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Ciborguiana rcruz - 08/02/2010 às 18:37


“O ciborgue aparece como mito precisamente onde a fronteira entre o humano e o animal é transgredida.” (Donna Haraway)

A rede é palco de diferentes vozes, simultâneas, divindo espaço entre mecanismos de busca e seleções de editores para que possam ser ouvidas de algum modo. Grupos e mais grupos se amontoam em listas de discussões para tentar chegar a consensos sobre temáticas cada vez mais deliberativas. Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Existe algum deus que nos rege? Será que os humanos estão fadados à destruição? Quais são os limites orgânicos de nossos corpos?

Eu já comentei sobre como a rede é usada para, por exemplo, levantar questionamentos sobre o feminismo e combater o preconceito. Indo um pouco mais fundo ainda neste assunto, como podemos pensar a sexualidade feminina em um futuro inorgânico, no qual o humano e a máquina se entrelaçam e a androginia é cada vez mais presente?

Foram essas ideias que motivaram Donna Haraway a escrever o Manifesto Ciborgue, um marco na discussão sobre a integração entre a ciência e os avanços tecnológicos e a vida orgânica. Mais do que suscitar discussões sobre o feminismo em um mundo cada vez mais integrado, o ensaio é uma referência à evolução da sociedade humana focada em um corpo mais sobrenatural. Em outras palavras, é a ideia de que o homem é uma máquina a ser cada vez mais aperfeiçoada e disponível à superação de limites até então naturais.

A literatura sobre ciborgues é vasta. A filmografia então é outra quase sem fim. A ideia da junção entre homem e máquina povoa o imaginário ocidental há centenários.

Hoje, existem diversas outras teorias, com base na evolução do homem-máquina, que norteam pesquisas e, até, comportamentos. Eu, por exemplo, fui contemplado com uma bolsa de estudos, concedida pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), para estudar como o conceito de cibridismo está interferindo e influenciando a produção audiovisual brasileira. Todas as pesquisas, fichamentos e entrevistas estarão no blog Arte do Cibridismo, dentro do espaço da Culturadigital.br (aliás, lá você conseguirá encontrar trechos do manifesto de Haraway dentre outras obras relacionadas ao tema).

O cíbrido é a realidade que existe entre os mundos off e online. É algo que fica entre os dois limiares, sem saber ao certo se pertence a um ou a outro. É a integração, cada vez mais presente, de nossas necessidades com as oportunidades tecnológicas. É um mundo em que os celulares fazem os papéis de telefones, agendas, câmeras de vídeo e foto, mapa, bússula, calculadora e por aí vai. Um simples mecanismo com centenas de funcionalidades que é carregado no bolso de cada um.

Tudo isso sem levantar questionamentos sobre a biotecnologia, genética, biofeedback e etc. Será que estamos criando um admirável mundo novo moderno? Não sei. O bom é que ainda temos a criatividade para abusar dessas ferramentas e, ainda, continuarmos respirando naturalmente.

Imagem feita por J_(mtonic.com)

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Comentários

30/06/2010 às 22:49 Anonymous - diz:

A lot of specialists state that mortgage loans aid people to live the way they want, because they are able to feel free to buy necessary things. Moreover, different banks present college loan for young and old people.

11/11/2010 às 20:35 Anonymous - diz:

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05/05/2011 às 12:48 Anonymous - diz:

Good to see a tanelt at work. I can’t match that.

06/05/2011 às 01:25 Anonymous - diz:

10gsl6 tlomxszggrmi

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Paisagem FabricadaThiago Carrapatoso

Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.

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