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São Paulo sem o Minhocão rcruz - 17/05/2010 às 13:57


São Paulo é um emaranhado de ruas, avenidas, pontes e viadutos. Tudo para tentar dar vazão aos mais de seis milhões de carros que trafegam por aí – e, claro, nunca é suficiente. O que era considerado símbolo do progresso e da construção de uma megalópole, hoje é um estorvo para a melhora da qualidade de vida dos cidadãos.

No começo do mês, o prefeito Gilberto Kassab anunciou que um dos viadutos que geram grande polêmica na cidade, mais conhecido como Minhocão, pode ser demolido para revitalizar o centro. A revista Superinteressante já publicou uma matéria com algumas soluções utópicas para a melhora da qualidade de vida do paulistano, incluindo a plantação de árvores por todo o viaduto.

Toda essa discussão fez com que o colega de Planeta, Thiago Guimarães, do Pra lá e pra cá, escrevesse um post dando sua opinião sobre o assunto: Abaixo o Minhocão! Neste ínterim, ele me mandou um e-mail questionando como a internet e as novas tecnologias poderiam ajudar na revitalização do centro e a pensar em um projeto envolvendo a população.

Respondo, então, por aqui, para pensarmos juntos como poderíamos criar uma plataforma ou serviço para a revitalização do centro envolvendo a população da região. Hoje, o Brasil se destaca no mundo com seus projetos para criar políticas públicas participativas. A plataforma CulturaDigital.BR, por exemplo, acabou de ganhar menção honrosa do renomado Prix Ars Electronica 2010 graças ao pioneirismo em envolver a sociedade civil na criação de políticas públicas.

Para quem não conhece, o projeto é uma iniciativa do Ministério da Cultura em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa para desenvolver uma plataforma em que a sociedade civil participasse e ajudasse na criação e desenvolvimento de políticas públicas referentes à cultura digital. E, pelo visto, deu resultado. Até o Marco Civil da Internet é discutido com o uso das ferramentas da plataforma.

Agora, como pensar no uso da internet – e suas possibilidade – para pensar na reocupação do centro e na provável demolição do Minhocão? Talvez, uma das possibilidades seja pensarmos em um Alternate Reality Game (ARG). Há uns anos, lançaram o jogo World Without Oil (O mundo sem petróleo, em tradução livre) convidando os participantes a pensarem como o mundo seria se não houvesse mais petróleo. Como você iria para o trabalho sem carro? Como estocar e transportar alimentos sem plástico? O objetivo era conseguir criar uma nova realidade para os participantes e mostrar aos curiosos como o cotidiano seria alterado pela escassez de uma matéria-prima que está anunciada a acabar em breve.

O material em que se demonstrava como seria esse futuro deveria ser enviado em vídeo, foto, posts em blogs ou até quadrinhos. Tudo para tornar a previsão em algo mais palpável e fazer com que os participantes realmente vivessem a experiência de não ter mais acesso à matéria-prima. O resultado foi excelente.

Por que não jogamos com a ideia de uma São Paulo sem Minhocão? Como seria o centro da cidade sem o viaduto? Como seria a vida dos moradores do centro sem ele? Onde eles andariam de bicicleta durante os domingos? Para onde o tráfego de carros seria desviado? O que aconteceria com os prédios ao redor? Quem daria o suporte necessário aos moradores de rua que dormem sob o viaduto?

Esse tipo de material poderia ser usado, por exemplo, para dar base a projetos de revitalização da região, além de mostrar para o governo o desejo dos moradores. É uma articulação política por meio de materiais multimídia. É a rede dos moradores trabalhando para melhorar a sua região.

O que acham?

Imagem tirada por Luis F. Gallo e hospedada no Flickr de Milton Jung CBNSP

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Comentários

17/05/2010 às 14:39 Anonymous - diz:

Li – diz:Saudosa esquina da Albuquerque Lins com a Av São João..saudades dessa metrópole.Em releção ao minhocão, com certeza as vias por onde ele passa ficarão menos degradantes, pois em toda sua extensão só se pode ver lixo e mendigos sob sua estrutura. Mas como já mencionado acima, quem daria suporte a toda essa gente que tem o minhocão como suas casas? Seria necessário realizar a ocnstrução ou habilitar alguma lugar como abrigo, pois se isso não ocorrer, será como mudar essa cena degradante de um viaduto para outro.As entranhas do minhocão sao bem sujas e não agradáveis ao olhos, mas confesso que toda vez que passava por ele, me sentia realmente em São Paulo. Por mais que ele seja a imagem da degradação do centro velho, ele é a cara da Paulicéia Desvairada =)

17/05/2010 às 16:51 Anonymous - diz:

jose bueno – diz:Como sonhar ainda é grátis, acabo de ler a provocação acima e imaginar o velho minhocão sem carros mas como um enorme jardim suspenso. Não faço idéia se a estrutura suportaria o peso de um grande jardim com pequenas árvores e uma imensa ciclovia serpenteando toda sua extensão …

18/05/2010 às 11:09 Anonymous - diz:

Louise Ribeiro – diz:No caso de demolição, como seria o processo? Muito lixo, precisaria de máquinas imensas e não duraria somente um final de semana. Interditaria São Paulo, tornaria o tráfego inviável além do que é irresponsável tirar o minhocão sem dar uma solução logística, por pior que ele seja. Há alguns problemas, como a segurança e os moradores de rua que poderiam ser resolvidos sem a remoção do viaduto. Seria um bom começo. Receio que a solução gere mais caos do que o problema em si. Será necessário um planejamento muito grande para o minhocão ser transformado, seja em entulho ou parque suspenso, sem piorar de vez a vida de quem mora em São Paulo.

18/05/2010 às 15:03 Anonymous - diz:

Kararyu O Dragão Fantasma – diz:Tadinho, vai derrubar um dos pontos de alagamento mais altos de São Paulo? Corolário da carrocracia urbana e ícone da substituição da qualidade de vida pela obsessão alienante da tirania do relógio e da rotina? O único elevado do mundo onde dá enchente? E os nóias e macuqueiros que tem embaixo, vão morar aonde? E acabar com O ÚNICO point do centro de São Paulo onde o motorizado obeso vai FINGIR que pedala e pratica esporte, uma mísera vez por semana? Jamais poderei me refazer da perda de passar naquelas lombas e buraqueiras maravilhosas que ele tem, de skate e de bike. Fora falar das moderníssimas e truculentas cancelas anti-cadeirante e anti-ciclista. Proponho, em vez de demolir, esperar SÓ mais um pouquinho, porque com a má conservação e tanto zumbi urbano usando ele como latrina, logo vai terminar de feder mais ainda e aí junta urubu e carrega ele pra bem longe.

18/05/2010 às 15:59 Anonymous - diz:

Thiago Carrapatoso – diz:Oi, Li!Realmente, querendo ou não, a beleza/feiúra do Minhocão é bem representativa de São Paulo. Mas é engraçado ver, inclusive no meu texto, como o papel do morador de rua entra em uma discussão como essa. Teoricamente, eles não deveriam ser uma das preocupações para a desocupação do Minhocão (sendo ele considerado como casa). O bem-estar deles deveria ser planajemento político estratégico da gestão atual, que em vez de ampliar os abrigos e casas para desabrigados na região central, decidiu fechá-los. Eu perdi o número exato, mas cerca de mil desabrigados ficaram mais desabrigados ainda com essa política de fechar abrigos. E, pensando bem, que bom, então, que o Minhocão tem este papel de casa, pois assim pensamos melhor sobre as políticas sociais que estão acontecendo na cidade, não é verdade? Muito obrigado pelo seu comentário! :) Abraços, Thiago

18/05/2010 às 16:03 Anonymous - diz:

Thiago Carrapatoso – diz:Oi, José Bueno! A ideia do Minhocão virar um grande jardim já é discutida há alguns anos. Mas será que é a melhor alternativa para aquela estrutura? Fazer obras em vias públicas em São Paulo, hoje, sem levantar a discussão de direcionamento de tráfego é praticamente impossível. O Thiago Guimarães, do Pra lá e pra cá, levanta a questão afirmando que se deve, claro, investir em transportes públicos do que pensar em ampliação da malha viária. Mas o que acontecerão com os carros que já fazem esse trajeto diariamente? Para onde eles serão direcionados? A Av. São João, que fica embaixo de parte do viaduto, não suportaria a demanda de tráfego. O que fazer, então? Valeu pelo comentário! Abraços, Thiago

18/05/2010 às 16:10 Anonymous - diz:

Thiago Carrapatoso – diz:Oi, Louise! Muito bem levantado. O lixo gerado pela remoção do viaduto seria um grande problema. Eu, sinceramente, não tenho conhecimento técnico para falar se ele poderia ser reaproveitado para outras obras ou não, mas é uma solução. E a remoção do Minhocão seria parte de um projeto muito maior de revitalização da área central, escoando o tráfego para outras avenidas e replanejando a própria região. Isso, obviamente, demoraria meses, se não anos, para terminar. É um planejamento de médio prazo, pensando que o centro como está não pode continuar. É uma área rica, tanto em aspectos culturais, quanto geograficamente, que não pode continuar degradada e habitável apenas – e com ressalvas – durante eventos grandes como a Virada Cultural. E é por isso que faço o chamamento: como você acha que o centro deveria ser? Quais seriam as soluções para o escoamento do tráfego, por exemplo? Para onde poderia ser destinado o entulho de uma futura e suposta demolição do Minhocão? Como a qualidade de vida dos moradores da região seria afetada? Valeu por participar do blog! Abraços, Thiago

18/05/2011 às 02:34 Anonymous - diz:

Sao paulo minhocao 238751_post.. Corking :)

03/06/2011 às 07:13 Anonymous - diz:

Sao paulo minhocao 238751_post.. Slap-up :)

05/06/2011 às 07:45 Anonymous - diz:

Sao paulo minhocao 238751_post.. Awful :)

02/07/2011 às 13:20 Anonymous - diz:

Sao paulo minhocao 238751_post.. Great idea :)

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Paisagem FabricadaThiago Carrapatoso

Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.

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