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Praça conectada: mudando o conceito rcruz - 01/08/2011 às 23:19

É bem normal as pessoas acreditarem que a internet e as outras tecnologias distanciam as pessoas uma das outras. O computador se torna tão interessante que se esquece de sair para tomar um ar, andar de bicicleta ou fazer qualquer outra atividade fora de casa – e longe da tela. A realidade, porém, tem se mostrado um pouco diferente.
Interessado em saber como será o futuro dos espaços públicos, o professor Keith Hampton, da Universidade da Pennsylvania, pesquisou como as pessoas que possuem aparelhos móveis usufruem de áreas como praças e parques.  A pesquisa, comentada na revista Time e apresentada no vídeo abaixo, apontou o contrário do que se acredita. Segundo ela, os usuários de internet são mais propensos a sair mais vezes de casa – e os blogueiros ativos, que postam a todo o momento, são prolíficos também na vida real.
E o mais interessante é que parques ou praças com acesso à internet sem fio (internet wireless ou espaços wifi) têm atraído mais e mais pessoas para esses locais. De acordo com o estudo, cerca de 25% dos entrevistados admitiram que não tinham visitado o espaço antes de a conexão ser instalada e afirmaram que voltaram mais justamente pela possibilidade de navegar pela rede. O usuário que leva o seu computador pessoal para o parque passa duas horas por semana visitando a área.
O que mudou também é o conceito por trás dos parques e praças. Se antes eles eram territórios para se ver livre de qualquer tipo de tecnologia e ser destinado apenas ao lazer, hoje eles são usados justamente para trabalhar, mas de forma mais social e saudável. Os frequentadores têm a possibilidade de não só conversar com colegas de trabalho em outras partes do mundo, como com o senhor ao lado que está dividindo o mesmo banco.
Para se ter uma ideia, 51% dos frequentadores do Bryant Park, em Nova Iorque, uma das referências quando o assunto é conectividade em espaços públicos, vão para lá para fazer alguma atividade relacionada à sua profissão. Eles prestam atenção aos seus computadores, assim como o que acontece ao redor.
No Brasil, tem-se experiências de aumentar a conectividade das áreas públicas, como o caso de Piraí e a orla da praia de Copacabana. Um dos problemas para essas iniciativas ou adesão em massa do público brasileiro, porém, é a violência e a falta de segurança. Muitos têm medo de serem assaltados enquanto navegam pela internet com seus notebooks.
Mas, de qualquer forma, vale a experiência.
Quem sabe em breve não iremos para a praça da esquina para ler este blog?
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Paisagem FabricadaThiago Carrapatoso

Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.

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