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As paisagens fabricadas rcruz - 20/12/2010 às 19:26
O mundo mudou. Em apenas doze meses, as estruturas mais uma vez mudaram. Fomos levados por acontecimentos que nos colocam em um novo período da história e de nossas vidas. Em 365 dias, rodamos, andamos, viajamos, e fabricamos o que está ao nossa redor. Confeccionados aos poucos a nossa paisagem. Somos uma fábrica de contextos.Faz um pouco mais de um ano em que este blog foi programado. O objetivo era trazer a um público especializado, preocupado com as modificações na natureza e no clima, uma visão de algo instrínseco ao ser humano: a tecnologia. Hoje, conseguimos achar projetos e iniciativas que usam essas ferramentas para melhorar as condições de vida que, ironicamente, nós mesmos fabricamos.
Volto hoje a lembrar os assuntos que passaram por essas terras para marcar o que nós tínhamos e o que ganhamos. Vimos que as periferias são exemplares no uso da tecnologias, seja criando cultura, como a música composta em lan houses na Cidade de Deus, no RJ, seja usando as ferramentas online para narrar a invasão da polícia a sua comunidade, como aconteceu com a voz que ecoou do Complexo do Alemão.
Até presenciamos páginas na rede sendo criadas para ajudar cidades inteiras que tiveram suas estruturas abaladas, como foram as chuvas no caso de Angra dos Reis ou as revoltas e crimes cometidos perto das eleições no Quênia. As redes até foram palcos de discussões políticas interessantíssimas, com a inclusão de pessoas que antes nunca se preocuparam pelo tema, como também de xingamentos e preconceitos totalmente desnecessários, mas que demonstram o quanto a sociedade precisa fabricar outras realidades.
A transparência pública se tornou palavra de ordem, com os cidadãos exigindo que os governos demonstrem maior cuidado e clareza ao lidar com as informações. Um site, por exemplo, conseguiu vazar documentos que mostraram a real situação da Guerra do Afeganistão, com soldados matando civis apenas por diversão, e apresentaram para o mundo o real poder da sociedade civil, criando uma brecha para uma possível guerra civil mundial. E grupos ativistas aqui do Brasil iniciaram projetos para desenvolver uma plataforma compartilhada de informações e processamento para que os dados dos governos brasileiros sejam trabalhados por qualquer um, colocando em xeque até o conceito sobre o que é realmente público.
Eu acompanhei eventos sobre cultura digital no Brasil inteiro, separando as informações para escrever e divulgar por aqui, como um Fórum para o desenvolvimento de políticas públicas referentes ao setor ou apenas palestras que carregam consigo o peso de serem consideradas ideias que valham ser espalhadas.
As paisagens foram fabricadas. Novos mundos, novas percepções, novas concepções. Estamos em uma era moldável. Quais serão as novas paisagens que construiremos no próximo ano?
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Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.
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