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Wikileaks: a web a favor da transparência rcruz - 02/08/2010 às 15:27


O site colaborativo Wikileaks publica 91 mil relatórios que podem alterar a percepção da guerra do Afeganistão. A transparência e colaboração ditam uma nova realidade.

Na semana passada, o mundo se voltou a informações sobre a guerra do Afeganistão que, até então, estavam escondidas dos cidadãos. Elas só se tornaram públicas graças a uma página na internet colaborativa – o que demonstra o papel cada vez mais democrático e transparente da rede.

O site Wikileaks é destinado a publicar vazamentos de informações que estavam sob sigilo e que, de alguma forma, prestam um serviço público aos cidadãos. No último dia 25, por exemplo, a página publicou 91 mil relatórios sobre a guerra do Afeganistão cobrindo o período de 2004 a 2010. “Eles cobrem mais de 90 mil incidentes diferentes, bem como locais geográficos precisos, e episódios de pequena e grande magnitude”, disse o criador do site, Julian Assange, à publicação alemã Der Spiegel (mas que você pode ler em português aqui).

Essas informações podem alterar o rumo da guerra e a posição dos EUA em relação ao conflito. Segundo a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os documentos podem comprovar a existência de uma espécie de esquadrão da morte contra civis no país asiático. São informações que poderiam ficar de fora do conhecimento do grande público e deixar com que muitos ainda acreditassem tanto na isenção das forças americanas norte-americanas, quanto no real valor da invasão.

“Existe um papel legítimo para o secretismo, e também há um papel legítimo para a transparência. Infelizmente, aqueles que cometem abusos contra a humanidade ou a lei não veem problema em usar o secretismo legítimo para ocultar os abusos que cometeram. As pessoas de boa consciência sempre revelaram tais abusos, ao ignorarem as restrições abusivas à informação. Não é o WikiLeaks que decide revelar determinada coisa. Quem decide é um informante ou dissidente que resolve revelar as informações de que dispõe. O nosso trabalho consiste em assegurar que esses indivíduos sejam protegidos, que a população seja informada e que os registros históricos não sejam negados à sociedade.”, explica Assange ainda à revista alemã.

O importante, para mim, de todo esse processo é ver como a rede trouxe a possibilidade de sempre se mostrar um outro lado que, antes, era inacessível. O Wikileaks surge como uma bela alternativa à grande mídia, às publicações que possuem algum víes econômico em sua linha editorial. O site colaborativo não possui nenhum lucro e não é possível anunciar em suas páginas. É a transparência da informação.

Talvez não por acaso, a capa da revista norte-americana Time, uma das maiores do mundo, seja a imagem acima. Na mesma semana em que os documentos vazaram, a fotografia e a manchete da matéria principal são tendenciosas a favor da invasão, como se demonstrasse que a invasão deixaria de causar a atrocidade acima (o nariz e as orelhas da moça afegã de 18 anos foram arrancados pois ela fugiu da casa do marido).

A rede surge como uma alternativa à grande mídia. E não só uma alternativa qualquer, como um blog pessoal ou algo do gênero, mas com uma força e poder que não existiria sem um meio tão democrático e colaborativo quanto a rede. Para dar uma ideia do poder, a ação do Wikileaks não foi solitária. Para tanto, ela contou com a colaboração dos jornais The New York Times e The Guardian para apuração e publicação dos relatórios. Em outras palavras, o vazamento das informações por meio de um site colaborativo pautou dois dos maiores jornais do mundo.

Fica cada vez mais difícil para governos ou entidades esconderem informações do grande público. A transparência é palavra de ordem. E será complicado fugir desta tendência.

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Comentários

02/12/2010 às 02:42 Anonymous - diz:

Walter – diz:Vejo com desconfiança o surgimento do Wikileaks.Diante de tal acontecimento,é preciso sermos astutos, isso incluem considerar os interesses existentes de organismos secretos presente em toda a esfera mundial.Exemplo:Os EUA para quem ainda não percebeu, vem tentando já a aguns anos detonar uma guerra mundial.Para isso está usando todos os meios possiveis,até que um pais com arsenal atomico, de fato revide às suas sutis provocaçoes.Os EUA como o rosto difuso desses organismos secretos, tem procurado,assim entendo,incitar nos mecanismos governamentais presentes em todo o mundo a necessecidade de impor um maior controle sobre os meios de comunicação, limitando a liberdade de Imprensa.Na verdade o controle já existe, mas não é o suficiente.Vejam que foi só os EUA dar asordens e o site Wikileaks, saiu do ar.Se Wikileaks é parte da agenda Global, então segue a regra de três onde ele é a causa, os seu documentos o problema e a resposta que os organismos secretos através do EUA irão dar isso é a solução, Censura. Por esses motivos vejo o surgimento do Wikileaks com desconfiança. Em um cenário de globalização, serão eles vitimas, mocinhos ou bandidos.Isso depende do que eles com o seus documentos, vão conseguir em relação à liberdade Impresa, principalmente no que diz respeito ao uso Internete em todo o Mundo.

05/05/2011 às 06:32 Anonymous - diz:

Now that’s stuble! Great to hear from you.

05/05/2011 às 10:22 Anonymous - diz:

Gb4mot hwktigahrcim

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Paisagem FabricadaThiago Carrapatoso

Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.

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