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Campus Party: Grid e informação compartilhada rcruz - 25/01/2010 às 20:57
E começa mais uma Campus Party Brasil. Terceira edição do evento que já falamos tanto* por aqui. Eu já fui lá para cobrir a programação sustentável, ajudei na coordenação da área do Campus Verde e, neste ano, estou apenas tentando arquitetar o encontro de gestores de lan houses brasileiros (mais informações – isso, se vingar mesmo – depois do evento).
Para quem não sabe, a Campus Party Brasil é um dos maiores eventos de tecnologia da América Latina, na qual cerca de 6 mil pessoas acampam durante sete dias no Centro de Exposição Imigrantes apenas respirando esse mundo. Alguns a chamam de Nerdstock, em alusão à festa hippie Woodstock; outros ainda vão mais além e a comparam a uma micareta de nerds.
Seja o que for, aqui – sim, eu já estou aqui – é palco para diversas iniciativas interessantes e que envolvem uma outra percepção da tecnologia além dos milhares de gadgets tão comuns na vida de hoje. Uma delas, é o Grid Público, projeto que envolve a distribuição e processamento de dados públicos compartilhados em seu computador. É assim: sua máquina é muito mais potente do que você pode usar, então, por que não destinar parte de toda esta potência para que outra pessoa consiga trabalhar com projetos de interesse público? A partir de amanhã, quando o projeto será lançado, é só entrar no site do projeto e baixar o programa que destinará parte do processamento de seu micro aos projetos desenvolvidos.
É um espaço e infraestrutura nos quais todos os computadores poderiam ajudar; o que precisa é só da participação das pessoas. O projeto é coordenado pela Daniela Silva, que já foi repórter aqui do Planeta Sustentável, mas que agora é diretora da Esfera e pesquisadora de transparência pública e novas tecnologias. Conversei um pouco com ela para me explicar melhor o projeto e como isso pode ajudar a sociedade.
"Grid Público é uma experiência com o intuito de criar uma infraestrutura distribuída, colaborativa, escalável para processar informações públicas. Ele está inspirado em vários conceitos, como na ideia de que informação é realmente pública e, considerando as novas tecnologias, ela não precisa ficar trancada em servidores do governo, comenta.
Dani explicou que a ideia de usar a tecnologia grid computing veio justamente por ser algo que democratiza o acesso e o processamento de todas as informações. Se os órgãos do governo disponibilizassem todas as informações referentes às suas gestões de forma ordenada, pelo menos, em seus respectivos sites, poderiam acordar com um novo significado do que realmente é informação pública. Qualquer um que quisesse e entendesse de programação poderia resignificar e reinterpretar os dados.
Eu e mais alguns desenvolvedores, por exemplo, trabalhamos em um projeto que poderia ter ido adiante se tívessemos a tecnologia de grid disponível. Durante o Transparência Hack Day, pensamos em pegar todos os métodos de monitoramento do desmatamento da Amazônia do INPE e cruzá-los para que não fiquem confusos e fosse possível ver o real dano que as florestas passavam. O que nos impediu, porém, foi justamente a quantidade de informações necessárias para processar os dados dos mapas do instituto para transformá-los de forma muito mais amigável.
"O projeto tem como base três princípios: 1. computação voluntária, em que qualquer um pode ceder um espaço de processamento de seu computador; 2. desenvolvimento de aplicativos para rodar neste ambiente – o que é inédito no mundo, pois qualquer um poderá desenvolver formas de cruzar as informações; e 3. a replicação de dados por parte da administração pública", explica Daniela.
É para brincar com estes dados que a Dani vai lançar o projeto durante a Campus Party, para começar a articulação com governos e universidades (onde se encontram as principais pesquisas relacionadas à grid) e a mudança da percepção do que realmente é público.
Não estamos preocupados, agora, em como os órgãos do governo vão nos ceder estes dados. Queremos trabalhar com eles para ver o que faremos mais tarde. É aquele bordão: ‘give it to us raw, give it to us now’ (nos dê cru, mas nos dê agora, em tradução livre).
E isso não significa que o que será desenvolvido na iniciativa seja completamente novo, pelo contrário. Qualquer um poderia fazer, mas teria que ter muito dinheiro e ser centralizado. O que queremos mostrar é que tudo isso de fato pertence às pessoas e não deve ficar à vontade do governo de liberar ou processar estes dados quando bem quer.
Então, se você estiver na Campus Party ou pretende ir até lá, não deixe de ver a apresentação e o lançamento do projeto nesta terça-feira, às 20h, no espaço do BarCamp. E não deixe de baixar o programa para começar a ajudar a iniciativa!
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24/05/2010 às 20:51 Anonymous - diz:
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Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.
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