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Puff: design para o meio ambiente rcruz - 26/07/2010 às 17:42
Artista digital testa sua obra que monitora as emissões de poluentes pelos automóveis.Eu não quero fazer arte que tenha a ver com o meio ambiente. Quero entender o relacionamento das pessoas com a minha obra que discute as questões ambientais. É assim que Karolina Sobecka, designer e artista, define o que faz e os motivos para tanto.
Karolina está aqui no Brasil para participar do FILE 2010 (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), um dos festivais mais importantes sobre arte e tecnologia do mundo. Sua obra exposta, porém, não tem nada relacionado ao meio ambiente. Esse é um trabalho que ela leva em paralelo, para discutir o design nas questões ambientais.
O projeto chamado Amateur Human (ou Humano Amador, em tradução livre) é uma série de designs conceituais que personalizam nossa relação com o meio ambiente. Entre os designs e utensílios do projeto, está o Puff, que é essa coisa verde aí em cima parecido com um abajur. Karolina me convidou hoje para testar o aparelho e entender o projeto.
Quando cheguei, já estava ansioso para instalar o equipamento em meu veículo e ver o que acusava – ou não – em relação aos poluentes. Ela, porém, me explicou que não era bem assim. Antes de instalar o utensílio, ela precisa explicar o que é e como funciona, para ver justamente a minha relação (a do consumidor) com o objeto. Depois de explicado, ela instalaria o aparelho, analisaríamos as emissões e, então, gravaria uma entrevista comigo sobre o que eu achei e qual a importância para mim em saber as emissões dos poluentes.
Hoje, é tendência produzir obras de arte que discutam ou tenham a ver com o meio ambiente. Eu estou mais interessada em saber a relação que um determinado consumidor tem com um objeto que está relacionado com o tema. Os outros designers procuram solucionar um problema. Eu não. Eu quero entender a relação que as pessoas tem com esse problema, diferencia-se Karolina. E faz sentido.
O aparato é relativamente simples – no funcionamento, não na construção. Ele tem um sensor que captura e identifica os gases poluentes presentes no ar e avisa quando há alteração: a cor verde para quando o ar está limpo e vermelha para quando está poluído. A ideia é que ele seja acoplado ao lado de seu escapamento, para que o sensor consiga capturar os gases que saem por ali. Junto ao aparato, pluga-se ao painel do carro um iPhone que tenha instalado o aplicativo desenvolvido para o projeto (você pode entender um pouco melhor sobre a ligação e o aplicativo pelo post no blog, em inglês).
O aplicativo no celular guardará os dados referentes à emissão. Eles são todos, claro!, estimados, pois não tem como um celular fornecer dados acurados sobre a emissão (nem mesmo o computador de bordo do automóvel). Baseado nisso, conseguirá comparar as emissões antes e depois de uma viagem, de abastecimento em um posto ou outro, da emissão para um tanque de gasolina e outro de etanol, de vida útil do motor. Enfim, as possibilidades são várias.
O aparato no escapamento funciona mais como um termômetro sobre os poluentes. Dessa maneira, as pessoas que estão na rua conseguirão ver que quando se acelera mais o carro, mais poluente emite, quais carros andam com gasolina ou com etanol, motores mais antigos emitem mais do que os mais recentes.
Pegamos todos os aparelhos e caminhamos para o estacionamento onde meu carro estava estacionado para fazer o teste. Demoramos alguns minutos para descobrir onde ficava a entrada para ligar o computador de bordo ao iPhone. Só quando desmontamos todo o painel é que achamos a entrada. Ao ligar o aparelho, porém, a decepção: o carro não se comunicava com o aplicativo. No computador de bordo, inclusive, aparecia o aviso: erro de mensagem.
Tudo bem. O lançamento oficial do projeto será só em setembro, em uma exposição que acontecerá na Noruega. Até lá, o aplicativo será melhorado e disponibilizado para qualquer um realizar o download.
Enquanto isso, por que não usar o aparato com o sensor de poluição como abajur? O design e a ideia são geniais!
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Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.
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