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Ocupe terrenos baldios! Thiago Carrapatoso - 05/03/2012 às 18:57

As cidades já sofrem por falta de espaços, por que, então, deixar terrenos vazios sem utilização? Principalmente se esses terrenos forem de propriedade do governo, ou seja, públicos. A iniciativa 596acres.org mapeou as áreas sem utilização no Brooklyn, em Nova York, e organiza comunidades para se apropriarem dos lotes.

O mapa usa o banco de dados do Departamento de Planejamento da Cidade para identificar a localidade de áreas que foram cadastradas como “vagas”. São espaços de diversos tamanhos que o governo local ainda não conseguiu achar um motivo para usá-los. Ao todo, foram 596 acres, mais de 2,4 milhões de metros quadrados, que não estavam sendo pensados nem ao menos em como a comunidade poderia usufruir e dar uma significação a eles.

O projeto, então, identificou as áreas, imprimiu mapas em um material resistente à chuva, escreveu os dados sobre cada lote (quem é o responsável, para onde ligar, qual o tamanho e outras informações) e pendurou tudo em grades que protegem os próprios terrenos. Os moradores da região, interessados em dar uma outra – ou alguma – significação às áreas usaram as informações para entrarem em contato com os órgão responsáveis e começarem projetos que envolvam a comunidade da região.

Foi dessa maneira que duas mulheres conseguiram transformar o terreno próximo às suas casas em uma praça oficializada pelo governo. As duas, viciadas em jardinagem, como elas até se classificam, resolveram usar a área abandonada para plantar verduras e legumes por meio de oficinas com outros moradores da região. A ideia era criar uma plantação que pudesse gerar alimento fresco e capacitar os vizinhos para que eles também se responsabilizassem pelos novos moradores, as plantas. E, daí, deu tão certo que até entrou como parte de um programa oficial de jardinagem da prefeitura de Nova York, o Green Thumb.

O projeto também organiza oficinas para mostrar como usar melhor as ferramentas do próprio site, além de ajudar na identificação e tagueamento das áreas abandonadas. A página na internet possibilita que se cadastre mais áreas e as atividades feitas pelos moradores que já acontecem nos terrenos. Assim, dá para ter uma ideia da quantidade das áreas ainda inutilizadas e dos locais que já possuem articulação da comunidade.

E é legal perceber que o projeto só foi possível graças a disponibilização dos dados do órgão governamental. Aqui no Brasil, graças à lei de acesso à informação, que entrará em vigor em breve, esse tipo de material deverá ser liberado para que os cidadãos possam se informar e criar aplicações, sites e outros processamentos desses dados, como é o 596acres.org.

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Comentários

05/03/2012 às 22:42 Pedro Markun - diz:

Gênio!

Comecei um projeto com uma pesquisadora inglesa sobre jardins comunitários faz algum tempo que usava a base do OpenStreet Maps como uma das referencias.

Ainda que pouco preciso, eles tem uma série de qualificações de uso da
terra:

http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Key:landuse

O mais perto de terrenos baldios seriam os ‘brownfields’:
http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Tag:landuse%3Dbrownfield

Acho que dava pra fazer isso por aqui também :)

18/06/2012 às 18:08 O que fazer com áreas abandonadas? - Paisagem Fabricada - diz:

[...] iniciativas questionam o que fazer com essas áreas. Eu já comentei sobre o 596 Acres aqui, e agora aparecem mais duas que possuem os mesmos [...]

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Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Escreveu a pesquisa "A Arte do Cibridismo" e colabora com o movimento BaixoCentro. Ajudou a fundar a Casa de Cultura Digital, mas agora dá outros passos pelo mundo. Residente em Nova York, deixa seus rastros pelo delicioustwitter e facebook. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.

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