leia também:
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Foto: woodleywonderworks/creative commons

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Comentários

09/06/2015 às 16:37 Clara de Assis - diz:

Parabenizo a Jorge Soto, pela ação de parceira para semear mais sustentabilidade, no Brasil.

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