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Miscelânia: Cibercrimes, LAI, Virada Digital e Livros de Humanas Thiago Carrapatoso - 21/05/2012 às 18:21

E mais uma miscelânia!

- Lei de Crimes Cibernéticos: e a nudez de Carolina Dieckman deu um empurrão nas discussões legais sobre a criminalização de algumas atividades virtuais. Por causa do escândalo das fotos nuas roubadas do computador pessoal da atriz, a Câmara aprovou o PL 2.793/11, de autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que “criminifica” a invasão e difusão de informações pessoais. E não só quem invade, mas os desenvolvedores que criarem ferramentas que facilitem isso. Problema: desenvolvedores de segurança da informação podem ser criminalizados por criar softwares que invadem sistemas para testar a segurança dos mesmos. Outro problema: a aprovação aconteceu por meio de um acordão, que garante que o fatídico projeto de autoria do dep. Eduardo Azeredo, conhecido como AI-5 Digital, também será aprovado, mas só com 5 de seus 22 artigos originais (os mais polêmicos foram excluídos, ainda bem!). O Marco Civil da Internet também sofre um empurrãozão com tudo isso e também deverá ser aprovado em breve, logo depois que sair da consulta pública;

- Lei de Acesso à Informação (LAI) em vigor: no dia 16 de maio, entrou em vigor a tão esperada Lei de Acesso à Informação! Agora, todos os órgãos públicos são obrigados a fornecer os dados e informações que possuem. Você, cidadão, finalmente, tem um dispositivo legal que garante exigir dos governos federal, estadual e municipal, além de entidades privadas que recebem recursos públicos, o que foi feito com o seu dinheiro e o que realmente acontece nas instituições. Um caminho interessante para se obter esses dados é usar o serviço Queremos Saber (sobre o qual eu comentei aqui);

- Suspensão do site que disponibilizava livros esgotados: e quem é pesquisador da área de humanas, já deve ter sentido o problema. O site Livros de Humanas, que disponibilizava livros grátis e em formato pdf de edições esgotadas ou de difícil acesso, está sendo processado pela Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos (ABDR) e teve que fechar o serviço. No site, agora, só se encontra o texto: “Olá. O site está fora do ar porque recebemos notificação judicial da abdr. Por ora é o que podemos informar. Obrigado. Moderação livros de humanas”. A culpa é das editoras Forense e Contexto, que levaram a ação adiante. Vários autores já demonstraram apoio ao site, que ao disponibilizar livros que nem estavam a venda nas livrarias, ajudavam na democratização do conhecimento. O site “Opinião & Notícia” comentou sobre o assunto e publicou diversos depoimentos, entre eles do próprio moderador da página em uma suposta entrevista ao jornal O Globo: “É óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente. Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país.”;

- Virada Digital: e, agora, além das viradas culturais, há também a Virada Digital. Organizada também por um dos ex-diretores da Campus Party, o evento pretende ser um festival “focado em inovação, interatividade e desenvolvimento sustentável”. E promote acompanhar as cidades da Copa de 2014 para eventos simultâneos sobre a questão da cultura digital no país. A primeira edição, que aconteceu na semana passada, reuniu cerca de 16 mil pessoas, em Paraty. Agora, temos o Festival CulturaDigital.Br, a Campus Party e a Virada Digital. Haja tecnologia!

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City 2.0: qual o seu desejo para mudar o mundo? Thiago Carrapatoso - 14/05/2012 às 20:56

Como criar uma cidade totalmente conectada, interativa, colaborativa, 2.0? O TED, aquela iniciativa que tem como slogan “ideias que merecem ser espalhadas” e promove palestras inspiradoras, criou uma plataforma como meio de articular pessoas, ideias e recursos para tornar esse futurismo realidade.

O “City 2.0”, como diz o próprio site, foi criado para “dar assistência aos cidadãos em qualquer lugar do mundo para criar sua própria Cidade 2.0. Ele se tornará uma rede em contínua expansão e será referência de projetos que envolvam as cidades, com a habilidade de escalonar sucessos, aprender com os erros e instigar uma ação global”. É um projeto e tanto, no fim.

Na verdade, a iniciativa que financiou o projeto é o TED Prize, que anualmente dá um prêmio de US$ 100.000 como forma de viabilizar “um desejo para mudar o mundo”. O City 2.0 é a forma que eles encontraram para nesta edição de 2012 escolher 10 projetos que criem essa cidade. Se você tiver uma ideia de projeto, não demore!, as inscrições vão até amanhã (15 de maio!). Deve-se preencher o formulário e criar um perfil na plataforma. Depois disso, adicione a sua ideia e em que região da cidade ela afetará.

A plataforma cruzará os dados sobre recursos e pessoas e te indicará quais são as mais aptas para lhe ajudar na tarefa. Assim, mesmo que você não ganhe o prêmio, poderá ainda articular uma comunidade interessada em lhe ajudar a realizar seu projeto.

Vale a pena entrar e conferir os recursos disponíveis – além, claro, de cadastrar os seus!

O vídeo, que pode ser acessado aqui, dá uma ideia também do tamanho do projeto.

Qual o seu desejo para mudar o mundo e sua cidade?

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Como o Grindr mudou a relação com a cidade Thiago Carrapatoso - 07/05/2012 às 20:17

Quando se pensa nas alterações que a tecnologia fez no meio urbano, dá aquela impressão que são apenas para o futuro, que estão distantes da nossa realidade. Na verdade, elas estão muito, mas muito mais perto de nossas vidas e, inclusive, já modificaram e muito como lidamos com as cidades.

Acho que uma das maiores invenções que possibilitaram essas mudanças foi a democratização do uso do GPS. Os celulares, agora, viraram mapas, que nos orientam e nos fornecem outras informações que, até então, não tínhamos para explorar o meio em que vivemos. O post que escrevi sobre a ubiquidade cartográfica dá uma ideia de como é difícil ver limites nas possibilidades que isso traz à vida cotidiana.

E vários aplicativos de smartphones também usam a ferramenta de geolocalização para tarefas gerais – bem gerais, por sinal. Pesquisando sobre a mudança de percepção do cidadão com a cidade e o urbanismo, achei a iniciativa chamada Elastic City, que promove caminhadas pelo meio urbano lideradas por artistas com o intuito de mudar a percepção sobre o ambiente em que vivemos (falarei melhor deles em breve). Uma dessas caminhadas me chamou a atenção pelo improvável e por nunca ter pensado como um aplicativo pode mudar a interrelação de uma comunidade inteira.

Jacob Gaboury, doutorando pela New York University, pesquisa como as mídias são usadas para retratar a comunidade gay, incluindo, claro, as novas tecnologias. Querendo fazer algo durante a parada do orgulho da comunidade, Jacob elaborou, junto com Todd Shalom (criador do Elastic City), uma caminhada denominada “Findr”. O intuito era usar o aplicativo de relacionamentos “Grindr” como meio de comunicação para atividades durante a parada.

Para entender: o Grindr é um software gratuito muito usado pela comunidade gay masculina para encontrar parceiros – principalmente sexuais –, já que usa a geolocalização para achar outras pessoas por perto. Por meio dele, pode-se trocar mensagens e enviar fotos. Para se ter ideia da popularidade do aplicativo, em 2011, eles registraram 3,5 milhões de usuários cadastrados em 192 países, sendo que 71 mil ficavam online simultaneamente.

O que isso tem a ver com a mudança de percepção com a cidade? Praticamente tudo. Por se tratar de uma comunidade que, claro, quer necessariamente encontrar semelhantes, há espalhados por todos os lugares bares, boates, cafés e todo os tipos de estabelecimento com foco no público gay – sendo muitos locais para paquerar. Com o Grindr, esses estabelecimentos perderam um pouco o sentido, já que se pode achar um parceiro por perto apenas por meio do celular. Não há mais a exigência de se sair de casa para procurar alguém. É só trocar algumas mensagens, enviar algumas fotos e se encontrar logo em seguida.

Jacob acredita, ainda, que outros aplicativos similares podem reestruturar mais o espaço urbano. Para tanto, ele cita o livro “Times Square Red, Times Square Blue”, que, entre tantas outras coisas, narra a mudança urbanística que a região hoje conhecida como Broadway, em Nova York, passou de cinemas pornográficos para teatros para musicais. É uma história que está por trás de regiões famosas hoje, mas que poucas pessoas têm acesso ou interesse no momento para pesquisar. Jacob, então, pensou em criar um aplicativo que visualizasse as histórias de encontros amorosos que aconteceram naquele determinado local ou estabelecimento. Dessa forma, a relação com a cidade não é mais unidirecional, com o cidadão interagindo com a infraestrutura, mas bidirecional, com a estrutura contando uma narrativa em que ela é coadjuvante ou protagonista.

De qualquer forma, é interessante ver que um aplicativo desenvolvido para agilizar encontros amorosos possa mudar a relação que temos com a cidade e, até, fechar estabelecimentos que viram seu público esvaziar.

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Thiago Carrapatoso é diretor-presidente da organização sem fins lucrativos Veredas, que trabalha com tecnologias para fins sociais e é uma das instituições que fundaram a Casa de Cultura Digital. É jornalista e especialista em Comunicação, Arte e Tecnologia. Acredita no potencial do digital para modificar as estruturas da sociedade e melhorar o mundo em que vivemos. Deixa seus rastros pelo delicious, twitter e no blog coletivo Trezentos. Aqui, conta um pouco sobre iniciativas tecnológicas que questionam e mudam o que conhecemos.

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• Miscelânia: Cibercrimes, LAI, Virada Digital e Livros de Humanas

• City 2.0: qual o seu desejo para mudar o mundo?

• Como o Grindr mudou a relação com a cidade

• Miscelânea

• Xispa, CISPA!

• Obediência civil: as novas lutas sociais

• Hackeando o autismo

• O grito da sociedade civil

• Festival BaixoCentro: cultura, intervenção e tecnologia

• Experiências urbanas: a arte de hackear

• Quem é Kony?

• Ocupe terrenos baldios!

• Somos editores: serviços para selecionar conteúdo

• Jornalismo hiperlocal para o seu bairro

• O caminho digital de NY

• Qual será o futuro da escrita?

• Somos todos hackers!

• O dia em que a internet parou

• Festival BaixoCentro: as ruas são para dançar

• Todos contra o S.O.P.A!

• Brasil, um país inovador?

• TrashTrack: rastreando o seu lixo

• Educação e tecnologia para todos

• E se foi mais um Festival

• Cartografia ubíqua

• Natural Fuse: energia consciente

• Ciência para todos!

• Queremos Saber: acesso às informações públicas

• Libre Graphics Magazine: a cobertura da cultura livre

• Casa da Cultura Digital recebe doações para o Wikileaks

• Em breve, um novo sistema

• CulturaDigital.BR: apropriação tecnológica brasileira

• ACTA: A liberdade na rede ameaçada

• A cultura digital em vídeo

• Parcerias para um governo aberto

• Festival Internacional CulturaDigital.BR: mande seu projeto!

• DeadDrops: compartilhe seu pendrive!

• Furacão Irene: a mídia ainda mais social

• Festival de Ideias: publique a sua!

• BusCamp e outros ônibus

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• Praça conectada: mudando o conceito

• Produção acadêmica sob vigília

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• Internet: um direito humano

• Você é influente?

• Direto de NY: artistas em zonas de conflito

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• A cachaça nossa de cada dia

• Reflexões laboratoriais: fabricando paisagens

• Tecnologia para além do mercado

• Purpose: propostas para engajar

• Limpa Brasil: saiba como mapear os pontos de lixo!

• Bandalargar o Brasil

• #EuSouGay

• A tecnologia da não-tecnologia

• Para prever o futuro do clima, veja o passado

• Urbanismo expandido

• Toque em uma orquestra sem sair de casa!

• Japão: o terremoto na rede

• Paisagem distorcida

• #NaoFoiAcidente (ou Mais amor, menos motor)

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• Catarse: financie seus projetos colaborativamente

• Google Art Project: ande por museus

• A polêmica: MinC e o Creative Commons

• O carro feito de lixo

• Arduíno: robôs em código aberto

• Os zumbis na sua caixa de entrada

• O novo ano da tecnologia

• As paisagens fabricadas

• Wikileaks: o poderio da sociedade civil

• A arte do centro de São Paulo

• O Complexo do Alemão e as vozes das comunidades

• Web: a neutralidade da rede e a mania por aplicativos

• E começa o II Fórum da Cultura Digital Brasileira

• E lá se foi o TEDxAmazônia

• O preconceito nas redes sociais

• Educação: o controle pelas corporações

• TEDxAmazônia: Ideias espalhadas pela floresta

• Fórum da Cultura Digital Brasileira: encontro de redes

• Redes sociais: as novas ágoras políticas

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