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Em breve, um novo sistema Thiago Carrapatoso - 17/10/2011 às 19:20
O mundo foi dominado por movimentos sociais que alardeiam o fim de um sistema que já estava falido. A Primavera Árabe, os indignados espanhóis e, agora, as ocupações pelo mundo demonstram que as relações econômicas atuais precisam mudar. E, pelo visto, urgentemente.
As ferramentas de rede, nestes movimentos, nem precisam ser apontadas ou explicadas. Elas dominaram a articulação para o sucesso dos movimentos, ajudando a reunir milhares de centenas de pessoas para protestar contra os abusos sociais no mundo.
O que eu quero debater aqui, na verdade, é o conceito por trás desses movimentos, principalmente sobre os que estão acontecendo agora.
As duas organizações que iniciaram o movimento para tomar as ruas de Wall Street, no distrito financeiro de Nova York, foram a Adbusters, conhecida por sua campanha contra o consumo exacerbado, e a rede Anonymous, que marcou presença na mídia mundial ao promover ataques contra as operadoras de cartão de crédito que embargaram as doações ao Wikileaks. Agora não há mais uma organização por trás, já que as estruturas de discussão e de tomada de decisões são feitas de forma coletiva, por meio de assembleias gerais e rodas de conversa.
Os participantes do movimento de ocupação dizem ter construído uma forma de democracia direta, em que todos podem opinar e contestar em conjunto. A luta é sem metas e objetivos definidos, apenas com o lema de ser a demonstração da voz dos 99% que dividem 50% da riqueza mundial – os outros 50% pertencem à rica 1% restante.
Tudo isso é muito semelhante às estruturas defendidas e usadas pelas comunidades de software livre e que acreditam na colaboração como princípio. Elas lutam contra o monópolio das empresas de tecnologia que tornam os cidadãos dependentes de suas invenções. É como se elas, as companhias proprietárias, fomentassem o próprio sistema que as sustentam. Não há troca, não há colaboração. É apenas uma relação unilateral.
Embora esteja falando sobre a situação específica do campo da tecnologia, este é um exemplo básico de como o sistema capitalista funciona. As empresas criam dependência de seus produtos, visando mais lucro sem se importar com o que é importante para o público. O foco é o dinheiro, não as pessoas.
Desde sua concepção, o software livre já anunciava que o sistema capitalista predatório não poderia funcionar em um mundo regido por seres humanos. Não há sustentação quando o foco da sociedade está voltado às instituições. Esses grupos, então, têm lutado para encontrar um modelo que possa ser sustentável, em que as pessoas participem de toda linha produtiva. É por isso que o código criado é revisado e aberto, permitindo a edição do que todos escreveram. Isso faz com que o produto final não seja apenas um produto, mas a criação conjunta de pessoas que têm as mesmas preocupações.
Hoje, o que se pede nestas manifestações é algo que quem estuda esses grupos já identificou há tempos: o sistema capitalista atual está realmente falido e não há como pensar em mecanismos que transformem as pessoas em dependentes e não em atuantes. A chegada das ferramentas cunhadas com o termo “2.0”, por exemplo, era só mais uma das evidências desse cenário. A colaboração na rede não surgiu porque é legal, ou porque uma empresa queria vendê-la. É porque trata-se de uma característica humana, de querer fazer parte, discutir e criar. E as pessoas fazem isso, às vezes, sem nem pensar na receita em dinheiro, mas, sim, apenas no reconhecimento do trabalho e da criação.
Pode-se, inclusive, fazer mais um paralelo com a proteção total dos direitos de autor, defendida pelas antigas e grandes indústrias fono e cinematográficas. A restrição para a colaboração criada pelo direito de autor é ligada a esse sistema falido do capitalismo. Hoje é emergente o conceito do Creative Commons, que permite que se crie em conjunto e mude a direção, por exemplo, da fonte de arrecadação. Se antes os detentores desses direitos de autor (as indústrias, agências reguladoras, gravadoras e por aí vai) eram os responsáveis pela criação, agora, com outras formas de licença, o criador – a pessoa – tem de volta sua autonomia.
Um outro sistema, um outro foco.
Um outro futuro?
ver este postcomente
17/10/2011 às 21:24 Anônimo - diz:
Anonymous NÃO é um GRUPO muito menos HACKER, pelo menos não no sentido tradicional da palavra. É uma rede distribuída de pessoas pertencentes aos mais diversos setores da sociedade (sendo algumas delas hackers). Anonymous não tem líderes, Anonymous não tem sócios, Anonymous não tem carteirinha, Anonymous não é um grupo. Eu entendo q poucas pessoas entendam isso, mas creio q aos poucos entenderão para onde estamos caminhando. Como diria Augusto de Franco “Se quiser fazer redes, resista a tentação de pertencer a um grupo”.
17/10/2011 às 21:49 Thiago Carrapatoso - diz:
Genial! Vou mudar lá!
18/10/2011 às 13:42 Scal - diz:
Não canso de falar que esse sistema está falido. Não tenho simpatia nem pela esquerda e nem pela direita. Os dois lados não aceitam as qualidades do outro e não assumem os erros que tem. Quando Che e Henry Ford estiverem na mesma foto e de mãos dadas e debatendo, vai ser o dia que tudo irá mudar…hoje o mundo é regido pela globalização, e não tem como tirar isso com o tanto de acesso a informação que temos, portanto o mais provável, e a forma de governo social polítco do futuro, será realmente um governo de união, de conscientização de sociedade, sem “jeitinho brasileiro”, sem ganância.
Acho que estes assuntos deveriam ter mais respaldo hoje em dia do que o Pelé visitando os outros países, por exemplo.
18/10/2011 às 14:15 eloisa - diz:
As necessidades básicas dos indivíduos está sendo determinante no movimento que toma proporções globais. O mundo capitalista não consegue mais nos manter anestesiados com o consumo descabido. Tudo acontece ao mesmo tempo. A natureza não repete mais seus fenômenos com a intensidade com a qual estávamos acostumados. As notícias da fome, da miséria, das desgraças anunciadas e mais a infelicidade própria, o desemprego, o endividamento das famílias, a desmistificação das lideranças, a corrupção no mundo todo levam à rupturas, levam à desconstrução do estabelecido, levam ao questionamento. Não é um momento tranquilo. É momento de ruptura. Explodiremos. Já devemos pensar em como tocar ” o barco depois”. Outro arranjo será necessário.Os políticos devem estar com pernas bambas neste momento. As fronteiras estabelecidas por tratados estão desaparecendo. Estamos virando uma única raça: A raça humana. Nada será maravilhoso. Estamos inaugurando o novo milênio. Até aqui nos acompanhou o milênio passado. Ele ainda caminhou conosco por uma década. Saímos dele. Tomara que o conhecimento acumulado pelas ciências sociais nos guiem para civilidade.
21/10/2011 às 22:29 bicudo - diz:
uma rede é um grupo .
mesmo q seja autonomo, dinamico, temporario, metamorfico ..seu corpo é feito de células que são trocadas completamente a cada mês e ainda 10 vezes mais bacterias e ainda sim é seu corpo
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Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.
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