Paisagem Fabricada

Publique
o selo
no seu blog

O futuro para o caos energético rcruz - 15/02/2010 às 13:19


Desde o colégio, aprendemos teorias que tentam explicar os males que assolam nossa sociedade. É um pedido de explicação que parece mudar a cada cinco anos, adaptando-se às novas informações e influências. O mais engraçado é que as teorias, volta e meia, e meia volta, reaparecem como a verdadeira realidade.

O aquecimento global tem deixado muitos pensando sobre as possibilidades que as mudanças climáticas podem causar na sociedade. Se fizermos algumas contas simples, veremos que a população poderá crescer a um pouco mais de nove bilhões de pessoas até 2050.

Certo, nove bilhões de pessoas. Como alimentar todas? Como produzir energia para tudo isso? Como manter os mesmos recursos que possuímos para esta galera que está chegando?

Quando conheci a teoria sobre os males da sociedade de Thomas Malthus, achei-a de um extremo elitismo. Para ele, a população cresce de forma exponencial, enquanto a produção de alimentos de forma aritmética. Isso, claro, gera um espaço entre o número de pessoas e a quantidade de comida.

Como resolver? Simples: o controle de natalidade e o benefício de guerras e pestes. Qualquer melhoria no padrão da sociedade seria uma solução temporária, já que as pessoas viveriam melhor e teriam mais filhos, voltando à equação que não fecha. Então, para resolver o problema, considere as mortes em guerras e os moribundos por doenças como algo benéfico para todos.

O problema, para mim, é que somente as pessoas na base da pirâmide populacional são prejudicadas com isso. Se eu for rico, terei dinheiro para me tratar de uma peste. Se eu for influente, não precisarei ir para o exército e arriscar a minha vida em trincheiras inimigas. E quem não for? Pois é.

Tudo isso para falar sobre a possível falta de energia que poderemos sofrer por causa do crescimento demográfico. Diversas iniciativas estão sendo criadas para tentar articular outros meios de se conseguir manter o planeta e nossa “sobrevivência” (coloco o termo entre aspas por ser meio complicado pensar o que é o necessário para a nossa sobrevivência e o que consideramos ser sobreviver).

A Maira, engenheira ambiental e vice-presidente da Veredas, me indicou um projeto que acredita nas tecnologias como forma de contornar estes problemas. O Sahara Forest Project, para resumir, leva como lema a pergunta: como vamos produzir alimento para 9,5 bilhões de pessoas, sendo que ao mesmo tempo precisamos aumentar o uso de biomassa para produzir energia, em um mundo caracterizado pela redução dos recursos hídricos, aumento da degradação de terras e ameaças do aquecimento global?

A ideia é usar os recursos ainda não tão bem utilizados pelo homem para conseguir sanar os problemas energéticos do mundo, ou seja, usar a radiação solar, o cultivo de algas e o movimento das ondas do oceano como uma solução à era dos combustíveis fósseis. Para isso, investe em localidades ainda ermas para aproveitar o espaço não utilizado.

O grande problema de levar ao pé da letra o que está escrito na iniciativa é a crença utópica na tecnologia como salvadora de todos os problemas. Realmente, ela complementou ainda mais a utilização de todos os sistemas produtivos, mas acreditar que somente ela poderá ser a solução é teórico demais.

O bom, pelo menos, é que existem outras possibilidades.

ver este postcomente
Comentários

05/05/2011 às 03:22 Anonymous - diz:

Stands back from the keyboard in amzaeemnt! Thanks!

05/05/2011 às 10:25 Anonymous - diz:

BXiTPf xajeibswalmm

Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!

Enviar

Paisagem FabricadaThiago Carrapatoso

Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.

Posts anteriores

• Miscelânia: Cibercrimes, LAI, Virada Digital e Livros de Humanas

• City 2.0: qual o seu desejo para mudar o mundo?

• Como o Grindr mudou a relação com a cidade

• Miscelânea

• Xispa, CISPA!

• Obediência civil: as novas lutas sociais

• Hackeando o autismo

• O grito da sociedade civil

• Festival BaixoCentro: cultura, intervenção e tecnologia

• Experiências urbanas: a arte de hackear

• Quem é Kony?

• Ocupe terrenos baldios!

• Somos editores: serviços para selecionar conteúdo

• Jornalismo hiperlocal para o seu bairro

• O caminho digital de NY

• Qual será o futuro da escrita?

• Somos todos hackers!

• O dia em que a internet parou

• Festival BaixoCentro: as ruas são para dançar

• Todos contra o S.O.P.A!

• Brasil, um país inovador?

• TrashTrack: rastreando o seu lixo

• Educação e tecnologia para todos

• E se foi mais um Festival

• Cartografia ubíqua

• Natural Fuse: energia consciente

• Ciência para todos!

• Queremos Saber: acesso às informações públicas

• Libre Graphics Magazine: a cobertura da cultura livre

• Casa da Cultura Digital recebe doações para o Wikileaks

• Em breve, um novo sistema

• CulturaDigital.BR: apropriação tecnológica brasileira

• ACTA: A liberdade na rede ameaçada

• A cultura digital em vídeo

• Parcerias para um governo aberto

• Festival Internacional CulturaDigital.BR: mande seu projeto!

• DeadDrops: compartilhe seu pendrive!

• Furacão Irene: a mídia ainda mais social

• Festival de Ideias: publique a sua!

• BusCamp e outros ônibus

• Arte em todo lugar

• Praça conectada: mudando o conceito

• Produção acadêmica sob vigília

• Gambiarra: o precário como inovação

• Ônibus Hacker: invista nesta ideia!

• Internet: um direito humano

• Você é influente?

• Direto de NY: artistas em zonas de conflito

• Cidades para Pessoas: modelos para metrópoles

• Não imprimir é realmente sustentável?

• A cachaça nossa de cada dia

• Reflexões laboratoriais: fabricando paisagens

• Tecnologia para além do mercado

• Purpose: propostas para engajar

• Limpa Brasil: saiba como mapear os pontos de lixo!

• Bandalargar o Brasil

• #EuSouGay

• A tecnologia da não-tecnologia

• Para prever o futuro do clima, veja o passado

• Urbanismo expandido

• Toque em uma orquestra sem sair de casa!

• Japão: o terremoto na rede

• Paisagem distorcida

• #NaoFoiAcidente (ou Mais amor, menos motor)

• MetaReciclagem: resignificando as tecnologias

• Catarse: financie seus projetos colaborativamente

• Google Art Project: ande por museus

• A polêmica: MinC e o Creative Commons

• O carro feito de lixo

• Arduíno: robôs em código aberto

• Os zumbis na sua caixa de entrada

• O novo ano da tecnologia

• As paisagens fabricadas

• Wikileaks: o poderio da sociedade civil

• A arte do centro de São Paulo

• O Complexo do Alemão e as vozes das comunidades

• Web: a neutralidade da rede e a mania por aplicativos

• E começa o II Fórum da Cultura Digital Brasileira

• E lá se foi o TEDxAmazônia

• O preconceito nas redes sociais

• Educação: o controle pelas corporações

• TEDxAmazônia: Ideias espalhadas pela floresta

• Fórum da Cultura Digital Brasileira: encontro de redes

• Redes sociais: as novas ágoras políticas

• Projeto 10^100: a tecnologia para mudar o mundo

• Eleições às claras: como a internet pode ajudar

• Os sons estão em extinção

• Qual o futuro do livro?

• Produção de cultura pela rede

• Identidade eletrônica: desburocratização ou falta de privacidade?

• Como mapear a biodiversidade local

• A voz da multidão

• Wikileaks: a web a favor da transparência

• Puff: design para o meio ambiente

• A África em conteúdo multimídia

• A tecnologia resignificada

• Imprima um novo coração

• TEDxOilSpill: alternativas energéticas

• Isso, realmente, não é normal

• De tabelas a infográficos

• Um tablet por aluno

• Entrevista coletiva #commarina Silva

• O terceiro mundo melhorando o primeiro

• São Paulo sem o Minhocão

• Aprendizado em 8 bits

• Acervos digitais e os direitos autorais

• Encontro: Recursos Educacionais Abertos

• A reforma do direito autoral

• Transformar informação em ação

• O futuro para os centros de acesso

• Eu apaguei! Mas e daí?

• Novos paradigmas a caminho

• O que é a natureza hoje?

• Seu arquivo é contra os Direitos Humanos?

• E-waste: 40 milhões de toneladas ao ano

• Celulares extraordinários

• O futuro para o caos energético

• Ciborguiana

• Câmeras por todos os lados

• Campus Party: Grid e informação compartilhada

• Privar o quê? Ah, privacidade…

• Reflexões sobre um país (quase) conectado

• Angra: como as redes podem ajudar?

• O feminismo em ondas

• COP-15: como dividir conhecimento?

• A apropriação das tecnologias nas periferias

• Programando as paisagens

PATROCÍNIO: