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Os sons estão em extinção rcruz - 13/09/2010 às 13:22
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A importância de se preservar a biodiversidade acho que não tem nem o porque de se explicar. Todos entendem que quanto maior a preservação, melhor para o ecossistema, já que seus fluxos e cadeias naturais são mantidos sem alterações. Em outras palavras, um sistema em perfeito equilíbrio.
Mas alguém já pensou que os sons também podem se extinguir? Sim, são aqueles barulhos que nunca mais atingirão nossos tímpanos por não terem suas fontes preservadas. Pense que, por exemplo, se um tucano for extinto, você nunca mais escutará seus sons naturais, como o bater de suas asas ou o roçar de seu bico.
É pensando em preservar esses sons (que não só tem a ver com a biodiversidade, mas também com situações sociais) que a BBC, de Londres, criou o mapa Save Our Sounds (ou salvem os nossos sons, em tradução livre). É um mapa colaborativo em que as pessoas são convidadas a gravar os sons em extinção e mandá-los para compor o quadro com os barulhos prestes a não existir mais.
Aqui no Brasil, por exemplo, mandaram dois arquivos muito interessantes. Um é de Niterói, em que captaram os últimos minutos da final do Campeonato Brasileiro de futebol em que o Flamengo, time carioca, se consagrou o campeão. Escuta-se, bem ao fundo, a televisão narrando as últimas jogadas e, de repente, o povo na rua comemorando a vitória e soltando fogos de artifício.
Esse é um bom exemplo sobre o que se trata o projeto. Além do mapa, há também tutoriais sobre como fazer a captação e reportagens sobre o tema.
O projeto me fez lembrar de um trabalho de conclusão de mestrado de uma artista suíça, a Meret Koehler. Como conclusão para obter o título de mestre em Computer Art, da School of Visual Arts, ela criou a Noise Sanitation Plant (ou usina de tratamento de ruído, em tradução livre). O conceito do trabalho é que há muitos sons no mundo que são desperdiçados, ou seja, que poderiam ser aproveitados para, por exemplo, fazer parte de uma música.
Koehler, então, captou diversos sons que são considerados ruídos (como motores de carros, vassouras varrendo, sirenes tocando, marteladas) e os reorganizou para que fizessem sentido em uma música. O trabalho é uma performance ao vivo, em que imagens de fábricas são projetadas enquanto as músicas tocam e a artista acompanha tocando uma bateria. Não é somente o som que é reaproveitado. As próprias peças do instrumento musical foram compostos por latões e outros utensílios que seriam jogados no lixo.
O conceito de reaproveitar ou mesmo preservar o som é um bom meio de alertar para o que acontece em nossa volta. A cultura do som é muito rica, como o colega Erich já comentou em seu blog Lixograma sobre a reciclagem de fitas k7. Só que, muitas vezes, ela fica submersa em outras preocupações.
Mas quem não gostaria de poder ouvir novamente os sons que marcaram nossa vida?
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06/05/2011 às 01:44 Anonymous - diz:
YouÂre the one with the brians here. IÂm watching for your posts.
06/05/2011 às 22:35 Anonymous - diz:
hfjinM pmsgotovzrzj
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Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.
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